Prisão de cristal


Todos os sons devem ser leves
E as emoções transparentes
Onde os sonhos são breves
E os desejos ardentes...

Onde a luz não pode entrar
Onde o grito não pode existir
Onde a dor não pode penetrar
Nem lágrimas ir e vir...

Prisão de cristal
De grande pedestal
Onde amor não podes ansiar
Apenas às grades te agarrar...

Onde corações imaginas amigos
E de olhares magos
Os sentes antigos
Onde brilhos se encontram vagos...

E de rotina, círculo e solidão
Bebes teu vinho e amassas teu pão
E sem rosto mergulhas na multidão
Incolor, nú e bestial
Rodeado pela prisão de cristal...


Manuela Pittet, in :
"Cartas da minha alma"
Poema 3
para Existência
Letra P
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