Ética e Cidadania
Crimes                                                                      

     Para as pessoas que ainda não estão totalmente alheias ao que ocorre à sua volta, o aumento da violência no mundo, principalmente os crimes contra as mulheres, deveria dar o que pensar. No Brasil já existem até delegacias específicas para tratar desse tipo de crime. Um relatório publicado pela Unifem, órgão das Nações Unidas dedicado ao desenvolvimento das mulheres, fornece alguns dados estarrecedores:

  • No próspero e desenvolvido Canadá, uma em cada quatro mulheres é vítima de violência sexual em algum momento da vida;
  • A cada ano, nos Estados Unidos, um milhão de mulheres sofrem violências tão graves em casa que acabam procurando socorro médico, e 1.400 são mortas por seus maridos ou ex-maridos. A cada 18 segundos uma mulher é agredida por um homem, e a cada 45 segundos acontece um crime sexual no país, 95% deles envolvendo mulheres;
  • Na Europa, cerca de 4 milhões de mulheres sofrem anualmente algum tipo de violência física, familiar ou conjugal;
  • Uma pesquisa sobre prostituição infantil feita na Bolívia mostrou que 79% das meninas haviam fugido de casa por terem sido vítimas de violações por parte de parentes;
  • Em 21 países da África e Oriente Médio ainda se pratica a mutilação das adolescentes, que consiste em se extirpar o clitóris para reduzir o desejo sexual;
  • Na desenvolvida Dinamarca, cerca de 25% das mulheres que se divorciam apontam a violência sofrida em casa como causa da separação;
  • No Chile, o Serviço Nacional da Mulher estima que 60% das mulheres vivam em situação de violência familiar;
  • Na Índia, cerca de cinco mil mulheres são mortas anualmente em disputas familiares por dotes das noivas.

     No Brasil, de acordo com a União de Mulheres de São Paulo, uma mulher é agredida a cada quatro minutos.

     E os crimes praticados por "crianças"? Ainda há gente que acredita que todas as crianças que cometem crimes são boas, inocentes, e que só seguem o caminho da marginalidade por falta de oportunidades na vida, etc., etc. Essa conceituação decorre de uma falta de compreensão das verdadeiras causas da criminalidade na primeira idade. Pessoas que cometem crimes na adolescência, e mesmo na infância, dão provas de terem sido criminosas já em várias vidas terrenas anteriores. Elas sentem uma necessidade implacável de cometerem esses atos, para aliviarem o impulso de destruição aderido fortemente às suas almas.

     Essas "crianças" não são inocentes, são antes criaturas intrinsecamente más, torpes, desprezíveis, fortemente carregadas de culpas, que conspurcam a Terra com a sua presença. E só estão aqui na Terra porque obtiveram essa oportunidade através de mães irresponsáveis, de conduta leviana, que deram ensejo para que almas profundamente decaídas pudessem encarnar.

      No Brasil, o Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece que nenhum menor de idade pode ficar detido mais de três anos, por mais hediondo que tenha sido o crime por ele cometido. Ao completar a maioridade, sua ficha criminal deve ser apagada totalmente, para que ele tenha condições de começar a vida adulta sem problemas...

     Assim, pela lei dos homens, falta pouco para o garoto Ivan Carlos, de 16 anos, remir sua culpa e reintegrar-se à sociedade. Pouco antes de ser preso ele havia estuprado e estrangulado um menino de três anos e colocado o corpo sobre os trilhos de uma ferrovia, o qual foi cortado ao meio pela primeira locomotiva que passou. No mesmo dia em que cometeu esse crime, Ivan havia estuprado e matado uma menina de dois anos… Uma sua colega de atividades, uma babá de 15 anos, ateou fogo em duas crianças de 2 e 8 anos de idade, dizendo depois ao delegado que apenas "sentira vontade de matá-las…"

     Na Inglaterra, 5 meninos com idade entre 9 e 10 anos foram acusados de estuprar uma colega de 9 anos numa escola londrina. Nos Estados Unidos, um casal de adolescentes matou a facadas um homem de 44 anos e depois mutilou o corpo; a menina disse aos policiais que a idéia de estripá-lo foi dela, pois achava que o corpo afundaria mais fácil num algo se os intestinos fossem arrancados. Também nos Estados Unidos, três meninos de 7, 8 e 11 anos raptaram uma menina de 3 anos, agrediram-na sexualmente e a surraram com um tijolo. No Uruguai, um menino de 12 anos foi apontado como autor do assassinato do seu colega de 8 anos, com golpes de pau desferidos na cabeça. No Japão, um garoto de 14 anos degolou um deficiente mental de 11 anos, arrancou-lhe os olhos e dilacerou-lhe a boca de orelha à orelha. No Brasil, três meninos de 9, 10 e 11 anos afogaram uma menina de 10 anos e depois a violentaram com um cabo de vassoura. Ainda no Brasil, os adolescentes que atearam fogo num bóia-fria desempregado, disseram à polícia que queriam "sentir fortes emoções."

     Nos Estados Unidos, o problema da delinqüência juvenil tomou tal proporção que 2.500 organizações se reuniram para tentar descobrir qual a melhor maneira de se resolvê-lo. Lá, de cada cem casos de homicídios, dezessete são praticados por menores. Nos últimos 30 anos (até 1996) as prisões de adolescentes em casos de morte aumentaram 467%. Nos últimos 10 anos, o número de jovens assassinados com armas de fogo quadruplicou. A secretária da Justiça, Janet Reno, chegou a classificar a violência juvenil como "o maior problema criminal dos Estados Unidos". Em San Francisco, um menino de 6 anos, em companhia de duas crianças de 8 anos, tentou matar um bebê de um mês a pauladas. Na Flórida, um menino de 11 anos foi preso, acusado de matar sua prima de 9 anos com um tiro de escopeta. No Texas, uma menina de 12 anos foi condenada a 25 anos de prisão por ter batido num bebê até matá-lo. Quando, em abril de 1998, dois meninos de 11 e 13 anos fuzilaram quatro meninas e duas professoras numa escola de uma cidadezinha do Estado de Arkansas, o presidente Bill Clinton pediu a Janet Reno que encontrasse especialistas capazes de dizer porque estavam surgindo assassinos cada vez mais jovens...

     De acordo com uma matéria publicada no jornal Folha de São Paulo de 26.9.97, "o número de crimes violentos cometidos por adolescentes nos EUA tem subido de maneira dramática nos últimos 20 anos, o que fez com que 41 dos 50 Estados adotassem legislações para permitir que, pelo menos em casos graves, menores de idade possam ser julgados como se fossem adultos."

      Os tipos de crimes também têm mudado ao longo do tempo; alguns deles são tão ignominiosos que se custa a crer que possam ter ocorrido. Fica mais fácil acreditar, porém, quando se lança um olhar retrospectivo de alguns poucos anos sobre a humanidade decadente. A velocidade e a profundidade da queda são tão grandes, que explicam alguns atos classificados também apenas de criminosos, por falta de outra qualificação mais adequada.

     Nas Filipinas, um homem mata um amigo e come seu coração e fígado depois de cozinhá-los. Na África do Sul, os tribunais tribais fazem os acusados ingerirem grande quantidade de petróleo e depois ateiam fogo ao combustível. Em Nova Déli, Índia, um restaurante de comida típica indiana é flagrado com um corpo humano sendo assado em manteiga. Também na Índia, a rejeição a bebês do sexo feminino transforma parteiras em carrascos: ao constatar que a criança recém-nascida é menina, a parteira a segura com firmeza pela cintura e lhe quebra a espinha. Nos orfanatos chineses o método consiste em abandonar bebês do sexo feminino num quarto escuro até morrerem de fome ou de frio. Na Bélgica, duas meninas de oito anos são seqüestradas por um pedófilo, que depois de estuprá-las as abandona presas em cárcere privado até morrerem de fome. Nos Estados Unidos, um rapaz de 22 anos coloca sua filha de 22 meses num forno de microondas, e uma moça de 23 anos prende seus dois filhos (um de 3 anos e outro de 1 ano) com o cinto de segurança no banco de trás de seu carro e o empurra para dentro de um lago. Ainda nos Estados Unidos, uma mulher em coma há dez anos é estuprada e dá à luz um menino, e durante quatro anos um casal obriga os quatro filhos, de 5 a 12 anos, a comer ratos, baratas e injetar cocaína nas veias. Em São Paulo, ao ver rejeitado seu pedido de namoro, um estudante de filosofia mata a moça a marteladas e tenta manter relações sexuais com o corpo; depois acondiciona o corpo numa caixa de isopor com álcool por três dias ao lado de sua cama. Também em São Paulo, um rapaz estupra e mata uma moça na frente da filha pequena. Em Recife, um homem de 29 anos desenterra o cadáver de um bebê de três meses e come partes do corpo; descoberto, afirma que um demônio lhe dizia para "ingerir carne de gente morta de três em três dias…" Em São José dos Campos, dois irmãos invadem uma casa para cobrar uma dívida de 500 reais; a sobrinha do devedor, de seis anos, foi levantada pelos cabelos e executada com um tiro na cabeça, enquanto segurava uma boneca nos braços.

     Poder-se-ia escrever páginas e mais páginas sobre este tipo de crime, um mais pavoroso que o outro. Quando alguém se questiona sobre como é possível que seres humanos executem ações desse tipo, já está fornecendo resposta à sua própria pergunta. Indivíduos capazes de tais atos não podem, absolutamente, ser considerados humanos. Na verdade não o são de fato. Decaíram para algo ainda sem denominação, o estágio final de almas com aparência disforme e monstruosa, que um dia chegaram a ser humanas. Mas agora, tanto as almas como os espíritos de tais criaturas não têm mais nenhuma semelhança com a forma humana; eles não são mais, realmente, seres humanos. Por isso, não há também sentido em se falar de "direitos humanos para todos". Direitos humanos, como o próprio nome indica, só merecem usufruir as criaturas que podem ser classificadas como seres humanos; as outras não, pois humanas elas não são mais.

     É isto que as grandes personalidades do nosso tempo ainda não puderam reconhecer, como o Sr. Federico Mayor, diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, que após um ataque particularmente brutal do grupo terrorista islâmico GIA, declarou estupefato: "Estou horrorizado com o fato de que seres humanos possam, no fim do século XX, cortar a garganta de professores na frente de seus alunos."

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