E
mais um dia lindo amanhece em Tulsa. Ai, ai. Nada como dias lindos para dar uma
animada na nossa vida. A Patty estava indo até a casa das amigas para se
desculpar porque afinal, tinha dado um baita furo com elas quando não
compareceu ao shopping para o cinema que elas tinham combinado. Chegando em uma
das casas, a Belle, uma delas, atendeu a Patty já bem chateada. Elas entraram e
a Belle já foi falando:
-
Poxa, Patty, nós ficamos a tarde toda te esperando naquele shopping. E você não
deu nem notícias.
-
Eu sei. Mil desculpas, mas eu posso explicar, tenho certeza de que vocês vão
entender.
-
Eu vou ligar pra Lary. Mas já aviso, ela tá bem mais puta do que eu. Você
sabe como ela é estressada.
-
Ai... - a Patty sentiu aquele medinho.
Depois
de um tempo, a Lary chegou. E já chegou dando esporro na Patrícia, coitada,
falando o quanto elas ficaram preocupadas, porque sabiam que a Patty não era de
furar encontro, e blá, blá, blá...
-
Gente, me deixa explicar - a Patty protestou.
-
Começa. E é bom que seja uma explicação muito boa - a Lary disse, cruzando
os braços.
-
Aquele dia eu estava indo pro shopping, juro. Só que aí eu resolvi passar na
casa do Ike, para ver se ele e o Zac não queriam ir junto... - Então a Patty
contou tudo, tudo, tudinho. Falou que teve que ajudar o Taylor até para escovar
os dentes e tomar banho.
-
O QUÊ?! - a Belle e a Lary gritaram juntas. - Você ajudou o Taylor Hanson a
tomar banho?!
-
É, coitado... Ele não conseguia nem ficar em pé direito, cara - a Patty
explicou.
-
PATRÍCIA FUTEMMA, SUA RABUDA! - a Lary gritou.
-
Gente, calma. Não aconteceu nada. Nem se empolguem.
-
Você, por acaso, o viu sem camisa? - a Belle perguntou.
-
Ahm... Vi.
-
AAAHH! - a Belle deu um berro. - Patty, você tem noção do que aconteceu com
você?!
-
Cara... Eu sei que ele é bonito, mas... - A Patty estava achando aquele escândalo
todo muito exagerado. - Por acaso, o fato de eu ter ajudado o Taylor com a
ressaca dele, significa alguma coisa a mais, que eu não tenha percebido? Porque
pelo jeito que vocês tão falando, parece que, sei lá, que aconteceu alguma
coisa mais grave.
-
Grave?! Porra! Patty, você viu o Taylor Hanson sem camisa. Você encostou nele,
você conversou com ele. E vem perguntar se aconteceu alguma coisa grave? - a
Lary disse, indignada. - Aquele cara é um tesudo!
-
Nossa, gente... meu, 'cês tão exagerando, na boa - a Patty disse, enrugando a
testa.
-
Exagerando?! Patrícia, o sonho de qualquer menina é ficar com o Taylor. Todas
que já ficaram com ele ficaram sem dormir uns três dias. Apaixonaram-se
perdidamente - a Belle explicou.
-
E fora que elas todas contam que ele tem o melhor beijo do mundo. E que ele
manda muito bem - a Lary completou.
-
Nossa, o garoto é uma lenda - a Patty riu. - Mas o que isso tem a ver com o
fato de eu ter ajudado o menino?
-
Patty, você não está levando a sério - a Belle disse.
-
Ah, gente, faça-me o favor! Que levar a sério, o quê? O Taylor estava bêbado!
Ele pode até mandar bem, como vocês disseram, pode beijar bem, mas isso me
impede de conversar com ele? De ser amiga dele? De ajudá-lo quando ele estiver
de ressaca? Não. Cara, vocês falam dele como se ele fosse, sei lá, um deus.
-
Mas ele é - a Belle comentou.
-
Às vezes ele nem é tão poderoso assim - a Patty falou. - Às vezes é só
papo de quem ficou com ele. Só propaganda em cima do Taylor porque ele já foi
famoso.
-
Nah, Patty - a Lary discordou. - A Linda, uma das meninas que ficou com ele,
contou pra gente que ele é extremamente carinhoso, que ele é atencioso, todo
fofo, sabe? Te trata que nem namorada.
-
Exatamente. O Taylor é um daqueles garotos pra namorar - a Belle disse. - Ele
apaixonado deve ser a coisa mais perfeita do mundo.
-
Vocês falam como se ficar com ele fosse a coisa mais impossível do mundo - a
Patty falou.
-
Mas é. Não é qualquer uma que consegue agarrar o Taylor - a Lary observou.
-
Vocês por acaso já tentaram conversar com ele? - a Patty perguntou. As duas
fizeram que não com a cabeça. - Então. Pois vocês deveriam. Ele é
extremamente simpático com todo mundo. Ele conversa numa boa com qualquer
pessoa. Muito gente boa mesmo.
-
Tá, ele conversa com todo mundo. Lindo isso. Mas quem disse que eu quero
conversar? - a Belle brincou com malícia. Ela e a Lary riram e bateram as
palmas das mãos.
-
Bom, você acha que ele vai saber que vocês existem como? Só conversando,
oras.
-
Ah, fala sério... Eu não queria ser só amiga dele. Eu queria algo mais - a
Belle disse.
-
Vocês ficam aí com essas fantasias sexuais na cabeça... Claro que vocês não
vão chegar a lugar nenhum com isso. Vocês não agem, ficam só imaginando.
-
O que você sugere, Patty? - a Lary perguntou com sarcasmo. - Ser melhor amiga
dele?
-
Não, mas se aproximar que nem gente civilizada é bastante indicado - a Patty
também foi sarcástica.
As
duas ficaram se olhando e então olharam para a Patty.
-
Tá, que seja... - a Patty desistiu de tentar mostrar seu ponto de vista. - O
que eu acho é que o Taylor não é tudo isso, não. O fato de ele ser popular não
o torna menos ou mais normal.
Enquanto
isso, na Sala da Justiça... Quer dizer, na casa dos Hanson...
-
Como assim, "eu empurrei o Taylor"? Foi ele que se jogou - o Zac
perguntou.
O
Isaac riu.
-
Zac, como eu iria me jogar da sacada com 11 anos de idade? - o Taylor rebateu.
-
E eu vou lá saber? Você sempre foi o anormal da família. Eu não me
espantaria se você dissesse agora que se jogou para ver se saía brilhinhos
quando tocasse o chão - o Zac foi sarcástico.
-
Shut the hell up - o Taylor protestou o "anormal" que o
Zac mencionou. - Assuma. Foi você quem me empurrou aquela vez. Você estava
puto comigo porque eu tinha ganhado de você no Need
for Speed, na casa do Adam.
-
Nossa, o Adam... - o Isaac lembrou. - Ele era um bom amigo.
-
Claro, tanto que vendeu fotos íntimas nossas para uma revista de fofocas. Puxa,
ele era um excelente amigo - o Zac falou, com raiva no tom de voz.
O
Taylor sentou-se no sofá da sala de TV e o Isaac encostou-se na parede. Então
um minuto de silêncio fez com que os três refletissem sobre as mesmas coisas:
suas memórias antigas sobre infância, velhos amigos que se tornaram
interesseiros, os amores antes da fama... Sentiram saudades. E mesmo não
estando mais no showbusiness, mesmo estando longe da fama mais uma vez, toda aquela
liberdade que tinham antes de tudo começar não seria conquistada novamente com
tanta facilidade. Os velhos amigos não voltariam e eles não deixaram de ser a
banda "Hanson" tão cedo.
-
A gente vai ter de começar tudo de novo, não é? - o Isaac pensou alto.
O
Taylor e o Zac olharam neutros para o irmão mais velho, como se já esperassem
por aquela frase. Os três sentiam-se da mesma maneira, mas nunca tinham dito
aquilo em voz alta.
-
Bom, pelo menos a gente já tem a Patty - o Taylor disse, sorrindo.
O
Isaac e o Zac sorriram também.
-
Aliás, neste exato momento, ela deve estar se desculpando com as amigas por não
ter ido ao encontro no shopping. Tomara que ela tenha se saído bem - o Taylor
desejou com carinho.
-
É... - o Zac suspirou, nem prestando muita atenção.
-
Eu vou ler alguma coisa - o Isaac disse, saindo da sala.
Ficaram
o Taylor e o Zac olhando para as paredes.
-
Eu vi umas calças muito legais na Gap do shopping - o Zac comentou.
-
Tá a fim de ir lá dar uma olhada? - o Taylor sugeriu.
-
Tudo pra sair deste tédio.
E lá
foram eles para o shopping fazerem umas comprinhas. O Zac tinha muito bom gosto
para roupas. Principalmente para camisetas. Ele sempre comprava umas lindas, que
o deixavam ainda mais bonito. O Taylor? Ah, ele também era bom nisso, mas as
roupas que ele usava eram um tanto... Como eu poderia dizer... Um tanto fashion
demais. Ele usava algumas vestimentas bem coloridas, que chamavam a atenção
sobre alguma coisa. O Zac às vezes se revoltava com as calças que o irmão
comprava, até o xingava vez ou outra, mas nada que eles não conseguissem lidar
com naturalidade.
Logo
que entraram no shopping, os dois causaram certo tumulto entre as consumidoras
que estavam por lá. As meninas já ficaram em estado de alerta. Os irmãos
Taylor e Zac Hanson estavam andando desacompanhados em pleno período da tarde.
E na velocidade da luz, a notícia se espalhou. Era sempre assim quando eles ou
o Isaac apareciam em algum lugar. As meninas no shopping ligavam para amigas que
não puderam estar ali naquele momento, outras ligavam para o celular da colega
na praça de alimentação pedindo que esta descesse rápido ao primeiro andar;
havia ainda as que os seguiam... Enfim. Esse tipo de situação era bastante
comum quando se tratava dos irmãos Hanson. E eles já estavam tão acostumados
com isso que nem mesmo o humor frágil do Zac se abalava mais.
Parados
frente à vitrine da loja, o Zac mostrava para o Taylor a calça de que ele
tinha falado antes. Era preta com uns detalhes desbotados nas barras.
-
Bonita - o Taylor disse. - Mas eu gostei mais daquela ali.
Ao
ver a calça que o irmão estava apontando, o Zac sentiu aquela amargura em seu
coração e um súbito desânimo de ter nascido irmão do Taylor.
-
Taylor, nós somos irmãos por um puro acidente genético. Não é possível -
reclamou, colocando a mão na testa.
-
Eu gostei da calça, o que é que tem?
-
Taylor, aquela calça tem estrelinhas douradas!
-
Extremely fashion - o
Taylor disse. - Vem, vamos entrar.
-
Aquela calça deve ser pra mulheres - o Zac amaldiçoou.
-
Shut up.
Eles
entraram e pediram as calças. Passaram um bom tempo lá, escolhendo e vendo
novos modelos. O Zac comprou a calça que tinha gostado e levou mais umas
camisetas daquelas mais justas que ele adorava usar. O Taylor estava no
provador, experimentando um casaco de couro, conversando com ele:
-
Eu ainda penso na Yohanna às vezes - comentou.
-
Você está a fim dela? - o Zac perguntou.
-
Nah... Mas de vez em quando eu lembro daquele dia na casa dela.
-
Mmm - o Zac compreendeu. - Você acha que quando você tiver uma namorada, você
vai sentir ciúmes dela?
-
Acho que não. Eu não costumo ser ciumento com garotas.
-
Você não tem ciúmes quando você está ficando com alguém e outro cara chega
na sua garota?
-
Não.
-
Mas se fosse sua namorada, você teria ciúmes sim - o Zac afirmou.
-
Nem - o Taylor discordou. - Eu não sou ciumento.
-
E se um outro cara agarrasse a sua namorada na sua frente?
-
Não estou falando de situações extremas, Zac.
Então
o Zac começou a rir, a rir muito.
-
Do que você tá rindo? - o Taylor perguntou, abrindo a cortininha do provador.
-
Eu imaginei aqui uma cena muito engraçada - rindo mais.
-
Que cena? - o Taylor não estava entendendo.
-
Ok, here it goes - o Zac disse, enxugando as lágrimas de rir. - Você
está lá com a sua namorada, usando esta calça de estrelinha. Vocês estão
naquela melação normal de namoro, quando de repente aparece um cara e começa
a dar em cima da sua garota. O que você faria? - O Taylor levantou os ombros, não
entendendo onde o Zac queria chegar com aquilo. - Eu imaginei você ficando
muito puto e indo para cima do cara. - Então o Zac riu de novo.
-
E qual é a graça nisso?
-
A graça é você batendo no cara. E usando essa calça gay - o Zac riu mais. -
Entendeu? Você batendo no cara e usando essa calça ao mesmo tempo. Que
paradoxo...
-
Como se você soubesse o que é paradoxo.
-
Eu vi na TV ontem, e aí?! - todo puto.
-
Yeah, yeah... Whatever... - o Taylor disse, fechando a cortina do
provador.
Enquanto
o Zac foi se acalmando, o Taylor pediu para a vendedora arrumar tudo em uma
sacola. No momento em que esperava no balcão pela conta, ele olha à sua
direita, na parte de bijuterias, e avista um par de brincos que o fez lembrar-se
de alguém. E indo até a peça, apanhou-a e analisou por uns instantes.
-
Taylor, eu sei que você gosta de acessórios mais, ahm, modernos, mas você não
acha que já está exagerando? - o Zac disse, preocupado.
-
Não são para mim, butt head. É para
a Patty. Você não achou a cara dela?
-
Um sol? - o Zac disse, olhando para os brincos. - É, meigo.
O
Taylor riu do "meigo".
-
Eu vou levar para ela.
-
Desde quando você dá presente?
-
Desde quando eu tiver vontade de dar um. Vem, vamos.
Pegou
o par de brincos, que carregavam ambos um sol sorridente muito simpático, e
levou para o caixa.
-
Para presente, por favor - ele pediu, estendendo os brincos para a vendedora.
Ao
saírem da loja, as meninas que os seguiam e as outras que só observavam de uma
distância um pouco maior, posicionaram-se para continuar a caminhada atrás
deles.
-
Avistou alguém interessante? - o Taylor perguntou para o Zac, olhando ao seu
redor.
-
Nada. Você?
-
Nada também.
Uma
loira de cabelos enrolados aproximou-se do Taylor.
-
Tay, olá - ela cumprimentou sorrindo.
-
Oi, Jeane. - Beijou-a no rosto. - Como você está?
-
Estou ótima. - Olhou então as sacolas nas mãos dele. - Fazendo compras?
-
Pois é... Nada de mais - ele sorriu, envergonhado. - Ah, esse aqui é o Zac,
meu irmão.
O
Zac levantou as sobrancelhas e disse um frio "hello", com as mãos nos
bolsos.
-
Olá, Zac - ela sorriu. - Você é mais velho que o Taylor?
A
tal da Jeane sabia que ele era o mais novo dos três. Fez esta pergunta na
tentativa de agradar. Ela só não sabia que o Zac não era o tipo de pessoa que
era conquistado tão facilmente, com uma simples piada.
-
Pensei que você soubesse que ele era o mais novo de nós três - o Taylor
enrugou a testa.
-
Não, não sabia - cínica.
-
Ah, ok - o Taylor sorriu. - Bom, mas agora eu tenho que ir. Nós já estamos
aqui faz muito tempo.
-
A Srª. Hanson deve estar preocupada - a Jeane disse, num tom de brincadeira. -
Dá pra entender. Se eu tivesse um filho como você, eu também não deixaria
você ficar na rua até muito tarde - maliciosa.
-
E se você fosse nossa mãe, o nosso pai seria uma eterna incógnita em nossas
vidas - o Zac rebateu, bem grosseiro.
A
Jeane percebeu que foi chamada de piranha por tabela, mas optou por levar na
esportiva para não discutir com o Zac. O Taylor ficou um pouco sem graça e já
foi se despedindo:
-
Tchau, Jeane. Foi muito bom te ver de novo - dando um beijinho no rosto dela.
-
Tchau, Tay. Me ligue qualquer dia desses pra nós sairmos juntos.
-
Pode deixar, eu ligo sim.
A
garota se afastou e eles começaram a andar para o estacionamento.
-
Está podendo hoje, hein? Paradoxo, incógnita...
-
Ah, cala a boca. - Pausa. - Você vai ligar pra esse projeto de prostituta? - o
Zac perguntou.
-
Eu acho que nem tenho o telefone dela. Era ela que sempre me ligava.
-
Você ficou com ela?
-
Duas vezes. Ela queria ir pra cama comigo, mas achei melhor não.
-
Por quê?
-
Porque ela grudou em mim depois que nós ficamos a primeira vez. Eu nem queria
mais nada com ela quando fiquei pela segunda, mas ela sabe seduzir. Se eu
dormisse com ela, aí que ela não largaria do meu pé de jeito nenhum.
-
Faz sentido.
-
Ela falou em sair... Eu preciso ligar para o George pra ver aonde nós vamos
hoje. Você vai com a gente?
-
Não sei... Vou ver o que o Ike e a Patty vão fazer. Dependendo, eu vou com
eles - o Zac explicou.
-
Eu tenho que sair com vocês um dia desses - o Taylor comentou.
-
Tem mesmo. É divertido. Só que nós não bebemos até cair nem comemos ninguém
- cutucou.
-
Puxa, que bom. Eu também não gosto dessas pessoas que bebem demais - o Taylor
brincou.
O
Zac deu um soco de leve no braço do irmão e disse:
-
Não dá pra ficar bravo com você mesmo, you
bastard.
O Taylor abraçou o Zac pelos ombros, daquele jeito que os homens fazem quando estão felizes. Entraram no carro preto e potente do Taylor e saíram do shopping.
Capítulo 06 / Índice / Capítulo 08