Eu sou normal, acredite
Sentem-se,  o show vai começar
Proteja-se: você pode ser o próximo
Mudando um pouco seu dia-a-dia
Tudo que você sempre quis ser, mas tinha vergonha
Se quiser, ponha açúcar
Got popcorn?
Let's swing, babe
Plante uma árvore, tenha filhos, escreva um livro
POW! CRASH! TUM! SNIKT!
O que você está olhando?
Porque o importante é vencer
 : )
You're hot - come on in
Veja tudo que você nunca quis ver
Saiba quem são os culpados por isso
Seja experto! Gaste pouco e ganhe muito
Sugestões? Comentários?
Perdeu algo de bom? Garanto que não

A Professora De Piano
(La Pianiste) por Victor Paschoal

Direção: Michael Haneke
com Isabelle Huppert, Annie Girardot e Benoît Magimel.


A professora de piano diz, em determinada hora, para uma de suas jovens alunas por uma ocasião inusitada: "uma boa pianista deve saber segurar os nervos". Da mesma maneira, o espectador deve segurar os seus nervos, pois vai ver coisas que podem lhe desagradar.

Erika Kohut é uma professora de piano, que leciona em um conservatório de Viena, da qual ninguém gostaria de ser aluno. Ela passa a aula inteira olhando pela janela da sala, intercalando indicações dos erros dos alunos com comentários maldosamente desencorajadores. Sem levar em conta de que todos são apenas adolescentes.

Este é o lado menos doentio da mestra. Com o desenrolar do filme, podemos ver que ela gosta de cheirar objetos deixados no lixo de cabines de sex shops e assistir casais transando em drive-ins, entre outras coisas sórdidas. O que não é realmente chocante comparado com a forma como ela se atraca com a mãe e, depois, dorme na mesma cama com ela.

Um de seus alunos, Walter Klemmer (Benoît Magimel), desconhecendo o comportamento obscuro da professora, fica obcecado por ela e pela sua arte, passando a persegui-la e a fazer declarações de amor. Os dois têm um encontro sexual dos mais bizarros no banheiro do conservatório e, depois, ele recebe uma carta, que é uma das coisas mais perturbadoras que existem, descrevendo um ato a dois imaginado por Erika que pode ser muita coisa, menos sexo.

A partir daí, a condição de saúde mental de Kohut só piora. Klemmer também é drasticamente afetado. As cenas vão ficando ainda mais fortes à medida em que a loucura da professora caminha para um desfecho totalmente neurótico.

Com exceção de quem se identificar com a protagonista, qualquer um que for ver "A Professora De Piano" vai estranhar. O espectador comum vai achar muito fácil odiar este filme pela sua perversidade. Os que curtem o terror B vão gostar bastante. O que não é um indício de que seja um filme ruim. Apenas de que ele é cinema hardcore francês e uma película para as mais díspares audiências.

Muitas pessoas consideraram o filme ofensivo, amoral, nojento. Disseram que quem gosta de "uma atrocidade dessas" só pode ser perturbado. Pode ser que elas pensem que gostar de "A Professora De Piano" significa que a pessoa tenha tendências para o sadomasoquismo, para o voyeurismo, ou para o incesto homossexual "geriófilo" (veja com seus próprios olhos). Puro preconceito de quem não teve um mínimo de controle de nervos para assistir o filme friamente, ou de quem, por questões próprias, não conseguiu manter um distanciamento crítico do que viu.

Além disso, o filme é tecnicamente muito bom. São pontos a favor as grande atuações do casal problemático e a direção de Michael Haneke, que imprimiu um ritmo muito bom, um constante crescendo quase do início até o fim. Outro pró é que, sendo um dos objetivos (ou, talvez, o único objetivo) do diretor perturbar, ele cumpriu sua meta: soube exatamente até onde ir com imagens e onde ser moderado, mantendo a sordidez no plano verbal. O que deixa para a mente do espectador a montagem de certos fetiches imaginados pela protagonista.

Com um pouco de humor negro, é que se torna possível enxergar a graça no comportamento da professora, e, com isso, entender a obra. "Essa mulher está enlouquecendo!", você pensa. E o filme é exatamente sobre isso.

Uma coisa sobre o filme é certa: quem leu e entende Freud, o que não é o meu caso, vai aproveitar muito mais, em especial a relação doentia entre a mãe e a filha. Talvez seja uma resposta de Haneke a Freud do tipo: " - você quer loucura? Eu vou te mostrar loucura!".

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Em sua crítica do mesmo filme para o JB, Renato Lemos, fez metade do que pode ser feito para apreciar este trabalho de Haneke: entitulou seu texto "Professora Muito Doida". Mas parou por aí. Esse é o caminho. Basta pensar: "é comédia". Depois, põe-se um título desses, dubla-se e marca-se a exibição no "Cinema em Casa".
Não é o verdadeiro sentido do filme, mas ele pode ser muito bem aproveitado dessa forma.