![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
![]() |
|||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
![]() |
|||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
![]() |
Desista de Jogar
Pôquer em Três Lições
O Manual do Bom Perdedor por Rony Maltz
Lição número um: VOCÊ NÃO VAI GANHAR
DINHEIRO
O Matt Damon
é o único cara que eu conheço que joga pôquer por
dinheiro. E
isto porque ele joga muito bem. Você, acredite, joga muito mal. Por
isso, colega, você vai jogar, no máximo, por prazer. Bem, eu...
eu jogo por vício.
O fato é que, romantismos à parte, você não vai
perder nem ganhar muito dinheiro jogando pôquer, pelo menos não
no Brasil. É bem lógico: para perder muito dinheiro, você
precisa ter muito dinheiro, e para ganhar muito dinheiro, você precisa
apostar muito dinheiro; e vencer. E como eu já deixei bem claro, você
não joga bem, além do que, provavelmente, não é
muito rico também, caso contrário não estaria lendo nada
disto: você já saberia muito bem que o jogo é o meio mais
improvável de fazer fortuna.
Lição número dois: VOCÊ VAI FICAR VICIADO
Matt Damon sabia
o que dizia. "Se depois de dez minutos na mesa de pôquer, você
não souber quem é o pato, então, meu amigo, o pato é
você." A verdade é que poucas vezes eu soube identificar
o pato da mesa.
Você sabe por que o valor e o naipe das cartas ficam nas bordas? Bem,
no início não era assim. Ficavam no meio, como seria o natural,
se você parar pra pensar. Os símbolos letrados para o valete
(J), dama (Q), rei (K) e às (A) foram deslocados, como os demais números
e naipes, para os cantos das cartas por um simples motivo: satisfazer a mania
dos jogadores de pôquer, no tempo em que o jogo ainda apenas começava
a se popularizar na América, de "chorar" seus jogos. Isto
nada mais significa do que abrir o leque bem devagar, revelando aos poucos
o naipe e o valor da carta, para criar um certo suspense quanto às
suas possibilidades naquela rodada. Ou seja, para aumentar a adrenalina que
satisfaz o cérebro do jogador e ajudar a criar o vício.
Fazia eu uma pequena pesquisa sobre pôquer na internet, a fim de escrever
esta matéria mesmo. Digitei então a palavra "pôquer"
num destes procuradores e, como resposta, obtive o mesmo destaque em umas
30 das 40 páginas sugeridas: "Ganhe dinheiro 24 horas por dia!
Receba um bônus de U$30 em fichas para começar". Bem, não
me lembro ao certo a seqüência dos acontecimentos depois disso,
mas hoje eu estou cadastrado em vinte e três sites de pôquer via
internet. É claro que a pesquisa foi para o espaço.
Por essas e outras, rapaz, acredite: uma vez sentado numa mesa de pôquer,
absolutamente tudo vai conspirar para que você fique totalmente dependente
deste negócio. E uma vez viciado, pode ter certeza: você vai
perder dinheiro. Eu que o diga. É por isso que a única forma
de você ganhar dinheiro com esse jogo é não sabendo jogar.
Sim, isto mesmo, não sabendo jogar. Nunca subestime a sorte de principiante,
ela existe e vai fazer você ganhar dinheiro, pelo menos nas primeiras
vezes em que você apostar. Não é lenda; novatos são
incrivelmente inconseqüentes, ou seja, eles blefam naturalmente. Eles
não têm noção do montante de apostas e nem da qualidade
do próprio jogo, por isso apostam muito em qualquer porcaria e assustam
qualquer jogador racional da disputa. Por isso é que aqui vai minha
única dica a respeito de como se ganhar dinheiro numa mesa de pôquer,
se é isto o que você estava esperando: seja um principiante.
Lição número três: MILAGRES NÃO EXISTEM
Deixe Deus fora disto meu amigo. Pode ter certeza: enquanto você está
jogando, ele está, na melhor das hipóteses, fazendo vista grossa.
Sorte não tem nada a ver com pôquer, caso contrário ele
não estaria classificado entre os jogos de azar. Está
tudo lá no seu livro de matemática de segundo grau: se você
formar uma mesa com cinco pessoas, você vai perder dinheiro em quatro
a cada cinco rodadas de jogo. Por isto o mínimo que você deve
saber fazer para não perder todo o seu dinheiro é identificar,
destas cinco, quais são as quatro mãos perdedoras e qual é
a vencedora. E a sua única chance de faturar no final é minimizar
as perdas das mãos ruins e tratar de ganhar muito na rodada em que
a probabilidade trabalha a seu favor.
Porém, infelizmente, se você não é o Mel Gibson,
é quase certo de que na sua vez de ganhar todos os seus adversários
venham com os piores jogos que já caíram nas mãos de
cada um. E isto porque, eu repito, o pôquer não tem nada de romântico,
amigão. Em Maverick, enquanto o mocinho fechava um Royal Staight Flush,
seus inimigos encaixavam simultaneamente um Full House alto, um Four figurado
e um Straight Flush. Ou seja, todos apostaram tudo nos seus excelentes jogos,
e o Mel, que além de ser uma raposa tinha a melhor mão, levou
a bolada. O que eles não notaram, no entanto, é que todos esses
jogos só podem aparecer juntos na mesma rodada em duas ocasiões:
no pôquer da máfia e na tranca, onde joga-se com dois baralhos.
O Mel Gibson provavelmente roubou.
Moral da história
Certa vez eu
jogava pôquer num sábado a noite com mais três amigos,
na minha própria casa, e perdia.
Cerca de vinte minutos antes da hora marcada para o término da partida,
entretanto, eu surpreendentemente encaixei uma mão incontestável.
Quatro valetes de primeira, o que me permitiria extorquir meus adversários
desde a primeira rodada de apostas, além de ter em mãos um jogo
por si só premiável.
Por isto que eu não acreditei quando, antes mesmo da troca das cartas,
todos já apostavam alto sem nem mesmo eu ter puxado as negociações.
Me retive a cobrir o bolo, com o cuidado de não assustar ninguém
da mesa. Ocorreram então as trocas, e todos permaneciam dentro.
Segunda rodada de apostas, e eu não acreditava. Apostas elevadas eram
cobertas e aumentadas, e ao fim delas o bolo estava enorme. Eu não
só quitaria minha dívida como ainda lucraria uma bolada. Todos
pagaram para ver meu jogo, portanto cabia a mim abrir o leque primeiro.
Eu então arremessei meu four violentamente contra o montante no centro
da mesa, todo orgulhoso e triunfante. Acontece que, em vez dos tradicionais
"filho-da-puta" e dos olhares pasmos os quais uma situação
como aquela pedia, o que eu ouvi foi um acesso generalizado de gargalhadas,
acompanhadas pela abertura consecutiva dos jogos dos demais: quadra de damas,
quadra de reis, quadra de ases. A porra das mãos haviam sido armadas
enquanto eu pegava não-sei-o-que para os putos na cozinha. Filhos da
puta.
É claro que eu acabei perdendo (muito) naquela noite. Filhos da puta.
Eu perdi de novo. E o próximo pode ser VOCÊ!