Era quase oito horas. O Zac já estava de pé para fazer o seu cooper e a Gina colocava a mesa para a família tomar café assim que acordasse. Conversando com a empregada, em seus vais e vens da cozinha com leites, margarinas e geléias para colocar na mesa de jantar, o Zac ia fazendo seus alongamentos na sala.

- Zac, Zac... Quando que você vai comer antes de sair correr, menino? Não pode sair de estômago vazio.

- Não se preocupa, Gina. Eu estou acostumado. E também, é bem melhor quando...

            A porta. A Gina e o Zac olharam para a entrada principal. Era o Taylor.

- Tay? - o Zac se assustou.

- Cumprido, onde você esteve até essa hora?

- Não vai me dizer que você bebeu? - o Zac perguntou, puto com a possibilidade.

- Não. Não bebi - o Taylor disse, com a voz rouca.

- Querido, o que você tem? - a Gina disse, se aproximando de Taylor e segurando-lhe o rosto. - Você está branco. E seus olhos estão vermelhos. Você andou chorando, Cumprido?

            Desanimado, o Taylor sorriu. E respondeu:

- Um pouco, Gina.

- Mas o que aconteceu? - ela insistiu, agora segurando suas mãos.

            O Taylor tremeu os lábios e seus olhos encheram-se de água.

- A Patty terminou comigo - ele disse, com um sorriso desanimado.

            O Zac arregalou os olhos e sussurrou:

- Oh God.

- Ô, meu querido... - ela levou a mão à bochecha, chateada.

- Eu vou ficar bem. Eu só preciso dormir um pouco, ok?

            Sem dizer mais nada, ele caminhou em direção às escadas.

- Cumprido, você não quer um chá ou...

            Ele não respondeu e foi para seu quarto.

- Deixa, Gina, deixa - o Zac aconselhou. - Deixa ele dormir.

- Zac... Ele está tão arrasado. E agora? - a mulherzinha estava a ponto de chorar.

- Ele vai acordar melhor, você vai ver. Aí a gente conversa com ele.

- Mas Zac, você viu o estado em que ele estava? Branco que mais parecia um papel e com olheiras e os olhos vermelhos. Eu conheço aqueles olhos, ele andou chorando muito.

- Se eu conheço o Taylor, ele não dormiu essa noite - o Zac observou com as mãos na cintura, preocupado. - Gina, eu vou correr. Quando o Isaac acordar, fala para ele o que aconteceu e manda ele me ligar no celular. E não conta nada para a Dona Diana e para o Seu Walker até eu chegar.

- Tudo bem - a Gina disse, perturbada. - Zac, eu estou com medo. E se ele estiver doente?

- Ele só está triste, Gina. Termine o café. Eu vou correr e vou tentar voltar mais cedo. O Taylor vai precisar da gente.

- Vai sim.

- Até mais.

            O Zac saiu, amarrando os cabelos pelo caminho.

- Ai, meu Deus... Cuida do meu Cumprido e tira toda a angústia do coração dele - a Gina rezou, segurando o pano de pratto contra seu peito, aflita.

            E como o Zac combinou com a Gina, assim que o Isaac acordou, esta explicou para ele tudo o que tinha acontecido. O filho mais velho logo pegou o telefone e ligou para o celular do Zac, mais do que inquieto e surpreso. Depois de uma curtíssima conversa, eles desligaram para o Zackito poder voltar para a casa depressa.

- Cheguei - o Zac disse, assim que entrou em casa pela porta da cozinha. O Isaac e a Gina estavam conversando baixinho para ninguém escutar.

- Zac, oi - o Isaac disse.

- O Tay não acordou? - o Zac perguntou para a Gina.

- Não, está dormindo desde a hora que você saiu.

- Eu juro que ainda não acredito - o Isaac desabafou. - Eles estavam tão bem... Por que terminaram?

- A Patty terminou, não o Taylor.

- Eles estavam no auge do namoro - a Gina comentou. - Por isso que o Cumprido está tão arrasado. Pobrezinho...

- Ele deve estar péssimo - o Isaac imaginou.

- Péssimo? Ele entrou em casa hoje mais parecendo um mendigo. Ele estava um lixo - o Zac contou.

- O que a gente vai fazer? - a Gina perguntou.

- A gente tem que ficar do lado dele. Não tem o que fazer - o Isaac disse.

- Eu preciso preparar o almoço. Daqui a pouco a criançada começa a reclamar de fome.

- Eu vou lá dar uma olhada no Tay.

- Eu vou com você, Ike.

            Foram os dois para o quarto do irmão do meio. Abriram uma frestinha na porta só para olhar. As cortinas estavam fechadas e o quarto completamente escuro. O Taylor estava todo sob as cobertas e se mexia de vez em quando.

- Nossa, mas quanto edredom - o Zac disse. - Não está tão frio assim.

- Ele gosta de peso em cima dele enquanto dorme. Eu faço isso também.

- Aaah... E essa informação mudou a minha vida.

            A tarde passou e o Taylor não saiu da cama o dia todo. Durante o jantar, Walker perguntou por ele. Só então o Isaac e o Zackito resolveram contar o que tinha acontecido. A Diana ficou preocupadíssima.

- Mas são quase nove da noite. Ele está dormindo até agora? - a mãe quis saber.

- Está. Ele deve estar cansado, mãe.

- O Tay deve estar arrasado. Ele gosta mesmo da Patrícia - Diana observou.

- Juro que quando vi aquela japonesinha faceira a primeira vez, não dei nada por ela - o Walker comentou. - Nunca imaginei que ela conquistaria o nosso filho do meio nestas proporções.

- Será que ele não está precisando de alguma coisa? - a Diana perguntou.

- A gente foi lá faz uma meia-hora - o Isaac disse. - O quarto estava bem escuro e ele estava bem coberto.

- Coberto? - o Walker perguntou, espantado.

- Coberto com cobertas? Ou um lençol? - a Diana questionou.

- Vários edredons - o Isaac contou.

- Mas com esse calor? - a Jessica fez cara de assustada.

- Tem alguma coisa errada - a Diana disse, se levantando da mesa. - Eu vou ver como está o meu filho.

            E foram. Não só a Diana, mas toda a família. A mãe e Walker entraram no quarto e acenderam o abajur. Todos ficaram esperando na porta. Diana analisou o filho e colocou a mão sobre a testa do Taylor.

- Meu Deus! - ela exclamou. - Esse menino está ardendo em febre.

- Deixa eu ver - o Walker pediu. - Cristo! Acendam a luz.

            Zac imediatamente deslizou os dedos pelo interruptor. A família toda distribuiu-se ao redor da cama. Taylor estava tremendo, suando, resmungando coisas incompreensíveis. Walker notou o movimento de seus olhos fazendo volume na pálpebra. Com os dedos, levantou-as.

- Os olhos dele. Este menino precisa ir para o hospital. A febre dele está muito alta, ele já está delirando. Isaac, me ajuda aqui, vamos levá-lo para o carro.

            Walker o descobriu. Taylor instantaneamente se encolheu e apertou as sobrancelhas, resmungando e tremendo mais por causa do frio patológico que sentia. O pai falava:

- Tay, filho. Taylor. Você está me ouvindo?

- Oh God  - a Diana começou a chorar.

- Taylor? Filho, eu preciso que você me ajude - o Walker chamava.

- Pai, acho que temos de carregá-lo - o Isaac disse.

- O corpo dele está rígido - o Walker se assustou. - Gina, liga para a ambulância.

- Sim, agora mesmo - a mulherzinha se apressou ao telefone.

- Tay? - a Diana se agachou ao lado da cama. - Querido, você está me ouvindo?

            O Taylor só resmungava. Não dava nenhum sinal de consciência. Apenas tremia, resmungava mais e batia os dentes, com os olhos indo de um lado para o outro inconstantes. A Diana caiu no choro, e junto com ela, a Gina. O Zac e o Isaac conversavam com o Walker, preocupados.

            Alguns minutos depois, a ambulância chega.

- Gina, eu e a Diana vamos com o Isaac e o Zac para o hospital. Você fica aqui e cuida das crianças.

- Logo que vocês chegarem, liguem dando notícia, por favor.

- Eu ligo sim.

- Eu vou ficar rezando para o Tay.

            Os enfermeiros entraram na casa com uma maca. Assim que o Taylor foi descoberto novamente, se encolheu e resmungou.

- Taylor, nós vamos colocá-lo na maca agora - um dos enfermeiros gritava.

- Por que ele não responde? - a Diana perguntou.

- Eu não quero assustar a senhora, mas eu acho que o seu filho pode estar entrando em coma.

- Puxa, ainda bem que você não queria assustar - o Zac rebateu, nervoso.

            Dentro da ambulância, foi apenas o Walker. O Isaac foi seguindo o veículo hospitalar com Diana e Zac dentro de seu carro.

            Chegando no hospital, o Taylor foi imediatamente internado e devidamente medicado. Os familiares acompanharam tudo de perto e não saíram do lado do Taylor por nenhum segundo. O médico colocou soro com as vitaminas que o corpo do Jordan estava precisando e ficou no quarto para explicar o que havia acontecido:

- O seu filho estava com uma febre muito alta. Vocês fizeram bem em chamar a ambulância porque ele estava prestes a entrar em coma. Febre é muito grave e pode matar o paciente.

- O nosso filho quase morreu? É isso? - a Diana perguntou.

- Não, mas ele chegou a um estágio que toda a preocupação era pouca.

- Ele não está em coma agora, está? - o Isaac quis saber.

- Não, agora ele está descansando. O Taylor tem uma saúde excelente. Creio que o que aconteceu tenha sido puramente psicológico. Ele tem passado por algum tipo de stress ou emoção forte...?

- Ele terminou com a namorada ontem - o Walker disse.

- Então é isso: melancolia - o médico afirmou.

- Ele vai precisar de algum remédio? - a Diana perguntou.

- Não. Só o carinho de vocês e muita atenção serão suficientes. Ele só vai dormir esta noite no hospital e amanhã ele já receberá alta.

- Ai, que bom... Obrigada, doutor - a Diana sorriu.

- Bom, eu vou indo. Qualquer coisa, chamem. E fiquem tranqüilos, não tem mais por quê se preocupar.

            Todos se despediram do doutor e este deixou o quarto.

- Isaac, volte com a sua mãe para casa. Eu vou dormir aqui com o Taylor.

- Pai, deixa eu ficar - o Zac pediu.

- Não, filho. Eu quero estar aqui quando o Taylor acordar, se ele precisar de alguma coisa...

- All right...  - o Zac concordou, desapontado.

- Qualquer coisa ligue, querido - a Diana disse. - Eu não vou conseguir dormir mesmo.

- Pode deixar, Diana.

- Então vamos. A Gina deve estar morrendo para ter notícias do Taylor.

            Chegando em casa, a Gina estava desesperada. Mas não foi menor sua alegria quando ouviu da Diana que o Cumprido estava bem. Seus irmãos menores também comemoraram. Gina contou que a Jessica tinha chorado um pouco de preocupação, mas, nas palavras da própria Gina, suas orações a acalmaram. Diana dormiu com todos os seus filhos no quarto. Avery e Zöe com ela na cama e Jessica, Mackenzie, Isaac e Zac em colchões no chão.

            O Taylor tinha dado um susto dos grandes... Agora era esperar para que ele voltasse são novamente. Todos lá o esperavam doidos para demonstrar o quanto ele era amado naquela família. E o quanto estavam preparados para receber parte do sofrimento do Cumprido. Ele não iria passar por aquilo sozinho. Não se dependesse da família Hanson.

 

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