Eu sou normal, acredite
Sentem-se,  o show vai começar
Proteja-se: você pode ser o próximo
Mudando um pouco seu dia-a-dia
Tudo que você sempre quis ser, mas tinha vergonha
Se quiser, ponha açúcar
Got popcorn?
Let's swing, babe
Plante uma árvore, tenha filhos, escreva um livro
POW! CRASH! TUM! SNIKT!
O que você está olhando?
Porque o importante é vencer
 : )
You're hot - come on in
Veja tudo que você nunca quis ver
Saiba quem são os culpados por isso
Seja experto! Gaste pouco e ganhe muito
Sugestões? Comentários?
Perdeu algo de bom? Garanto que não

Blogs : Agora é permitido abrir diários por Vivian Rangel

Desde a difusão da internet como ferramenta cotidiana e indispensável, que o maior volume de tráfego na rede é feito para contato social. Primeiramente emails, que reinam soberanos até hoje, sendo um meio de comunicação rápido e barato. Depois deles algumas modas passageiras, como os pesados chats e seus fundos coloridos, ícones expressivos e uma lentidão sacal. Sites especializados para baixar músicas. Ouvir rádio pela rede. Ver animações. E quem não se lembra daquelas horríveis páginas pessoais, com foto e um quadrado repleto de dados como altura e chocolate preferido? Agora a tendência do momento na rede, a coca-cola da net, são os Blogs.
Em definição, um blog nada mais é do que uma ferramenta, um site na internet onde é possível construir uma espécie de diário virtual. O blog é um FTP (File Transfer Process) que permite a atualização rápida de páginas na rede. O processo é simples: Você escolhe um blog (entre os mais usados estão o Blogger e o webblog) e se cadastra. Com esse cadastro, você dispõe de espaço, um modelo de fundo e letra básico, modificável, e um endereço para o seu blog. O processo parece simples, mas fica a pergunta principal, pra que se ter um blog?
Algumas pessoas argumentam que os blogs são como diários, onde se pode desabafar e simplesmente escrever o que vier a mente, numa espécie de diarréia mental. Outras possuem blogs altamente subjetivos e impessoais, que usam para opinar sobre as últimas notícias, fazer piadas, se comunicar com amigos, fazer autopromoção, provar ser uma reencarnação de Drummond, ou tudo isso junto.
Embora eles se assemelhem a diários, é preciso deixar claro que essa semelhança é apenas superficial. Um blog não é feito para ser guardado em gavetas, ele é uma forma de agregação social, é feito para ser visto, mesmo que seja construído na ilusão de que vai ser visto apenas por amigos. Na receita de qualquer blog estão incluídas pitadas de narcisismo e auto-afirmação. Possuir um blog é controlar um pólo de emissão, com liberdade total para ousar, pelo menos teoricamente. É impor-se uma auto vigilância consentida.
Por tudo isso, o blog é feito por ambigüidades : de um lado a vontade de falar de si, de seus sentimentos profundos, de seus pequenos problemas, de seus desejos mais sórdidos. De outro, a preocupação em não ser tão explícito, não confundir os receptores, não revelar certos aspectos de sua vida e personalidade. Em tempos de Big Brother, o comum vira atração, todo mundo quer seus 5 minutos de fama, expor sua visão de mundo. As pessoas querem ser aceitas, mas sem jamais deixarem de serem únicas e especiais. Ter um blog pode até ser necessidade pessoal, mas é preciso saber que alguém o lê.
Mas essa escrita desenfreada, essa avidez por ser ouvido, envolve responsabilidades ideológicas. Não é conveniente escrever sobre qualquer coisa ou sobre qualquer assunto, num diário público. Alguns blogs tentam ser tão desesperadamente subversivos que não passam de textos superficiais, recheados de palavrões e frases de pseudo-efeito, que já não chocam ninguém. Outros blogs são despretensiosos e de uma profundidade surpreendente. Em qualquer estilo, ter um blog significa “pôr o seu na reta”, de maneira mais ou menos direta, expor sua visão de mundo. Com os blogs, muitas pessoas adquiriram o hábito de escrever freqüentemente, de analisar os fatos. Também ficou mais fácil ver se um amigo está bem, ler especificamente textos sobre cinema, jogos, humor ou internet, com os blogs especializados.
Mas obviamente, junto à ascensão dos blogs, as críticas multiplicam-se. As pessoas temem e se surpreendem com as barreiras de privacidade cada vez menores. De repente, ler num blog banalidades da vida de outras pessoas transforma o papel de nossa própria vida, consola até. Alguns falam que com os blogs, nos afastamos dos amigos, deixamos de sair de casa, mas essas críticas nasceram desde a invenção do telefone. O que é evidente nos blogs é que eles são apenas mais uma forma de se fazer ouvir, mas acima disso de lutar contra a solidão.
Se essa forma é apenas mais um modismo, uma ferramenta que vai ser abandonada aos poucos, assim como foram os sites pessoais, não se sabe. Por enquanto, o melhor a fazer é se emocionar, se divertir, queimar os neurônios para produzir boas frases, descarregar toda a raiva no teclado, tentar não se sentir tão sozinho, lendo ou produzindo blogs. E quem quer ficar de fora, apenas criticando a superficialidade dos blogs, deveria dar uma navegada por alguns blogs. Em meio a tantas catarses sem sentido, muitos grandes escritores estão despontando, sem se darem conta. Além disso, é humanamente impossível, não torcer, não se identificar e não se divertir com alguns dos episódios hilários narrados nos blogs.