Bem no volume anterior, Varuna estava prestes a experimentar um outro golpe do rei Yasha. Vamos ver como ele se saiu?
"Q-que luz envolvente é essa?" grita Varuna percebendo que está numa fria "Ela não se dispersa! M-meu corpo! Está se desfazendo!"
"Todos os que são envolvidos pelo brilho sobrenatural da espada Yama retornam ao pó" explica o rei Yasha "Este é o Golpe Negro Destruidor do Rei das Trevas. Um lixo como você merece ir para o inferno sem deixar vestígios."
Aí é que Varuna desmunheca de vez e começa a dar gritinhos: "Estou derretendo! Estou derretendo! Meu corpo está derretendo!!! Aaaarrrrgggh!!! Meu senhor... Koumokuten..."
Como o rei Yasha disse, não sobrou nada de Varuna, exceto um montinho de poeira que logo era levado pelo vento.
"Rei Yasha" chama Ryu-chan animado olhando para o monte de cinzas "Com esse nós cuidamos de todos!"
Mas logo a seguir acrescentou preocupado, enquanto Kujaku descia de seu poleiro: "Mas só resolvemos o problema mais urgente. Se não encontrarmos logo a Ashura..."
O rei Yasha partilha de uma preocupação semelhante. Seus pensamentos voltam-se para a menina: 'Ashura. Volte depressa para nós, Ashura.'
Kara também está tomada por pensamentos semelhantes ao do rei Yasha: 'Depressa! Tenho de ir depressa até onde está a espada Shura.'
Correndo atrás dela vem Kumaraten, que chama gritando pelo nome da moça. Quando finalmente a alcança, eles chegaram ao salão principal.
"Sua..." rosna Kumaraten furioso "O que está fazendo aqui?"
O corpo pode ser infantil, mas é Ashura Negra quem responde envolta por incríveis energias com um sorriso cruel nos lábios: "A espada Shura me chamou. Chegou o momento de reclamar minha outra metade."
"Não é possível!" retruca Kumaraten chocado "Quer dizer que era possível quebrar o selo? Você não disse que somente sacrificando o sangue do soberano de Ashura seria possível quebrar o selo de proteção, Kara?!?"
Não é a moça em agonia quem responde, mas sim a própria Ashura: "Eclipse? Desfazer o selo da espada Shura sacrificando o sangue do soberano de Ashura? Nunca ouvi tanta bobagem. A espada Shura é a outra metade do soberano de Ashura. Ninguém além dele pode despertar a espada."
"Eu enganei o senhor por 300 anos" confessa a moça incapaz de olhar para ele nos olhos.
"Kara" murmura ele descrente do que ouvia.
"Mesmo que o senhor sacrificasse o sangue da rainha Ashura, a espada dela não responderia a seus comandos" continua ela "A solução que ensinei para quebrar o selo era uma mentira. Eu fiquei sabendo que o senhor queria poder para derrotar Taishakuten e então eu criei essa mentira."
"Por quê?" pergunta ele com um olhar misto de desapontamento e ternura.
"Porque..." murmura ela tristemente 'porque eu queria que você ficasse comigo. Sozinha esse tempo todo minha vida seria muito triste'.
é o que ela quer dizer, mas ao invés disso ela responde: "Na Guerra dos Deuses, houve uma traidora que destruiu o clã Ashura. Mesmo vendo a traição acontecer bem na minha frente, nada pude fazer para impedir a traidora. Não conseguindo aguentar o peso da culpa, eu tentei me suicidar. Mas nem isso a uma sacerdotisa é permitido. O rei Ashura com seu poder me concedera a dádiva de viver mais de uma vida. Pouco antes da batalha decisiva, sabendo que em breve pereceria, nosso rei me encarregou da espada Shura e me enterrou aqui nos subterrâneos. Pois um dia a nova rainha Ashura viria reclamar a espada."
"Eu sou a guardiã da espada Shura" concluiu ela "Quando chegar o dia em que a rainha Ashura vier reclamar sua espada, meu dever terá terminado. Assim como esta vida de mentira."
"E o bebê em seu ventre?" grita desesperado Kumaraten "Isso também foi uma farsa?"
O olhar de Kara é um misto de mágoa e remorso. Como se vingasse de Kumarataen e ao mesmo tempo se recriminasse por mais esta mentira: "Desde o começo não havia bebê. Uma desmorta não pode ter filhos, pode?"
As lágrimas escorriam pelo rosto dela, mas seu rosto está sereno: "Mesmo sabendo que não poderia ter filhos, eu quis tanto um bebê que minha vontade acabou criando essa criança. Eu amo tanto você - mesmo que me odeie não me importo, pois você sempre esteve ao meu lado. Por sua causa desejei tanto esta criança."
"Mas até mesmo esse milagre termina aqui" continua ela levando sua mão à jóia encrustada em sua testa "Eu e a criança voltaremos ao pó que é nosso destino."
Ao mesmo tempo que fala isso, voltando aos seus pensamentos percebemos que as suas palavras duras e crueis são mais para que Kumaraten não sofra tanto, pois dentro de si ainda se preocupa com ele: 'Com uma missão tão importante, porque fui me apaixonar?'
"Minha senhora" voltou-se Kara para Ashura retirando a jóia "Minha vida e a espada Shura que me foram confiadas a tanto tempo..."
"Kara, páre!" gritou Kumaraten, enquanto os pensamentos de Kara voltavam-lhe à assombrá-la [Porque eu queria que ficasse a meu lado, eu inventei a maior mentira do mundo.]
Ashura Negra assistia a tudo impassível. Mesmo sorrindo a moça sentia-se como se a morte não fosse capaz de lhe dar descanso. Suas palavras se misturando com os seus pensamentos, enquanto o sangue do ferimento em sua fronte escorria-lhe pelo rosto:
"Agora..." [Não havia forma de quebrar o selo, não havia bebê] "retorno ambos à senhora." [Mas só nisto eu fui sincera. Somente meus sentimentos por você sempre foram sinceros.]
A jóia ensanguentada e radiante flutuou suavemente até as mãos de Ashura. Neste momento Kara deixava este mundo.
"Kara!" gritou Kumaraten amparando o corpo da moça.
Ashura Negra contemplou a jóia por um momento, uma jóia que brilhava como se tivesse vida própria. Mas logo deixava de lado quaisquer pensamentos e dirigiu-se para a prisão de sua espada.
"Espada Shura" chamou ela olhando de forma satisfeita para a arma "Desculpe a demora"
Ashura Negra atravessou a prisão cristalina da espada como se fosse água, levando a jóia para perto da espada. As energias dela e da jóia se mesclavam fazendo ressoar a arma, cuja empunhadura era adornada por um rosto, cujos olhos estavam fechados.
"Deixei você 300 anos adormecida. Logo a libertarei de sua prisão." continua ela encrustando a jóia um pouco acima do rosto na empunhadura da espada, como se fosse uma enorme jóia da coroa do rosto "Espada Shura. Mostre me o vosso poder."
Nesse momento uma luz cegante é emitida pela arma. Ashura Negra mergulha a outra mão na prisão líquida, tomando a espada nas duas mãos. Com isso o selo foi totalmente destruído, escorrendo como gosma pela espada e pelo corpo de Ashura.
"Desperte espada Shura" fala Ashura Negra, aproximando a espada de seu rosto numa carícia.
A caverna treme com as enormes energias liberadas por Ashura e pela espada. O rosto na espada também lentamente é afetado pelas energias. Como se a espada realmente estivesse acordando, o olhos cerrados no rosto nela abrem lentamente suas pálpebras. Quando ela desperta por completo, para surpresa de todos isto também afeta a própria Ashura. Olhos se encontram, e Ashura é tragada para o mundo dos sonhos e das lembranças.
'Ma-mãe...' murmura ela correndo em seus sonhos buscando pela imagem da mulher que tanto quer encontrar 'Mamãe, mamãe...'
Choro de um recém-nascido. Uma velha apresenta dois bebês para a jovem mãe.
"Senhora Shashi" diz ela apresentando dois bebês, um chorando vigorosamente e outro silencioso de orelhas pontudas "São formosos gêmeos"
"Gêmeos..." murmura a jovem de longos cabelos negros. Mas logo ria de forma suave e cruel "Você disse gêmeos?"
"Senhora?" pergunta a anciã não entendendo a situação. Uma adaga em seu pescoço é a resposta.
"Entenda bem" ela explica tomando o pequeno chorão nos braços, enquanto mantinha a adaga no pescoço da velha "O único que nasceu foi meu lindo Ten-Oh. é muito melhor se o bebê do clã Ashura não tiver nascido."
Ashura assistiu a essa cena e a seguir aos comentários das anciãs da corte de Shashi, incrédula ao que está acontecendo/aconteceu.
"Um dos bebês é o filho de Taishakuten" comenta uma "Mas o outro... é filha do rei Ashura... Não é essa mulher que recebeu tão grande dádiva do clã Ashura e agradeceu a eles com a traição?"
"No mundo do senhor Taishakuten é um grave crime qualquer um do clã Ashura viver" explica outra "Mesmo essa criança que o clã Ashura tanto desejou..."
"Eu vi ela sair do palácio para fazer o serviço" comenta outra anciã "Acho que mesmo ela teme o castigo de matar seu próprio bebê se não fizer isso antes dele abrir os olhos."
Ashura está em choque, sem conseguir se mover. 'Minha mãe traiu o clã Ashura?!?'
"Por que teve de nascer?" resmunga Shashi carregando sua filha "Um bebê Ashura só vai me atrapalhar!"
Ashura começa a correr atrás da sua mãe, perguntando freneticamente o motivo de tudo isso: 'Por quê? Por que mamãe não quer Ashura? Ela não gosta de Ashura?'
'Se ela gosta de Ten-Oh, por que só de Ashura que ela não gosta?' pergunta ela correndo atrás da mãe pela floresta onde ela dormiu por 300 anos 'Mamãe!!!'
Uma adaga é erguida, e Shashi descobre o véu que escondia seu rosto: "Se eu pedisse para outra pessoa fazer isto, era bem capaz dessa pessoa ficar com pena de você e a deixasse fugir. Por isso eu mesma vou matar você."
A bebê Ashura também sente algo muito errado, pois parece sofrer uma dor aguda pela traição da própria mãe. Shashi avança com a adaga em direção do indefeso bebê no chão:
"Eu finalmente consegui me tornar a rainha do Imperador Celestial, e agora vou ter em minhas mãos poder sobre todo o Mundo Celestial... Por que justo agora você... Seria muito melhor se você não tivesse nascido!!!"
Não conseguimos ver a próxima cena, pois Ashura fechou os seus próprios olhos para não olhar (mas podemos adivinhar porque Shashi não conseguiu matar o bebê Ashura: da mesma forma que na vila Yasha, Ashura deve ter erguido ao seu redor a floresta Maya para que a protegesse). Apenas podemos ouvir seus pensamentos angustiados:
'É MENTIRA é MENTIRA é MENTIRA! é MENTIRA!! é MENTIRAA!!!'
Ashura: (Por que a mãe de Ashura não está junto com Ashura?)
Kara: (Aconteceram muitas coisas, e sua mãe teve de abrir mão de criar você. Mas... ela sempre desejou muito que você nascesse logo.)
Shashi: (Seria muito melhor se você não tivesse nascido!!!)
'Isso não pode ser verdade! Não pode!' gritava Ashura mentalmente, tampando os ouvidos para não ouvir e ver o que viu e ouviu 'Mamãe... mamãe acha que Ashura atrapalha, por isso... por isso...'
'Por isso... ela queria matar Ashura! Mamãe queria matar Ash...'
"NãAAAAOOOO!!!!" gritou ela explodindo suas energias.
Enquanto isso, Kumaraten assiste ao espetáculo imóvel, amparando o corpo de Kara. Impassível ao desastre que acontecia ao redor, a caverna desabando sobre eles.
"Pode ouvir, Kara?" pergunta ele gentilmente para ela "Pode ouvir esse a terra gritar? é o choro do nascimento da rainha Ashura. Toda a terra está respondendo à ressurreição da espada Shura."
"Você disse que 'mentiu' para mim" continua ele contemplando tristemente o vazio que tornou-se sua vida "Mas eu também fiz o mesmo. Nem uma vez eu fui sincero com você. Nunca eu disse para você a verdade. Toda vez que via o seu sorriso era para mim como se toda Kusumabura florisse de novo. A verdade é que eu queria ficar para sempre ao seu lado."
"Jovem senhor!" gritou o ancião interrompendo o monólogo de Kumaraten "Senhor Kumaraten, fuja por favor! Jovem senhor, mesmo que seja só o senhor!"
O olhar de Kumaraten era sereno e decidido, e o velho logo compreendeu seu significado. "Jovem... senhor... Pretende terminar sua vida aqui? Entendo. Então o ancião o acompanhará também."