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Borges, o filme por Guilherme Freitas
Biografias
são sempre interessantes. Do mais degradado mendigo ao último
dos sábios budistas (talvez os primeiros mais do que os últimos),
todo mundo tem boas histórias pra contar. Quando o biografado em questão
é um artista, então, soma-se ao interesse natural pela sua vida
uma rara oportunidade de acompanhar a construção de sua obra,
seus métodos, as influências, o modo como fatos banais do seu
cotidiano vieram surgir, anos mais tarde, numa de suas músicas, peças,
romances, pinturas, ou seja lá o que for. É curioso poder observar
seus defeitos e fraquezas, comuns a todos, mas que normalmente não
se deixam ver através da barreira de respeito e distância que
se forma entre o artista e seu público. É claro que nem sempre
é agradável descobrir que seu escritor preferido era um idiota,
ou que o guitarrista da banda que você mais ouvia quando era garoto
chuta com as duas, mas, mesmo assim, informações sobre a personalidade
de um artista sempre ajudam a entender melhor sua obra.
Por isso, qualquer um que se interesse pelo trabalho do escritor argentino
José Luís Borges (1899-1986) tem agora uma boa chance de conhecer
melhor uma época obscura de sua vida. O filme Um Amor de Borges (Argentina,
2000), em cartaz em algumas poucas salas do Rio, mostra o escritor ainda desconhecido,
aos 46 anos de idade, quando alternava trabalhos menores de tradução
com um cargo burocrático na Biblioteca de Buenos Aires, morava com
a mãe viúva e ainda dava os primeiros passos importantes em
sua obra. Dirigido por Javier Torre, Um Amor de Borges é baseado no
livro Borges à Contraluz, onde a escritora Estela Canto descreve seu
curto envolvimento com o autor.
O filme aborda com sutileza aspectos controversos da personalidade de Borges, vivido na tela por Jean-Pierre Noher. O escritor, reconhecidamente um gênio da literatura universal, nunca se deu muito bem com as mulheres. Excessivamente tímido, obcecado por seus quebra-cabeças literários, e sufocado pela mãe opressora, Borges é obrigado a enfrentar suas próprias limitações quando se apaixona pela então tradutora Estela Canto, interpretada por Inês Sastre. Os dois eram opostos em quase tudo. Se Borges era conservador e recatado, Estela flertava com o comunismo e o feminismo, e bebia pelos dois. Ainda assim, se envolveram, mas a relação não evoluiu muito, estacando de vez quando Estela cansou de esperar que Borges tomasse uma atitude em relação ao sexo.
Paralelamente ao romance, o filme mostra Borges num ponto crucial de sua carreira literária. Ainda incerto quanto ao seu talento como ficcionista, o escritor é retratado no período em que está construindo um de seus mais elogiados textos, o conto O Aleph. Trata-se da história de um homem que encontra um ponto no espaço que concentra todos os outros, uma pequena esfera de 3 centímetros de diâmetro que resume em si toda a grandeza do Universo, de onde seria possível ver tudo que existe - o Aleph estaria, para o espaço, como a eternidade para o tempo, segundo o escritor. Um psicanalista ou um desocupado poderia encontrar uma bela relação no fato deste conto ter sido escrito por um homem que pensava ter encontrado a mulher de sua vida, mas não vai se perder tempo com isso aqui.
A
verdade é que Borges entregou os originais de O Aleph para Estela,
que os guardou consigo quase até o fim da vida, quando
precisou vendê-los a uma universidade inglesa por U$ 25 mil para poder
se sustentar. Ainda assim, os dois não retomaram o relacionamento.
Borges voltou, então, para sua mãe - de quem, na verdade, nunca
chegou a se afastar - e entregou-se aos seus cuidados no momento em que descobriu
que herdara do pai o glaucoma que tiraria progressivamente sua visão,
até deixá-lo completamente cego, já no fim da vida.
O
maior mérito de Um Amor de Borges é o modo como, partindo de
uma premissa que poderia facilmente tornar-se uma piada grosseira, humaniza
um escritor sempre tido como frio e impessoal. Apesar de tentar, Borges não
consegue se libertar da educação rígida e da mãe
dominadora, sofre tentando ir além de seus limites afetivos e sexuais
e, no fim, acaba conformado com o próprio fracasso. Mesmo curta, a
relação com Estela marcou Borges por toda a vida, e foi fundamental
na formação tanto do homem como do artista.