Eu sou normal, acredite
Sentem-se,  o show vai começar
Proteja-se: você pode ser o próximo
Mudando um pouco seu dia-a-dia
Tudo que você sempre quis ser, mas tinha vergonha
Se quiser, ponha açúcar
Got popcorn?
Let's swing, babe
Plante uma árvore, tenha filhos, escreva um livro
POW! CRASH! TUM! SNIKT!
O que você está olhando?
Porque o importante é vencer
 : )
You're hot - come on in
Veja tudo que você nunca quis ver
Saiba quem são os culpados por isso
Seja experto! Gaste pouco e ganhe muito
Sugestões? Comentários?
Perdeu algo de bom? Garanto que não

“You sexy (silent) thing: As estrelas do cinema mudo”
Parte 1: Theda Bara por Thais Selkie


Imagine-se, nos Estados Unidos, no início do século passado. Agora imagine a indústria cinematográfica dessa época. Bem, primeiro, lembre-se de que as mulheres andavam vestidas até o pescoço, e eram submissas aos seus pais e maridos. E imagine que você é um homem, freqüentador do cinema, pai de família e que sua cabeça está guiada pelo pensamento da atualidade (das primeiras décadas do século XX).

Enfim, devidamente ambientado, você, Mr. Orville (você tem que ter um nome, afinal), resolve ir ao cinema com sua senhora assistir ao novo filme que a Fox Studios está lançando, A Fool There Was (1915), baseado numa peça de grande sucesso da Broadway, que por sua vez foi baseada no poema The Vampire, de Rudyard Kipling. No filme há uma mocinha, no papel da vampira, eletrizantemente sensual. Woo-hoo. Cabelos negros, pele muito branca, maquiagem pesada, nome: Theda Bara.Eu sei que eu sou, bonita e fogosa...

Antes de ir ao cinema, você ouviu falar que Theda Bara havia nascido no Egito, ao pé de uma pirâmide e que possuía poderes para encantar os homens e deixá-los loucos por sua beleza. Descobriu, por alguma razão, que Theda Bara é um anagrama de “death arab” e aquilo te deixou extremamente curioso e já encantado pela jovem vampiresca.

O senhor caiu nessa, Mr. Orville? É claro que caiu. Mas é mentira, da Fox Studios, diretamente para você. E para todo mundo.

Theodosia Goodman era uma mocinha nascida em 29 de julho de 1885, em um subúrbio judeu de Cincinnati, Ohio, menina de família, rica e intelectual. O resto é lenda. Muito bem espalhada pela indústria cinematográfica, o que fez A Fool There Was ser um tremendo sucesso. As entrevistas coletivas eram cercadas de mistério e a atriz fazia questão de ir caracterizada, com sedas, uma piteira, muita maquiagem e um olhar friamente inexpressivo. Os encontros com a imprensa eram tão forçados que alguns relatos chegam a descrevê-los como patéticos. E rapazes como o fictício Mr. Orville, embora soubessem que toda a mística criada em torno da atriz não passava de uma jogada publicitária, ficavam cada vez mais fascinados com a nova classificação de mulheres que surgia: a devoradora de homens.
O olhar de uma estrela
O público feminino não só adorou o novo tipo criado nas telas como passou a adotar o comportamento da mulher independente, que saía de casa para trabalhar e não para casar, que tinha autonomia nos relacionamentos amorosos e que também se envolvia em casos, na maior parte do tempo, pouco duradouros. E o cinema haveria de continuar influenciando sua vida. Afinal, o legado de Theda seria mantido por Clara Bow; que escandalizaria a sociedade e com seu comportamento sexual inaceitável para a época; Greta Garbo, Joan Crawford (atrizes de filmes mudos), Mary Pickford, e Marlene Dietrich entre outras divas nas décadas seguintes.

É inegável que a sensualidade de Theda envolveu os homens e inspirou as mulheres daquela época. Ela levou para as telas do cinema mudo, Sex Appeal e erotismo, mesmo que de forma pouco explícita. E era totalmente diferente das personagens ingênuas e recatadas dos filmes feitos até então. A novidade encheu os bolsos da Fox Studios e promoveu o início de uma mudança no comportamento feminino que afetaria o mundo inteiro.
É. Marketing cinematográfico 1, Mr. Orville, 0.

Em tempo: Theda Bara fez mais de 40 filmes dos quais hoje só restam três e meio.