O amor e o ódio continuam estuantes além da morte porque são atributos do Espírito. O amor puro e desinteressado conduz sempre a alma para planos superiores do astral. O ódio, ao contrário, leva-a aos inferiores, inclusive ao umbral. O encontro das almas gêmeas se dá nos planos superiores. Existirão mesmo as almas gêmeas? Sim. Na maioria das vezes, elas não se encontram na mesma encarnação porque o rítimo da evolução espiritual não se processa igualmente em todas as almas.
A VIDA DAS ALMAS GÊMEAS

A história das almas gêmeas começou na mitologia grega. Júpiter, o rei dos deuses do Olimpo, resolveu certa vez tornar imortal uma criatura da Terra, o jovem Pólux. Este tinha um irmão gêmeo, Castor, a quem dedicava profunda amizade. Apesar de ter obtido a graça da imortalidade, Pólux não se sentia feliz porque estava separado do irmão e, principalmente, porque este estava sujeito à morte, o que um dia aconteceu, quando foi assassinado por Idas. Imensamente triste, Pólux pediu a Júpiter que anulasse a sua imortalidade, pois desejava morrer e fazer companhia ao irmão querido em sua sepultura. Penalizado, Júpiter resolveu ressuscitar Castor e tornou-o imortal. Reuniram-se, assim, no céu as almas gêmeas Pólux e Castor.
Platão, em uma de suas obras, O banquete, conta a história das almas gêmeas. No começo do mundo os seres eram assexuados, andróginos, os dois sexos reunidos em uma só pessoa. Ambiciosos, resolveram um dia atacar o Olimpo. Júpiter zangou-se e, como castigo, cindiu-os ao meio para enfraquecê-los. Praticada a cirurgia divina, suas partes se afastaram e foram espalhadas pelo mundo. Desde essa época os seres humanos procuram encontrar, com ansiedade, as suas metades. Por essa razão é que os homens e as mulheres experimentam muitos amores, mas quase sempre vivem melancólicos e se sentem infelizes.
Kardec, no Livro dos Espíritos ( Pergunta 298, e comentários), diz que não temos em qualquer parte do universo uma metade à qual nos reuniremos um dia. Não existe união particular e fatal entre duas almas. Existe a união entre todos os Espíritos, em graus diversos, segundo a posição que ocupam, isto é, segundo a perfeição adquirida. Quanto mais perfeitos, tanto mais unidos. Da discórdia nascem todos os males da humanidade; da concórdia resulta a felicidade completa. Aparentemente, parece que Kardec é contrário à idéia das almas gêmeas, mas o próprio codificador da Doutrina Espírita assegura que as informações dos espíritos não devem se consideradas definitivas, perfeitas, pois só Deus é onisciente.
Os Espíritos são ínfimas partículas da energia divina lançadas pelo Criador, em diferentes ocasiões, nos mundos adrede preparados. Almas gêmeas são, justamente, as que foram geradas no mesmo sopro de vida, e no mesmo instante lançadas nos mundos materiais para a evolução espiritual. Todavia, a evolução de cada uma não se faz igualmente. Umas evoluem mais rapidamente que outras e, assim, podem ficar afastadas de suas almas gêmeas, reencarnadas em planetas mais adiantados. É por isso que nós, ainda habitantes da Terra, nos sentimos muitas vezes, tristes, melancólicos, infelizes, saudosos de alguém que nossa consciência física pode até não conhecer, mas por quem nosso Espírito nutre profundo amor. Não o amor no sentido vulgar do termo, sentimento ilusório e inferior que liga sexos opostos e se extingue com o tempo, mas o amor puro, divino, sublimado, como o que vibras nas entidades angélicas.
Emmanuel, sobre as almas gêmeas, diz: “No sagrado mistério da Vida, cada criação possui no infinito a alma gêmea da sua como divino complemento da sua personalidade. A união, porém, é-lhes a aspiração suprema, indefinível”.
Tirado do Livro: Reencarnação e migração planetára de Diquel Dias da Cunha.
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