Harry Potter e a Filha do Auror
by Talita Teixeira

>>Voltar para Fanfics


Capítulo 4 ~ A visita das quatro corujas

As horas escorreram lentamente naquele dia. Harry fez o máximo que pode para aproveitar o tempo disponível - já que não seria interrompido por Duda ou tia Petúnia - analisando o álbum de fotografias e dedicando-se aos seus deveres escolares (sim, os professores em Hogwarts costumavam deixar muitas tarefas para as férias). Ficou penalizado quando desmontou o álbum e não encontrou mais nenhuma foto escondida. Isto é, todas as folhas do álbum eram grossas e duplas, mas estavam vazias. Ele concluiu que a folha que se soltara não fora muito bem colada pela pessoa que escondeu as fotos no álbum, e talvez não tivesse sido bem colada de propósito.

No fim da tarde da véspera do seu aniversário as nuvens começaram a ficar negras e chumbadas. O calor estava se tornando pior e Harry nem precisaria ser adivinho para saber que uma tempestade estava se armando. Logo, as árvores da rua dos Alfeneiros dobravam-se ao sabor do vento, enquanto folhas voavam de cá para lá. Harry observava tudo pela janela, e teve a impressão de ver, uma ou duas vezes, vassouras que rasgavam apressadas o céu. A casa dos Dursley resistia bravamente às fortes rajadas, mas Harry tinha certeza de que tio Válter o obrigaria a subir no telhado para consertar algumas telhas no dia seguinte.

Por volta das sete horas da noite, a tempestade já havia se desenhado completamente no céu de julho. Pesadas nuvens negras pareciam engolir toda a região, e logo grossos pingos de chuva desabavam, ruidosos, precipitando-se ao chão. Harry estava deitado, tentando tirar um cochilo, quando ouviu batidinhas no vidro da janela. Uma grande coruja parda esforçava-se para manter-se no ar. Estava ensopada.

_ Entre! - Harry abriu a janela, não sem algum esforço, e a coruja voou para sua cama, espalhando água por todos os lados. Trazia uma carta em pergaminho amarelecido, com o selo de Hogwarts. Magicamente, a carta estava seca. A coruja voou direto para o poleiro de Edwiges, e Harry deduziu que ela esperaria a chuva passar antes de voltar para Hogwarts. Sua atenção voltou-se imediatamente para a carta.

Prezado Sr. H. Potter
Segue anexo a lista do material escolar para o quinto ano na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Avisamos que o ano letivo começará em 1º de Setembro.

Atenciosamente
Minerva McGonagall
Vice-diretora

Harry sempre ficava emocionado ao receber cartas pelo correio-coruja. Parecia que o tempo passado com os Dursley o fazia esquecer, em parte, de que era um bruxo e de que estudava em Hogwarts. Mas era isto, e somente isto, que o motivava a viver. Apanhou a segunda folha e seus olhos percorreram a lista do material escolar. Não diferia muito da do ano anterior, exceto pelo Livro Padrão de Feitiços, 5º ano e de mais três livros para a disciplina de Astronomia. "Estranho", pensou Harry, uma vez que a professora Sinistra, do departamento de Astronomia, limitava-se a ensinar aos alunos alguns nomes de estrelas. Talvez os alunos do quinto ano tivessem mais períodos de aula de Astronomia, mas como fariam isso se precisavam estar sempre observando o céu? Isso talvez significasse que teriam aulas a noite, e Harry achou isso definitivamente ruim por causa dos treinos de quadribol.

Harry ainda permaneceu observando a carta com atenção. Tinha quase a mais absoluta certeza de que, em toda Hogwarts, não havia alguém que mais esperasse o começo do ano letivo (exceto, talvez, por Hermione) do que ele. Suspirando, dobrou cuidadosamente a carta de Hogwarts e voltou seus olhos para os dois pergaminhos pedidos pelo prof. Binns sobre a vida de Joana D'Arc. Um relâmpago cortou o céu, seguindo-se por uma trovoada tão forte que sacudiu as paredes da casa dos Dursley. Não eram só as paredes da casa que tremiam: o estômago de Harry dava voltas e mais voltas, pois faziam horas que comera os biscoitos atirados por tio Válter.

Subitamente, novas batidas na janela fizeram com que ele esquecesse completamente a fome. Edwiges, sua grande coruja branca, batia o bico com muita força na janela. Harry correu e abriu-a, e a coruja voou indignada para o seu poleiro, não sem antes lançar um olhar de desgosto para a outra coruja que chegara momentos antes. Largou um pacote sobre a cama de Harry, que lhe dirigiu um sorriso agradecido. Harry adivinhou que fosse de seu padrinho, uma vez que lhe enviara Edwiges uma semana antes com uma carta contando sobre suas "férias". Sirius, escondido sabe-se lá aonde, pedira-lhe que enviasse notícias freqüentes, o que Harry fazia com o maior gosto. Emocionado, Harry ainda olhou para o pacote por uns trinta segundos antes de rasgar com ferocidade o papel pardo que o envolvia. Logo notou que o seu interior fora magicamente ampliado para caber tantos presentes, pois Sirius lhe enviava, além de uma carta, frutas secas, feijõezinhos de todos os sabores, sapos de chocolate e uma mochila. Apanhando a carta, Harry viu que ela estava em duas vias. Para sua surpresa, a segunda carta era de Lupin, seu professor de Defesa contra as Artes das Trevas no terceiro ano. Leu primeiro a de Sirius:

Caro Harry

Olá, tudo bem com você? Como estão as coisas aí no mundo dos trouxas? E seu primo Duda, já conseguiu ser expulso da escola?
Bem, não posso dizer que as coisas estejam muito bem por aqui, mas já estiveram piores. Foi um pouco difícil encontrar Remo, o que só consegui há alguns dias atrás. Ele não sabia do que se passou em Hogwarts, a respeito do torneio Tribruxo e de você. Posso dizer que ele ficou bastante chocado com tudo o que ocorreu, mas está muito orgulhoso de você, Harry. Eu e Remo estamos tentando encontrar algumas pessoas que não vemos há bastante tempo, conforme Dumbledore pediu. Harry, peço-lhe que não fique preocupado, pois agora as coisas estão se encaminhando melhor. Bicuço também está em segurança.
Estou lhe enviando alguns presentes de aniversário, afinal, não é todo dia que se faz quinze anos. Felicidades! Mantenha contato.

Atenciosamente
Sirius

Harry ainda releu a carta algumas vezes antes de passar para a de Lupin. Como o seu padrinho podia aparentar tanta calma, mesmo sabendo que Voldemort reaparecera? Ainda assim, era ótimo receber notícias de Sirius. Apanhou a carta de Lupin e desdobrou-a; surpreso, viu cair do meio da carta uma fotografia.

_ Essa não....- murmurou para si mesmo.

Era mais uma foto tirada em Hogwarts. Harry observou-a, curioso, e então reconheceu Tiago Potter, seu pai, com o uniforme do time da Grifinória. Ao seu lado, Lílian, Sirius, Lupin e Pettigrew. Todos sorrindo e lhe acenando alegremente, aparentando não terem mais do que catorze anos.

_ Olá para vocês também! - falou baixinho. Reconheceu as arquibancadas do campo de quadribol; isto é, a fotografia fora tirada nas arquibancadas. Ruborizou-se um pouquinho ao ver que seu pai segurava timidamente a mão de Lílian. De repente, sentiu como se invadisse as memórias alheias; ali estavam seus pais, seu padrinho, Lupin e Rabicho, muitos anos antes de todas aquelas traições e mortes acontecerem. Eram garotos, ainda. E estavam em Hogwarts, como ele, Harry, também agora estava. Tinham deveres escolares, acordavam cedo para as aulas, esperavam ansiosamente o Natal. Provavelmente, arrumavam algumas brigas de vez em quando, certamente envolvendo o pessoal da Sonserina. Pegavam detenções, torciam para o time de sua casa no campeonato de quadribol, aproveitavam a valer a Festa do Dia das Bruxas. Rabicho tinha o rosto coroado de espinhas, e parecia profundamente feliz ao lado de seus amigos. Sirius fazia cara de mau, com os cabelos negros um tanto compridos, e Lupin desdobrava-se em piscadelas sorrateiras para o lado de Tiago. Lílian estava levemente corada, seus grandes olhos verdes mirando a mão que segurava a sua. Tiago - suado, sujo e com um pequeno corte na testa - não sabia se sorria, se retribuía as piscadelas de Lupin ou se concentrava-se em segurar a mão de Lílian. Harry, agradavelmente surpreso, apanhou a carta de Lupin:

Olá Harry! Feliz Aniversário!

Antes de mais nada, quero lhe dizer que você é um menino muito corajoso. Fiquei sabendo por Sirius sobre o Torneio Tribruxo, acho que você foi ótimo. Seu pai ficaria orgulhoso, pode ter certeza disso.
Não culpe-se pelo que aconteceu a Cedrico Diggory. Muitos antes dele - e tantos inocentes quanto ele - já foram envolvidos dessa maneira por Voldemort. O próprio Bartô Junior é também uma vítima do Lord das Trevas. Apesar de eu ter conhecido o jovem Bartô Crouch e sempre esperar alguma coisa assim dele, acho que ter recebido o beijo do Dementador foi algo realmente horrível.
Estou lhe enviando uma foto tirada nos tempos de "Aluado, Almofadinhas, Rabicho e Pontas". Como você mesmo pôde perceber, tiramos esta foto depois de um jogo de quadribol, quando vencemos espetacularmente Sonserina por 230 a 80. Foi uma grande partida, você precisava ver a cara do prof. Snape! Aliás, seus pais começaram a namorar depois deste jogo.
Cuide-se!
Remo J. Lupin

Harry observou a fotografia por mais alguns minutos. Apanhou, então, as outras fotos que havia encontrado dentro da folha dupla do álbum. A foto em que sua mãe estava ao lado de Snape aparentemente fora tirada antes, pois ela parecia bem mais jovem ali. Tiago, Sirius e Lupin (Rabicho não aparecia na foto) também. O Snape de doze anos, ao lado de Lílian, pouco mudara para o Snape adolescente ao lado de Malfoy. Apenas os cabelos - que aos doze anos mal ultrapassavam as orelhas - estavam decididamente mais compridos e nojentos no Snape de dezesseis anos. E a altura também, pois - agora Harry via - que Snape, desde garoto, fora alto e magro (o professor parecia ser um tantinho menor que Rony quando este tinha doze anos; na foto ao lado de Lúcio Malfoy, apesar de estarem todos sentados, Harry deduziu que o professor fosse o mais alto de todos).

A tempestade rugia forte do lado de fora da casa. Harry apanhou um sapo de chocolate e, faminto, devorou-o em segundos. Examinou, então, a mochila que Sirius lhe enviara e viu que tratava-se de uma excelente mochila. Seu interior fora ampliado para caberem mais coisas dentro (Hermione iria morrer de inveja: "Imagine quantos livros você pode carregar aí dentro, Harry!"), e ela era bastante bonita, também, vermelha e amarela, as cores da Grifinória.

Por volta das dez horas da noite, tio Válter escancarou a porta do quarto de Harry:

_ Vá ao banheiro, moleque!

Harry, que prudentemente esperava por isso, já havia escondido todos os seus presentes na tábua solta do soalho. Tio Válter o acompanhou até o banheiro, esperando do lado de fora.

_ E amanhã você vai me ajudar a consertar o telhado, seu preguiçoso imprestável!

Harry já nem ligava mais para os muitos xingamentos que tinha que agüentar todos os dias. Encarava isso como uma espécie de compensação por ser tão famoso no mundo dos bruxos.

Tio Válter o levou de volta ao quarto, passando a chave na porta; parecia muito aborrecido ainda com os "assuntos de Smeltings". A tempestade lá fora não dava tréguas e Harry ouviu novas batidinhas no vidro da janela. Duas corujas entraram quando o menino abriu o vidro: Píchi, a coruja de Rony, e outra de uso comum em Hogwarts. Píchi voou pelo quarto fazendo algum barulho, enquanto a outra deixou um embrulho disforme sobre a cama e voou de volta. A coruja que trouxera a carta de Hogwarts seguiu atrás. Harry correu a acalmar Píchi, que, com seus gritos, poderia chamar a atenção dos Dursley, e indicou-lhe o poleiro que Edwiges a pouco dividia com a outra coruja de Hogwarts. Edwiges não gostou nem um pouco. Pichi deixou Harry tirar-lhe a mensagem da perna e voou esfomeada para o farelo de Edwiges. Harry reconheceu a caligrafia caprichada de Hermione:

Querido Harry

Tudo bem com você? Rony e eu trocamos algumas corujas durante as férias (você sabia que ele nem começou ainda a redação sobre a importância dos fungos venenosos que o Snape passou?), assim, pedi Pichi emprestada para que nos comunicássemos. Espero que seus tios deixem você vir passar o restante das férias comigo! Rony e Gina também estarão aqui. Estou preparando um roteiro de férias trouxas para distrair Rony e Gina. Poderemos voltar a Londres para comprar nosso material alguns dias antes das aulas começarem, está bem para você?
*P.S. : entregarei seu presente de aniversário pessoalmente.

Atenciosamente
Mione

_ Tudo bem, Mione! Ah, e eu também nem comecei a minha redação ainda! - Harry, que antes estava chateado por não poder ir à Toca, exultou com a possibilidade se divertir em passeios do mundo trouxa. Seria uma pena não poder voar na Firebolt, mas certamente iriam a parques de diversões e cinemas. Que bom que Rony e Gina também estariam por lá.

Voltou, então, sua atenção para o outro embrulho que a coruja de Hogwarts trouxera. Harry adivinhou que fosse de Hagrid. Achou prudente abrir antes a carta do amigo:

Harry

Olá! Feliz aniversário! Espero que você goste do presente, comprei perto de Beauxbatons, são pantufas brigantes!
Espero você em Setembro, venha me visitar.

Com um abraço do Hagrid

Beauxbatons. Então Hagrid estivera mesmo por lá. Certamente, após partir em missão com Madame Maxime (Harry deduzia que ambos tinham ido procurar os gigantes), Hagrid passara pelas cercanias de Beaxbatons.

_ Espero que não tenha ganho nada de algum estranho.... - Harry sabia que o amigo tinha uma queda por animais exóticos.

Harry abriu rapidamente o embrulho de Hagrid, e, para a sua surpresa, o par de pantufas brigantes caiu discutindo na cama. Harry nunca havia visto pantufas brigantes, mas elas eram definitivamente engraçadas. Do que elas falavam, pouco se entendia, mas Harry adivinhou que não se tratavam de gentilezas. As duas tinham o formato de crocodilos roxos, e silenciaram quando o menino as calçou. Harry se divertiu muito vendo as pantufas brigarem entre si (elas falavam bem baixinho), e concluiu que somente Hagrid poderia ter-lhe enviado um presente desses.

O temporal ainda estava rugindo lá fora quando Harry finalmente foi dormir.


<<Voltar para o capítulo anterior                                     Ir para o próximo capítulo>>

 

 

 

1