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CARTAGENA DE INDIAS, COLÔMBIA, 5° feira, 30 de Janeiro de 2003

 

DIA DA VIAGEM N°  947
CHEGADA À CARTAGENA DOMINGO 12/ 01/2003, 19:00 hs.
QUILÔMETROS JÁ FEITOS EM COLÔMBIA 583,51 km
DIAS EM COLÔMBIA  129  (data de ingresso 22/09/2002)
QUILÔMETROS TOTAIS PERCORRIDOS (contando do dia de partida (o DIA 1: 26/06/2000), de Ushuaia, Argentina) 15.069,26 km

 

É mesmo, agora sim rompi o meu próprio record... quase 5 meses sem escrever!! Mas não vou aborrecer vocês com as minhas desculpas: já conhecem a história. Escrevo quando eu poder e tenho oportunidade e pronto.

Nestos últimos tempos aconteceram muitas coisas, algumas delas incríveis mesmo pra mim... Como fazer para contar-lhes tudo? Pois esta seção é só para relatar rapidinho as últimas novidades mais algumas fotos e pronto... acho que a solução é fazer LINKS, então aqueles que viraram tão doidos como para seguir a minha viagem (ou a nossa?), podem clicar nos links que encontrarão no relato para maior informação.

Mas antes, vamos ver o mapa da situação atual:

 

A linha azul é o percurso feito, as linhas vermelhas são as duas variantes do caminho planejado para chegar à Panamá.

 

Não se cómo é agora o meu Português. Posívelmente pior. Já faz muito tempo que não falo com ninguém do Brasil, então paciência e favor me corrigir os erros que não quero me esquecer!

 A história ficou detida em Caracas. Os meus planos eram pedalar dali à Colômbia e graças a Deus todo diu certo. E rápido. Só tinha mais uns dias de permissão para ficar em Venezuela, então fez 944 quilômetros em 18 dias até chegar à fronteira. Mesmo assim, tive oprtunidade de conhecer lindos locáis da costa caribenha venezolana, cidades como Puerto Cabello, Coro, Maracay e Maracaibo... e também até tive uma grata companhia, quando fiquei uns dias numa pequena ilha perto de Chichiriviche (un povoado ubicado entre Puerto Cabello e Coro) e conheci à Adriana... mas não vou falar muito disso senão alguém que conheço va me cortar o pescoço!

No 22 de setembro, último dia de permissão, estava já atravessando a divisa ingressando à Colômbia.

Eu vinha escutando fazia já tempo falar mal desse pais, e o pessoal aconselhava principalmente se cuidar muito em Maicao, uma cidade perigosa demais. Eu tinha que passar por ali, caminho a Riohacha (ver mapa acima), mas mesmo que atravessei sem problemas, ainda me lembro olhando os cartuchos vazios de balas na rua, esmagados pelos carros, enquanto pedalava cheio de medo sem olhar aos lados. Esse dia cheguei a Riohacha bastante cêdo na tarde  e fiquei nos Bombeiros Voluntários. Eu estava meio desidratado após pedalar ..... km (faz muito calor na região e a minha água que transportava quase fervia). Ao dia seguinte, já repousado, começei a procurar patrocínio e achei que, apesar dos problemas políticos, o pessoal colaborava muito com a minha Aventura, mesmo que Venezuela e o Brasil.

Na verdade, já faz quatro meses que estou em Colômbia e até agora nunca encontrei problemas nem tenho visto um guerrilheiro ou paramilitar. Muitas vezes o verdadeiro problema é a média internacional, que vive do exagero e da sangue, e é a nossa culpa, claro, porque acreditamos nela demais. Aqui no pais fez muitos amigos, e não só isso: conheci aqui uma mulher muito especial (uma consequência de virar do caminho traçado). O nome dela é Catalina, e acho que agora sim estou frito, pois os dois ficamos apaixonados. A história do nosso encontro é cumprida e inacreditável, por isso é melhor olhar um desvio no caminho.

Após dois meses meses e meio ajudando minha namorada com o seu trabalho, ela voltou à Bogotá e eu segui o meu caminho. Cheguei à cidade de Santa Marta e apaxionei dela, especialmente da pequena bahia de Taganga, numa aldéia de pescadores na beira da cidade. Mas o primeiro encontro com Santa Marta foi ruim, pois fui mal recebedo pelos bombeiros e o comandante da polícia negou-me a sua ajuda. Foi complicado encontrar alojamento, mas ao final diu tudo certinho após dois dias difíceis (ver para maior informação a insospeitada trilha à Taganga), e até recebi uma agradável surpresa quando a minha namorada chegou para me visitar por três dias!

Mas vocês não vão pensar que Santa Marta é um local desagradável, pois não é assim: até agora, foi uns dos locáis aonde mais patrocínio achei (para saber quanto dinheiro ter coletado, ver o listado de patrocinantes ).

O seguinte passo foi Barranquilla, a maior cidade da costa do Caribe e com fama de ser a mais perigosa. De fato, vinte dias antes da minha chegada lá, um ciclista colombiano foi roubado. A última coisa que escutei dele foi que estava coletando contribuições em Santa Marta para seguir a sua viagem e comprar outra bicicleta. Porém, eu estive lá oito dias, na Defesa Civil Colombiana, e não tive problema nenhum (acho que o meu Anjo Guardião é malucão mesmo!). Caminhei pelos bairros e achei tudo tranqüilo, crianças brincando nas ruas e coisas assim.

E agora estou, acho, na última cidade da Colômbia que vou conhecer. Cartagena de Indias é uma Fortaleza mesmo, e nunca tinha olhado coisa semelhante. A cidade foi um bastião da defesa dos espanhóis contra os piratas, principalmente ingleses, que assolavam as costas em procura do ouro que a colônia enviava à coroa, e caminhar perto das muralhas é uma sensação mágica, como viver em duas épocas ao mesmo tempo.

Mas já estou escrevendo demais... vamos ver algumas fotos para descansar:

 

FLASHBACK DE BRASIL. Um pouquinho antes de entrar à Venezuela, no estado de Roraima, encontrei na rodovia esse casal de ingleses que estavam procurando chegar à Ushuaia de bicicleta... agora sim vocês acreditam que não sou o único doidão??

A minha entrada à Colômbia de Venezuela, pelo passo de Maicao..

Pouco antes de sair da Venezuela, encontrei essa amiginha que está caminhando acima da minha camiseta. Um policial rodoviário bateu a foto "Não tem problema, ela não é perigosa" falou para a minha tranquilidade. Assim, primeiro eu fiz caminhar o bicho pela minha mão, mas ele caiu, portanto, temendo que ficasse bravo, a segunda vez fiz caminhar a aranha pela camiseta.

Aqui estou com a minha namorada Catalina, num refúgio do Santuário de Fauna e Flora os Flamengos.

Atravessando uma boca de mar com a bicicleta acima, no Santuário.

Aqui estamos fazendo reforestação dumas árvores que não se o nome em Português, mas crecem nas beiras das praias e só vivem em águas salgadas. Essas árvores estão em perigo de extinção nessa região.

Essa é uma criança de tortuga marinha, que estão sendo reproducidas em cativerio para depois ser liveradas no mar, e salvar assim a espécie.

 

Cartagena é uma cidade muito turística, e foi também um problema encontrar apoio para alojamento. A primeira noite fiquei nos bombeiros, mas ao dia seguinte tive que ir embora, porque só tive uma noite de permissão. Logo depois achei um hotel baratinho para gringos (dado fornecido pelo meu livro Lonely Planet ), mais após dois dias conheci ao diretor da Defesa Civil, um cara muito legal da minha mesma idade que brigou para que a minha história apareciera na média nacional e até consigiu-me alojamento livre num hotel. Agora passo muito tempo no seu escritório, enquanto ele faz contatos para lograr maior apoio para a minha travessia e ficamos bebendo café e falando de aventuras (ele ganhou! é mais doidão que eu!).

E agora vamos falar das minhas dificuldades, que são muitas... ou vocês acreditavam que a minha vida é um leito de rosas?

O próximo passo é  Panamá, mas não tem estrada para chegar (a divisa entre os dois países é só mata) . Então preciso pegar barco e aqui em Cartagena a passagem é cara demais (¡100 dólares! ¿Viraram doidos? ¡¿Acham que eu sou Bill Gates?!). Se não posso conseguir carona marítima fica só uma assustadora opção: seguir viajando pelas estradas do interior da Colômbia, passando pelas cidades de Sincelejo e Montería (ver mapa acima) até o porto de Turbo, para tratar de pegar barco lá. E toda essa região é conhecida como "vermelha", porque tem muita atividade guerrilheira e paramilitar mesmo.

E, para terminar, hoje no consulado de Panamá falaram-me que para ter permissão de ficar no país precisa-se chegar lá com 1.000 dólares no bolso como mínimo....

...HA, HA ,HA, HA, HAAAA!!!!

Desejen-me sorte!

Por outro lado, tenho mais um mês de permissão para ficar em Colômbia, portanto vou voltar ao Santuário dos Flamengos (esta vez de ônibus, é claro!) para me ver novamente com a minha namorada (depois, se Deus quiser, vamos nos encontrar noutros países). Essos são os meus projetos, e agora sim vou precisar todo um batalhão de Anjos para me ajudar, vocês que acham?

Falou amigos! Até breve (?) e não se esquecer do livro de mensagens para manter contatos e, mais uma coisa, tem mais fotos para ver no link fotos de Colômbia , que carregei assim porque sinão o portal ficava mais pesado que brasileiro contando piadas de argentinos (é brincadeira!) . Chao e até mais!

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