Festival das Estrelas
 
É a segunda e última vez que coloco esse prólogo.
(A CLAMP tem mania de colocar isso em todo capítulo!)
Nos próximos contos, vou mandar todo mundo ir para o primeiro capítulo!
 

Há mais de 300 anos, viveu-se uma época de paz... Deuses e humanos conviviam em harmonia. Assim decretara o Imperador Celestial - Tentei. Tudo e todos viviam satisfeitos e felizes. Até mesmo o clã do mais poderoso guerreiro-deus - o clã Ashura - já quase havia se esquecido dos tempos de guerra.

Porém, um jovem general conseguiu um dia realizar o impossível. Ele conspirara um elaborado golpe de estado, e organizando uma revolta para derrotar o poderoso deus guardião rei Ashura, finalmente destronou Tentei. Caminhando para a multidão de soldados que o seguia, ele exibiu em praça pública a cabeça do antigo monarca. Assim iniciou-se o reinado de terror e medo de Taishakuten (Deus do Relâmpago e do Trovão)...


- Então o rei Yasha e a filha de meu mais antigo rival, o rei Ashura, sobreviveram ao ataque de Bishamonten...

Era Taishakuten quem comentava, ao vislumbrar no espelho de águas de Hanranya as figuras do antigo monarca e da infante. A profetisa escutava atentamente seu senhor.

- Como deve estar se sentindo o rei Yasha, depois de ver o último súdito de seu reino morrer em seus braços? Será que ele continuará a seguir seu caminho com a última do clã Ashura até o fim?

Nisto, um soldado interrompe os devaneios de Taishakuten: - Meu senhor, Imperador Taishakuten... Os artistas que o senhor pediu já estão a caminho.

- Artistas? - indagou surpresa Hanranya.

- Sim. - respondeu Taishakuten dispensando o soldado - Logo se realizará o Festival de Estrelas, onde a filha do falecido Imperador, Kishou-ten, interpretará a sorte de quem desejar em seu famoso Espelho das Estrelas. A fim de conseguir sua simpatia reuni alguns artistas, e assim entretê-laantes da cerimônia em si. Eles são minha oferta de paz para a princesa. Não quero que ninguém mais se interponha em meu caminho.

Dizendo estas palavras, Taishakuten toca levemente o espelho de águas de Hanranya, turvando a imagem daqueles que perseguia: Ashura e o rei Yasha.


Subitamente, o semblante de Ashura torna-se sério. A pequena está atenta, como se algo a espreitasse, fazendo com que seu protetor tomasse uma postura alerta e defensiva. Porém, como a natureza de seus observadores era mística, e Ashura não podia ver Taishakuten como estes podiam. Sua natureza infantil logo voltou, tentando entender as energias que os cercavam:

- Cadê, onde foi? Yasha! Eu disse a verdade!

Mas neste ponto o rei Yasha continuou seu caminho, pensando ser umabrincadeira de sua amada protegida.

Logo se detinham novamente. Um grupo de andarilhos montava acampamento logo em frente. E uma esbelta donzela se detinha em frente às luzes das fogueiras, numa bela e harmoniosa coreografia.
 
- Yasha... Quem são eles? - perguntava extasiada a pequena - O que a moça está fazendo? É tão lindo!

- São um grupo de artistas: cantores, músicos e dançarinos. - respondeu o Rei Yasha.

Mas isto era novo para a criança, e Ashura continuou a fazer perguntas e mais perguntas: "Artistas? O que eles fazem? Pra onde vão? O que ..."

Nisto, a jovem que dançava ao som das harpas e flautas deteve sua performance, e num salto pôs-se numa posição de alerta:
 
- Quem está aí? Não fique espreitando, mostre seu rosto!
 
E dizendo isso apanhou uma espada de uma integrante do grupo ("Gigei, o que foi?" perguntou a moça).
 

A graciosa dançarina Gigei
 
Com a arma apontada diretamente para o seu rosto, o rei Yasha não esboçou nenhum movimento enquanto a jovem se detinha em verificar a identidade do intruso. E subitamente ela deu um grito:

- VOCÊ!!!


Um novo dia despontou. Ashura como sempre foi lavar seu rosto no ribeirão mais próximo. Subitamente alguém a empurrou, fazendo com que quase ela caísse na água. Zangada, ela voltou-se para o seu "atacante": - Ei, o que tá fazendo?!?

- Desculpe, desculpe... - respondeu a dançarina do dia anterior que os acolheu - Foi uma brincadeira de mau gosto. Você deve ter dormido bem, uma vez que usou minha cama, não é?

Ainda zangada, Ashura simplesmente virou o rosto. A dançarina no entanto, como uma irmã mais velha faria, a repreendeu como o dedo a pino: - Se alguém te faz uma pergunta gentil, faça o favor de responder!

- Aliás - continuou ela - nem tive tempo de perguntar como você se chama. Qual o seu nome mesmo?

- Ashura - respondeu a criança.

Por um momento a dançarina perdeu a fala. Com um rosto contrafeito ela conseguiu dizer: - Que brincadeira sem graça! Você não sabe que esse clã foi condenado, e que hoje até mesmo falar esse nome é proibido no Mundo Celestial?

Mas Ashura não se perturbou: - Mas assim mesmo, esse é o meu nome. Foi o Yasha quem escolheu para mim.

- Posso perguntar uma coisa? - sussurrou a dançarina para Ashura. - Ele é o seu pai?

- Quem? - retrucou a criança com um rosto desconcertado.

- O Rei Yasha... (enquanto uma figura muito contrafeita em SuperDeformed do Yasha aparece de fundo)

Ashura meneou violentamente a cabeça numa negativa, ao que a dançarina sorriu aliviada. Logo a dançarina arrastava de volta Ashura para o acampamento.
 


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