C  A  S  T  E  L  O      D  A

Contos sadomasoquistas


Lição de Direção

                                                    

 Certa tarde, mais ou menos por volta das duas horas, eu dirigia num local de ultrapassagem proibida, tentando ligar do celular com uma das mãos, quando forcei a passagem por um carro azul, deixando sua motorista para trás. Continuei por mais alguns quilômetros, passando por um posto policial. Mais ou menos uns seis ou sete quilômetros depois do posto, um carro da PM aproximou-se em alta velocidade, com a sirene a toda. Parei no acostamento. Do carro desceu uma policial feminina, alta e forte, com profundos olhos verdes, pele clara, e muito, muito bonita (mesmo naquela situação, não pude deixar de reparar).
 - Então, o senhor pensa que é piloto de provas, não? Onde já se viu ultrapassar alguém daquela maneira, e ainda mais em local proibido! Não tem responsabilidade? 
 Soube então que era ELA quem estava no carro azul, e que parara no posto onde pegou o carro oficial e me seguiu para me parar. Eu estava realmente enrascado. Ela me mandou apoiar as mãos no carro, de costas para ela, enquanto verificava meus documentos.
 - Percebi também que você estava no celular enquanto dirigia. Não sabe que isto é proibido? Você vai ver só a multa que vai ganhar - pra não falar dos pontos na carteira!
 Gelei. Eu já tinha muitos pontos, e com mais uma multa seria suspensão na certa. Tentei argumentar, mas ela estava irredutível. 
 - Quem você pensa que é para dirigir daquele jeito? E ainda há quem fale das mulheres motoristas. Se você vai ficar um ano sem dirigir é bem feito.
 Comecei a implorar, dizendo que eu faria qualquer coisa se ela deixasse passar. Eu falava sério, mas nada me prepararia para a resposta.
 - Qualquer coisa mesmo? Até ser meu escravo? - ela disse, entre zombeteira e séria.
 - Sim! - respondi, surpreso tanto com a proposta como com minha assertiva.
 Senti que ela me analisava. "Hummmm", ela fez, enquanto me olhava, "até que você pode dar uma boa diversão...". Subitamente, ela mandou que eu entrasse no carro e a seguisse, e que não ousasse tentar nenhuma gracinha, ou ela daria o alerta, e eu ia parar no xadrez, com certeza. Sem outra alternativa, segui-a até uma estrada vicinal, onde me fez sinal para parar. Tive de deixar meu carro estacionado próximo à estrada de terra, atrás de uma árvore, e entrar no carro, na parte de trás, onde ficavam os presos. Não havia mais como escapar. Ela vendou-me os olhos com um lenço, e seguiu durante um bom tempo (não sei dizer quanto se passou).
 Quando parou, ela me fez descer e caminhar um pouco. Ainda de olhos vendados, percebi que entrara em algum lugar, uma casa, talvez, e que ela trancou a porta. Ela me fez sentar.
 - Ponha suas mãos para trás! AGORA! - comandou.
 Obedeci, com o coração disparado, de medo e de excitação.Subitamente, pude ouvir e sentir o "click" das algemas imobilizando meus pulsos. Estava preso. Então, ela tirou a venda. Não consegui distinguir de imediato onde estava, mas o panorama foi pouco a pouco se delineando, e era muito assustador. Parecia uma velha casa ou galpão, com paredes brancas pintadas a cal, um piso de cimento encerado com vermelhão, e das paredes pendiam vários instrumentos: cassetetes, cordas, borrachas, palmatórias, varas e "rabos-de-tatu" (um tipo de chicote com várias tranças de couro cru). No centro, uma mesa comprida e estreita, com quatro tiras de couro na extremidade. Divertindo-se com meu terror, ela explicou minha situação.
 - É aqui que damos um "trato" nos marginais que não colaboram. Mas acho que vai servir muito bem para ensinar boas maneiras para um motorista folgado, você não acha, ESCRAVO? 
 Não respondi de imediato. Um forte tapa estalou em meu rosto esquerdo.
 - Eu perguntei: NÃO ACHA, ESCRAVO?
 - Sim - respondi. Outro tapa, desta vez do lado direito.
 - Sim, SENHORA! Veja como fala!
 Abaixando a cabeça, respondendo como ela queria.
 - Sim, senhora...
 Eu estava completamente indefeso, sem qualquer chance de protestar ou fugir. Mas, estranhamente, aquele jogo começava a me fascinar. Era incrivelmente provocante estar assim, subjugado, frente a uma mulher em evidente posição de autoridade - o que era ainda mais reforçado pelo uniforme. Tentei distinguir seu nome, mas ela havia retirado o velcro do uniforme. Ela percebeu, e me censurou. 
 - Tentando saber quem eu sou pra tentar reclamar depois, escravo insolente? Por ora, basta saber que aqui sou sua RAINHA, e exijo ser tratada como tal. Garanto que nunca mais vai esquecer a lição que vai aprender aqui. 
 Mais dois tapas em cada face. Senti que meu rosto ficava vermelho, enquanto meus olhos, involuntariamente, começavam a lacrimejar. Agüentei firme, o quanto pude. Ela me fez levantar, passando os braços por cima da guarda da cadeira, sem tirar as algemas. Desatando meu cinto, mandou-me ficar encostado na parede. Em seguida, abaixou minhas calças, deixando-as cair até os pés, fazendo com que eu ficasse só de cuecas.
 - Então, você pensa que é bem crescidinho para dirigir e desrespeitar os outros, não é mesmo? Pois para mim você não passa de um garoto muito levado, e vai levar com o próprio cinto a surra que sua mãe devia ter dado. Pronto? 
 Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, meu cinto de couro começou a estalar vezes sem conta em meu traseiro exposto. No começo, pensei que daria para agüentar, mas logo em seguida a dor foi crescendo e crescendo, ficando quase insuportável. O cinto parecia ter mil dedos, atingindo vários pontos ao mesmo tempo, tal a velocidade e a força que ela usava. Era evidente que ela tinha experiência no assunto. Algemado como estava, era impossível acudir a dor, e começava a me agitar, sem conseguir ficar parado.
 - Fique quieto para apanhar! Que escravo mais rebelde! Espere que eu já te ensino. Toma! Toma! Só acaba depois que eu te der umas boas lambadas SEM que você se mexa! Toma!
 As lágrimas já começavam a escorrer. De fato, nunca eu apanhara daquele jeito. Minhas nádegas ardiam, à medida em que o couro revisitava os pontos já sensíveis, fazendo novos estragos. A surra durou uns dez minutos, mais ou menos. De algum modo, consegui me conter, aplacando um pouco a ira de minha carrasca. Mas já não era capaz de esconder minha excitação, voltado para a parede, inebriando-me de tesão e vergonha.
 Terminadas as cintadas, ela pegou um tapete de fibras de cordas, rústico, e colocou no chão, ordenando-me que eu ajoelhasse sobre ele. Sempre algemado, e olhando para a parede, fiz como ela mandou, sentido a aspereza e um intenso desconforto. Olhando melhor, percebi que a trama do tapete era feita de inúmeros pequenos nós, o que fazia com que os joelhos doessem em diversos pontos. Percebendo de repente o quanto seria penosa aquela tortura aparentemente infantil, comecei a choramingar e implorar perdão. Novos tapas no rosto me calaram.
 - Tem graça! Algumas lambadas de cinta e nem dois minutos de castigo no tapete e nosso motorista machão já está parecendo uma mulherzinha! 
 Dizendo isto, ela pegou algum objeto - um cacetete, eu acho - e encostou, com força, em meu ânus, como se fosse introduzi-lo. 
 - Olha aqui, se você não quiser se comportar como homem, eu vou tratá-lo de acordo. Você ainda não viu o quanto eu posso ser malvada, entendeu?
 - Sim, senhora. Por favor, perdoe minha insolência. Eu fico no castigo sem reclamar.   - Assim está melhor. Você vai passar a próxima hora aí, enquanto eu vou providenciar algumas coisinhas.
 E saiu. Fiquei imóvel, olhando a parede, fascinado com aquela mulher envolvente e misteriosa. Não era a infração que a movia, era o prazer de ter um homem - voluntariamente - sob seu domínio poderoso. A dor nos pulsos e nos joelhos era intensa, mas mesclada a uma excitação crescente. Quando voltou, estava acompanhada por uma colega.
 - Então este é seu escravo? Hummm, ele realmente precisa aprender uma lição. Puxei a ficha e ele já tinha diversas multas: excesso de velocidade, avançar o sinal... é do tipo que só apronta e nos dá trabalho.
 - Sem dúvida. Mas agora, nós é que vamos dar trabalho a ele. Eu vou precisar de uma ajudazinha.
 Pondo-me em pé, ela soltou as algemas. Ambas me seguraram, uma pelos cabelos e outra pelos braços, e me fizeram por a cabeça embaixo do tanque. Em seguida, abriram a água fria, a toda pressão. Eu urrava de frio, dor e humilhação.
 - Relaxe, isso é só para despertar - disseram, sarcasticamente.
 Fui levado - ou melhor, arrastado - até a mesa do centro, onde me deitaram de bruços, amarrando firmemente meus pulsos e tornozelos com as tiras de couro. Uma delas desceu de vez minhas cuecas, deixando minha bunda totalmente à mostra.
 - Veja só, os vergões já estão quase sumindo... acho que ele precisa de mais um trato pra lembrar bem da lição, não é mesmo?
 - Sem dúvida! Por que não começa? - disse aquela que me prendera primeiro.
 Sua amiga não se fez de rogada. Pegando uma das varas da parede, ficou brincando  com ela nas mãos, num lugar em que eu podia vê-la bem. Então, ficando de lado, começou a aplicá-la, repetidamente, provocando um assobio no ar e queimando minhas nádegas a cada golpe.
 - AIII! Por favor, EU NÃO AGÜEEEENTO!! PARE!  AAAAIIIII!!!
 Naturalmente, foi inútil. A surra se prolongou por vários e vários minutos. Quando acabou minha rainha disse:
 - Que pena! Se você não tivesse se comportado tão mal, eu talvez pudesse até soltá-lo agora. Mas, depois da vergonha que você me fez passar com minha amiga, vou precisar discipliná-lo melhor, ou ela vai pensar que eu não sei educar um escravo.
 Dito isto, ela pegou uma das palmatórias que estavam penduradas. Era enorme, uma peça única em madeira, pintada de preto, com a ponta oval e com nove furos, formando um quadrado. Sem demora, começou a bater, mirando bem onde a varinha já tinha atingido, batendo forte, ora num lado, ora no outro, fazendo meu corpo todo estremecer e se debater.
 - Seu verme! Escravo estúpido! Respondão! Eu já te ensino a obedecer sua rainha e amigas! Toma! E mais essa! Você vai apanhar até ficar quieto! Toma!
 E foi assim. Só depois de conseguir me controlar, e ficar mais ou menos quieto (só gemendo baixinho), ela interrompeu a punição. Em seguida, deu a férula a sua colega, e instruiu.
 - Agora, você vai levar duas dúzias, e quero que conte em voz alta cada palmatoada!
 - Sim, senhora - gemi.
 E recomeçou meu suplício. Os golpes agora eram mais pausados, aplicados com mais força e precisão. UMA... DUAS... AIIIII...  TRÊS... sabia que não adiantaria nada. As lágrimas corriam soltas pelo meu rosto, eu chorava feito um bebezinho. Até o fim VINTE... E TRÊS... UIIIII VIN...TE  E ... QUATROOO... ai, senhora, por favor... me perdoe!
 Terminadas as pancadas, penso que meu traseiro devia estar uma massa vermelha que mais lembrasse Cabernet Sauvignon... a ardência era selvagem.
 - Muito bem, estou quase satisfeita. Mas você ainda me deve desculpas pela ultrapassagem. Sua mãe não lhe ensinou como pedir desculpas, escravo? - perguntou, apontando o tapete.
 Compreendi o gesto. Ajoelhei-me no tapete, e inclinei-me para beijar seus  sapatos ásperos. Em seguida, sempre com o rosto baixo, falei:
 - Perdão, senhora... nunca mais repetirei isto. Vou ser mais responsável e obediente, eu prometo.
 - Eu acredito, mas eu aprendi desde criança que todo menino desobediente precisa de um bom lembrete, e eu vou lhe dar um. Estenda as mãos!
 Percebendo o que ela pretendia, tentei implorar clemência. Ela foi irredutível.
  - Estenda as mãos, vamos! Olha que vai ser pior! Eu acho que você não vai querer bancar a mulherzinha, vai? 
 Sabia que era sério. Estendi as mãos, pedindo que fosse logo. Ela não deixou por menos: começando pela mão direita, sentou uma dúzia de dolorosíssimos bolos, metade em cada mão, deixando ambas as palmas terrivelmente vermelhas e inchadas, a ponto de eu mal conseguir fechá-las, depois.
 Então, senti que sua amiga me atava algo ao pescoço - era um tipo de coleira. Fazendo com que eu terminasse de me despir, tive de andar de quatro sobre o cimento frio, com o chicote controlando meus movimentos. Eu já não podia - nem queria, devo confessar - resistir.
 - De pé, escravo. 
 Voltando-me para a rainha, percebi que ela agora estava quase inteiramente despida, também. Segurando-me pelos cabelos, fez-me beijar seus seios, seu ventre, seus pés. Ela prendeu minha cabeça entre as pernas, enquanto sua colega assistia. Até o fim da tarde, fizeram-me de brinquedo sexual, torturando, comandando e divertindo-se com minha agonia...
 Terminada a sessão, tive permissão de me vestir novamente, e fui outra vez vendado. Sentado no carro, sentia a dor da pressão de meu traseiro incendiado pelas punições contra o estofamento. Deixado no carro, fui instruído a não tirar a venda antes de tocar o alarme do relógio de pulso - dali a uns cinco minutos, disseram. 
 Antes de sair, a rainha sussurrou.
 - Tenho certeza de que você vai dirigir muito melhor agora. Mas quero que saiba que até que gostei do seu jeito - você foi um escravo exemplar. Se quiser me servir de novo qualquer dia, é só passar por aqui... Guardei bem sua placa e seu carro.
 Quando o relógio tocou e tirei a venda, elas já haviam partido. Não fosse a dor nas mãos e no traseiro, eu mal poderia dizer se tudo havia acontecido, ou se eu sonhara. Voltei para a estrada - já era quase noite - e segui meu rumo, pensando se valeria a pena voltar qualquer dia...
 Mas isso já é outra história.

 marcos paulo 
 

 
 

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