Caminhos da filosofia

Por Manoel Rabelo

Do mito à filosofia

O mito não tem aqui uma conotação usual de fábula, lenda, invenção ou ficção, mas é um relato de um acontecimento ocorrido no tempo primordial mediante a intervenção dos entes sobrenaturais. Ele é uma representação coletiva, transmitida através das gerações e que relata uma explicação do mundo.

O mito relata o mundo da realidade humana, mas cuja essência é uma representação coletiva, que chegou até nós através de gerações. Roland Barthes define o mito como “uma verdade que esconde outra verdade.”

Nas civilizações primitivas, o mito desempenha uma função indispensável: Ele exprime , exalta e codifica a crença, salvaguarda e impõe os princípios morais, garante eficácia de rituais e oferece regras práticas para a orientação do homem.

Não é fácil traçar uma fronteira temporal do momento em que surge o pensa-mento racional. Passaria provavelmente pela epopéia homérica. No entanto nela é tão estreita a interpretação do elemento racional e do pensamento mítico que mal se pode separá-los. Uma análise da epopéia, a partir deste ponto de vista, nos mostraria quão cedo o pensamento racional se infiltra no mito e começa a influenciá-lo. Em todas as partes da ‘Teogonia’ de Hesíodo reina a vontade expressa e uma compreensão construtiva e uma perfeita coerência na ordem racional, embora que a sua cosmologia ainda apresente pujança mitológica.

O início da filosofia não coincide nem com o princípio do pensamento racional nem com o fim do pensamento mítico. Há mitologia nas idéias de “alma” de Platão e do Motor imóvel de Aristóteles.

Os pensadores originários (Séc.VI a.C) se perguntaram: sobre o que será o fundo inesgotável do qual tudo procede e do qual tudo regressa? Tales julga que é a água, que evapora e se transforma em ar ou se congela , e por assim dizer, se petrifica em sólido. Anaxímenes sustenta que o princípio é o ar e não a água e é a partir dele que antes de tudo procura explicar a vida. O ar domina o mundo como a alma domina o corpo; e a própria alma é ar, sopro, pneuma. O princípio originário que Anaximandro estabelece é o ilimitado (ápeiron) mostrando audácia em ultrapassar as fronteiras da aparência sensível.

Estes pensadores originários estavam dominados pelo prodigioso espetáculo da geração e corrupção das coisas.

 

Bibliografia:

Brandão, Junito de Sousa. Mitologia Grega, Petrópolis, Vozes, 1997. (págs. 36ss)

Jaeger, Werner. Paidéia: A Formação do Homem Grego, Martins Fontes, 1989. (Págs. 132ss)

Manoel Rabelo

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