HISTÓRIA DA ALDEIA

 

 

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1. ORIGEM DO NOME

É tradição entre os naturais de Vila Deanteira escrever Deanteira e não Dianteira, o que nos poderá levar a decompor o nome em Vila de Anteira.

O termo Anteira deverá derivar de Anta + eira, correspondendo, por isso, a uma edificação dolménica.

O termo Vila remontará  ao período romano.

Teríamos então uma "villa" num local onde já existia uma anta.

Ainda não foram localizados vestígios de qualquer anta, no entanto, na área compreendida entre a Regueiras e as Lajes identificámos abundantes vestígios arqueológicos, proto-históricos e romanos (penedo de culto, material de construção, cerâmica e escórias de ferreiro), testemunhando o seu povoamento pelo homem desde há muito, na ânsia de aproveitar os terrenos férteis das margens do ribeiro.

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2. VESTÍGIOS ARQUEOLÓGICOS

            2.1 – PRÉ-HISTÓRICOS —  PENEDO DE CULTO (?)

   O Penedo de Culto situa-se nas Lajes.

   É um penedo com uma configuração enigmática. Sobressai do solo cerca de 4m na parte mais elevada, inclinando-se até ao solo na outra extremidade.

   Apresenta no sentido Nascente-Poente, 3 “valas” e, entre elas, no sentido Norte-Sul, 2 ou 3 “regos” escavados na rocha. Capricho da natureza ou trabalho do Homem? Não o sabemos.

    2.2 – DOMÍNIO ROMANO — VILLA ROMANA

    Situa-se num terreno denominado de Regueiras, perto de uma necrópole escavada na rocha, a que nos referiremos a seguir.

   Neste terreno encontrámos diverso espólio de origem romana: fragmentos de tijoleira, de tegulae e imbrex (a telha romana), pesos de tear(?), cerâmica de paredes finas, cerâmica comum e ainda fragmentos de peças de grande volume para depósito de vinho ou azeite (“dolium”), para além de outros achados como sejam: plaquetas de xisto (pedras de “oculista”?), pequenos seixos rolados ferretizados, escória ferruginosa de forja e cinza.

   É provável que se trate de uma Villa, propriedade de um abastado romano que cultivaria o extenso vale fértil do Ribeiro de Vila Deanteira.

    Por aqui teria existido também uma Necrópole Romana.

   O rito normal de enterramento na Lusitânia, pelo menos até meados ou fins do século III d.C. foi a incineração, isto é, os corpos eram queimados.

    Se realmente se trata de uma necrópole romana, os enterramentos deviam seguir as seguintes etapas: incineração do corpo na própria cova, ou fora dela, e em seguida, as cinzas eram depositadas num pote de barro (urna); estas urnas cinerárias eram metidas, com outros vasos de cerâmica e peças ligadas à vida da pessoa morta, em covas resguardadas por telhões, tegulae e imbrices.

                     VER: Jorge de Alarcão, "Roman Portugal", vol. II (Inventário), Fasc. 1, pág. 64, Aris & Phillips Lda, England, 1988; esta informação foi por nós fornecida a seus alunos.

     2.3 – IDADE MÉDIA — SEPULTURAS ESCAVADAS NA ROCHA

     As sepulturas escavadas nas rochas são os vestígios arqueológicos que mais despertam a atenção das pessoas da nossa freguesia. São numerosas. O povo chama-lhes “Covas das Mouras”.

     São todas antropomórficas, isto é, apresentam o delineamento da cabeça e ombros, e podem encontrar-se isoladas ou agrupadas num penedo. As suas dimensões, em média, são: comprimento - 185 cm, largura de ombros - 50/60 cm, profundidade ao nível dos ombros - 45 cm e ao nível dos pés - 30 cm. A sua orientação é variável.

   Apresentam-se escavadas no granito de grão grosseiro, característico da nossa região, facilmente desagregável, e, daí apresentarem-se muitas delas deterioradas pelos agentes erosivos. Muitas perderam-se completamente, outras estão reduzidas a vestígios. A acção destruidora do homem também contribuiu, umas vezes com o intuito de utilizar a pedra, outras em busca desenfreada de tesouros escondidos.

    Não há memória de nesta zona terem sido encontradas sepulturas intactas. Abílio Miranda publicou na revista “Douro Litoral”, 1941, um artigo referindo-se a algumas que encontrou não violadas, sugerindo serem forradas, pela parte interior, de tabuões de madeira.

     O corpo seria colocado na sepultura acompanhado de objectos votivos, cerâmicas e outros utensílios de uso pessoal. Acreditava-se numa vida depois da morte. A sepultura era tapada com uma tampa de granito e coberta com terra.

    A origem e cronologia das sepulturas é controversa. Não se conhecem os povos que as escavaram na rocha, nem quando o fizeram. Alguns arqueólogos consideram-na Pré-Romanas, outros Romanas e outros Cristãs e Medievais. Estudos recentes de arqueólogos espanhóis e portugueses estabelecem para o tipo de sepulturas existentes na nossa freguesia uma cronologia entre o século VIII e o X; sendo assim, aos enterramentos romanos seguir-se-iam sepulturas escavadas na rocha, que transitariam para outro tipo de enterramento acompanhando a introdução do ritual cristão.

    Na área de Vila Deanteira são conhecidas 9 sepulturas que poderemos dividir em três grupos:

    (a) Grupo da Carreirinha - são 2 sepulturas cavadas num penedo, sito no pinhal da Srª. Maria da Conceição Rodrigues Miranda; estão bastante danificadas.

    (b) Grupo da Roda/Mato do Caixão - apesar de nos garantirem serem 2 só conhecemos 1, cavada num bloco granítico isolado e ao nível do solo; sito num pinhal que pertenceu ao sr. Manuel Marques; é a de maiores dimensões e apresenta um buraco na zona da cabeça, possivelmente por ter sido reutilizada como lagareta, para nela fazerem vinho.

    (c) Grupo da Regueiras - é uma necrópole constituída por 6 sepulturas, situadas num pinhal que pertenceu ao sr. Manuel Marques e na mesma área onde se situa a Villa Romana.

    Encontram-se todas no mesmo bloco granítico; uma delas está praticamente destruída, dela se conservando a parte da cabeça; as cinco restantes encontram-se razoavelmente conservadas; de salientar que uma das sepulturas pertenceu a uma criança, cavada paralelamente a uma de dimensões normais, o que nos leva a supor ter este conjunto pertencido a mãe e filho.

    Esta última necrópole é o núcleo mais importante que conhecemos no concelho, pelo que urge preservá-la e salvaguardá-la duma possível destruição (já tentada!), por pessoas que sem maldade o possam fazer, desconhecendo a sua importância na investigação das nossas raízes e no sentido do nosso viver actual.

    É urgente considerá-la IMÓVEL DE VALOR CONCELHIO de forma a constituir um legado para as gerações futuras.

                     Sobre sepulturas de um concelho vizinho: Catarina Tente e Sandra Lourenço, "Sepulturas medievais escavadas na rocha dos concelhos de Carregal do Sal e Gouveia: estudo comparativo", Revista Portuguesa de Arqueologia, vol. 1, n.º 2, 1998.

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3. A ALDEIA NOS DOCUMENTOS HISTÓRICOS

No século X as terras de S. João [de Areias] foram doadas ao Mosteiro do Lorvão, depois passaram para a Sé de Coimbra e, por fim, para a Sé de Viseu.

Vila Deanteira deverá ter acompanhado estas andanças, no entanto não é mencionada nos documentos da época.

O primeiro documento a referir-se a Vila Deanteira data de 1258 e trata-se das "Inquirições de D. Afonso III", onde se diz que "villa d'anteyra" pertencia, com outras aldeias da freguesia e como terra coutada por patronos, ao bispo de Viseu e a Sé de Viseu as obtivera da parte dos reis.

No século XIV, Vila Deanteira é mencionada em pergaminhos à guarda do Arquivo Distrital de Viseu.

O "Cadastro da População do Reino" de 1527 indica-nos que "villa diamteyra" possuía 19 "moradores" ou seja 19 fogos.

Em 1689, no "Promptuário das terras de Portugal..." o nome da aldeia é escrito como "Villa Deanteira".

No século XVIII, em 1747, no "Diccionário Geográfico..." como "Villa de Anteira", e, em 1758, nas "Memórias Paroquiais", pela pena do Vigário João Esteves Correia escreve-se "Villa Dianteyra".

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SUMÁRIO:

 

 1. ORIGEM DO NOME

 2. VESTÍGIOS ARQUEOLÓGICOS

 3. A ALDEIA NOS DOCUMENTOS HISTÓRICOS

 

 

Regueiras e Lajes

 

Penedo de Culto - visto da parte inferior (Sul)

 

Penedo de Culto - visto de Sul

 

Penedo de Culto - visto da parte superior (Norte)

 

 

Sepulturas da Regueiras - visão de conjunto

 

Sepulturas da Regueiras - Mãe e Filho

Estas sepulturas comovem-me.
Nos passeios a pé com os meus filhos

vamos sempre visitá-las.
Aqui repousaram os nossos antepassados.
Mãe e filho? Talvez. Mas quem eram? Como viviam? São as perguntas que fazemos enquanto as olhamos.
A vida foi-se há muito, talvez entre o século VIII e o X. A memória persiste, por enquanto...
E nós, que rasto deixaremos?

 

 

 

 

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