C
A S T E L O
D A
Poesia, Domínio
& Submissão
A Arte poética da sensualidade
e erotismo do sadomasoquismo
A UMA RAINHA
Teu olhar fere mais profundamente
Que tua chibata em minha carne nua
Nem mesmo a tortura ardente
Lacera mais que a ira tua.
Tão vil servo, somente para teu prazer,
A teus pés meu ser não tem vontade.
Escravo de teus caprichos, servo do teu querer,
Indigno vassalo de tal Majestade.
Acossado, distante, contendo minha virilidade.
Sofrendo alegre, ajoelho-me no chão frio.
E lembro-me que não passo de tua mera propriedade,
Enquanto me dilaceras, qual Loba no cio.
Héracles
(com perdão pela ousadia. Mas peço, lembre-se: sou
APENAS
UM POETA AMADOR)
Sua Voz
Ao ler Drummond,
Põe-se de pedra no caminho,
É o próprio descaminho
De todos outros poetas menores.
Ao ler Graciliano,
Cárceres lhe desaprisionam,
Manelões lhe resposteiam,
Quando vereda sertões que atentos a ouvem.
Ao ler Machado,
Cáspite, Capitu!
Como póstumas serias, memórias,
Se a fazes viva e ainda melhor?
Ao ler Cecília,
Jardins. Perfumes.
As rosas falam, sim,
Cartolar poeta.
Ao ler Castro Alves,
Espumas ganham sons,
Alçam vôo e flutuam no espaço,
Condoreiras.
Ao ler inexpressivosrecôncavosbaianosautores
Faz-se lânguida, travesseiral.
Vem do desejo. Vem do mistério.
É puro convite.
Seus Olhos
Muito pouco me serviria
Se seus olhos fossem de um negro sem fim.
Uma vez que a noite, que me roubou o dia,
Só existe para escondê-los de mim.
Se com o azul do céu se assemelham
Vê-los não posso, nem mesmo de través
Já que todos os mares, que neles se espelham,
Levaram-me a terra onde eu tinha os pés.
Verdes? Ora, como te quero, verde,
Mata ciliar, floresta mãe/filha,
Lugar sem fim onde meu eu se perde
Na louca busca da salvadora trilha.
Talvez castanhos cavalos, quisera eu montar,
Por prados imensos, que nada mais são
Que sua cama, divino cavalgar
Sem sela, sem rédeas, sem gibão.
Antes duas cores tivessem, impossíveis,
E eu não os procuraria, camafeus.
E assim eles ficariam, inatingíveis,
Como eterno castigo por não serem meus.
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