Dispnéia

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Dispnéia

 

O desconforto respiratório que ocorre em conseqüência do aumento do esforço respiratório é o sintoma mais comum da insuficiência cardíaca. 

 

Nas fases iniciais dessa doença, a dispnéia aparece apenas durante o esforço, quando pode ser devida simplesmente ao agravamento da falta de ar, que ocorre normalmente nessas circunstancias. Contudo, à medida que a insuficiência cardíaca progride, a dispnéia ocorre com esforços cada vez menos intensos.

 

Por fim, há falta de ar mesmo quando o paciente está em repouso. A diferença principal entre a dispnéia aos esforços dos indivíduos normais e nos pacientes com insuficiência cardíaca é a intensidade da atividade necessária para a produção dos sintomas. A dispnéia cardíaca é observada mais comumente nos pacientes com elevações das pressões capilar e venosa pulmonar.

 

Em geral, esses indivíduos têm veias pulmonares congestionadas e edema pulmonar intersticial, que podem ser evidenciadas na radiografia do tórax. Isso reduz a complacência dos pulmões e, assim, aumenta o trabalho dos músculos respiratórios necessário à insuflação dos pulmões.

 

A ativação dos receptores pulmonares produz as respirações rápidas e superficiais típicas da dispnéia cardíaca. O consumo de oxigênio pela respiração é aumentado pelo trabalho excessivo dos músculos respiratórios. Isto se soma à redução do fornecimento de oxigênio aos músculos, que ocorre em conseqüência da diminuição do débito cardíaco e que pode contribuir para a fadiga dos músculos respiratórios e sensação de falta de ar.

 

 

 

Ortopnéia

 

Em geral, a dispnéia que ocorre na posição de decúbito é uma manifestação mais tardia de insuficiência cardíaca que a dispnéia aos esforços. 

 

A ortopnéia ocorre devido à redistribuição dos líquidos do abdome e dos membros inferiores para o tórax, resultando no aumento da pressão hidrostática dos capilares pulmonares, assim como em conseqüência da elevação do diafragma na posição supina.

 

Os pacientes com ortopnéia precisam colocar vários travesseiros sob a cabeça à noite e geralmente acordam com falta de ar ou tosse (a chamada tosse noturna), caso a cabeça saia dos travesseiros.

 

Em geral, a sensação de falta de ar é aliviada pela posição ereta, já que essa postura reduz o retorno venoso e a pressão capilar pulmonar; muitos pacientes relatam sentir-se melhor quando sentados em frente a uma janela aberta.

 

Na insuficiência cardíaca terminal, a ortopnéia pode ser tão grave que os pacientes não conseguem mais deitar-se e passam toda a noite sentados. Em contrapartida, em outros pacientes com insuficiência cardíaca esquerda grave e de longa duração, os sintomas da congestão pulmonar podem na verdade diminuir com o tempo, à medida que a função do VD é comprometida.

 

 

Dispnéia paroxística noturna

 

Esta expressão descreve as crises graves de falta de ar e tosse, que geralmente ocorrem à noite e acordam o paciente e podem ser muito assustadoras.

 

Embora a ortopnéia simples possa ser atenuada quando o paciente senta-se ereto à beira do leito com as pernas pendentes, o indivíduo com dispnéia paroxística noturna tem tosse e sibilos, que geralmente persistem mesmo nessa posição.

 

A depressão do centro respiratório durante o sono pode reduzir a ventilação a ponto de diminuir a pressão arterial de oxigênio, principalmente nos indivíduos com edema pulmonar intersticial e redução da complacência pulmonar.

 

Além disso, a função ventricular pode ser ainda mais prejudicada à noite, devido à diminuição da estimulação adrenérgica da função miocárdica.

A asma cardíaca está diretamente relacionada com a dispnéia paroxística e tosse noturnas e caracteriza-se por sibilos secundários ao broncospasmo, pior à noite.

 

O edema agudo do pulmão é uma forma grave de asma cardíaca, devida à elevação extrema da pressão capilar pulmonar resultando em edema alveolar; essa condição está associada a falta de ar extrema, estertores pulmonares e transudação e expectoração de líquido sanguinolento. Se não for tratado de imediato, o edema agudo do pulmão pode ser fatal.

 

 

 

Respiração de Cheyne-Stokes

 

Também conhecida como respiração periódica ou cíclica, o padrão respiratório de Cheyne-Stokes caracteriza-se pela redução da sensibilidade do centro respiratório à pCO2 arterial. Há uma fase de apnéia, durante a qual a pO2 arterial diminui e a pCO2 arterial aumenta.

 

Essas alterações do sangue arterial estimulam o centro respiratório deprimido, resultando em hiperventilação e hipercapnia, seguidas, por sua vez, da recorrência da apnéia.

 

As respirações de Cheyne-Stokes ocorrem mais comumente nos pacientes com aterosclerose cerebral e outras lesões cerebrais; contudo, o prolongamento do tempo circulatório do pulmão ao cérebro, que ocorre na insuficiência cardíaca, principalmente dos pacientes com hipertensão e coronariopatia e doença vascular cerebral associada, também parece desencadear esse tipo de respiração.

 

                               

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