HITEN NO HONOO TENSHU
(Prenúncio da Tempestade: O paraíso
imperfeito do guerreiro das chamas)
Um conto de quando o Mundo Celestial vivia em
harmonia.
Um dia tranquilo. Os 12 Guardiões saudaram seu soberano e comentaram:
- Rei Yasha, nosso senhor e mestre. O mundo agora está em paz, assim
como nosso clã - o clã do Deus da Guerra Ashura. Com a paz
e tranquilidade, só nos resta agora o papel de guardiões.
Uma das jovens sacerdotisas, a de cabelos negros, espanta-se com essa declaração.
Seu nome é Shashi:
- Os 12 Guardiões... estão dizendo que a paz no mundo não
é justa?
- Não falem dessa maneira - repreeendeu o rei Ashura - Temos ainda
muitas batalhas, só vigiando as fronteiras para evitar as invasões
de demônios. E não se esqueçam das provisões
que devem chegar lá. Não baixem a guarda. Vamos agora para
o Castelo Zenmijou, temos de prestar respeitos ao Imperador, Guardiões.
Assim, ficam somente as sacerdotisas e a anciã que as instrui no
saguão do castelo. Uma das gêmeas, a loira Kara comenta:
- Mas é tão estranho aqui... Como pode o castelo não
inundar dentro da água?
- Ah, - disse animada a anciã - vocês são pssoas comuns
e acabaram de chegar no castelo Ashura, ainda não explicaram pra
vocês. Aquilo é água e ao mesmo tempo não é.
A anciã explicou em detalhes: - O clã do Dragão usa
água como barreira de proteção, mas nem eles conseguem
entrar aqui. Aqui no clã Ashura usamos a barreira usa o poder da
ilusão para proteger o castelo. Ela só permite a entrada
de pessoas com sangue Ashura, e as profetisas - é claro - que são
escolhidas dentre as mulheres comuns.
- Eu pensei no começo - retrucou Shashi - que o castelo Ashura fosse
um reflexo do castelo do Imperador refletido na água.
- Tenho certeza que dizem que este castelo é só um reflexo
do outro. - respondeu a anciã.
Temos uma visão geral dos dois castelos. Vemos que as imagens não
condizem uma com a outra, como teríamos num espelho. A anciã
conclui: - Mas na verdade, os dois são um só. Onde termina
o castelo do Imperador começa o outro.
Nesse momento, o rei Ashura e seus Guardiões chegam em Zenmijou.
- Guardiões - o rei Ashura os chama - apresentem-se no hall de audiências.
Me juntarei a vocês depois.
Os Guardiões não entendem o motivo de tal ordem, mas respeitam
seu soberano, deixando-o só. Ele encaminha-se para aposentos especiais.
- Kuyou - chama ele à porta.
A profetisa flutua no ar como se fosse uma delicada pluma, no centro de
um pentagrama. Esferas cristalinas flutuam de igual modo ao seu redor:
- Rei Ashura. Eu não previ que viria a este pobre lugar, eu...
- Minha culpa - desculpa-se ele - não mandei nenhum mensageiro.
Kuyou, poderia fazer uma pergunta impertinente?
- O que seria?... - perguntou ela.
Tocando uma das esferas cristalinas ele arranjou forças para essa
pergunta fatídica:
- O Destino não pode ser mudado?
- Isso mesmo. -respondeu ela pesarosa. Pondo-se em pé, pois já
antecipava o próximo pedido ela continuou - A "órbita das
estrelas" não pode ser mudada. E se o rei Ashura acredita em minhas
profecias, isso não pode ser mudado também.
Ele parecia imperturbado, mas mesmo assim as palavras que sairam de sua
boca indicavam sua frustração:
- Eu acredito, Kuyou. Vou fazer mais um pedido impertinente, mas depois
não a perturbarei mais. Poderia de ver o futuro só mais uma
vez?
- Como desejar - respondeu ela retirando seu véu.
As argolas de seu shakujo repicaram. A energia foi invocada para o pentagrama
e para as esferas. Ela falou:
Seis Estrelas cadentes vagam pelo firmamento
São estrelas negras, que desafiarão
o Mundo Celestial
O renegado Shura
Estando no Céu ela destruirá
o Céu,
Estando na Terra ela destruirá a Terra
Um novo senhor da Tempestade
Sufocará o fogo do renegado, e espalhará
o horror na terra.
As chamas diminuirão e o mal se proliferará
Quando o momento chegar as Seis Estrelas unir-se-ão
O honrado guerreiro herdará o renegado
Shura, a rubra flor de lotus
Que cremará todo o mal
Céu e Terra tentarão detê-los,
detidos serão por ninguém
E então as Seis Estrelas...
Tornar-se-ão a ruptura que destruirá
o Céu.
No hall principal, Taishakuten apresenta-se ao Imperador. A corte está
agitada e não pára de comentar...
"Ouviu o que dizem? Taisha conseguiu voltar mais vitorioso da empreitada
no Leste"
"Não acho exagero uma 'cerimônia de audiência' aberta
assim só pro sujeito."
"Ele lutou nas com os demônios das fronteiras com uma crueldade que
até o mais bárbaro diabo ficou aterrorizado."
"O Imperador devia ficar de olho num guerreiro tão cruel assim..."
Mas logo os fuxicos param quando o guerreiro atravessa o tapete que conduz
até o Imperador. Ele sorri satisfeito e pensa:
"Num mundo de paz, a Corte fica cheia de pessoas frívolas."
O Imperador toma a palavra na audiência:
- Fez um excelente trabalho em exterminação desta vez, Taisha.
Acabar com demônios de forma tão simples como a sua espada
o faz, o faz merecedor do título de "deus da tempestade". Vou conceder
a você um prêmio, peça o que quiser.
- Meu senhor - ele agradece de cabeça baixa - São palavras
muito gentis. Se não for pedir muito, gostaria de pedir uma demonstração
de luta ao rei Ashura para este aprendiz do sul.
O rei Ashura pondera por um momento as palavras e o olhar suspeito de Taishakuten,
e então dirige-se ao Imperador: - Meu senhor...
- Isso seria muito interessante. - responde o Imperador - Faz tempo que
não vejo uma demonstração das habilidades do maior
Deus Guerreiro, rei Ashura.
- O rei Ashura tem alguma objeção? - pergunta Taishakuten
irônico.
A corte fica empolvorosa. O rei Ashura responde humildemente: - Se é
o desejo do Imperador, não tenho objeção alguma.
No entanto a filha do Imperador, a princesa Kishouten não parece
apreciar uma cena de violência gratuita.
- Senhor meu pai, por favor pare com isso. - implora ela temerosa.
- Não precisa se preocupar, Kishouten - responde ele tranquilizando-a
- É apenas uma distração, e o rei Ashura não
é nenhum principiante.
Um dos Guardiões oferece-se para ajudar o rei Yasha a se preparar:
- Senhor, tome esta espada...
- Não é preciso - responde o rei Yasha, emanando energias
de sua mão direita - vou usar esta aqui.
E para espanto de todos, uma lâmina surge da palma da mão
do guerreiro. Ele toma a reluzente e magnífica arma, a espada...
- Shura-tou! - exclama a corte - É a espada Shura!
- A espada do Deus Shura é passada de geração para
geração dos rei Ashura - comenta outro nobre - Será
que Taisha consegue resistir ao poder dela?
Taishakuten toma a iniciativa, prendendo ambas as espadas e seus guerreiros.
Ele aproveita esse intervalo para ter uma palavrinha com o rei Ashura.
- Que honra que use a espada Shura apenas para atender um pedido meu. -
exulta ele animado, enquanto as espadas estão em cheque - Será
que tem minhas habilidades em tão alta conta assim?... Guerreiro
Deus e Guardião do Mundo Celestial, rei Ashura!
Os dois livram suas lâminas. Taishakuten recua alguns metros, para
poder conter o ataque seguinte do rei Ashura.
- Parem por favor os dois - pede inutilmente Kishouten.
Taishakuten detém com sucesso o ataque previsto, mas a energia é
refletida de forma que acaba por atingir um dos pilares do hall de audiências.
A corte leva um susto, e logo os 12 Guardiões do rei Ashura interpõem-se
entre o adversário e seu mestre (para surpresa do próprio
rei Ashura - será que pensam que o moço é um bebê?)
Nesse momento o Imperador intervêem: - Basta. Embainhem suas espadas.
Você também, rei Ashura.
- Taisha, sua demonstração foi magnífica - continua
o Imperador - Eventualmente pode ficar ao lado do rei Ashura como comandante
militar. Continue empenhando-se.
Taisha sorri para o rei Yasha, o que novamente não passa despercebido
dele. O Imperador enfastiado com tanta cerimônia prepara-se para
recolher-se.
- Todos estão dispensados. - ele declara - A audiência terminou.
Voltando-se para o Deus Guardião, ele repreende seu subordinado
de forma gentil e bem-humorada:
- Rei Ashura, use sua espada até o fim para proteger o Mundo Celestial.
Mas se não tomar cuidado, não vai ser surpresa quando desembainhar
a espada Shura que você derrube uma ponte. Quem o visse não
pensaria que se tratasse de uma demonstração de um soberano...
De qualquer forma pode retirar-se com seus preocupados 12 Guardiões.
Quando o Imperador e princesa afastam-se, os 12 Guardiões logo cercam
seu senhor (parece que a ironia do Imperador tem certa procedência...):
- Majestade, o senhor está ferido?
- Não, não me aconteceu nada - responde ele distraídamente.
Para surpresa dele no entanto, nesse momento seu kimono rasga-se na altura
do peito. Todos os Guardiões ficam agitados, mas o rei Ashura assegura
que está bem.
- A roupa só rasgou. - ele explica.
E percebe que alguém se aproximara. Os 12 Guardiões enfurecem-se
com a presença de Taishakuten tão próximos a eles.
Os dois guerreiros olham-se e Taishakuten declara:
- Aquilo que eu desejo, com certeza eu consigo. Lembre-se destas palavras,
rei Ashura.
Dizendo isso retira-se.
- Ora, seu - gritam enfurecidos os 12 Guardiões.
- Parem! - o rei Ashura detém seus cães de guarda que não
tomaram vacinação (eita personagens chatos, so!). - deixem-no
ir.
O rei Ashura lembra-se de Kuyou, o shakujo e a suas palavras:
Seis estrelas cadentes vagam pelo firmamento
São estrelas negras que desafiarão
o Mundo Celestial
O destino segue seu curso. Taishakuten afasta-se do grupo.
O renegado de Shura
Surge a imagem de Ashura adulta.
Estando no Céu destruirá o Céu
Estando na Terra destruirá a Terra
Um novo senhor da Tempestade
Um novo senhor da Tempestade
Sufocará o fogo do renegado, e espalhará
o horror na terra.
As chamas diminuirão e o mal se proliferará
Quando o momento chegar as Seis Estrelas unir-se-ão
O honrado guerreiro herdarás o renegado
Shura, a rubra flor de lotus
Que cremará todo o mal
Céu e Terra tentarão detê-los,
detidos serão por ninguém
E então as Seis Estrelas...
Tornar-se-ão a ruptura que destruirá
o Céu.
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estórias do Volume 1