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Estação Paço - Onde Os Filmes Vão Para Morrer por Guilherme Freitas
Você
é uma menina ocupada e, depois de duas semanas tentando, ainda não
conseguiu ver aquele filminho que você tanto queria - uma co-produção
Paquistão/Senegal sobre o menino mais triste do mundo, um que perdeu
um pirulito - e agora ele foi escorraçado do circuito por um arrasa-quarteirão
maldito de Hollywood e você acha que nunca mais vai ter a chance de
vê-lo. Você é um cara meio desligado e depois de três
meses ainda não foi assistir o sucesso cult da temporada e agora todos
os seus amigos de óculos de aro grosso não te perdoam por essa
gafe. Você não tem nada pra fazer, tá perambulando pelo
Centro da Cidade, e ainda têm três horas pra gastar até
seu boteco preferido começar a recolher apostas pra luta de hoje. Você
não tem grana pro motel.
Seja você quem for, meu amigo, tem um lugar ali na Praça XV que
você pode querer conhecer.
***
Hoje
em dia, ir ao cinema é um pé no saco. Aonde quer que você
vá, é preciso ter muita paciência. Os cinemas de shopping
já são o inferno por si só: cobram as pregas por um ingresso,
passam filmes nojentos de tão ruins e, ora, ficam dentro do shopping.
Além disso, são habitados, em sua maioria, por uma galera meio
maluca que não tá nem aí pro que tá assistindo
e, que de tão acostumados que estão a assistir novela em casa
com a vó velha do lado, não conseguem passar cinco minutos sem
fazer um comentário idiota, do tipo "Olha lá, ele vai matar
ela!" ou "Aaah, mas esse cara é VIADO?" e depois ainda
rir disso.
Os outros cinemas, os Estações da vida, podem até ser
mais confortáveis e espertos na programação de filmes
(apesar de estarem sempre entupidos com aquelas coisas chatas que ninguém
vê, mas todo mundo viu), mas também sofrem com a abominável
classe de chatos conhecida no boteco Bem Estar como "os chatos do Estação".
São aquelas pessoas que sentam lá no fundo da sala pra assistir
aquele filme francês de que tá todo mundo falando e, a cada frase
- em francês - que alguém diz na tela, dão aquela risadinha
discreta, porém audível, só pra todo mundo perceber o
quanto ele/ela entendeu aquilo que ninguém mais na sala entendeu. Daí
no meio do filme é aquela orquestra medonha de 'hssss' e 'hum' ou 'hehe'
- parece uma competição pra ver quem é o mais sagaz -
e você fica sem saber se o filme realmente tem todas essas tiradas geniais
e você é um idiota ou se o problema é com a garganta daquela
gente.
Mas nem tudo está perdido. Existe um lugar onde você pode assistir
filmes por um preço justo (R$ 3 a meia-entrada) e, se der sorte, sozinho.
É claro que os filmes nem sempre são tão bons assim,
e que, na maioria das vezes, tem mais umas 4 ou 5 pessoas na sala, mas elas
normalmente estão ali pelo mesmo motivo que você, e não
vão ficar enchendo teu saco por causa disso. Esse lugar, meu amigo,
é o Estação Paço, o menor cinema comercial da
cidade (tá, tem o Laura Alvim, mas são 3 salas; e Museu da República
e coisas do tipo não são comerciais, são beneficentes).
O Paço fica, ora, no Paço Imperial, aquela coisa quadradona
e branquela encravada no meio da Praça XV. É um lugar muito
interesante, e não só pelo cinema. Ali dentro tem ainda uma
livraria legalzinha, um ou dois cafés meio careiros mas bem confortáveis,
umas exposições boas pra matar o tempo, e um banheiro com chuveiro.
Além disso, o Paço Imperial fica numa parte sensacional do Rio,
perto da Rua do Ouvidor e da Travessa dos Artistas, o que significa que uma
sessão de cinema às 18 horas periga acabar só às
3 da manhã do dia seguinte. Ali se concentra uma série de bares
engraçados que reúnem gente engraçada e bêbada
e uma vez eu vi o Luiz Fernando Guimarães muito bêbado, sentado
num boteco, fingindo que era outra pessoa pra poder fugir de um bando enlouquecido
de mendigos que estavam perturbando a vida dele. Isso foi engraçado.
O Estação Paço é o último lugar onde um
filme é exibido comercialmente no Rio. Eles só passam lá
depois de muito tempo rodando a cidade, ou se ninguém assistiu em lugar
nenhum, ou se são ruins mesmo. É por isso que lá nunca
tem ninguém. A menina que trabalha na porta (não é portaria,
nem bilheteria, é porta mesmo) vende os bilhetes, os chicletes e a
pipoca, tudo na mesma bancada. Ela estuda arquitetura ou decoração
ou coisa que o valha e sempre que eu passo lá ela tá desenhando
umas cadeiras muito esquisitas. O cara que recolhe os ingressos é o
mesmo que trabalha na projeção e às vezes é ele
que limpa a sala no fim da sessão também, mas da vida dele eu
não sei nada. Ele é meio fechadão.
Reza a lenda que o Paço é um cinema tão pequeno que,
se você estiver indo pra lá e sentir que vai chegar atrasado,
é só dar uma ligada que eles seguram o filme pra você.
Isso provavelmente é mentira, mas expressa bem o clima que reina naquela
ponta morta do circuito cinematográfico carioca. Os filmes só
têm uma sessão diária, o que quer dizer que passam três
ou quatro filmes diferentes por dia. Você pode chegar às três
e sair às dez que vai ter sempre alguma coisa pra ver, mas aí
você já vai estar exagerando um bocado. Tem coisas melhores pra
se fazer na vida do que ir ao cinema.
Serviço:
Estação Paço
Onde: Praça XV, 48
Quanto: R$ 6 (R$ 3, a meia)
Quando: Todo dia. É cinema.
Como chegar: Pega qualquer ônibus que passe na Praça
XV, salta no Mergulhão, sobe a escadinha, depois pergunta pra alguém
"Onde é o Paço Imperial?". Se for uma pessoa educada,
vai te mostrar numa boa.
Dicas: Não importa o que ele te disser, o mendigo cabeludo
que fica na porta do Paço não é dono do cinema. Não
diga 'sim' quando ele disser que tem uma promoção pra você.