A Caminho da Luz
IV A civilização egípcia
OS
EGÍPCIOS
Dentre os Espíritos degredados na Terra, os que constituíram
a civilização egípcia foram os que mais se destacavam
na prática do Bem e no culto da Verdade.
Aliás, importa considerar que eram eles os que menos débitos
possuíam perante o tribunal da Justiça Divina. Em razão
dos seus elevados patrimônios morais, guardaram no íntimo
uma lembrança mais viva das experiências de sua pátria
distante. Um único desejo os animava, que era trabalhar devotadamente
para regressar, um dia, aos seus penates resplandecentes Uma saudade
torturante do céu foi a base de todas as suas organizações
religiosas. Em nenhuma civilização da Terra o culto da
morte foi tão altamente desenvolvido. Em todos os corações
morava a ansiedade de voltar ao orbe distante, ao qual se sentiam presos
pelos mais santos afetos. Foi por esse motivo que, representando uma
das mais belas e adiantadas civilizações de todos os tempos,
as expressões do antigo Egito desapareceram para sempre do plano
tangível do planeta.
Depois de perpetuarem nas Pirâmides os seus avançados conhecimentos,
todos os Espíritos daquela região africana regressaram
à pátria sideral.
A CIÊNCIA SECRETA
Em virtude das circunstâncias mencionadas, os egípcios
traziam consigo uma ciência que a evolução da época
não comportava.
Aqueles grandes mestres da antigüidade foram, então, compelidos
a recolher o acervo de suas tradições e de suas lembranças
no ambiente reservado dos templos, mediante os mais terríveis
compromissos dos iniciados nos seus mistérios. Os conhecimentos
profundos ficaram circunscritos ao circulo dos mais graduados sacerdotes
da época, observando-se o máximo cuidado no problema da
iniciação.
A própria Grécia, que aí buscou a alma de suas
concepções cheias de poesia e de beleza, através
da iniciativa dos seus filhos mais eminentes, no passado longínquo,
não recebeu toda a verdade das ciências misteriosas. Tanto
é assim, que as iniciações no Egito se revestiam
de experiências terríveis para o candidato à ciência
da vida e da morte - fatos esses que, entre os gregos, eram motivo de
festas inesquecíveis.
Os sábios egípcios conheciam perfeitamente a inoportunidade
das grandes revelações espirituais naquela fase do progresso
terrestre; chegando de um mundo de cujas lutas, na oficina do aperfeiçoamento,
haviam guardado as mais vivas recordações, os sacerdotes
mais eminentes conheciam o roteiro que a Humanidade terrestre teria
de
realizar. Aí residem os mistérios iniciáticos e
a essencial importância que lhes era atribuída no ambiente
dos sábios daquele tempo.
O
POLITEÍSMO SIMBÓLICO
Nos círculos esotéricos, onde pontificava a palavra esclarecida
dos grandes mestres de então, sabia-se da existência do
Deus Único e Absoluto, Pai de todas as criaturas e Providência
de todos os seres, mas os sacerdotes conheciam, igualmente, a função
dos Espíritos prepostos de Jesus, na execução de
todas as leis físicas e sociais da existência planetária,
em virtude das suas experiências pregressas.
Desse ambiente reservado de ensinamentos ocultos, partiu, então,
a idéia politeísta dos numerosos deuses, que seriam os
senhores da Terra e do Céu, do Homem e da Natureza.
As massas requeriam esse politeísmo simbólico, nas grandes
festividades exteriores da religião.
Já os sacerdotes da época conheciam essa fraqueza das
almas jovens, de todos os tempos, satisfazendo-as com as expressões
esotéricas de suas lições sublimadas.
Dessa idéia de homenagear as forças invisíveis
que controlam os fenômenos naturais, classificando-as para o espírito
das massas, na categoria dos deuses, é que nasceu a mitologia
da Grécia, ao perfume das árvores e ao som das flautas
dos pastores, em contacto permanente com a Natureza.
O
CULTO DA MORTE E A METEMPSICOSE
Um dos traços essenciais desse grande povo foi a preocupação
insistente e constante da Morte. A sua vida era apenas um esforço
para bem morrer. Seus papiros e afrescos estão cheios dos consoladores
mistérios do além-túmulo.
Era natural. O grande povo dos faraós guardava a reminiscência
do seu doloroso degredo na face obscura do mundo terreno. E tanto lhe
doía semelhante humilhação, que, na lembrança
do pretérito, criou a teoria da metempsicose, acreditando que
a alma de um homem podia regressar ao corpo de um irracional, por determinação
punitiva dos deuses. A metempsicose era o fruto da sua amarga impressão,
a respeito do exílio penoso que lhe fora infligido no ambiente
terrestre.
Inventou-se, desse modo, uma série de rituais e cerimônias
para solenizar o regresso dos seus irmãos à pátria
espiritual.
Os mistérios de Ísis e Osíris mais não eram
que símbolos das forças espirituais que presidem aos fenômenos
da morte.
OS
EGÍPCIOS E AS CIÊNCIAS PSÍQUICAS
As ciências psíquicas da atualidade eram familiares aos
magnos sacerdotes dos templos.
O destino e a comunicação dos mortos e a pluralidade das
existências e dos mundos eram para eles, problemas solucionados
e conhecidos. O estudo de suas artes pictóricas positivam a veracidade
destas nossas afirmações. Num grande número de
frescos, apresenta-se o homem terrestre acompanhado do seu duplo espiritual.
Os papiros nos falam de suas avançadas ciências nesse sentido,
e, através deles, podem os egiptólogos modernos reconhecer
que os iniciados sabiam da existência do corpo espiritual preexistente,
que organiza o mundo das coisas e das formas. Seus conhecimentos, a
respeito das energias solares com relação ao magnetismo
humano, eram muito superiores aos da atualidade. Desses conhecimentos
nasceram os processos de mumificação dos corpos, cujas
fórmulas se perderam na indiferença e na inquietação
dos outros povos.
Seus reis estavam tocados do mais alto grau de iniciação,
enfeixando nas mãos todos os poderes espirituais e todos os conhecimentos
sagrados. É por isso que a sua desencarnação provocava
a concentração mágica de todas as vontades, no
sentido de cercar-lhes o túmulo de veneração e
de supremo respeito. Esse amor não se traduzia,
apenas, nos atos solenes da mumificação. Também
o ambiente dos túmulos era santificado por um estranho magnetismo.
Os grandes diretores da raça, que faziam jus a semelhantes consagrações,
eram considerados dignos de toda a paz no silêncio da morte.
Nessas saturações magnéticas, que ainda aí
estão a desafiar milênios, residem as razões da
tragédia amarga de Lord Carnarvon e de alguns dos seus companheiros
que penetraram em primeiro lugar na câmara mortuária de
Tut Ankh Amon, e ainda por isso é que, muitas vezes, nos tempos
que correm, os aviadores ingleses observam o não
funcionamento dos aparelhos radiofônicos, quando as suas máquinas
de vôo atravessam a limitada atmosfera do vale sagrado.
AS PIRÂMIDES
A assistência carinhosa do Cristo não desamparou a marcha
desse povo cheio de nobreza moral. Enviou-lhe auxiliares e mensageiros,
inspirando-o nas suas realizações, que atravessaram todos
os tempos provocando a admiração e o respeito da posteridade
de todos os séculos.
Aquelas almas exiladas, que as mais interessantes características
espirituais singularizam, conheceram, em tempo, que o seu degredo na
Terra atingia o fim. Impulsionados pelas forças do Alto, os círculos
iniciáticos sugerem a construção das grandes pirâmides,
que ficariam como a sua mensagem eterna para as futuras civilizações
do orbe. Esses grandiosos monumentos teriam duas finalidades simultâneas:
representariam os mais sagrados templos de estudo e iniciação,
ao mesmo tempo que constituiriam, para os pósteros, um livro
do passado, com as mais singulares profecias em face das obscuridades
do porvir.
Levantaram-se, dessarte, as grandes construções que assombram
a engenharia de todos os tempos. Todavia, não é o colosso
de seus milhões de toneladas de pedra nem o esforço hercúleo
do trabalho de sua justaposição o que mais empolga e impressiona
a quantos contemplam esses monumentos. As pirâmides revelam os
mais extraordinários conhecimentos daquele conjunto de Espíritos
estudiosos das verdades da vida. A par desses conhecimentos, encontram-se
ali os roteiros futuros da Humanidade terrestre.
Cada medida tem a sua expressão simbólica, relativamente
ao sistema cosmogônico do planeta e à sua posição
no sistema solar. Ali está o meridiano ideal, que atravessa mais
continentes e menos oceanos, e através do qual se pode calcular
a extensão das terras habitáveis pelo homem, a distância
aproximada entre o Sol e a Terra, a longitude percorrida pelo globo
terrestre sobre a sua órbita no espaço de um dia, a precessão
dos equinócios, bem como muitas outras conquistas científicas
que somente agora vêm sendo consolidadas pela moderna astronomia.
REDENÇÃO
Depois dessa edificação extraordinária, os grandes
iniciados do Egito voltam ao plano espiritual, no curso incessante dos
séculos.
Com o seu regresso aos mundos ditosos da Capela, vão desaparecendo
os conhecimentos sagrados dos templos tebanos, que, por sua vez, os
receberam dos grandes sacerdotes de Mênfis.
Aos mistérios de Ísis e de Osíris, sucedem-se os
de Elêusis, naturalmente transformados nas iniciações
da Grécia antiga.
Em algumas centenas de anos, reuniram-se de novo, nos planos espirituais,
os antigos degredados, com a sagrada bênção do Cristo,
seu patrono e salvador. A maioria regressa, então, ao sistema
da Capela, onde os corações se reconfortam nos sagrados
reencontros das suas afeições mais santas e mais puras,
mas grande número desses Espíritos, estudiosos e abnegados,
conservaram-se nas hostes de Jesus, obedecendo a sagrados imperativos
do sentimento e, ao seu influxo divino, muitas vezes têm reencarnado
na Terra, para desempenho de generosas e abençoadas missões.