O Destino dos Solitários

Capítulo 6
O MELHOR A SE FAZER

         Katie acompanhou Snape até a floresta sem dizer uma palavra. Sua imaginação estava aguçada, e se perguntava sobre todos os detalhes do castelo, como deveriam ser as aulas e a propriedade em geral. Também questionava se o plano daria certo, e se alguém perceberia que ela não era estudante coisa nenhuma.

         - Temos de tomar cuidado agora, vamos entrar na floresta – alertou Snape, cortando os pensamentos de Katie.

         Ela deu de ombros, indiferente. Snape soltou um murmúrio de exasperação e empunhou a varinha, em uma posição de alerta. Adentraram na floresta, Katie reparando que não havia nada de diferente naquele local, parecia apenas uma floresta comum, um pouco mal-encarada, mas ainda assim, comum.

         Como se lesse os pensamentos da garota, Snape deu a resposta, sua voz fria e distante.

         - Essa não é uma floresta comum. Existem muitas criaturas perigosas aqui, e se não estiver alerta pode se machucar gravemente.

         - Então foi isso que aconteceu com você? – questionou Katie, fitando-o.

         - Aconteceu comigo o quê?

         - Você foi atacado por uma dessas criaturas naquela noite, não foi? Quando nos encontramos pela primeira vez – explicou em voz acusadora. – Que criatura era?

         - Era um... lobisomem – respondeu com desgosto, mas sem querer se estender muito na resposta.

         - Oh – sua voz estava preocupada. – Ele não te mordeu, mordeu? Quer dizer, pareciam arranhões quando eu vi, mas...

         Ela começara a falar rápido, e isso deixou Snape irritado. Ele logo tratou de a interromper, sua voz um tanto perigosa.

         - Não aconteceu nada, Katie. E pare de falar, não quero me desconcentrar.

         Ela olhou para o lado, emburrada. Ficou sem falar nada com Snape até um certo ponto, onde a claridade desaparecera e ele teve de usar a varinha para iluminar o caminho.

         - Falta muito? – perguntou Katie, depois de mais de meia hora de caminhada.

         - Não se apresse, ainda falta um pouco para chegarmos – respondeu secamente, ainda olhando para frente.

         - Não encontramos nada nessa floresta sem-graça, acho que estava mentindo quand...

         A frase foi interrompida com um grito de Katie. Imensas aranhas aproximavam-se dos dois, cercando-os de maneira assustadora. Algumas eram maiores do que um cachorro, e pareciam multiplicar-se a cada instante. Ela recostou-se no ombro de Snape, tremendo de medo. Se tinha uma coisa que detestava eram aranhas.

         Snape parecia pensar em uma solução para aquilo, mas nenhuma idéia brilhante lhe surgia no momento. Decidiu fazer uma investida, puxando a mão de Katie e correndo para a frente, lançando feitiços nas aranhas que estavam em seu caminho.

         - O que pensa que está fazendo? – berrou Katie, sua voz sumindo aos poucos.

         - Salvando nossas vidas – disse em resposta, continuando a atacar as aranhas que vinham pela frente.

         - Então parece que não está tendo muito sucesso, não é? – perguntou em tom de sarcasmo, mas sem deixar de estar com medo.

         - Lumus Solem – disse Snape em tom alto, após virar-se e ter mirado em toda as aranhas.

         Uma grande luz surgiu da varinha de Snape, que quase cegou-lhes. Ficou brilhando por muito tempo, mas quando a luz extinguiu-se, não havia mais nenhuma aranha por perto.

         - O que aconteceu? – perguntou Katie temerosamente, esfregando os olhos por causa da claridade que há pouco lhe cegara.

         - Essas aranhas não gostam de luz – respondeu indiferente, voltando a caminhar.

         Katie o seguiu silenciosamente. Ainda não passara o choque de ver todas aquelas aranhas a atacando, com aqueles enormes olhos peludos... Sacudiu a cabeça, afastando aqueles pensamentos. Notou que Snape estava mais reservado do que antes, e continuava a caminhar, sua varinha segura firmemente.

         Caminharam por mais algum tempo, e logo os raios de sol voltavam a iluminar as folhas secas e os galhos que estavam no chão. A floresta foi deixando de estar densa, e logo Katie avistou os primeiros sinais de Hogwarts. Um grande e imponente castelo já era visível, com várias torres e torrinhas. À direita, um enorme lago, onde uma lula nadava preguiçosamente, e alguns alunos jogavam pedaços de pão para ela comer.

         Lenta e vagarosamente, Snape ultrapassou os últimos ramos das árvores e puxou Katie pelo braço, fazendo-a gemer de dor.

         - Pára, isso dói!

         - Fique quieta, a não ser que queira que sua detenção aumente – retrucou Snape de mal-humor, mas ela notara que ele diminuiu a força com que a segurava.

         Atravessaram grande parte do gramado sem nenhum problema, Snape com sua já conhecida carranca e Katie fazendo cara de arrependida. Mas não tiveram muita sorte na última metade; Harry, Rony e Hermione, anteriormente curiosos com o sumiço do professor, acharam mais estranho ainda ele aparecer um dia depois, e empurrando uma garota para dentro.

         - O que aconteceu, professor Snape? – perguntou Hermione esganiçada, quase não contendo sua curiosidade.

         - Nada que lhe faça diferença, Granger – respondeu rude, sem parar de caminhar. – Esta aluna inconseqüente, perdeu-se na floresta e tive de resgatá-la. E não faça mais perguntas – completou, vendo que ela já abrira a boca para perguntar mais. – A não ser que queira perder pontos para sua casa.

         Snape apressou o passo, fazendo Katie tropeçar levemente em suas vestes. Adentraram no castelo em pouco tempo, e a garota surpreendeu-se com o que vira. Tudo parecia minuciosamente decorado, até os mínimos detalhes. Tudo era feito de material caro e durável, e Katie tentou gravar em sua mente, uma crescente admiração enchendo seu peito.

         Ele soltou seu braço, que agora formigava dolorosamente. Começou a massagear o local, fazendo movimentos circulares, e uma careta em seu rosto. Snape continuou andando em passos rápidos, e foi realmente complicado para a garota acompanhá-lo.

         Enquanto caminhavam, ela tentava se lembrar do caminho que seguiam, direita, esquerda, esquerda novamente, subir a escada à direita... viravam em vários corredores, e era impossível memorizar o caminho corretamente. Acabou desistindo.

         Pararam em frente a uma gárgula enorme. Snape murmurou uma senha e a gárgula se moveu, dando lugar a uma crescente escada em caracol. Ele a subiu, e Katie o seguiu, uma pontinha de receio latejando perto de sua têmpora.

§§§§§

         Caminhava ansiosamente pela salinha, andando sempre em círculos, mordendo levemente seu dedo indicador. Estava há um bom tempo ali, esperando apenas a porta ao lado ser aberta rapidamente, com Severo Snape saindo dela, dizendo-a que podia entrar.

         “Fique aqui, não vou me demorar” – troçou ironicamente, fazendo uma falsa imitação da voz de Snape. “Está certo, consigo ver a sua ‘demora’!” disse enfurecida, dando mais uma volta na pequena sala. Já estava esperando a conversa de Snape com Dumbledore fazia minutos, mas muitos minutos, na opinião da garota.

         O ambiente já não era tão convidativo quanto a hora em que chegou; já perdera a graça observar a decoração detalhada do aposento, parecia uma pilha de ansiedade para falar com Alvo Dumbledore, o maior bruxo dos tempos modernos.

         Depois de alguns minutos, o que parecia a Katie uma eternidade, a porta se abriu. Dela saiu Snape, que parecia mais fechado do que nunca, e sua voz estava fria e ameaçadora.

         - Pode entrar, Alvo está à sua espera.

         Katie concordou com a cabeça, indisposta para dizer uma palavra sequer. Adentrou na sala circular do diretor, e levou um grande choque ao ver os inúmeros quadros pendurados nas paredes, com alguns quadros cochichando ou simplesmente dormindo. Achou aquilo muito interessante, depois de observar por algum tempo.

         - Senhorita Witter, fico feliz que tenha gostado dos quadros, mas preferiria que se sentasse – disse Dumbledore gentilmente, oferecendo a cadeira à sua frente.

         - Certo, obrigada – ela agradeceu, ligeiramente corada com o comentário.

         O diretor ficou em silêncio, apoiando seu queixo nas mãos entrelaçadas. Katie mexia em suas mãos nervosamente, sem saber para onde olhar. Dumbledore a fitou serenamente, invadindo Katie de uma paz e tranqüilidade que ela julgou completamente irreal. Percebeu depois que o aposento todo emanava aquela sensação.

         - Por onde quer começar, srta. Witter?

         - Hum, é... Dumbledore – disse embaraçada, sem saber ao certo como chamar o diretor. – Gostaria que não me chamasse de Witter, mas apenas Katie.

         - Tem medo de ser chamada pelo nome de sua família? – a pergunta não era uma acusação, mas apenas um comentário despreocupado.

         - É só que... não conheci ninguém de minha família, não vejo motivo de me chamarem por um nome que nem sei se é meu – respondeu amargamente.

         - Entendo seu ponto de vista, jovem – disse suavemente, seus olhos azuis brilhando repentinamente. – E respeito sua opinião, claro.

         Ela fez um aceno positivo com a cabeça, envergonhada com o que ele lhe dizia.

         - Não precisa ficar temerosa, Katie, vamos apenas conversar – acalmou Dumbledore, percebendo o nervosismo da garota.

         - É que... o senhor é tão importante, não sei como tem tempo para ter uma conversa comigo, uma simples adolescente – disse rapidamente, nem parando para recuperar o fôlego.

         - Aí é que se engana, garota. Você não é uma simples adolescente, a começar por ter conseguido invadir os sonhos de Severo, e manipulá-los da maneira que achasse mais conveniente – discordou Dumbledore, sorrindo jovialmente.

         - Mas eu não manipulei os sonhos dele! – protestou Katie, levantando a voz um pouco mais do que esperava – Apenas o fiz lembrar daquela noite, só isso... – completou em voz baixa, quase inaudível.

         - Não estou te acusando, não me entenda mal – confortou o diretor, sua voz calma como sempre. – Estou apenas contando os fatos.

         - Er... certo – finalizou a garota, querendo logo ir para a parte que interessava, embora não soubesse ao certo qual era.

         - Katie, eu tenho umas suposições sobre você, mas não posso revelar nada sem saber sua história, e gostaria que me contasse os fatos da melhor maneira que se lembrar – pediu com voz serena, fitando a garota calmamente.

         Katie começou a contar sua história para Dumbledore, com uma quantidade maior de detalhes do que quando contara para Snape, detalhando ricamente como chegara à conclusão de que podia viajar no tempo e como aprendera a determinar para quando iria ser transportada. Contou também que conforme ia crescendo, tomava conhecimento de mais coisas, algumas realmente interessantes. Ele ouvia a tudo atentamente, sem interrompê-la em momento algum.

         Quando ela acabou, parecia aliviada, e imensamente grata por ele não ter feito nenhum comentário no meio da conversa, que nem Snape fizera.

         - Então minhas suspeitas estavam certas, e acabei descobrindo mais do que imaginava – disse o diretor pensativo, fitando o vazio.

         - O que o senhor descobriu, Dumbledore? – Katie perguntou, curiosa e temerosa.

         - Por acaso já ouviu falar em guardiões do tempo, Katie? – questionou Dumbledore, sem realmente responder à pergunta da garota.

         - Não senhor, apenas vi uma ou duas citações num dos livros que li, mas nunca vi nada mais do que isso – respondeu confusa, sem entender onde ele queria checar.

         - Pois bem. Os guardiões do tempo são conhecidos também como TimeSaver, e são pessoas muito importantes e muito raras de existirem no mundo da magia. Já ouviu falar desse termo antes?

         - Não – respondeu abobadamente, sentindo-se uma inútil. – O que eles são?

         - Katie, vou te contar rapidamente a história dos TimeSaver, mas é necessário que preste total atenção ao que vou te dizer, certo? – ela afirmou com a cabeça. O diretor pigarreou levemente e começou a explicar – Os TimeSaver são pessoas – bruxas ou não – que possuem poderes especiais, e por isso é raro encontrarmos alguém com essas qualidades. Existe apenas uma pessoa desse tipo por era, e seu nascimento depende seriamente dos acontecimentos do mundo naquela época.

         - Seu nascimento é marcado por um grande fato, que abala profundamente o mundo mágico e trouxa. Pode ser um fato bom ou ruim, mas normalmente os TimeSaver nascem para salvar o mundo de um perigo eminente. Está entendendo onde quero chegar?

         - Não faço idéia – disse Katie sinceramente, achando muito confusa aquela história.

         - Bem Katie, essas pessoas com poderes especiais são controladas rigorosamente pelo Ministério, a partir do momento em que nascem. Elas recebem um treinamento especial, pois afinal, elas são responsáveis pela salvação do mundo, e sempre são peças de grande importância no mundo. Por isso que elas podem viajar no tempo, para impedirem certos fatos de acontecerem ou até mesmo descobrir o que aconteceu de errado para o mundo tomar o rumo que tomou – explicou Dumbledore seriamente.

         - Então quer dizer que... – ela disse receosa, incapaz de terminar a frase.

         - Você é uma TimeSaver, Katie – disse Dumbledore seriamente.

         Ela pareceu que ia engasgar. Estava confusa e passada com a história que ouvira. Sempre achou que fosse um dom raro o que tinha, mas não fazia idéia de que era responsável pelo destino que o mundo tinha.

         - Quer dizer que... eu sou responsável pelo mundo atual? – perguntou fracamente.

         - Em parte Katie, em parte. Antes de mais nada, eu preciso saber quando é que você nasceu.

         Katie olhou o diretor confusa. Mas sabia que ele deveria estar com algum plano em sua mente, então decidiu falar a verdade.

         - Nasci em 31 de outubro.

         - Eu sabia disso – disse Dumbledore, sua voz séria. – Katie, você foi a responsável por ter salvo o mundo da ira de Voldemort, mesmo que temporariamente.

         - O quê?

         - Você provavelmente deve ter ouvido falar da noite em que Voldemort foi derrotado por um garotinho de pouco mais de um ano, estou certo?

         - Já ouvi falar nisso vagamente... – disse pensativa, tentando lembrar de detalhes.

         - Pois foi você quem fez com que Voldemort cedesse – explicou serenamente, sua voz ficando menos séria e preocupada. – Sem consciência disso, é claro.

         Katie ficou em silêncio, absorvendo as informações absurdas que estava ouvindo. Era muito impossível ser a salvadora do mundo se esteve tanto tempo sem ter consciência do que se passava na cidade vizinha. Como poderia salvar o mundo se nem era bruxa?

         Dumbledore respeitou os pensamentos confusos da garota por apenas um tempo, depois voltou a falar, revelando outra informação bombástica.

         - Mas há uma coisa que ainda não te contei, Katie – ela o encarou rapidamente. – Uma das missões de um TimeSaver é melhorar a vida de uma pessoa que considera especial, de alguém que você vira sofrer muito. Eu gostaria de saber se já encontrou essa pessoa.

         Ela engoliu em seco, finalmente entendendo tudo o que passara nos últimos cinco anos. Seus olhos encheram-se de lágrimas involuntariamente, e sua voz estava embargada.

         - Sim... eu, eu já encontrei...

         - E posso saber quem é essa pessoa? – perguntou gentilmente.

         - Sim... sim... é... é S-S-Severo... – sua voz estava fraca, seu corpo tremendo levemente. Enxugou suas lágrimas com a manga da capa.

         Dumbledore ficou surpreso com a resposta da garota. Nunca imaginava que Severo Snape fosse estar ligado a uma pessoa com um fardo tão grande, e o professor não deveria nem fazer idéia da situação. Ficou com pena de Katie. Sabia o quando Snape sofrera em sua vida, e o quanto ela deveria ter sofrido também, sem nem ao menos ter idéia do que se tratava.

         - Katie, você está se sentindo bem? Se quiser, você pode descansar e conversamos amanhã, imagino como deve estar sendo difícil conciliar todas as informações que te dei.

         - Não Dumbledore, está tudo bem. Quero terminar isso o mais rápido possível – disse Katie, sorrindo levemente. – Então é por isso que me senti na obrigação de ajudá-lo? De querer voltar ao tempo dele e fazer alguma coisa por ele?

         - Provavelmente foi por isso sim. Você deve ter sofrido tudo o que ele sofreu quando adolescente, e garanto que deve ter sido muita dor – disse Dumbledore.

         - Eu... eu queria ajudá-lo, senti que ele ainda sofre muito. Foi horrível sentir novamente toda a angústia que ele carrega. Dumbledore, queria saber como ajudá-lo, já pensei em viver a época em que ele viveu, tentar ajudá-lo de alguma maneira, mas nunca soube se era o mais certo a se fazer.

         - Preciso te dizer uma coisa, Katie, uma suposição que tenho – avisou em voz séria.

         - O que é? – perguntou, nervosa com o tom de voz dele.

         - Você pode não saber, mas a família Witter é uma família de bruxos muito antiga, e que quase todos os seus membros foram bruxos respeitados no mundo mágico. Sinto que você também é bruxa, e preciso ter uma certeza disso.

         Ela ficou surpresa com o que Dumbledore dissera. Nunca imaginou que pudesse ser bruxa, sempre achou que era trouxa, e se realmente fosse... poderia ajudar Snape como nunca imaginara.

         Dumbledore levantou-se de sua poltrona e caminhou até um dos armários de sua sala, onde estava sua penseira, e pegou uma bacia metálica, onde um líquido púrpura dançava em seu interior. Colocou-a sobre sua mesa, e dirigiu-se a Katie.

         - Essa é a prova final para vermos se é uma bruxa ou não, Katie. Tudo o que você precisa fazer é colocar sua mão no líquido, mas precisa ser a mão com que escreve e, provavelmente, segurará uma varinha – explicou serenamente.

         Katie concordou com a cabeça, e lentamente mergulhou sua mão no líquido, que começou a rodar e a mudar de cor, ficando transparente.

         - O que aconteceu? – perguntou assustada, sentindo sua mão ficar mais gelada.

         - Eis a prova final, Katie, o que significa que você possui tanto sangue mágico nas veias quanto eu – anunciou Dumbledore, sorrindo levemente.

         Ela arregalou os olhos, atônica e sem saber o que fazer. Seu rosto iluminou-se, e percebeu que finalmente sua vida estava tomando o rumo que esperava, o rumo que deveria ter tomado desde o princípio.

         - Quer dizer... quer dizer que sou uma bruxa?!

         - Sim, uma bruxa que, com um pouco de treinamento, pode ser uma das melhores da atualidade – comentou divertido.

         - Então... – sua mente parecia trabalhar a mil naquele momento – Posso voltar no tempo e ajudar Severo a encarar o mundo, não posso?

         - Sim, isso é totalmente possível agora – concordou o diretor. – Acho que é o melhor a ser feito, se me permite, pois tenho certeza que vocês dois irão aprender muito da vida convivendo um com o outro.

         - Então eu tenho permissão para ir? – sua voz estava contida, quase não agüentando de alegria.

         - Naturalmente. Mas devo te alertar de uma coisa, você não pode dizer nada que possa comprometer o decorrer dos fatos, nada pode ser dito. Você não pode revelar o que acontecerá no futuro, entendeu? Muito menos para a minha pessoa.

         - Sim senhor, eu não vou contar nada – Katie concordou.

         - E também não podemos revelar ao Severo do passado sobre suas reais intenções, ou sobre quem você realmente é. Ele é muito curioso, e faria de tudo para descobrir os mínimos detalhes. Não diga a ninguém sobre sua missão no passado, entende?

         Katie concordou, memorizando tudo o que não deveria fazer.

         - E eu gostaria de pedir uma coisa a você, Katie – o diretor a chamou de volta à realidade, assustando-a brevemente. – Compre uma coruja marrom, e apelide-a de Sally. Ela será capaz entregar correspondências fora do tempo normal e você poderá utilizá-la se precisar se comunicar comigo, entende?

         - Sim Dumbledore, entendi tudo – disse com sinceridade.

         - E quanto ao dinheiro – ele completou, abrindo a gaveta próxima a ele e pegando um saco cheio de moedas -, aqui deve ter o suficiente para comprar todo o seu material, mas se caso precisar de mais, me avise que enviarei o mais rápido possível.

         - Obrigada – balbuciou, completamente envergonhada.

         - Katie, certamente o meu eu passado irá te receber de maneira amigável, mas prometa que irá contar toda a sua história para ele, ocultando, é claro, o que acontecerá para você nascer – Dumbledore disse seriamente, seus olhos sem o brilho habitual. – Devemos fazer o máximo para o Ministério não descobrir sobre você, caso contrário teremos muitos problemas.

         - Pode contar comigo Dumbledore, farei o possível para me cuidar – Katie disse séria, sem nenhum vestígio de brincadeira em sua voz. Sabia que o assunto era sério, e que piadinhas não seriam bem vindas.

         - Acho que pode ir o mais rápido possível, não podemos perder tempo. E mande uma coruja assim que tudo der certo, para nos mantermos informados.

         - Contarei nos mínimos detalhes tudo o que acontecer! – disse animada, guardando o saco dentro das vestes de Hogwarts – Mas, Dumbledore... – comentou receosa – para que época devo ir?

         - Precisamente o assunto que devemos discutir. Com quantos anos está agora, Katie?

         - Estou com quinze, diretor – respondeu ela.

         - Quinze anos... então deveria estar cursando o quinto ano... Acho prudente colocá-la no mesmo ano de Severo, as coisas ficarão mais fáceis para você – e então ficou em silêncio por um tempo, fazendo contas. – Deverá ir para 20 de Agosto de 1973, há 22 anos atrás.

         - Mas por que nessa data? – perguntou Katie curiosa.

         - 1973 é o ano em que Severo cursava seu quinto ano e, embora as aulas comecem apenas em primeiro de Setembro, acho melhor mandá-la alguns dias antes, para receber umas noções de magia, estou certo de que os professores a ajudarão com prazer.

         - Está certo Dumbledore, o senhor tem toda razão – concordou a garota, achando que o homem tinha uma inteligência inimaginável. – Então acho que devo ir, não é?

         - Não irá se despedir de Severo? – perguntou o diretor, olhando-a desconfiado.

         - Ah não, Severo nunca entenderia o que pretendo fazer, acho melhor deixarmos as coisas como elas estão – disse vagamente, sem querer dizer realmente o que achava.

         - Você tem certeza, Katie? Severo não é o tipo de pessoa que entende uma partida sem ao menos se despedirem – contrapôs Dumbledore, realmente preocupado com a reação de Snape quando descobrisse daquilo.

         - Acho que é melhor assim, Dumbledore – respondeu Katie um pouco insegura. – Acho melhor partir assim, ele nunca me entenderia.

         Fez um aceno para Dumbledore, que ainda queria persuadi-la a despedir-se de Snape. Ela murmurou por algumas vezes a data “20 de Agosto de 1973”, mas sem realmente focalizar sua mente na data. A verdade era que não tinha coragem de se despedir dele, tinha muito medo do que ele poderia pensar. Sabia que desse jeito seria pior para ele, mas não tinha coragem de encará-lo novamente e dizer ‘adeus’, algo lhe doía muito.

         Finalmente conseguiu se concentrar na data, seu coração se apertando de remorsos, mas não quis se importar. Disse novamente a data e sumiu dali, Dumbledore ainda olhando para o local onde ela estivera.

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