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CARACAS, VENEZUELA, 3ª feira, 30 de agosto de 2002, 13:30 hs.

 

DIA DA VIAGEM N°  798
CHEGADA À CARACAS DOMINGO 25/08, 19:30 hs.
QUILÔMETROS JÁ FEITOS EM VENEZUELA 1931,37 km
DIAS EM VENEZUELA 72 (data de ingresso 22/06)
QUILÔMETROS TOTAIS PERCORRIDOS (contando do dia de partida (o DIA 1: 26/06/2000), de Ushuaia, Argentina) 13.541,37 km

 

Quase não posso acreditar, mas estou finalmente aqui na cidade capital da Venezuela. Vamos ver o mapa (As cidades em verde no mapa são aquelas que ainda faltam visitar):

 

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Foi uma viagem difícil e enfrentei muitos problemas: eu acho que o meu Anjo Guardião ficou dormido e a má sorte começou a me perseguer.

A história começou quando vinha chegando à Ilha Margarita, no Mar Caribe: cheguei ao Corpo de Bombeiros da cidade de Porlamar (a maior da ilha) e ao dia seguinte peguei uma crise de asma! O pior foi que aconteceu durante um fim de semana: a cidade estava de festa e eu escutava a musica vir das ruas, enquanto eu lutava procurando respirar e olhava bravo os telefones das três garotas que tinha conhecido (eh! não se confundir: eu não sou promíscuo não. Só acontece que sempre procuro conseguer mais dum telefone, já que vocês conhecen às garotas: elas dam os seus números só pra depois estudar a você como se fosse um bicho ao microscópio; então, nim sempre uma ligação quer dizer um encontro certinho).

Mas a doença passou. Uma manhã, após respirar o ar fresco do amanhecer, decidi que já era tempo de sair a pedalar pela ilha e conhecer as suas formidáveis praias, assim que fui para uma casa de câmbio a trocar os meus últimos dólares... e fui roubado! (droga!). Quase todo o meu dinheiro sumiu. Foi um dissos roubos que acontecem sempre com outros caras, com os bobões... até que alguém demostra científicamente que você é também um bobão! (para conhecer a história, ver O truque mais caro do mundo ). Então fiquei assim, pobre e assustado... E agora o que fazer? Decidi tentar procurar patrocínio pelas lojas, mas não tive muito sucesso. Depois disso, procurei emprego nos hotéis, mas ao ser extranjeiro não fui aceitado. Portanto, após dez dias encontráva-me outra vez no barco, voltando ao Puerto La Cruz (ver mapa acima). Dali fuji ao Oeste, rumando para Caracas, e cheguei à cidade capital só com 9.000 bolívares no meu bolso (= 18 reais), é mesmo dizer nada de dinheiro.

Foi aqui, em Caracas, que a sorte começou a mudar.

Primeiro eu achei difícil ter sucesso nas lojas porque, numa cidade enorme como Caracas, os donos estão cansados de que os dias tudos pessoal entre pedindo doações. Mas estava errado. Mesmo assim, encontrei pessoal que ficava bravo, é claro, mas apesar disso recevi muita ajuda e só em três dias arrumei 80.000 bolívares, dois pneus novinhos e luvas para ciclista.

Ta bom, agora, enquanto eu fazo descansar os meus dedos, a gente va ver algumas fotos:

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Em km 88, um pequeno povoado logo após de descer do Parque Nacional Canaima (Grande Sabana) pela espectacular rodovia a meio da floresta, cheguei ao destacamento da Guardia Nacional de Venezuela e fiquei hospedado. Ali à noite bati a foto desta borboleta noturna embaixo da luz duma lâmpada.

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Em Tumeremo, uma cidade do Estado Bolívar, encontra-se aquela jovem fêmea de onça pintada, que foi entregue à Guardia Nacional por um caçador. Infelizmente o destino dela sera um zoo, pois foi criada em cativerio e liberá-la é um risco, porque já perdeu o medo ao ser humano.

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Em algum lugar das rodovias de Venezuela encontra-se aquele túnel. Atrás do seu verde brilhar esperam insuspeitáveis aventuras.

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Aquí chorando como uma criança, ao contemplar por vez primeira o Mar Caribe, no Parque Nacional Mochima, após dois anos viajando dos mares do Sul de América.

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Acima, com parte do pessoal do Corpo de Bombeiros da Ciudad Bolívar, aonde fiquei hospedado durante uns dias.

À direita, apresento-lhes ao famouso Guácharo. Parece só um passarinho comum, mas a sua história é muito particular: ele é um gavião, mas alimenta-se de frutas (?). Além disso gosta da noite, como os murcegos, por isso durante o dia oculta-se na famousa Cueva del Guácharo, uma das maiores grutas do mundo (12 km de extensão). Graças à gentileza do Coordinador da Cueva eu

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fiquei hospedado perto da gruta, olhando sair os miles de guácharos à noite e depois pude explorar ao dia seguinte 1200 metros desse profundo furo no planeta.

Essa é a minha história de viajante ao dia. Mas ainda têm mais.

Sem dúvida eu não sou o primeiro em olhar que após duma terrível tempestade fica tudo sossegado. E foi assim, pois o Anjo Guardião acordou e reagiu. Acho que foi no momento que comecei a procurar emprego na Ilha Margarita, porque num hotel encontrei um cara, um funcionário, que, após ouvir a minha patética história, convidou-me ficar na sua casa. Ali conheci a sua namorada e o seu colega, que moravam também lá, e fez amizade com eles na hora. Eu estava pobre, pobre demais, mas mesmo assim os dias passaram legais: era sempre reposar na rede, assistir vídeos e visitar as praias, os dias tudos. À noite a gente tinha dança nas discoteques das praias, embaixo do céu estrelado, e foi numa dessas noites que conheci à Mildret, uma garota magrinha de pele morena, 22 anos e o cabelo curto, pintado de loiro. Uma deusa.  

Não tive muita vontade de ir embora da ilha.

Agora, o próximo passo é seguir ao Oeste. Pretendo passar pelas cidades de Maracay, Pto. Cabello, Coro, Maracaibo e finalmente sair à Colômbia através do passo de fronteira perto do povoado de Maicao (Colômbia), uma espécie de ninho de criminosos, segundo fala o pessoal daqui. Até mesmo, no meu livro Lonely planet para viajantes fala-se que Maicao "é grandemente e justificávelmente conhecido como um local sem lei, sem segurança: tratar de ficar ali tão pouco como poder." No entanto, é a única opção, pois se escolho o passo das montanhas ao sul da Venezuela, depois vou ter que subir até o mar Caribe pelo território das guerrilhas. Me desejem sucesso!

Acho que é todo. Espero que vocês tenham-se divertido e tenham compreendido o meu portunhol, pois ao passo que mais longe estou do Brasil, pior é para mim escrever em Português!

Chao e até breve!!

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