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POEMAS

PRAÇA  DO  FLAGELO

 

Outrora remanejaste as noites

No rebolejo multicolor da fonte
Pudera hoje o passado ser ponte
De tua flor desfalida em riste.

Pudera expor não o árduo tempo
Que ao vento cru te valera corte
E os anos infiéis te tiraram os dotes
De jardim florido, de porta de templo!

Pudera ser Serra... nunca seres praça...
Incontigente numa cidade bela,
Que por arte não morre de desgraça

E por fome não se sorri em duelo...
Pudera o rio... quem sabe o monte?
Ostentar o mísero sabor do flagelo!

 

Élsio Américo Soares

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PRÉ–EXISTÊNCIA  DO  GRITO

 

Na sangria do pensamento

As palavras quaram no silêncio...
A solidão goteja da chuva
Aos porões dos sentimentos...
O sorriso empalidece
Nas folhas umedecidas...
O varal nu acaricia
As gotas orvalhadas...
O solo embriaga-se
Com o gélido sabor do cio...
Os homens diante à lareira
Friccionam a chama
(a tez dos amantes que copulam)...
-O feto presencia a lama pardacenta
Jorrar-lhe a existência...

O varal seca...
As folhas metabolizam-se em rosas...
O sol desponta-se nas janelas...
Os gritos escorrem-se no prelúdio do eco...
A solidão sai das entranhas...
E CRESCE...

 

Élsio Américo Soares

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RETICÊNCIAS...

 

 

Se fores além da vida

Por uma estrada-poeira,

Te aninhas na cachoeira

Te espumas no vago da ida

Adentras fundo...
E descansas no mundo,
No paraíso...
Na tua sombra de menino!...

 

Élsio Américo Soares

 


POEMAS

*

 

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ROSA   CÁLIDA

 

Dirás ao túmulo
Que teu segredo é imenso,
Que teu aroma emana da alma
E aos confins do corpo silencia calma.
Despertas do silêncio
Que de longe falas
E digas a minha voz que se cala:
Que Eu todo significo um espaço,
Sem limites e sem traços...

Assim como a ti
Que agora exala...

Amanhã num túmulo se desfala...

Élsio Américo Soares

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ROSAS  BRANCAS

 

Agora,
No jazigo onde dorme
O mármore fúnebre do outono
Empalidece-me o olhar esquálido
E o tinir dos sinos murmura lânguido,
Ouço-o dos labirintos inatingíveis do eterno;
E cabisbaixo
Choro as verdes lágrimas da esperança,
Gota por gota
Jorra ao chão da liberdade...

Agora,
Também por todas outras lápides
Descansam tantos outros bravos
(Povos de toda Humanidade)...
Que criaram filosofias
E nelas vivem hoje a Eternidade!

Agora,
Vive no descanso pleno,
Pois da semente deixada
Faremos dela rosas
E as chamaremos:
(Rosas Brancas)!!...

In Memorian

Tancredo Neves

Élsio Américo Soares

 

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SILÊNCIO  NOTURNO

 

Estarei a meia noite pedindo perdão

ao menino ou à menina
que pela extensão do dia
mendigou na porta da minha boca,
co’o saco de cola às costas
esfaqueou minha alma,
rasgou-me a tez da dignidade Humana;
e disse-me que er um Homem ou uma Mulher
À procura da estrada...
da estrada pardacenta onde adormece o Anima,
e o lodo alimenta a embriaguês
de mil poetas que se enganam
com a primeira rosa nascida...
E a criança perdida??
-Tente poetizar este crime,
perfumar a cola,
tirar da noite dos silêncio
única resposta ao meu perdão!!!!

Élsio Américo Soares


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