O
RETORNO
Ana
Claudia dos Santos
CAPÍTULO
1
Severo Snape se espantou com o comunicado. Esperavam por ele na sala do Prof.
Dumbledore. Mas quem poderia estar esperando por ele? Claro, Argo Filch devia
ter se enganado, era somente Dumbledore que queria falar com ele. E Snape adivinhava
sobre o que era. Harry Potter, sempre a aprontar confusões, sempre se
achando melhor que os outros e o mais esperto. Estava cansado de olhar para
aquele rapazinho que se parecia tanto com o pai.
Atravessou os corredores um pouco apressado, suas vestes pretas esvoaçando como asas de morcego. Mas não conseguiu evitar ver seu reflexo em umas das janelas. Seu olhar surpreendeu-o, e um pouco relutante desfranziu suas sobrancelhas, o que lhe deu um ar mais agradável e sua aparência ficou mais suave. Percebeu como o ódio que guardava dentro de si estava tomando conta de todo o seu eu. Um rancor antigo que transparecia em tudo o que fazia e dizia.
Como era mesmo a senha de Dumbledore no momento? Ah, sim...
- Bico de coruja - falou, quase sussurando.
A porta de pedra se abriu e Snape percebeu que Dumbledore não estava sozinho... Lá dentro estavam um aluno do primeiro ano da Sonserina, Bress Rice, e uma moça de cabelos vermelhos escuros. Snape tremeu ao ver a moça, como se tivesse visto um fantasma. Lembrava tanto...ela. Voltou seus olhos negros para Dumbledore, assumindo novamente sua já usual expressão assassina.
- O senhor mandou me chamar? - rosnou.
- Sim, sim, Severo. Acho que você já conhece seu aluno do primeiro ano, Mr. Bress Rice. Bom, Mr. Rice acaba de ficar órfão. Seu pai faleceu essa manhã e ele deve ser dispensado das aulas por um tempo, até se recuperar. Chamei-o para comunicar o fato, já que você é diretor da Sonserina... Ah, e essa é Miss Natasha Rice, irmã de Bress.
Snape não a olhou. Limitou-se a balançar a cabeça um pouco. Sabia o que era perder um pai. Algo dentro de si amoleceu um pouco e ele falou com carinho, olhando para o menino:
- Meus sinceros pêsames, Rice - falou com voz fanhosa. - Não se preocupe. Tenho certeza de que seus colegas irão ajudá-lo com a matéria, o ano letivo já está quase terminando e as aulas deverão ser mais de revisão... e... b-bom, você pode me pedir ajuda quando quiser... - gaguejou ao perceber os olhos molhados do menino.
Virou-se um pouco para falar com a moça. Mas não conseguiu. Aqueles olhos verdes... Tão parecidos com os dela. A moça percebeu seu constrangimento e deu um sorrisinho triste.
- O senhor não se lembra de mim Professor Snape??? Fui sua aluna em seu primeiro ano como professor de Poções aqui em Hogwarts. Eu pertencia à Grifinória e estava em meu último ano.
Snape franziu a testa. Natasha, Natasha, sim... Uma moça quieta, tímida, sempre de cabelos presos. Melhor aluna do ano. Mas como uma pessoa pode mudar tanto fisicamente?
Natasha parecia ler seus pensamentos:
- Eu mudei um pouco - disse com uma voz suave que parecia sair de seu coração e não de sua garganta.
- Ah, sim, sim. Lembro-me, claro. Meus pêsames, Miss Rice. Sinto muito.
- Nosso pai já estava muito idoso - sussurou ela. - E ano passado nossa mãe faleceu, o que deixou-o muito triste. Já não queria mais viver.
Bress levantou de seu banco e foi abraçar a irmã. Snape percebeu que ainda chorava. Era melhor ir embora. Ao se despedir, notou que Dumbledore o acompanhava.
- Preciso falar com você a sós, Snape. Espere por mim mais tarde,
na masmorra, depois das aulas.
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A aula de Poções estava particularmente enervante essa tarde. Os alunos da Lufa-Lufa pareciam mais distraídos que de costume. Snape estava muito irritado. Tudo que queria na verdade era ficar sozinho e relembrar o passado. A visão de uma moça de cabelos escuros e olhos verdes atingiu algo em sua alma e o deixou melancólico. Tanto tempo...
Felizmente a aula terminou antes de que pudesse retirar mais pontos da Lufa-Lufa. Não se sentia tão à vontade hoje no papel de "professor malvado que adora infernizar a vida dos alunos". Só queria sossego. De repente lembrou-se do encontro com Dumbledore e seu mau-humor voltou. O que será que o velho queria com ele?
Suspirou resignado... Dumbledore tinha provado que admirava sua lealdade. Mais do que tudo, Dumbledore tinha confiado nele. Devia muito ao velho professor Alvo. Devia mais do que poderia um dia retribuir.
Em poucos minutos Dumbledore apareceu, com uma expressão que era um misto de astúcia, preocupação e alegria.
- Severo, você parece um pouco cansado, então não vou me demorar.
- Professor, por favor, não faça cerimônia, estou perfeitamente bem...
- Sim, sim. Estou aqui para comunicar que o cargo de Professor de Defesa Contra as Artes das Trevas já não está mais vago.
Snape deu um sorrisinho desdenhoso...
- O senhor quer dizer que já arranjou um professor para o próximo ano?
- Sim, e ele está aqui na minha frente!
Snape, por um momento, pensou que Dumbledore estivesse brincando. Mas percebeu logo que não se tratava de uma brincadeira. Seu coração se encheu de gratidão e não conseguiu dizer nada até que Dumbledore falou novamente.
- Mas você deverá continuar dando aula de Poções.
Sim, claro, pensou Snape. E não poderia ser de outro modo, ambos sabiam disso. Mas...
- Severo, tenho outro comunicado a lhe fazer, mas espero que seja tão bem recebido quanto os anteriores.
Snape gelou. Alguma coisa na expressão de Dumbledore lhe dizia que esse comunicado era o principal de todos.
- Aquela moça, Natasha Rice, ela vai ser sua assistente em Poções. Os Rice precisam de dinheiro, e ela foi uma das melhores alunas que Hogwarts já teve. Você naturalmente não se lembra muito dela pois ela estava saindo quando você entrou, no meio do ano letivo, para substituir a Professora Gambore. Uma aluna brilhante. E que agora necessita de ajuda. Ela mesma se ofereceu para ser assistente, mesmo sabendo que raramente os professores aceitam assistentes. Mas ela achou que você talvez pudesse se interessar, após eu contar que provavelmente você iria acumular as duas funções.
Snape não sabia o que dizer. Dumbledore realmente achava que ele poderia
um dia concordar com tal absurdo? Uma assistente? Mas era óbvio que não
iria concordar nunca, um vexame, tudo o que precisava para ser desmoralizado
perante seus alunos era ter uma assistente que pertenceu à Grifinória!!!
Mas bastou olhar a face séria de Dumbledore para perceber que não
havia escolha. Sacudiu a cabeça, como um sim, olhando para os lados.
Aceitaria, mas não concordaria nunca... E o pior é que bem lá
no fundo do seu coração, havia algo, algo que insistia em querer
nascer de novo, em retornar. Sacudiu a cabeça para trás, tentando
afastar esses pensamentos que há muito tempo já estavam abafados
pelo ódio.
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Esse ano Harry assistiu à cerimônia da Seleção com um olho no chapéu e outro na mesa dos professores. Quem era aquela moça que parecia pouco mais velha do que ele? Teria no máximo vinte e dois anos... E era bonita, pensou Harry, sentindo seu rosto avermelhar. Logo notou que não era o único a se sentir assim, vários alunos também olhavam de esguelha a mocinha franzina de grandes olhos verdes e cabelos cacheados. Ela estava ao lado de Snape, que parecia petrificado por um basilisco. Severo Snape tinha uma expressão que lembrava a de um lobo sem dentes ao lado de um cordeiro apetitoso. Harry sorriu ao pensar no absurdo que seria se Snape se apaixonasse pela garota. Quem seria ela?
Rony sussurrou em seu ouvido:
- Sabe quem é aquela moça? Fred acaba de me dizer que ela vai ser assistente do Snape, em Poções!!! Dizem que ela é super inteligente e sabe Poções talvez mais que o próprio Snape. E mais: é ex-aluna aqui de Hogwarts, e foi da Grifinória. Estudou com Carlinhos.
- Pensei que fosse a nova professora de Defesa Contra as Artes das Trevas...
- Aí é que está, péssima notícia! Snape vai acumular as duas matérias, daí porque escolheu ter uma assistente. E escolheu muito bem, ao que parece - Rony deu uma risadinha.
Harry não conseguia acreditar. Snape, com uma assistente, e uma ex-aluna da Grifinória? Será que agora que tinha finalmente conseguido o tão sonhado cargo de professor de DCAT, Snape ia amansar? Aquela moça parecia tão nova, tão inocente. Bom, pelo menos agora as aulas de Poções iriam ficar certamente mais interessantes. Quanto às aulas de Defesa Contra as Artes das Trevas... Harry tremeu ao pensar no pesadelo em que elas deveriam se tornar para ele. Nunca, em tempo algum, Severo Snape deixou de perseguí-lo, sempre deixando claro o ódio que ele lhe inspirava. E Harry até hoje não conseguia entender o porquê daquele ódio. Sim, sabia que seu pai tinha salvado Snape de se expor a um perigo mortal, sabia de toda a estória. Mas sempre achou isso tão pouco, muito pouco para inspirar tanto ódio, um ódio que atravessava gerações.
A cerimônia terminou e todos começaram a comer, entusiasmados. Hermione gritou, feliz:
- Vocês viram como é nova a assistente do Prof. Snape? Dizem que ela também foi monitora da Grifinória. Ela é irmã daquele garoto do segundo ano, Bress Rice. Apesar dele ser da Sonserina ele é muito legal...
- Como você sabe disso Hermione? - perguntou Rony, desconfiado.
- Andei conversando com ele a respeito de um livro da biblioteca, ele estava lendo, e me pareceu ...
- Não! - interrompeu Rony - quero saber como você sabia que ela foi monitora como você.
- Mas eu estava justamente contando que fiquei amiga do Bress, claro que foi ele quem me disse tudo, não? - Hermione não sabia se ria ou se ficava zangada. Rony não mudaria nunca...
Mas Harry não prestava atenção. Então a moça
era irmã daquele garoto estranho da Sonserina? Harry sabia que irmãos
geralmente ficavam na mesma casa em Hogwarts, mas que havia exceções.
“Eles devem ser muito diferentes um do outro”, pensou Harry. Fisicamente eram
parecidos, apesar dos cabelos de Bress serem louros. E os olhos também
eram diferentes, os de Bress eram de um castanho-esverdeado, enquanto os da
moça... Harry percebeu o quanto os olhos de Miss Rice pareciam com os
seus próprios. Grandes olhos verdes redondos. A simpatia que sentia por
ela aumentou, ainda mais quando reparou que Snape quase não se dirigia
a ela e se comportava como se não houvesse ninguém ao seu lado.
- Harry, vamos. - gritou Rony.
E Harry encaminhou-se com o amigo à já tão familiar sala
comunal e, após, ao seu antigo dormitório. Mais um ano letivo
começava...
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Se alguém visse o rosto de Severo Snape durante o jantar pensaria que
a presença de Natasha Rice ao seu lado o havia irritado. Não seria
um pensamento totalmente incorreto se não fosse bastante incompleto.
Snape teve que usar de todo o seu poder de concentração para não
deixar transparecer o turbilhão de sentimentos que assolava sua alma.
Sim, ficou e estava ainda irritado. Mas não com a moça, e sim
consigo mesmo. Como podia deixar que uma moça qualquer, com a qual mal
trocou algumas palavras em toda a sua vida, o perturbasse tanto? E porque ela
mexia com emoções que pensava já estivessem enterradas
para sempre? Snape pensava em tudo isso, sozinho em sua cama.
Essas idéias iam e vinham, e não o deixavam dormir. Por fim, resolveu
tomar um pouco de Poção do Sono, que guardava para essas ocasiões
(como quando a Grifinória ganhou o Campeonato da casa de última
hora, aquilo o deixou insone por muitos dias, tamanha a sua raiva). Era uma
versão diluída que ele mesmo inventara. Poderia acordar sem susto
na manhã seguinte, e teria disposição para enfrentar aqueles
alunos imbecis que não sabiam pôr em pé um caldeirão.
Levantou-se e pegou um vidrinho verde do qual uma fumaça lilás
saiu quando abriu a tampa. Engoliu o conteúdo sem pestanejar. Já
mais aliviado, deitou novamente.
Seus pensamentos ficaram mais leves. A raiva foi passando pouco a pouco. Algumas
figuras se formavam em sua cabeça. Uma moça de cabelos vermelhos
escuros o olhava. Natasha. Não, não era Natasha. Era uma aluna
de Hogwarts. Uma antiga aluna de Hogwarts, mas não era Natasha... Era
a única mulher que Snape amara em sua vida. Snape, quase adormecido,
lembrou-se de algo que o magoara. O que foi mesmo? O que fizeram para magoá-lo?
Uma mocinha de olhos verdes... e um rapaz de cabelos negros. A dor era fininha...
Mas mesmo a dor também se foi. E Snape caiu em sono profundo, murmurando
um nome, um nome doce como sua dona.
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O dia estava cinzento. Ela olhou pela janela e se sentiu também muito cinzenta. A sensação que tinha era de que passaria por uma prova, uma prova que iria durar o ano letivo inteiro. Algo como ficar nove meses com um chapéu seletor na cabeça. Natasha suspirou, um pouco triste. Como teria sido mais agradável ser assistente da Professora Sprout. Ou mesmo de Minerva McGonagall... Mas além de Poções sempre ter sido sua especialidade, havia o fato de Dumbledore ter insistido com ela que somente Severo Snape teria realmente necessidade de assistência. Lembrava de Snape como um professor exigente, mas bastante astuto e perspicaz. O Snape que agora dava aula em Hogwarts continuava o mesmo, porém mais amargo e agressivo. Pelo menos foi essa a impressão que ficou, depois da festa de abertura do ano letivo.
Ela levantou-se e caminhou para a masmorra onde mais tarde começaria seu “teste”. No caminho, reparou que vários alunos a olhavam como se ela fosse uma condenada à morte caminhando para a guilhotina. Natasha não pôde deixar de achar graça nisso. Snape era frio e antipático, sim, mas ela sabia que ele era um ótimo especialista em Poções, e ela queria muito aprender. E foi com um sopro de esperança que entrou na masmorra, aproximando-se de Snape, sentado em sua mesa, debruçado sobre um livro.
- Bom dia, Professor - falou com coragem.
Ele demorou a olhá-la nos olhos. Quando o fez, Natasha sentiu um frio na barriga. Aqueles olhos negros pareciam tão amargurados que os seus encheram-se de lágrimas. Ela percebeu que isso surpreendeu Snape. E tratou de se recompor.
- Desculpe Professor, eu, é... os acontecimentos recentes em minha família me deixaram um pouco deprimida, e... bem...
Mas o olhar de Snape mudou. De repente se tornaram frios como gelo e aquele gelo também penetrou seu coração.
- Isso não vai se repetir, é claro - falou baixinho, desconcertada.
- Miss Rice, eu entendo que a morte de seu pai, e a longa doença de sua mãe foram uma carga muito pesada. Mas diante dos alunos, temos que impor respeito. E nenhum bebê chorão consegue impor respeito e transmitir confiança a quem quer que seja. Espero que a senhorita consiga controlar seus impulsos diante da turma de segundo ano que enfrentaremos agora.
- Eu entendo, Professor. Vou me controlar, eu prometo - Natasha se espantou tanto com a frieza de Snape que nem chegou a ficar magoada.
Durante a aula, na qual participou mais como observadora do que como assistente, Natasha se perguntou o porquê de tanta amargura, de tanta agressividade gratuita contra os alunos. Mas não deixou de perceber a técnica e a precisão dos ensinamentos. Com um misto de pena e admiração, ela se despediu de Snape, resolvendo fazer um pequeno lanche fora do castelo. Sentou-se em baixo de uma árvore, observando Hagrid no cultivo de abóboras. Ele não percebeu que ela estava tão próxima e continuou regando suas abóboras e cantarolando, animado.
Natasha mordeu o pedaço de torta de abóbora, e lágrimas voltaram novamente aos seus olhos. Tinha que se controlar! O que o Prof. Snape ia pensar se realmente se comportasse como uma chorona na frente de um aluno? Tentou não pensar na mãe, que adorava lidar com suas abóboras no quintal de casa, quando Natasha era menina.
Hagrid finalmente a olhou, e algo, que ela percebeu como um sorriso, mudou sua fisionomia.
- Natasha! O que você está fazendo aí sozinha? Quer vir tomar um chá comigo?
Hagrid caminhou até ela, se saracoteando todo.
- Não posso, tenho que voltar para a masmorra. A próxima aula vai ser bastante difícil, aula do sexto ano, a Poção Definhadora e seus antídotos...
- Eu sempre soube que um dia você seria professora em Hogwarts, Natasha! Sempre às voltas com suas poções, sempre inventando antídotos e curas. Não havia mal que você não encontrasse remédio!
Natasha tentou sorrir, mas Hagrid percebeu que cometera uma gafe.
- Ah... tenho certeza de que se você tivesse tido mais tempo, conseguiria a cura para a doença de sua mãe, Natasha - falou com voz esganiçada.
Ela conhecia muito bem Hagrid, e sabia que, mais do que ninguém em Hogwarts, ele torcera para seu sucesso. Mas Natasha falhara. Não conseguira curar a mãe. Fora para isso que estudara tanto, pesquisara tanto. E era por isso que estava aqui. Poucos sabiam que a doença era uma sina em sua família, uma marca herdada de antepassados, e que Natasha ou qualquer de seus irmãos e irmãs poderiam um dia vir a manifestar os sintomas. Mas estava decidida a esquecer o passado, e sorriu de volta para Hagrid.
- Aceito o convite para o chá. Mas somente na quarta-feira terei tempo livre.
- Combinado! E vou preparar quadradinhos de chocolate da maneira como você sempre gostou, grudando nos dentes!!!
Natasha sorriu ao lembrar que provavelmente todos os quadradinhos de Hagrid grudavam nos dentes, e levantou-se, sacudindo as migalhas da torta de suas vestes negras.
- Então até quarta, Hagrid!
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Hermione percebeu que algo na aula de Poções tinha mudado. E não era só a presença da pequena e pálida assistente de Snape, que controlava os ingredientes e ajudava a verificar eventuais erros dos alunos. O professor parecia tentar se controlar o tempo todo, e isso o deixou menos desdenhoso. A aula transcorreu tranqüila e Mione até ousou tirar uma dúvida diretamente com Snape. E a resposta foi tão curta e direta que até Rony que era bastante distraído percebeu que algo estava errado. Onde estavam as piadinhas sarcásticas e os gritos de “menos cinco pontos para a Grifinória”???
- Ele mudou sim! - falou Harry. - Antes parecia um vampiro e agora está parecendo uma múmia...
- Parecia que ele estava o tempo todo querendo mostrar a ela como ele é poderoso - gritou Rony, enciumado.
- Para mim foi a melhor aula de Poções que eu já assisti - disse Hermione. - E não foi só porque Snape estava menos atacado, a aula com os dois juntos deu certo, vocês perceberam? Até o Neville conseguiu preparar a poção da maneira certa na primeira tentativa.
Harry tinha que concordar. A aula de Poções realmente estava se tornando muito interessante. Mas na sexta-feira finalmente teriam aula de Defesa Contras as Artes das Trevas com Severo Snape. E como Natasha não era assistente nessa matéria, Harry imaginou que todo o sarcasmo e a maldade de Snape estavam sendo guardados para essas aulas.
Na hora do almoço, Edwiges veio lhe visitar, carregando no bico uma carta e nas garras um ratinho morto. A carta era de Hagrid dizendo que sabia que eles teriam a tarde livre, devido a um acidente com o Professor Flitwick - um aluno do terceiro ano havia conseguido derrubar um lustre na cabeça do pequeno professor, ao tentar realizar um feitiço. Hagrid os convidava para um chá em sua cabana.
- Vamos! Podemos comentar com Hagrid a aparente mudança de Snape - raciocinou Hermione.
- Espero que esse ano Hagrid não nos apronte nenhuma surpresa - rosnou
Rony. Estou cansado de enfrentar bichos gosmentos e super-aranhas...
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