Eu sou normal, acredite
Sentem-se,  o show vai começar
Proteja-se: você pode ser o próximo
Mudando um pouco seu dia-a-dia
Tudo que você sempre quis ser, mas tinha vergonha
Se quiser, ponha açúcar
Got popcorn?
Let's swing, babe
Plante uma árvore, tenha filhos, escreva um livro
POW! CRASH! TUM! SNIKT!
O que você está olhando?
Porque o importante é vencer
 : )
You're hot - come on in
Veja tudo que você nunca quis ver
Saiba quem são os culpados por isso
Seja experto! Gaste pouco e ganhe muito
Sugestões? Comentários?
Perdeu algo de bom? Garanto que não

Teu Presente Te Condena - Especial Copa do Mundo
De Craques a Palpiteiros por Rony Maltz

Desde a camiseta oficial até o Murtosa, o pingüim de geladeira do Felipão, a seleção brasileira deste ano está feia que dói. Mas nem sempre foi assim. No tempo em que se convocava os melhores, e não aqueles que se pretende vender ao exterior, o povo brasileiro era tapeado com muito mais classe, e a cada quatro anos parava no tempo durante um mês para ver espetáculos que pelo menos valiam o ingresso. Sim, o futebol brasileiro está maltrapilho e decadente, e os craques de hoje já não são nenhuma brastemp, com seus joelhos bichados e/ou idades avantajadas. A causa desta (espera-se) entressafra, contudo, não é (somente) a corrupção, má administração e vista grossa por parte de cartolas, dirigentes de cê-pê-ís e políticos de cê-bê-éfes, como andam dizendo por aí. A verdadeira razão do provável fiasco do Brasil na Copa é o mau exemplo. E reparem no "provável" acima. Ele só foi usado porque a situação do resto do mundo também não é nada animadora. Porém não se enganem: o penta não vai trazer o bom senso de volta, mas um fracasso fenomenal pode ser um começo.
Concentremo-nos nos maus exemplos. Quem é referência no futebol brasileiro? Quem os jovens de hoje em dia admiram, quem os pseudocraques da atualidade aspiravam ser quando entraram para o mundo dos negócios, o chamado futebol? Certamente os principais nomes das escretes da campanha do tetra respondem a praticamente todas essas questões - notem que, para efeito de justiça e correção histórica, quem vos escreve deslocou o quarto título de 94 para 82, o ano da última copa com aceitável nível técnico. Prefiro delegar o título do penúltimo mundial ao Romário, com muita justiça. O problema é que, de lá para cá, no mínimo vinte anos se passaram, e a maioria dos que hoje vestem a amarelinha-fluorescente não viram seus ídolos jogarem futebol. Pior: devem tê-los visto comentar. Falcão: diplomacia
Exemplifiquemos de início uma categoria mais amena. Eles são justificáveis e podem ser irritantemente saudosistas. São os recalcados do futebol, vertente dos decadentes da bola incontestavelmente encabeçada por Gérson, o canhotinha de ouro. Não é de se admirar que gente que jogou na época do futebol-arte esteja desacreditada do esporte praticado hoje, mas comentaristas como o canhota realmente conseguem fazer se sentir mal qualquer um que não tenha nascido a tempo de contemplá-lo em campo. Resmungão, ranzinza, irônico e ferino até onde a vista alcança, o gênio do passado não disfarça em rádio e TV seu mais profundo desprezo por tudo o que diz respeito a futebol pós-1970. Caricaturado pela autoria de célebres expressões como "é brincadeira?", "tão ruim que não joga nem na minha pelada" e, mais recentemente, a sutilíssima "ô, Felipão, vai lamber sabão!", Gérson merece, entretanto, ter um atenuante levado em conta no tocante ao seu recalque: o ex-craque é tricolor roxo.
E por falar em tricolor, eis outro que perdeu boa chance de ficar calado. Rivellino até que resistiu por vários anos, mas com a Copa iminente e tanta gente decadente de prontidão a falar merda, o dono da 'patada atômica' finalmente cedeu e pôs-se a engrossar o coro. Gago, gordo, careca e mais bigodudo do que nunca, Riva exibe toda a sua eloqüência e objetividade quase que diariamente na Sportv. Você pode facilmente identificá-lo por sua gagueira, barriga protuberante, cabelos escassos e um tufo preso abaixo do nariz, além de por seus comentários ambíguos, vagos, vazios e confusos, e vice-versa. Entendeu?
Chegamos então à Rede Globo de televisão, a mãetrocinadora de todo ex-jogador que está sem emprego. E como o Casão nunca foi jogador de futebol, é claro que falaremos do Falcão. Mas coitado, o Falcão é realista, educado, fala bem e além de tudo é praticamente heterossexual, apesar de gaúcho. Qual é o problema com ele? E é exatamente por isso tudo que o ex-meio-campista deve ser encaixado na categoria dos diplomatas. Cavalheiro demais para falar mal de qualquer ser vivo, o boa gente costuma ser, por motivos óbvios, o comentarista predileto de qualquer técnico de futebol. Retranqueiro, praticamente um narrador, Falcão sabe transmitir como poucos a atual situação de uma partida, sempre exaltando os pontos positivos do menos pior em campo. Talvez por isto mesmo tenha ao seu lado o Corinthiano mais parcial que já teve a palavra em TV aberta, o precursor do futebol de resultado, homem rude e artilheiro de ocasião, Casa Grande, o seu oposto. Mas já avisei que não vou entrar nesse mérito.A canhotinha de ouro
Muitos aprenderam bem e fizeram escola da arte de comentar pessimamente o futebol. Diversos nomes mereceriam ser citados e outros ter maior destaque. Porém todos, sem exceção, estão, se não diretamente influenciados, pelo menos sob a autoridade de uma unanimidade. Um bufão. O rei. O que Pelé mostrou em campo jogando bola, fez o oposto por de trás dos microfones, provando que nem sempre quem sabe das coisas dentro das quatro linhas entende muito do esporte visto de fora. Édson Arantes do Nascimento, nome pelo qual responde o idiota por trás do mito, não acompanhou a evolução do futebol, e suas previsões são ultrapassadas e duvidosas como "Cuidado com a Hungria...", e "O Uruguai sempre chega", jargões que já perderam a validade há no mínimo cinqüenta anos. Brasileiro roxo e afro-ufanista orgulhoso, Édson é o segundo comentarista de futebol mais parcial da história da modalidade, depois de seu amigo e colega Galvão Bueno. À frente de seu tempo, o rei prevê uma seleção africana como campeã mundial até o final do século desde pós-Copa da França, a última Copa do século. E a previsão continua, dando à lenda mais cem anos de crédito. Fato é que, para esta Copa da Coréia e Japão, nem a TV Globo se arriscou com Édson nas cabines. A intenção é mesmo conservar Pelé, já de bom tamanho, com os títulos de melhor jogador e pior comentarista apenas do século passado.
Percebe-se, enfim, que não é por falta de exemplos que o nível técnico do futebol não está ainda mais baixo. É claro que, em se falando de seleção brasileira, não chega a ser difícil reunir uns vinte e dois que batam qualquer outros vinte e dois mundo a fora, até por uma questão de probabilidades, já que somos muito mais populosos do que a grande maioria dos que vamos enfrentar nesta Copa. Certo; pessimismo à parte, somos muito mais ensaboados também. Porém é bom não ficar dependendo para sempre da falta de habilidade dos adversários; nossos ex-craques estão dando duro, e periga de, em pouco tempo, eles acabarem mesmo convencendo todos os jogadores de hoje que futebol se joga (se joga?) do jeito que eles comentam.