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Teu presente te condena por Guilherme Freitas
Algumas pessoas não têm vergonha na cara. Não pensam duas vezes antes de jogar fora todo um passado digno em troca de um pouco do glamour barato da vida de estrela. Quantas vezes você já não se decepcionou com os rumos tomados por aquele cantor/banda/ator-de-pornochanchada que você tanto admirava? Quantas vezes você não teve que comprar escondido um disco antigo só porque o seu intérprete hoje vive em pecado? Quantas vezes você não saiu indignado do cinema, se perguntando "como foi que ele teve coragem de fazer isso"? Mas, mesmo que sejam hoje um bando asqueroso de decrépitos, não se deve deixar de louvar o passado desses artistas. É em homenagem a esses sujeitos, os verdadeiros traidores da causa, que o DRM.news tem o prazer de apresentar, a partir desta edição, a série de reportagens Teu Presente Te Condena.
***
ESTRELA DE HOJE: ROD STEWART
Rod, quando era Mod
Houve um tempo
em que Rod era o tal. Garanhão-mor do rock'n'roll na primeira metade
da década de 70, Rod Stewart nem de longe lembrava esse desprezível
senhor que hoje anda por aí, enfiado em camisas de cetim, regravando
sucessos alheios em busca de uns trocados para manter sua dependência
do estrelato. No começo da carreira, Rod era apenas um intérprete
promissor, com uma voz poderosa como um rugido e um extremo bom gosto na escolha
de seu repertório, além de um punhado de belas composições
próprias guardadas no baú. Rod era The Mod, principal expoente
de um turma de roqueiros arrumadinhos que incluía gente do calibre
de Pete Townshend e Paul Weller. É triste ver o que o tempo fez com
ele, mas, revirando o passado de Rod, podemos encontrar alguns motivos para
não deixá-lo afundar sem dó no lamaçal do ostracismo.
Lá pelos idos da década de 60, depois de abandonar uma pouco promissora carreira de coveiro nos subúrbios de Londres, o jovem Rod Stewart podia ser visto cantando em pubs da cidade, acompanhado por bandas de R&B como os Steampackets ou o Shotgun Express. Sua carreira começou a tomar rumo quando Jeff Beck, então recém-saído dos Yardbirds, convidou-o para cantar em seu Jeff Beck Group, formado em 1968. Com ele, Stewart gravou dois discos (sendo o primeiro - Truth - ainda hoje um clássico) e chegou a fazer uma vitoriosa turnê com o grupo pelos EUA, mas, pouco tempo depois, levando consigo o guitarrista Ron Wood, largou Jeff Beck para juntar-se à banda Small Faces.
Ao lado dos membros-fundadores Ian McLagan, Ronnie Lane e Kenney Jones, Stewart e Wood levaram o Faces (agora já sem o "Small" no nome) ao topo das paradas britânicas, rivalizando com os Rolling Stones pela supremacia no bom e velho rock'n'roll. Servindo como frontman para os Faces, Rod foi decisivo na ascensão da banda, que em 4 anos lançou 4 bons discos: First Step (1970); Long Player (1971); A nod is as good as a blink... to a blind horse (1971) - considerado o melhor da banda; e Ooh La La (1973), cuja canção-título, interpretada por Ron Wood, é, sem duvida, uma das coisas mais felizes e contagiantes que o rock'n'roll já produziu.
Ao mesmo tempo, numa sensacional demonstração de fôlego criativo, Rod se dedicava paralelamente à sua carreira solo, lançando, exatamente no mesmo período, outros 4 excelentes discos: The Rod Stewart Album (1969), que na Inglaterra ganhou o nome de An Old Raincoat Won't Ever Let You Down; Gasoline Alley (1970); Every Picture Tells a Story (1971); e Never a Dull Moment (1972). Com isso, percebe-se que, seja como artista principal ou como frontman, Stewart contribuiu diretamente em 8 álbuns lançados num período de aproximadamente 4 anos - um feito notável pela quantidade e, principalmente, pela qualidade dos trabalhos.
Foi na carreira solo que Rod atingiu seus maiores feitos. Muito antes do surgimento do formato unplugged (e de sua posterior deturpação), ele já lançava as bases deste estilo em seus primeiros discos, misturando bandolins, violões e pianos com uma atitude rock'n'roll que criou uma persona musical inconfundível. Influenciado pelo soul de gente como Sam Cooke e pelo folk americano, mas sempre com um pé firme no rock, Rod criou clássicos onde destilava toda sua vivência de inglês boêmio e galanteador, sempre meio enrolado com as mulheres. Canções próprias como Maggie May, True Blue e Gasoline Alley, e releituras definitivas de Bob Dylan (Only a Hobo), Elton John (Country Comforts) e Jimi Hendrix (Angel), entre outras, permanecem ainda hoje brilhantes documentos do ápice da carreira de Rod.
Com o fim do
Faces e a ascensão de seus membros para o alto escalão do rock
(Ron Wood assumiu a guitarra dos Stones, e Kenney Jones, anos mais tarde,
substituiria Keith Moon na bateria do The Who), Stewart viu-se livre para
se dedicar exclusivamente à carreira solo. Mas alguma coisa deu errado.
A partir do lançamento do disco Atlantic Crossing (1975), Rod deixou
pra trás suas raízes roqueiras - e com elas, todo o charme de
seu estilo garotão-farrista-de-cabelo-esquisitão - e assumiu
de vez o manto de Deus Dourado do Rock (cargo, aliás, muito disputado
nos anos 70). A travessia do Atlântico - este disco foi gravado nos
EUA, pra onde Stewart se mudou nessa época - parece não ter
feito muito bem ao bom senso de Rod. Deu-se início uma época
de turnês gigantescas, onde Stewart, sempre acompanhado de um indefectível
conjunto de constrangedoras vestimentas de cetim e seda, se divertia chutando
bolas de futebol na platéia e fazendo amor com seu microfone, não
como Johnny Rotten faria, mas como Roberto Carlos faz - com sentimento.
Olhando pra trás, é possível notar, desde o começo, uma certa tendência ao exagero e ao culto à própria personalidade presentes no jovem Rod. Mas nada que não fosse aceitável, e divertido até. Agora, a partir do momento em que o sujeito passa a gravar canções com títulos maliciosos como Da Ya Think I'm Sexy?, Camouflage ou ainda Hot Legs (uma ode às próprias coxas), não dá mais pra respeitar essa pessoa. A coisa chegou a um ponto em que, no fim da década de 70, Rod Stewart estava fazendo música dance, assim, de cara limpa, chegando a se tornar um dos artistas mais execrados pelo movimento Disco Sucks, que varreu a ameaça lantejoulada da América no começo dos anos 80.
É claro que isso não significou perda de público, muito pelo contrário. Suas audiências e vendas só faziam crescer, e eu quero crer que foi isso - e um substancial aumento na quantidade de gatinhas querendo uma trepada depois do show - que tiraram o velho Rod do rumo. Nessa época, ele foi um dos alvos preferidos da imprensa papparazzi de Los Angeles, principalmente devido à luxúria ostensiva de sua vida pessoal e a uma impressionante seqüência de namoradas/esposas louras enfileiradas pelo garanhão. Ultimamente, porém, Stewart parece disposto a voltar atrás. Em 1993, chamou o velho parceiro Ron Wood para gravar um Unplugged cheio de músicas dos primeiros discos solo e, em 1998, lançou um disco de covers de roqueiros contemporâneos, como Oasis, Primal Scream e Elvis Costello (o disco incluía até uma versão de Ooh La La, o clássico do Faces).
Tudo isso pode ser só papo furado ou, quem sabe, uma sincera demonstração de decência de um velho arrependido. De qualquer forma, o estrago já está feito. Hoje, não se pode comprar um disco de Rod Stewart impunemente. As pessoas te olham com aquela cara, você sabe. Dia desses estava eu escutando um de seus primeiros discos em uma loja no Centro, enquanto, no aparelho a meu lado, um desses metaleiros progressivos delirava ao som de um álbum do Marillion. Enquanto tomava fôlego pra mais uma seção de air banding, o tal metaleiro percebeu o nome escrito na capa do disco que estava na minha mão. Não deu outra. Logo percebi que seu olhar percorria minha pessoa de alto a baixo, em busca de sinais latentes de homossexualidade ou defeitos mentais. Satisfeito com o resultado da pesquisa, o headbanger logo voltou a se concentrar em sua dança tribal dos infernos. Indignado com a ofensa, não me restou outra alternativa senão tirar o fone do som, aumentar ao máximo o volume e permitir que toda a loja ouvisse - e se rendesse - ao som animal que só Rod, quando era Mod, sabia fazer.