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O rei Yasha aguardava-as no acampamento: - Vamos, Ashura.

Atônita Ashura obedeceu. Porém Gigei não:
 
- Um momentinho, senhor esperto. E o pagamento?
 
O rei Yasha, todo imponente e respeitável, ficou sem ação. Gigei não parecia ter notado o embaraço dele: - Sei que não avisei antes, mas não aceito pagamentos em dinheiro ou comida. Então, como será que vocês podem retribuir minha hospitalidade? Já sei, uma vez que vocês passaram a noite conosco vão fazer parte agora do grupo de artistas.
 
- Você sabe o que está dizendo? - disse desconfiado o rei Yasha.
 
- Não me importo. - retrucou a moça - Eu só sei que  só vão ter permissão para partir quando eu disser.
 
E sem perda de tempo, introduziu-os ao acampamento. Já era hora do café da manhã, e Gigei apresentou Ashura às outras crianças.
 
- Esta é Ashura e ela vai ficar conosco por um tempo. Fique à vontade e sirva-se como se estivesse em sua família.
 
Um dos meninos fez a maior birra, jogando seu prato ao chão: - Eu não vou comer junto de você. Eu não fico perto de mentirosas.
 
- Ashura não é mentirosa! respondeu brava a criança.
 
- Você diz que se chama Ashura? - continuou o fedelho - Então é uma mentirosa, porque todo mundo sabe que o clã Ashura não existe mais. E mesmo que existisse, eles eram o clã mais poderoso do Mundo Celestial, e nunca iam ter uma menina fraca como você entre eles. Aiiii!!!
 
Ashura furiosa já estava engalfinhada com o menino. Outros entraram na briga tentando ajudar o amigo, enquanto Ashura usava de tudo pra ganhar: dentes, unhas e puxava cabelo também!
 
Gigei consternada pediu: - Parem com isso, por favor! Parem já com isso!
 
E finalmente furiosa:
 
- PAREM JÁ COM ESSA BAGUNÇAAAAAA!!!
 
Todas as crianças ficaram assustadas com o grito e ficaram paralizadas, enquanto Gigei distribuia tabefes e broncas: - Quem foi que deu permissão para vocês destruírem o café da manhã?
 
O menino ficou ofendido: - Mas foi ela quem começou. Ela...
 
- Ela disse que se chamava Ashura - continuou Gigei - Se eu dissesse que meu nome era Gigei você ia me chamar de mentirosa também?
 
- Eu...
 
- E as desculpas? - exigiu Gigei.
 
- Desculpe... - murmurou o menino.
 
E voltando-se para Ashura: - E as desculpas?
 
Mas Ashura se fez de rogada e virou o rosto. Isso era a última coisa que devia fazer...
 
- E AS DESCULPAS?!?!? - gritou Gigei dentro dos ouvidos pontudos de Ashura.
 
Zonzinha, zonzinha, Ashura murmurou: - D-desculpe...
 
- Muito bem! - aprovou Gigei. - Mas, oras... suas roupas estão uma lástima. Venha comigo. Ei, o que foi? Não fique com medo que eu não estou mais brava com você. Entre aqui.
 
- Na verdade - continuou Gigei - acho que Ashura é um nome muito bonito. Foi minha mãe que me contou sobre o lendário deus Ashura que baniu os demônios para o mundo das trevas.
 
- Ashura não entende nada... - murmurou a criança - as pessoas falam que Ashura trazer algo sinistro mas Ashura não entende...
 
- Ashura... - murmurou compadecida Gigei.
 
- E as pessoas não gostam de Ashura, e elas dizem que é tudo culpa de Ashura... - terminou ela, chorando.
 
- Isso não é verdade - protestou Gigei - Quem disse isso é um grande mentiroso. Ashura não é culpada de nada!
 
- Mas - retrucou a menina - todos que Ashura conhece acabam morrendo... Por isso as pessoas não gostam de Ashura.
 
- Não diga uma coisa dessas - replicou enérgica Gigei - Não existe ninguém no mundo que não tenha alguém que o ame. Tenho certeza disso. Por isso digo que você está errada, Ashura.
 
- Existem as pessoas que não lutam, as que são preguiçosas e as que fazem coisas ruins - continuou ela - E mesmo essas pessoas têm alguém que ame elas. Mas com Ashura é diferente. Percebi isso no momento que vi você.
 
E dizendo isso pôs a mão no próprio peito, fechando seus olhos: - Eu acabei de conhecer você, mas sinto que não posso mais viver sem você, Ashura. Quando você está por perto, é como se tudo ficasse mais alegre. É quase como se você estivesse dentro de meu coração.
 
- Mas oras - reclamou divertida Gigei com uma faquinha de brinquedo na mão vendo a negativa firme de Ashura - você não acredita em mim? Quer que eu prove que você está aqui dentro? (do coração dela própria)
 
Mas deixando isso de lado, e guardando todas as roupas, Gigei continuou: - Bem eu gosto de seu nome Ashura. Mas ainda gosto mais do meu.
 
- Gigei? - perguntou Ashura.
 
- Sim. Foi nosso líder quem me chamou pelo nome de uma linda deusa das artes. - explicou Gigei - dizem que se ela dançasse mundos sorriam.
 
- Seu pai?... perguntou curiosa Ashura.
 
Divertida novamente, Gigei respondeu: - Não, não... Meu pai me vendeu pra este grupo quando eu tinha 15 anos. Mas vejam só isso!
 
E pondo a mão na cabeça de Ashura ela concluiu: - Deste jeito você fica muito mais bonitinha, Ashura.
 



 
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