Tantra


Tantra

Crédito: Aristides Duarte

O grupo Tantra iniciou as suas actividades em 1976, quando Manuel Cardoso e Armando Gama, de Lisboa, se juntam e formam um duo. Manuel Cardoso (guitarrista) tinha passado por outro grupo famoso na época, os Beatnicks, onde a vocalista era Lena D'Água. Armando Gama tocava teclas. O nome Tantra foi escolhido por Manuel Cardoso, que andava a praticar yoga. A este núcleo inicial juntam-se o baixista Américo Luís, o baterista Rui Rosas e o percussionista Firmino.

Com esta formação gravam um single "Alquimia da Luz", que permite que o grupo se afirme como um dos primeiros grupos portugueses a seguir a corrente progressiva praticada pelos Yes ou os Genesis. A banda estreia-se ao vivo juntamente com os Beatnicks e, após a saída de Rosas e Firmino, entra um novo baterista, Tozé Almeida, famoso por tocar quase sempre em contratempo, com uma bateria que era um "monstro". Com esta nova formação o grupo grava, em 1977, o seu primeiro LP "Mistérios e Maravilhas", hoje considerado, mesmo a nível internacional, um "clássico" do Rock progressivo.

Ao contrário do que acontecia na Inglaterra , onde o progressivo estava em declínio, os Tantra arrastavam multidões em Portugal. Tanto assim que conseguiram encher o Coliseu dos Recreios, em Lisboa, um feito inédito para um grupo de Rock. Tony Moura (vindo dos Psico) entra na formação do grupo, para reforçar as vozes e o grupo começa a ensaiar os primeiros passos dum espectáculo com muito de teatral. Manuel Cardoso começa a usar a máscara de um velho no tema "À Beira do Fim", nos espectáculos ao vivo.

Armando Gama abandona e, para o seu lugar, entra Pedro Mestre que, logo depois seria substituído por Pedro Luís, mais tarde dos Da Vinci. Em 1978 os Tantra editam "Holocausto", um disco mais amadurecido, em que as vozes já começam a sobressair. Segue-se nova tournée nacional e o sucesso continuou, só que o rumo musical mudou. Manuel Cardoso aproveitou os novos ventos que sopravam de Inglaterra e começou a enveredar pelo estilo New-Wave.

Em 30 de Maio de 1980, integrado num tour nacional, com publicidade nas rádios nacionais, o grupo visita a cidade da Guarda, para promover o seu novo disco de originais. Esse espectáculo, no qual o teatro era uma presença constante, mostrava bem que os rumos musicais dos Tantra já estavam muito longe do progressivo, embora os velhos êxitos não fossem esquecidos.

A língua portuguesa, usada até aqui nas canções do grupo, cedia lugar à língua de Shakespeare, numa tentativa frustrada de internacionalização. O novo disco intitulado "Humanoid Flesh" revelou-se um fracasso. Neste disco já não participa Américo Luís que é substituído no baixo por Dedos Tubarão (que é, nem mais nem menos, Pedro Ayres Magalhães).

* * *

Os Tantra terminaram a sua carreira em 1981. Tozé integrou os Heróis do Mar e Manuel Cardoso (que, no último disco dos Tantra se transformara em "Frodo") gravou, a solo, ainda em 1981, o single "Machos Latinos", e no ano seguinte o LP "Noites de Lisboa" (com a participação de António José Almeida e Pedro Luís, seus colegas nos Tantra) e depois o LP "Zbaboo Dance".

Em 1995 Manuel Cardoso começou a trabalhar na remasterização de uma gravação ao vivo de um concerto dos Tantra de 1977 (de que viria a resultar o CD "Live Ritual") trabalho que lhe despertou o desejo de fazer renascer os Tantra. Como nenhum dos outros elementos se manifestou disponível, iniciou a busca de outros músicos. Depois de reunida a nova formação, iniciaram os ensaios em 1998 e trabalhos em estúdio em 2000, do que resultou, em 2002, o albúm "Terra".

Leia nesta entrevista interessantes revelações de Manuel Cardoso, quer sobre a formação original dos Tantra, quer sobre a sua recente reencarnação. Veja também a página oficial dos Tantra.



O espectáculo total dos Tantra

Crédito: "Enciclopédia do Rock"

Em Portugal, nos anos subsequentes ao pós-25 de Abril de 74, o rock registou um forte acréscimo na politização das suas letras, fruto dos tempos revolucionários que se viviam. Ao mesmo tempo, a música popular portuguesa assumiu-se como principal centro de atracção artística, o que criou um certo vazio na nossa produção rock. Dois anos depois, Manuel Cardoso, um apaixonado confesso de grupos como Genesis, Pink Floyd ou Yes, fundou os Tantra e abanou por completo o conceito de espectáculo praticado nos nossos palcos. Ao seu lado estavam Armando Gama (piano), Américo Luis (baixo) e Raul Rosa (bateria), o núcleo duro de uma banda histórica, mais pelo impacte suscitado pela sua atitude estética, do que propriamente pelo património musical que deixaram.

Um aspecto importante dos Tantra residia na forte componente espiritual do grupo, em especial do próprio Manuel Cardoso, um seguidor do guru Maharaj Ji. um mestre incontestado para muitos dos nossos rockers desse período. No sentido de esquecer um passado atribulado, marcado pelo envolvimento com estupefacientes, Cardoso dedica-se de alma e coração aos Tantra. Adoptando a máscara pontiaguda de uma figura retirada da Trilogia "O Senhor dos Anéis", de Tolkien, resolve montar o espectáculo total, numa planificação multimédia inovadora até à época em Portugal, cruzando a música com encenações teatrais bizarras, numa montra fortíssima de luzes e fumos. Na sua obra discográfica destacamos trabalhos como «Mistérios e Maravilhas», «Holocausto» e «Humanoid Flesh», numa obra que se iria prolongar mais tarde com o projecto Frodo, um novo alter-ego de Manuel Cardoso.

Durante a segunda metade da década, um outro grupo despontou com uma forte apetência para agitar o panorama nacional, os Perspectiva, nascidos no Barreiro, com um vincado pendor lírico proletário. Na sua formação despontava o nome de Tó Pinheiro da Silva, um músico que se iria revelar vital para a música dos nossos anos 80. Multi-instrumentista e químico de profissão, Tó Pinheiro da Silva trouxe ao nosso rock a sua primeira identidade urbana, fruto dessa vivência industrial na cintura metropolitana de Lisboa, deixando trabalhos como: os singles «Lá Fora a Cidade» e «Rei Posto Rei Morto», e o álbum «A Quinta Parte do Mundo», cujo pressuposto inicial consistia na edição de um trabalho conceptual, só abandonado devido ao elevado custo da produção implicada para o efeito. De qualquer modo, trata-se de um grupo que marcou a actividade rock do «outro lado da margem» com resultados visíveis nas gerações que se seguiram.


LIVE RITUAL

No inverno de 1977 os Tantra deram o seu primeiro concerto no Cine Teatro da Encarnação, uma noite memorável para a banda e para o público. A partir da gravação desse concerto (num gravador A77 Revox de dois canais), depois remasterizada, foi editado em 2003 o CD "Live Ritual":

Faixas:
1 - Ritual
2 - Máquina da Felicidade
3 - Vida
4 - Sonhos
5 - OM
Músicos:
Américo Luis (Baixo Fender Precision)
Armando Gama (Piano acústico, Synthorquestra Farfisa e vocais)
Manuel Cardoso (Guitarra Gibson Les Paul Custom, Top Gear Guitar Syntetiser e vocais)
Tó Zé Almeida (Ludwig Drums , RonTonTons)
(Ao longo dos anos 1997 e 1998 o grupo ensaiava 5 dias por semana, 8 a 12 horas por dia!)


No site dos Tantra pode ser feito o download de um excerto de Vida"

MISTÉRIOS E MARAVILHAS

1978 LP – gravado em 8 faixas nos Estúdios Valentim de Carvalho

Faixas:
1 - À beira do fim
2 - Aventuras de um dragão num aquário
3 - Mistérios e maravilhas
4 - Máquina da felicidade
5 - Variações sobre uma galáxia
6 – Partir sempre
Músicos

Armando Gama (piano acústico e Farfisa SyntOrqestra syntetiser)
Américo Luis baixo Fender Precision)
Manuel Cardoso (guitarra Gibson Les Paul Custom , guitarra acústica Ovation e Top Gear 55 Guitar Syntetiser)
Tó Zé Almeida (bateria)

HOLOCAUSTO

1978 - Gravado em 16 faixas nos Estúdios Valentim de Carvalho

Faixas:
1 - OM
2 - Holocausto
3 - Zephyrus
4 - Ara
5 - Talismâ
6 – JI
Musicos:

Pedro Luis (piano Steinway, Clavinet D6 , Polymoog , Minimoog , ARP Odyssey , guitarra Fender Rhodes e Mellotron)
Américo Luis (baixo Fender Precision) Manuel Cardoso (guitarras Gibson Les Paul Custom , Gibson Humingbird acoustic, Gibson 330, Sítara, Top Gear 55 Guitar Syntetiser - MXR Digital Delays
Tó Zé Almeida (Ludwig Drums , RonTonTons , Tubular Bells , Marimbas , percussão e clarinete)
Músicos convidados:
Pedro Mestre - teclados em " JI "
Tony Moura - Vocais


[Foto: Júlia Pinheiro]

In 1975 Tantra assembled a first group of musicians with whom they recorded their first and only Single. From this formation only the following musicians continued to the second phase; Manuel Cardoso (Electric Guitar), Armando Gama (Keyboards) and Américo Luis (Bass). It´s when Tó Zé Almeida joins the band, as fulltime drummer, that the real original formation of Tantra comes together.

In 1977 ´s winter the band gives it´s first concert in CineTeatro da Encarnação in what was to be a memorable night for the band and the public. Everyone in the audience, including the media, was ecstatic with the bands music. From that concert´s two track tape, remastered, the cd "Live Ritual" was edited. Soon the band was established as the main rock group in Portugal. The band then recorded "Mistérios e Maravilhas" (1978), the band´s first album, that did bring them to public as the only Portuguese Sinfonic Rock group to be able to put out records and back them up with live concerts all over the country with original music and portuguese lyrics.

After a while Armando Gama left the band and was replaced, temporarely, by Pedro Mestre. The reason for this was that the soon to be Tantra´s keyboard player Pedro Luis still had some concerts to do with his own jazz group and so the band needed a keyboardist for their live gigs. Before he left the band Pedro Mestre composed a music for the band, "JI", that was most welcome due to it´s quality and empaty with the bands spirit.

After around one year of packed live gigs all over Portugal and hard weekly rehearsals dedicated to composing new musics, the band went into studio, already with Pedro Luis on keyboards, and the colaboration of Pedro Mestre and Tony Moura, to finally record their second album "Holocausto" which was an instant success both with the press and the public. It even received a best record of the year award.

Again, about one year of live concerts, now with the colaboration of Tony Moura, an experienced guitar player, that helped with the guitars that Manuel Cardoso could not play when involved with the stage teatrical scenes that ocasionally came up during the show.

After these two records, with portuguese lyrics, the band decided to make a return to the roots and do an album sung in english with a Rock Sinfonic / New Wave feeling: "Humanoid Flesh" this album really worked out great live, throughout the 1980/1981´s Tour, with the public responding well to the music, but was not played on the radio and had bad critics on behalf of it´s lyrics being in english and on moving away from the Sinfonic Progressive musical line. This reaction to a natural creative mood and evolution, as the band saw it, created an unconfortable feeling in the band towards this state of things. After all, it was Tantra, the group that had started (in it´s generation) the Portuguese Rock revolution, the first to be successfull playing their own original, portuguese sung, Portuguese Rock! The group that, for years, had defended Portuguese language live and in studio was being pointed out for singing in english. The year was 1981, and the band decided to suspend it´s existence!

Crédito: Progressive Rock & Progressive Metal.


Like so many things in Portugal during the 70’s, the innovative ideas tended to take some time until completely being absorbed by a country just in a transition phase to democracy after a long period of dictatorship. Even if until the date of this release there were already some edited Progressive albums here, it was Holocausto that finally captured the whole soul of this most established musical art form. After a well succeeded first album - Mistérios e Maravilhas, the band Tantra, driven by a growing fan bases and a steadily (at least at this time) cult prog scene, presented the fans with a mature and representative album. One that featured all the teachings and overgrown pretentious savvy (in the usual progressive good sense) of several years developing their own style while not disregarding the Monster bands of the genre.

Tantra was also noticed by this time for their exclusive Live acts, where a fantastic scenic show was designed and unfolded to better serve the complex theatrical music they were playing. This, taking advantage of the success that both Genesis and Nektar have had in their mythical concerts in Portugal, some years before.

The music in Holocausto show us a band with a specific own style, while sipping allusions from Genesis, early King Crimson and Yes and even Ange. To that learned base, they added an extra load of complexity, hard arrangements, odd-time rhythm changes and a very peculiar and innovative (for that time) sense of melody.

By all this I mean that Holocausto is a feast in bizarre, even for the 70’s, Symphonic Prog. Apparently the band wasn’t trying to be melodic or generous to the fans ears, as they kept challenging the usual structures with tons of Keyboard mayhem aiming jazzy textures imprisoned inside a Sympho capsule. Also the guitar/bass duels were adding wicked turns and changes in the “normal” procedures and the bizarre vocals were almost off-topic.

Listening to this music now, more than 20 years later, a kind of nostalgic feeling (for the time has been cruel on this record, making it sound dated) is mixed with the perplexity of finding so much common yet tangent and even perpendicular sounds to the mainstream 70’s Sympho. This was kind of a challenging effort by the band, exploring new venues while maintaining basic traces of their masters.

What is most defying here is the curious melodic lines that completely disregard calmness and obvious harmony while substituting it with complex and dark/hard toned structures. All in all, this is a very difficult album to understand and to like at first listen. It is courageous, bold and everything but short-minded. And it can be a real challenge even for the experienced progger.

Later, the band, driven by a complete change in scenery, abandoned this (so hard to construct) style, selling out to new paths that lead them nowhere (I’m talking about the third chapter - Humanoid Flesh). This meant the end of the line for Manuel Cardoso’s Tantra.

Now, maybe driven by the "progressive rebirth" phenomenon that the Internet has provided, a second chance has been set and Tantra has taken the risk of this new challenge, as they prepare to release a new, back to the Sympho Prog roots, album. If you understand that in Portugal, Tantra is the synonym for Symphonic Prog, you can obviously guess my euphoria while I wait to get my hands (and ears) in their 2003 chapter.

Crédito: Nuno


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