Eu sou normal, acredite
Sentem-se,  o show vai começar
Proteja-se: você pode ser o próximo
Mudando um pouco seu dia-a-dia
Tudo que você sempre quis ser, mas tinha vergonha
Se quiser, ponha açúcar
Got popcorn?
Let's swing, babe
Plante uma árvore, tenha filhos, escreva um livro
POW! CRASH! TUM! SNIKT!
O que você está olhando?
Porque o importante é vencer
 : )
You're hot - come on in
Veja tudo que você nunca quis ver
Saiba quem são os culpados por isso
Seja experto! Gaste pouco e ganhe muito
Sugestões? Comentários?
Perdeu algo de bom? Garanto que não

Desista de Jogar Pôquer em Três Lições
O Manual do Bom Perdedor por Rony Maltz


Lição número um: VOCÊ NÃO VAI GANHAR DINHEIRO

O Matt Damon é o único cara que eu conheço que joga pôquer por dinheiro. A choradinhaE isto porque ele joga muito bem. Você, acredite, joga muito mal. Por isso, colega, você vai jogar, no máximo, por prazer. Bem, eu... eu jogo por vício.
O fato é que, romantismos à parte, você não vai perder nem ganhar muito dinheiro jogando pôquer, pelo menos não no Brasil. É bem lógico: para perder muito dinheiro, você precisa ter muito dinheiro, e para ganhar muito dinheiro, você precisa apostar muito dinheiro; e vencer. E como eu já deixei bem claro, você não joga bem, além do que, provavelmente, não é muito rico também, caso contrário não estaria lendo nada disto: você já saberia muito bem que o jogo é o meio mais improvável de fazer fortuna.


Lição número dois: VOCÊ VAI FICAR VICIADO

Matt Damon sabia o que dizia. "Se depois de dez minutos na mesa de pôquer, você não souber quem é o pato, então, meu amigo, o pato é você." A verdade é que poucas vezes eu soube identificar o pato da mesa.
Você sabe por que o valor e o naipe das cartas ficam nas bordas? Bem, no início não era assim. Ficavam no meio, como seria o natural, se você parar pra pensar. Os símbolos letrados para o valete (J), dama (Q), rei (K) e às (A) foram deslocados, como os demais números e naipes, para os cantos das cartas por um simples motivo: satisfazer a mania dos jogadores de pôquer, no tempo em que o jogo ainda apenas começava a se popularizar na América, de "chorar" seus jogos. Isto nada mais significa do que abrir o leque bem devagar, revelando aos poucos o naipe e o valor da carta, para criar um certo suspense quanto às suas possibilidades naquela rodada. Ou seja, para aumentar a adrenalina que satisfaz o cérebro do jogador e ajudar a criar o vício.
Fazia eu uma pequena pesquisa sobre pôquer na internet, a fim de escrever esta matéria mesmo. Digitei então a palavra "pôquer" num destes procuradores e, como resposta, obtive o mesmo destaque em umas 30 das 40 páginas sugeridas: "Ganhe dinheiro 24 horas por dia! Receba um bônus de U$30 em fichas para começar". Bem, não me lembro ao certo a seqüência dos acontecimentos depois disso, mas hoje eu estou cadastrado em vinte e três sites de pôquer via internet. É claro que a pesquisa foi para o espaço.
Por essas e outras, rapaz, acredite: uma vez sentado numa mesa de pôquer, absolutamente tudo vai conspirar para que você fique totalmente dependente deste negócio. E uma vez viciado, pode ter certeza: você vai perder dinheiro. Eu que o diga. É por isso que a única forma de você ganhar dinheiro com esse jogo é não sabendo jogar. Sim, isto mesmo, não sabendo jogar. Nunca subestime a sorte de principiante, ela existe e vai fazer você ganhar dinheiro, pelo menos nas primeiras vezes em que você apostar. Não é lenda; novatos são incrivelmente inconseqüentes, ou seja, eles blefam naturalmente. Eles não têm noção do montante de apostas e nem da qualidade do próprio jogo, por isso apostam muito em qualquer porcaria e assustam qualquer jogador racional da disputa. Por isso é que aqui vai minha única dica a respeito de como se ganhar dinheiro numa mesa de pôquer, se é isto o que você estava esperando: seja um principiante.


Lição número três: MILAGRES NÃO EXISTEM

Deixe Deus fora disto meu amigo. Pode ter certeza: enquanto você está jogando, ele está, na melhor das hipóteses, fazendo vista grossa.
Sorte não tem nada a ver com pôquer, caso contrário ele não estaria classificado entre os jogos de azar. Dois ases nunca vêm juntos na mesma década (ou... Pelé sempre foi espada)Está tudo lá no seu livro de matemática de segundo grau: se você formar uma mesa com cinco pessoas, você vai perder dinheiro em quatro a cada cinco rodadas de jogo. Por isto o mínimo que você deve saber fazer para não perder todo o seu dinheiro é identificar, destas cinco, quais são as quatro mãos perdedoras e qual é a vencedora. E a sua única chance de faturar no final é minimizar as perdas das mãos ruins e tratar de ganhar muito na rodada em que a probabilidade trabalha a seu favor.
Porém, infelizmente, se você não é o Mel Gibson, é quase certo de que na sua vez de ganhar todos os seus adversários venham com os piores jogos que já caíram nas mãos de cada um. E isto porque, eu repito, o pôquer não tem nada de romântico, amigão. Em Maverick, enquanto o mocinho fechava um Royal Staight Flush, seus inimigos encaixavam simultaneamente um Full House alto, um Four figurado e um Straight Flush. Ou seja, todos apostaram tudo nos seus excelentes jogos, e o Mel, que além de ser uma raposa tinha a melhor mão, levou a bolada. O que eles não notaram, no entanto, é que todos esses jogos só podem aparecer juntos na mesma rodada em duas ocasiões: no pôquer da máfia e na tranca, onde joga-se com dois baralhos. O Mel Gibson provavelmente roubou.


Moral da história

Certa vez eu jogava pôquer num sábado a noite com mais três amigos, na minha própria casa, e perdia.
Cerca de vinte minutos antes da hora marcada para o término da partida, entretanto, eu surpreendentemente encaixei uma mão incontestável. Quatro valetes de primeira, o que me permitiria extorquir meus adversários desde a primeira rodada de apostas, além de ter em mãos um jogo por si só premiável.
Por isto que eu não acreditei quando, antes mesmo da troca das cartas, todos já apostavam alto sem nem mesmo eu ter puxado as negociações. Me retive a cobrir o bolo, com o cuidado de não assustar ninguém da mesa. Ocorreram então as trocas, e todos permaneciam dentro.
Segunda rodada de apostas, e eu não acreditava. Apostas elevadas eram cobertas e aumentadas, e ao fim delas o bolo estava enorme. Eu não só quitaria minha dívida como ainda lucraria uma bolada. Todos pagaram para ver meu jogo, portanto cabia a mim abrir o leque primeiro.
Eu então arremessei meu four violentamente contra o montante no centro da mesa, todo orgulhoso e triunfante. Acontece que, em vez dos tradicionais "filho-da-puta" e dos olhares pasmos os quais uma situação como aquela pedia, o que eu ouvi foi um acesso generalizado de gargalhadas, acompanhadas pela abertura consecutiva dos jogos dos demais: quadra de damas, quadra de reis, quadra de ases. A porra das mãos haviam sido armadas enquanto eu pegava não-sei-o-que para os putos na cozinha. Filhos da puta.

É claro que eu acabei perdendo (muito) naquela noite. Filhos da puta. Eu perdi de novo. E o próximo pode ser VOCÊ!