O RETORNO
Ana Claudia dos Santos

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CAPÍTULO 5

Madame Pomfrey nunca vira Severo Snape tão pálido. Então era verdade o que McGonagall dissera. Ela não queria acreditar.

- Poppy, preciso ficar a sós com ela.

E ele não precisava pedir duas vezes. Algo em sua expressão fez com que Madame Pomfrey gelasse da cabeça aos pés. Sabia agora o porquê de tantos alunos se apavorarem só de pensar em Snape. Saiu, fechando a porta atrás de si.

Felizmente não havia mais ninguém na ala do hospital. Snape avançou devagar. Tinha medo do que estava para ver. A visão de Natasha, com seus longos cabelos vermelhos e sua figura franzina lhe trouxe lágrimas aos olhos. Mas enxugou-as. Aproximou-se de Natasha, que tinha um olhar vidrado, parecia que dormia acordada. Sentou-se na cama onde ela estava recostada. Acariciou-lhe os cabelos, deslizando sua mão por seu braço direito, e agarrou a mão pequenina entre as suas. Tudo em Natasha parecia fora de foco, e seus dedos estavam já meio apagados. Ele levantou-se e tirou de seu bolso um vidro dourado. Colocando-o na cabeceira da cama ele sentou-se novamente, a contemplá-la. Encostou as duas mãos no ventre de Natasha. Ali estava o filho deles. Um filho que só dependia dele para nascer.

- Meu amor - murmurou baixinho.

E então ele viu que os olhos grandes de Natasha brilharam de repente. Ela virou a cabeça devagar, e ele sentiu o fogo antigo de seus olhos penetrar nos dele. Ela o podia ver. Snape levantou-se num salto.

- Severo - ela murmurou com a voz rouca.

Ele não sabia o que dizer. O rosto de Natasha se abria num sorriso. Tudo nela, a não ser os olhos, estavam como que borrados.

- Severo, eu estou grávida. E vai ser um menino, de olhos negros como os seus.

Não conseguindo mais se controlar ele abraçou-a, ajoelhado ao pé da cama. Chorava com o rosto afogado em seu corpo. Aquilo era um tormento maior do que poderia imaginar. Tinha que acabar logo com isso. Ela o observava, cada vez mais consciente da presença dele. Ele agarrou o vidro dourado. Ela olhava agora para o vidro, talvez reconhecendo o que fosse.

- Você, você encontrou o antídoto não foi? - ela perguntou séria.

Ele não respondeu. Tinha que fazer logo isso, ela estava recobrando a consciência rapidamente. Seria já um efeito do que estava por fazer? Ao mesmo tempo em que Snape retirava a tampa do vidrinho, Natasha percebeu o que estava acontecendo. Ele engoliu todo o conteúdo do vidrinho. Ela arregalou os olhos. Tudo em sua mente voltou, e seus pensamentos pareciam um furacão, ela não entendia... Era como se a consciência de todos os seus antepassados tivesse sido infiltrada nela. E então, enquanto ele a abraçava e a apertava contra si, ela soube. Ele se sacrificara. Por ela. Natasha não conseguiu reprimir um grito, um grito que vinha de muitos séculos atrás e que ultrapassaria a eternidade. Abraçou Snape com força. E caiu em sono profundo.

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O grito que percorreu Hogwarts e fez com que todas as corujas da escola piassem e se debatessem por vários minutos, fez também com que todos os alunos, professores, elfos domésticos, seja na biblioteca, nos dormitórios, na cozinha ou nas salas comunais, parassem de repente o que estavam fazendo. Por alguns segundos todos ficaram como que paralisados. O que tinha sido aquilo? Madame Pomfrey quis entrar na ala do hospital, mas foi detida por Dumbledore.

- Poppy, deixe os dois aí dentro. Amanhã tudo estará resolvido.

Ela não sabia o que era que estaria resolvido, mas sabia que não se devia contrariar Alvo Dumbledore.

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Natasha abriu os olhos. A claridade que vinha da janela lhe afetou a vista e ela piscou algumas vezes. Sem forças para se mexer, ainda meio que entorpecida, ela lembrou pouco a pouco o que tinha acontecido. Sentiu o peso de Snape sobre seu corpo.

Então era isso. Uma maldição.

Ela não sabia bem como, mas sabia o que tinha acontecido. Severo tinha se sacrificado para salvá-la, e salvar o filho deles. Virou o rosto e fechou os olhos, sentia uma dor tão profunda que se admirava de conseguir pensar. Ainda de olhos fechados ela se abraçou mais a ele. Foi então que percebeu. Ele ainda estava quente. Natasha sentou-se, sobressaltada. Ele respirava. Mas... Ela agarrou o vidro vazio no chão e cheirou. O cheiro não enganava. Era veneno mortal. E ele estava vivo! Ou não estava?

Ela ouviu passos. Era Madame Pomfrey.

- Madame Pomfrey - gritou Natasha. - Ele está vivo, não está?

Ela examinou-o por alguns segundos.

- Sim, está, naturalmente. Mas porque não deveria?

Mas Natasha não conseguiu falar. Lágrimas grossas escorriam em seu rosto, enquanto percebia que mais alguém se aproximava.

Era Dumbledore. Tinha um brilho nos olhos que Natasha jamais vira nele.

- Sim, ele está vivo, minha querida. Para quebrar a maldição bastava o sacrifício, e não a morte propriamente dita.

- Mas... ele bebeu veneno.

- Sim, e a maldição não teria sido quebrada se não tivesse sido assim.

- Não entendo...

- Natasha, se Severo tivesse resolvido se apunhalar, a ferida não estaria mais aí, e nenhum sangue teria jorrado. Porque o seu amor o teria salvado de qualquer jeito. Se eu estiver certo, no momento em que o sacrifício de Severo se tornou consciente para você, um sacrifício igual ou maior foi feito. Você também daria sua vida por ele, e isso ajudou a quebrar totalmente a maldição.

Então ela entendeu. Ela tinha sido salva, mas também o salvara.

- Ele ainda vai dormir por um tempo. Poppy, apesar desses dois serem casados, não acho muito decente eles ficarem na mesma cama aqui no hospital. Por favor peça para arranjarem a cama ao lado para acomodar Natasha.

E, com um sorriso maroto nos lábios, Alvo Dumbledore se retirou.

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- Que estória extraordinária... - disse Harry.

- Que pena que o Snape não morreu!!! - falou Rony.

Hermione tinha um olhar sonhador nos olhos.

- Que lindo!!! Ele morreria por ela. Parece um conto de fadas.

- Um o quê? - perguntou Rony, franzindo a testa.

- Ah, é um tipo de estória que as crianças trouxas lêem de vez em quando. São estórias assim, românticas - disse Mione, suspirando.

Rony levantou os ombros.

- Mulheres!!!! - exclamou.

E correram a tempo de assistir a aula de Transfiguração com a Prof. Minerva.

Fim

 

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