GLOSSÁRIO PARA LEITURA DE JUNG



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LINKS GERAIS:

Fontes do Glossário

(1) O Homem e seus Símbolos

(2) Ética. Adolpho Sanchez Vasquez. edição 14. Civilização Brasileira, 1969. Tradução de João Dell’ An-na. 1993. Rio de Janeiro.

(3) Em Busca de Jung. Indagações Históricas e Filosóficas. J. J. Clarke. London. 1992. Tradução de Ruy Jungmann. Ediouro. Rio de Janeiro, 1993

(4) Dicionário Médico. Blakinston. Segunda edição. Organização Andrei Editora Ltda. S. Paulo, 1987

(5) IX/2 Aion Estudos Sobre o Simbolismo do Si-mesmo.

(6) Novo Dicionário Aurélio. Primeira edição (15a impressão)

(7) VII/2 O Eu e o Inconsciente.

(8) História da Filosofia. Umberto Padovani e Luis Castagnola.

(9) Jung. Elie G. Humbert

(10) XI/1 Psicologia e Religião.

(11) Atlas de História Universal.

(12) VIII/3 Sincronicidade.

(13) VIII/1 A Energia Psíquica.

(14) Psiquiatria. A. Nobre de Melo.

(15) Dicionário Melhoramentos.

(16) VIII/2 A Natureza da Psique.

(17) Bleuler, Psiquiatria

(18) O Culto de Jung. Richard Noll

(19) Bases da Personalidade em Freud, Reich e Jung. Reis, Magalhães e Gonçalves.

(20) O Segredo da Flor de Ouro. C. G. Jung e R. Wilhelm. Vozes, Petrópolis, 1992

(21) Paracelso. César Pernetta. Gráfica e Editora Ltda., Curitiba, 1992

(22) O Desenvolvimento da Personalidade, Editora Vozes, Petrópolis, 1998

(23) O Desenvolvimento Adulto de C. G. Jung, John-Raphael Staude, Editora Cultrix, S. Paulo, 1981

ABSTRAIR: considerar isoladamente um ou mais elementos de um todo. Separar, apartar. Separar mentalmente para tomar em consideração (uma propriedade que não pode ter existência fora do todo concreto ou intuitivo que aparece): abstrair a cor ou a forma de um objeto. (6)

AGNOSTICISMO: posição metodológica pela qual só se aceita como objetivamente verdadeira uma posição que tenha evidência lógica satisfatória. Atitude que considera fútil a metafísica.

ALQUIMIA ( Do egípsio Al Khemia = transmutação): a prática conhecida, mais antiga, da alquimia retroage à China do século XVIII a. C. onde foi basicamente um fenômeno médico, ligado ao que ora conhecemos como tradição taoista de filosofia da natureza e preocupada com a busca do elixir da longa vida e curas de vários tipos. Salientava a idéia de autotransformação e de dar origem a um novo homem dentro de si mesmo e baseava-se no princípio energético da interação dinâmica das forças opostas de YIN e YANG. Penetrou na India e depois no mundo helênico por volta do século III a. C., foi preservada pelos árabes e reentrou na cultura ocidental no século XII d. C. Alcançou o florescimento máximo no Ocidente durante o período da Renascença, conseguindo ampla adesão entre os mais cultos e era ainda praticada pelos primeiros cientistas modernos, como Newton. Para todos os fins, pereceu no século XVIII, uma vez que, segundo Jung, “seus métodos de explicação - o obscuro através do mais obscuro, o desconhecido através do mais desconhecido - eram incompatíveis com o espírito do Iluminismo e, em particular, com a nascente ciência da química em fins do século(3) 122.

ANTINOMIA: contradição entre duas leis ou princípios. Conflito entre duas afirmações demonstradas ou refutadas aparentemente com igual rigor (6).

APOCATASTASIS: é a reconstituição de um estado de totalidade primitivo (expresso pelos alquimistas por meio do símbolo do uroboros. (5)247. Restabelecimento de um estado original. (5)38.

ARQUÉTIPOS: são manifestações dos instintos por meio de fantasias e que reve-lam sua presença através de imagens simbólicas (1)69
Parece que as estruturas arquetípicas não são apenas formas estáticas, mas fatores dinâmicos que se manifestam por meio de impulsos, tão espontâneos quanto os instintos (1)76.
Jung veio a considerar o arquétipo não apenas como uma entidade espiritual, mas como uma função psíquica com raízes em instintos biológicos (3)173.
Os arquétipos são dotados de iniciativa própria e também de uma energia específica que lhes é peculiar. Podem, graças a esses poderes, fornecer interpretações significativas (no seu sentido simbólico) e interferir em determinadas situações com seus próprios impulsos e suas próprias formações de pensamento (1)79.
Os arquétipos criam mitos, religiões e filosofias que influenciam e caracterizam nações e épocas inteiras. Só podemos falar de arquétipos quando são constituídos simultaneamente de imagem e emoção (1)96.
O arquétipo não limita necessariamente o comportamento, mas proporciona um arcabouço dentro do qual tornam-se possíveis certos tipos de expressão psíquica. Trata-se, para usar o termo de Ernest Mayr, de um programa aberto geneticamente adquirido, mas que, ainda assim, permite grande variedade de comportamentos, dependendo de circunstâncias ambientais (3)173.
Há uma referência no (11)82 que fala em favor de arquétipo: “Nesse sentido, a América pode ser considerada pelos arqueólogos, que estudam o Velho Continente, como prova de laboratório que demonstraria que, em condições parecidas, dois grupos humanos desenvolveram as mesmas técnicas sociais, práticas econômicas, técnicas artesanais, mesmo encontrando-se completamente isolados um do outro. É como se os primeiros seres humanos, que se espalharam pelo mundo, tivessem no seu interior um protótipo de civilização que apenas esperava o clima favorável advindo depois da Idade do Gelo, e o especial potencial dos vales dos grandes rios do Velho Mundo, ou as terras altas e baixas do México e do Peru, para materializar-se.

APOLOGISTAS: os escritores cristãos dos fins do século II d. C. que procuraram, de um lado, demonstrar a inocência dos cristãos para obter em favor deles a tolerância das autoridades públicas, e provar, de outro lado, o valor da religião cristã para lhe granjear discípulos (8)202.

ASCESE: exercício espiritual. Exercício prático que leva à efetiva realização da virtude, à plenitude da vida moral (6).

ASCETA: pessoa que se consagra à ascese (6).

ASCETISMO: prática de ascese. Doutrina que considera a ascese como essencial da vida. Moral que desvaloriza os aspectos corpóreos e sensíveis do homem (sinônimo: asceticismo) (6)

ATARAXIA: 1. estado em que a alma, pelo equilíbrio e moderação na escolha dos prazeres sensíveis e espirituais, atinge o ideal supremo da felicidade: a imperturbabilidade. 2. tranqüilidade, serenidade (6).

AXIOLOGIA: estudo ou teoria de alguma espécie de valor, particularmente dos valores morais. Teoria crítica dos conceitos de valor (6)

. CABALA: (kaballa) doutrina esotérica hebraica, recebida mediante revelação, que permaneceu muitos séculos inédita, transmitida oralmente pelos iniciados. Ocupa-se em decifrar o sentido secreto da Bíblia e a significação simbólica dos números e das letras. (20)16

CATECÚMENOS: os que se preparam para o batismo (8)203.

CIBERNÉTICA: ver psique.

CIRCULO: para não poucos de nossos doutos antepassados, o círculo ou a esfera continham o número quatro e significavam uma alegoria da divindade (10)60/93 ver quaternidade.

CISMA: 1. separação do corpo e da comunhão de uma religião. 2. dissidência de opiniões (6).

COMPLEMENTARIDADE: (Definição de A. Meier). O objeto a ser pesquisado e o homem com seus órgãos dos sentidos e de conhecimentos e suas aplicações (os instrumentos e processos de medição) se acham indissoluvelmente ligados entre si.
(Definição de Pauli). O experimentador (ou observador) é livre de escolher... que tipo de conhecimento ele adquirirá e que tipo perderá, ou, para dizermos em linguagem popular: é livre de decidir se medirá A e arruinará B, ou vice versa. Mas não lhe cabe decidir se adquirirá exclusivamente conhecimentos, sem também perder outros. (16)168,169

COMPLEXO: Jung interpretava complexo como uma rede de significados de disposições mentais, pensamentos e sentimentos que ocupavam um lugar identificável e relativamente isolado na psique como um todo. A psique, até mesmo de indivíduos normais, possui elementos que se comportam com relativo grau de autonomia, embora, em certas circunstâncias, o complexo possa assumir importância patológica na medida em que passa a operar à revelia da autoridade controladora do ego e, por isso, a constituir uma ameaça à unidade psíquica (3)26.
Assim, um complexo é como uma pequena narrativa, relativamente completa, mas também, parte de uma história mais ampla, na qual os eventos precisam ser compreendidos em termos de seus significados e não de quaisquer relações físicas. Por isso mesmo, “a psique... é uma série de imagens no verdadeiro sentido, não apenas justaposição ou seqüência ocasionais, mas uma estrutura que está, do princípio ao fim, cheia de significado e finalidade” (3)188.
São agrupamentos de elementos psíquicos em torno de conteúdos afetivamente acentuados, constituídos de uma elemento central e de um grande número de associações secundariamente consteladas. O núcleo central consta, por sua vez, de duas componentes, a saber: 1. de um fator determinado pela experiência, isto é, por um acontecimento vivido e ligado causalmente àquilo que o cerca, e 2. de um fator determinado pelas disposições internas e imanente ao caráter do próprio indivíduo (13)9/18.
Os complexos são também considerados por Jung como personalidades fragmentárias, sendo cada um deles um tecido de idéias e imagens conservadas juntas, primeiro por um saturante “tom de sentimento” e segundo por relações de significado e significância. Portanto, um complexo paternal é uma teia de sentimentos, pensamentos, imagens correlatas, etc. , centralizados em torno da idéia nuclear do pai e tendo uma certa vida em parte independente do resto da personalidade (3)187.
É um grupo de representações com carga emocional, com um elemento nuclear, portanto de significado, e independente da vontade consciente. Uma série de associações proveniente, seja de disposições inatas, seja de aquisições individuais condicionadas pelo meio, está ligada a este núcleo. A estrutura dos complexos organiza-se segundo esquemas arquetípicos e a tomada de consciência diminui seus efeitos repetitivos ou destrutivos, em benefício de uma ação construtiva (9)14.

CRIPTOMINÉSIA: “recordação escondida”. Quando alguém expõe uma idéia que parece ser sua, porém já estava gravada em sua mente há muito tempo, tendo sido captada subliminarmente (sem ser notada pela consciência) (1)37.

CTÔNICO: qualificativo dos deuses que residem nas cavidades da terra. Ou, conceito ao culto desses deuses. Que diz respeito ao globo terrestre (15).

DAIMON: guia espiritual (23)49

DEISMO:
admite-se, mais ou menos, o Deus da tradição, mas sem sobrenatural, sem milagres, sem revelação e mistérios. Admite-se ainda uma religião, mas natural, racio-nal, universal (8)338.

DEMIURGO: o ser perfeito (10)59/92.
Da leitura dos tratados latinos se depreende também que o Demiurgo latente, o adormecido e oculto, no seio da matéria, é idêntico ao chamado “homo philosophicus” : o segundo Adão. Esse último é o homem espiritual, superior, o Adão Cadmo, muitas vezes identificado com Cristo. Enquanto o primeiro Adão era mortal, por ser composto dos quatro elementos perecíveis, o segundo é imortal, por ser composto de uma essência pura e imperecível (10)60/94.

DIALÉTICA: é um termo associado a Heguel, que o usou como instrumento muito rígido a fim de demonstrar a estrutura lógica do desenvolvimento da consciência e do espírito. Utilizo-o para me referir a alguém que reconhece a fragmentação de qualquer ponto de vista e a parcialidade de todo pensador - incluindo-o. Pode também referir-se, em seu significado fundamental, a um diálogo entre duas pessoas, no qual a posição de uma é sucessivamente modificada pelas respostas da outra. O pensamento de Jung era dialético no sentido de ele mesmo considerá-lo radicalmente temporário, sempre aberto a interpretação, refinamento e ampliação ulteriores (3)36.

DIATHESIS: estado (5)44.

DIONISÍACO: denominação de Nietzsche que corresponde à sombra de Jung (3)103

DISSOCIAÇÃO DA CONSCIÊNCIA: quando a consciência sofre uma fragmentação (1)25.

DUALISMO: a noção outrora corretamente admitida era, por certo, a de que o ser humano se constituía de duas partes distintas - corpo e alma, correspondentes, respectivamente, a duas ordens de experiências: a externa, que se operava no espaço e se referia ao mundo físico; e a interna, que transcorria no tempo e se relacionava ao mundo psíquico. Dentro dessa concepção geral, dita dualista, fundamento ontológico das chamadas Religiões Universais (Cristianismo, Budismo, Islamismo), definiram-se então duas posições particulares, algo discordantes: o paralelismo e o interacionismo. a) Dualismo Paralelista - alma e corpo representariam aqui duas espécies de substâncias totalmente distintas, autônomas, independentes e ininfluenciáveis. b) Dualismo Interacionista - em oposição ao anterior, procura atenuar a antinomia matéria-espírito, admitindo a possibilidade de ação recíproca e de influência mútua entre as duas instâncias, componentes do ser humano. Já o Monismo é contra a concepção dualista, sustenta, ao contrário, a indivisibilidade psico-física do homem, e para a qual - corpo e alma, extensão do pensamento, matéria e energia não seriam mais atributos essenciais, permanentes e indissolúveis, de uma única, eterna e universal substância. (14)13 (Ver monismo).

EMPIRICO: experiência da vida. (8)

ENERGIA: o conceito de energia é uma abstração que expressa uma relação. (13)5 rodapé.
O desenrolar do processo energético possui uma direção (um objetivo) definida., obedecendo invariavelmente (irreversivelmente) a diferença de potencial. A idéia de energia não é a de uma substância que se movimenta no espaço, mas um conceito abstraído das relações de movimento. (13)3/3
Ë importante diferenciar energia psíquica e força psíquica. Para Lipps a força psíquica é a possibilidade de que na alma surjam processos que alcancem um determinado grau de eficácia. A energia psíquica, ao invés, é a possibilidade, inclusa nos próprios processos, de que esta força passe a atuar. Forças psíquicas são: tendências, desvios, o querer, a atuação, a produção de trabalho, etc.. As forças são conceitos que expressam qualidades que se tornam eficazes mediante a energia. (13)14/26
Propus que o conceito de energia, por nós utilizado em Psicologia Analítica fosse designado pelo termo libido. (13)28/54

ENGRAMA: é o traço duradouro, que fica retido, de tudo que é vivenciado psiquicamente. (17)38

ENTROPIA (princípio de): a entropia é a transformação da energia decorrente da busca do nivelamento, quando há diferenças de intensidade presentes no interior de um sistema fechado. A psique pode ser considerada também um desses sistemas relativamente fechados. Depois de oscilações inicialmente violentas, os opostos tendem a equilibrar-se e surge, pouco a pouco, uma nova atitude, cuja estabilidade subseqüente será tanto maior quanto mais acentuadas tiverem sido as diferenças iniciais. (13)24/48,49
Segundo o físico brasileiro Constantino Tsallis, a entropia mede a desordem, a falta de informação relevante, compreensível. Tsallis fez uma reformulação da lei de Boltzmann e com isso possibilitou concluir mais amplamente sobre o funcionamento geral do cérebro. Com essa entropia mais poderosa, é possível decodificar informações pouco inteligíveis, como as dos sinais eletromagnéticos do cérebro. A mensagem é limpa. De modo a se poder ler o que é relevante. (O Globo, 15/02/99)

EPISTEMOLOGIA: (do grego epistéme = ciência) estudo crítico dos princípios, hipóteses e resultados das ciências já constituídas e que visa a determinar os fundamentos lógicos, o valor e o alcance objetivo deles; teoria da ciência. Teoria do conhecimento e metodologia. (6)

EQUILÍBRIO DINÂMICO: ver psique

ESCATOLÓGICO: fim da humanidade. (6)

ESTOICISMO: 1. designação comum às doutrinas dos filósofos gregos Zenão e seus seguidores Cleanto, Crispo, Epiceto e Marco, caracterizadas sobretudo pela consideração do problema moral, constituindo a ataraxia o ideal do sábio. 2. austeridade de caráter, rigidez moral. 3. impassibilidade em face da dor ou do infortúnio. (6)

ETOLOGIA: é o estudo do comportamento social dos animais. (3)177

EXÉGESE: comentário ou dissertação para esclarecimento, ou minuciosa interpretação de um texto ou de uma palavra (aplica-se de modo especial em relação à Bíblia, à gramática, às leis). (6)

FANTASIA: cadeias de imagens e pensamentos se seguem uns aos outros espontaneamente e sem direção consciente. Pode assumir a forma de palavras ou de imagens, ou mesmo de sentimentos, e tem como aspecto característico uma emergência, sem qualquer esforço, de conteúdos psíquicos. (3)149

FENÔMENO: tudo que é percebido pelos sentidos e pela consciência. (6)

FILOSOFIA: é a ciência pelas causas primeiras, porque é metafísica, quer dizer transcende a experiência e não para até esgotar o interrogativo causal e resolver plenamente o enigma do universo. (8)56

Ë, portanto, uma construção, a mais alta e sólida construção, da razão humana, que parte do terreno firme da experiência par justifica-la. (8)57

FORÇAS INTERIORES: a nossa mente desenvolve-se até o seu estado atual de consciência por muito tempo e continua ainda a desenvolver-se, e assim somos conduzidos por forças interiores e estímulos exteriores. Estas forças interiores procedem de uma fonte profunda que não é alimentada pela consciência nem está sob o seu controle. Na mitologia antiga essas forças eram chamadas de mana, espíritos, demônios ou deuses. (1)82

FUNÇÃO TRANSCENDENTAL: ver individuação.

GESTALT: palavra alemã que significa forma ou padrão. A Gestalt foi uma escola que surgiu em fins do século XIX e princípios do século XX como reação contra a análise fragmentária de estados mentais e sua transformação em partes constituintes das escolas associacionistas de psicologia. Argumentava Jung que as atividades da psique não podem ser decompostas em partes e que os conteúdos mentais individuais tinham que ser vistos em termos de todo o conceito psíquico em que ocorriam. (3)190

GNOSIOLOGIA: (conhecimento) é a capacidade da razão humana demonstrada antes de constituir uma metafísica. (8)56

GNOSTICISMO: Ecletismo filosófico-religioso surgido nos primeiros séculos de nossa era e diversificado em numerosas seitas, e que visava conciliar todas as religiões e explicar-lhes o sentido mais profundo por meio da gnose. (6)
A maior parte dos gnósticos era constituída de teólogos que, ao contrário da ortodoxia foram fortemente influenciados pela experiência natural íntima. (5)257
Pode-se considerar o gnosticismo como uma forma de racionalismo dos primeiros séculos cristãos, porquanto pretendiam resolver a religião - revelada e sobrenatural - na gnose, na filosofia. (8)203
Clemente Alexandrino (Tito Flavio Clemente) distingue os cristãos em simples cristãos e em gnósticos. O gnóstico cristão, diversamente do simples ou crente, é consciente de sua fé, justificando-a racionalmente, filosoficamente. (8)204
Embora tenha sido inicialmente uma “heresia” cristã, o gnosticismo persistiu sob várias aparências e vestiu numerosas indumentárias ao longo dos últimos dois mil anos, sempre se colocando como um espectro nas fronteiras do pensamento ocidental. (3)125
Embora seja difícil definir esse fenômeno estranho e difuso, seus ensinamentos característicos podem ser convenientemente resumidos da forma seguinte: 1. o cosmo é resultado de um acidente ou queda divina, sendo o mundo como o conhecemos - o mundo fenomenal - o produto de uma divindade inferior, o “demiurgo” , não do Ente Supremo que está além da compreensão racional; 2. os gnósticos procuram superar esse estado de queda e voltar ao estado original de unicidade com o Ente Supremo; 3. o caminho para a sabedoria passa, não pelos poderes sacramentais da Igreja, mas pela introvisão direta - a gnosis. Há evidentemente laços entre o gnosticismo e o pensamento oriental, sugerindo influência ao longo da história, e, na verdade, o antigo gnóstico cristão, era versado, segundo se sabe, em filosofia oriental. (3)126
O entusiasmo de Jung pelos gnósticos surgiu da descoberta de que eles foram aparentemente os primeiros pensadores a se interessar (a sua maneira) pelo conteúdo do inconsciente coletivo. (3)127

HEDONISMO: o prazer sensível é o fim supremo da vida. (8)165

HERESIA: doutrina contrária ao que foi definido pela Igreja em matéria de fé. (6)

HERMENÊUTICA: processo de desenredar o significado de alguma coisa que não está obviamente clara. Teve origem na necessidade da teologia de esclarecer o significado de textos sagrados, embora, nas mãos do teólogo alemão Scheleiermacher (1768-1834) tenha sido amplificada para abarcar não só textos escritos em geral, mas toda a esfera da expressão simbólica humana. (3)69

HEURÍSTICA: método analítico para o descobrimento das verdade científicas. Ciência auxiliar da história que pesquisa a origem das fontes. (6)

HIPÓSTASE: ficção ou abstração falsamente considerada como normal (6)

HOLISTICA: Jung usava as palavras “unidade”, “totalidade” e “integridade” em relação à psique desde 1913, e em 1936 referiu-se realmente a seu método como holístico no sentido em que envolvia “a observação sistemática da psique como um todo”. (3)191
O conceito de um todo psíquico não implicava para Jung uma unidade inteiramente indiferenciada, mas um equilíbrio dinâmico entre opostos. A psique é simplesmente um sistema autônomo regulador, a procura de equilíbrio entre várias tendências opostas: entre as tendências com vistas à unidade e pluralidade, entre o consciente e o inconsciente, os elementos masculino e feminino existentes na psique, entre a razão e instinto, convenção e natureza, o bem e o mal. (3)192

HYBRIS: soberba. (5)43. Arrogância, orgulho excessivo. (6)

IDIOGRAMA: símbolo gráfico que representa diretamente uma idéia, como os algarismos, certos sinais de trânsito, etc. (6)

IMAGO: imagem. (5)30/60

IMANENTE: que existe sempre em um dado objeto e inseparável dele. (6)

IMANENTISMO: doutrina que sustenta ser a fé uma exigência de profundas necessidades do íntimo do ser e não graça proveniente de Deus. (6)

INAÇÃO: falta de ação, inércia. (6)

INATISMO: doutrina que admite a existência de idéias ou princípios independentes da experiência. (6)

INDIVIDUAÇÃO: Jung considera a individuação como a oportunidade dada ao homem para encontrar o significado da vida. (3)197
O “coração e a essência” da individualidade consistem na tarefa de conhecer a si mesmo e de sua exigência irresistível de “ser si-mesmo”, de acordo com a natureza do indi-víduo, e não de outra pessoa, de ser autêntico e não de má fé. Mas o que é o si-mesmo do indivíduo ? Ë, conforme “a soma total dos conteúdos consciente e inconsciente” e daí, individuação significa nada menos que exigir conscientemente realizar ou concretizar o pleno potencial de cada um. Significa o desenvolvimento ótimo de todo o ser humano individual, para o qual uma vida, em todos os seus aspectos espiritual, social e biológico, é necessária. (3)201
O caminho da auto-realização exige a colaboração ativa do ego consciente, sendo, pois, uma questão de opção moral e vontade. A individuação não é algo que aconteça à pessoa, mas deve ser buscada e conquistada com esforço, como um ato de grande coragem praticado na vida. (3)202
Mas para Jung isso era apenas parte da história. Não acreditava que o papel da vontade fosse domar e subjugar a parte instintual da natureza da pessoa. Considerava a vontade como facilitando a emergência dos instintos na consciência, refletidos sob a forma de emoções, imagens e fantasias, e em integra-las em um si-mesmo operacional. Em 1916 deu a esse processo a designação de função transcendente. (3)202
A individuação envolve a atualização de um si-mesmo plenamente realizado e liberado. Trata-se, pois, antes e acima de tudo, de um processo natural que surge basicamente de um desabrochar interior, um desenvolvimento autodirigido e não imposto artificialmente de fora. É uma função que temos em comum com todas as coisas vivas. (3)204
A individuação é a busca de unidade psíquica através da reconciliação de opostos, o que é nada menos do que o atingimento da individualidade, a fruição (fruir = posse) de tudo que potencialmente existe na psique e, portanto, a meta e significado da existência humana. (3)194

INTELECTUALISMO: ver racionalismo.

INTEROCEPTIVO: relativo ou pertencente a um interoceptor.

INTEROCEPTOR: qualquer terminação nervosa sensitiva situada em uma víscera e que responde a atividades internas, tais como digestão, circulação e excreção. (4)

INSTINTO: é a disposição de comportar-se de uma e não de outra maneira. (3)157
Representa simplesmente a idéia de um padrão herdado de comportamento e assume forma como arquétipos; por conseguinte, a imagem arquetípica representa o significado do instinto. (3)173
Deve ser interpretado, não como um ser ou entidade sobrenatural, mas como uma disposição comportamental herdada. (3)178

INTUIÇÃO: ato de ver, perceber, discernir, percepção clara e imediata. Intuir: deduzir ou concluir por intuição. (6)

LAPIS: (Pedra Filosofal) é o conceito central da Alquimia. Ela corresponde ao homem como a serpente. Aliás, não aparece somente sob a forma humana, como tem até mesmo “corpo, alma e espírito”, é um “homúnculu” (homenzinho) e, como nos mostram os textos, é um símbolo do si-mesmo. Não é, porém, um eu humano, e sim um ser coletivo, uma alma coletiva. A pedra é o “pai e a mãe” dos metais, sendo, por conseguinte, um Hermafrodita. (5)234
É o “arcanum” que contém Deus ou aquela parte de Deus escondida na matéria. O lápis aparece como designação da matéria inicial (matéria prima). (5)251

LIBIDO: propus que o conceito de energia, por nós utilizado em Psicologia Analítica fosse designado pelo termo “libido”... corresponde ao “élan vital” de Bergson (13)28
É, apenas, uma expressão abreviada para significar o “ponto de vista energético”. (13)29/56

LIVRE ARBÍTRIO: os animais têm a vida dirigida, e limitada, pelos instintos. No ser humano, com o florescimento pleno da consciência, ocorre uma liberdade crescente em relação ao puro instinto. Desse modo, o instinto perde sua influência como mola propulsora da vontade. O desenvolvimento da personalidade humana traz consigo a possibilidade de desviar-se de estruturas psíquicas herdadas (dos instintos). Para sermos exatos, não desfrutamos de uma liberdade total, mas, realmente, possuímos certa proporção de autonomia e controle consciente de nossa vida que podem ser descritos como vontade livre (livre arbítrio)

LOGICA: coerência de raciocínio, de idéias. Seqüência coerente, regular e ne-cessária de acontecimentos, de coisas. (6)

MANA: em seu estudo clássico sobre o mana, Lehmannn define-o como o “extraordinariamente eficaz”. Realmente, é impossível escapar à impressão de que a idéia primitiva de mana é precursora do nosso conceito de energia psíquica e muito provavelmente também do conceito de energia em geral. (13)63,64

MANDALA: a palavra mandala significa círculo em sânscrito, provém da India, a terra natal dos arianos. As mandalas, na forma de ícones religiosos, são usadas para inúmeros fins; acredita-se, porém, que originariamente elas representavam o sol. (18)265
A “totalidade” é uma noção empírica, antecipada na psique por símbolos espontâneos ou autônomos. São esses os símbolos da quaternidade e dos mandalas, que afloram nos sonhos do homem moderno, que os ignora, como também aparecem amplamente difundidos nos monumentos históricos de muitos povos e épocas. (5)29/59

MANIQUEISMO: 1. doutrina do persa Mani ou Manes (séc. III), sobre a qual se criou uma seita religiosa que teve adeptos na India, China, Itália, Africa e sul da Espanha, e segundo a qual o Universo foi criado e é dominado por dois princípios antagônicos e irredutíveis - Deus (o bem absoluto) e o Diabo (o mal). 2. doutrina que se funda em princípios opostos, bem e mal. (6)

MANTICO: método intuitivo. (12)28/863

METAFÍSICA: parte da filosofia que com ela muitas vezes se confunde, e que, em perspectivas e finalidades diversas, apresenta as seguintes características gerais, ou algumas delas: é um corpo de conhecimentos racionais (e não de conhecimentos revelados e empíricos) em que se procura determinar as regras fundamentais do pensamento (aqueles de que devem decorrer o conjunto de princípios de qualquer outra ciência, e a certeza e evidência que neles reconhecemos) e que nos dá a chave do conhecimento real, tal como este verdadeiramente é (em oposição à aparência). Segundo Aristóteles - estudo do ser e especulação em torno dos primeiros princípios e das causas primeiras do ser. (6)
Todo o mundo metafísico é entendido como uma estrutura psíquica projetada na esfera do desconhecido. Isso é bem evidente no caso da astrologia, pois a abóboda estrelada do céu é na verdade o livro aberto da projeção cósmica. As práticas alquímicas e mágicas, igualmente, nada mais são do que projeções de eventos psíquicos, que em seguida exercem uma contra-influência sobre a psique. (3)66

MICROCOSMO: na Alquimia o microcosmo tem o mesmo significado que o Rotundum (o redondo) ou Mona (mônada) símbolo muito em voga desde Zózimo de Panópolis (século III). (12)60/919

MISONEISMO: medo de que é novo e desconhecido. 9!024

MONA: ou mônada, ver microcosmo. Termo empregado por Leibniz para abarcar, em um amplo sistema metafísico, a totalidade do mundo material e da realidade cósmica. Sustenta que o fundamento último que existe, residiria nas mônadas - unidades imateriais, indivisíveis, inextensa, incorpóreas, reunidas e coordenadas por uma harmonia preestabelecida. (14)14

MÔNADAS: ver mona. Leibniz chama mônadas os elementos primeiros, fundamentais, da realidade. São concebidos como átomos espirituais dotados de atividade, substâncias-força. (8)305

MONAQUISMO: estado ou vida de monge. Instituições monacais. (15)

MONISMO: ao contrário da concepção dualista, o monismo sustenta, a indivisibilidade psico-física do homem, e para a qual - corpo e alma, extensão do pensamento, matéria e energia não seriam mais que atributos essenciais, permanentes e indissolúveis, de uma única, eterna e universal Substância. Divide-se em: Monismo Espiritualista (ver solipsismo) - tudo que nos rodeia nada mais é que uma criação artificial do nosso espírito, ou mera ilusão do nosso sentido. Monismo Materialista - aqui a relação sujeito-objeto é colocada em termos diametralmente opostos, tendência que começa a desenvolver-se em meados do século XVIII, com o advento da chamada Filosofia do Iluminismo e com o movimento dito dos Enciclopedistas. Segundo essa corrente de pensamento, nenhuma divindade existe fora da natureza. Só a matéria e o movimento são reais e eternos. A imaterialidade da alma é um mito. Para o naturalismo monista do último quarto do século XIX, para o qual - Deus é uma superstição do passado; tudo se reduz à matéria; a própria alma não é mais que uma atividade fisiológica do cérebro, produto orgânico, elementar, dos centros nervosos. (14)13

MORAL: a moral é um sistema de normas, princípios e valores, segundo o qual são regulamentadas as relações mútuas entre os indivíduos ou entre estes e a comunidade, de tal maneira que acatadas livres e conscientemente, por uma convicção íntima, e não de maneira mecânica, externa ou impessoal. (2)69
... a moral que se baseia sobretudo na autoridade da tradição e dos costumes representa historicamente um degrau inferior com respeito a uma moral reflexiva que tem seu centro e origem no indivíduo que medita, decide e assume livre e conscientemente a sua responsabilidade pessoal. (2)202
Não me canso de insistir que nem a lei moral, nem o conceito de Deus, nem nenhuma religião penetram no homem vindos do exterior e caindo, de certo modo, do céu; o homem, pelo contrário, encerra nuclearmente todas estas coisas dentro de si, desde as origens, e, por isso, as recria sempre de novo, extraindo-as de seu próprio íntimo. A idéia de lei moral e a idéia de Deus fazem parte do substrato último e inarredavel da alma humana. (16)216
Podemos identificar atitude moral em povos bastante primitivos, como nos índios Naskapi das florestas da península do Labrador que vivem em grupos familiares isolados, sem costumes tribais nem crenças e cerimonias religiosas coletivas. Acham que mentiras e desonestidade afastam a alma (Grande Homem) do reino interior do indivíduo, enquanto a generosidade e o amor ao próximo e aos animais atraem-se e lhe dão vida. (1)161

MONOTÉTICO: que estabelece leis. (13)52

NOUS: termo empregado por Anaxagoras (500 a.C.) para pensamento absoluto, inteligência. Está sempre no ato do conhecer. (8)172
É uma imagem inteligente que distingue, recolhe e ordena as homomerias (partes homogêneas) similares. (8)106

NUMINOSIDADE: é a intensidade com a qual uma representação (por exemplo: imagem, idéia, palavra) apodera-se do consciente e faz sentido para ele. É sinal de um fenômeno energético. É uma qualidade emocional, isto é segundo o modo em que mobiliza o sujeito. (9)49

ONTOLOGIA: a metafísica geral ou ciência do ser em geral. Seu papel é precisamente analisar o ser enquanto ser, isto é, conhecer o que convém ou não a todo ser, que se apresenta, radicalmente, como potência e ato. (8)575

ORTODOXO: conforme com a doutrina religiosa tida como verdadeira. Conforme com os princípios tradicionais de qualquer doutrina. (6) PANTEISMO: 1. Doutrina segundo a qual Deus é real e o mundo é um conjunto de manifestações ou emanações. 2. Doutrina segundo a qual só o mundo é real, sendo Deus a soma de tudo quanto existe. (6)

PARALOGISMO: raciocínio falso. Sinônimo de sofisma mas sem a conotação pejorativa deste que abriga a intenção determinada de enganar. O paralogismo supõe a boa fé de quem o comete. (6)

PARTICIPAÇÃO MÍSTICA: fenômeno psicológico em que um indivíduo (primitivo) identifica-se, inconscientemente, com alguma outra pessoa ou objeto. (1)24
Termo usado por Lévy-Bruhl para designar o sinal característico da mentalidade primitiva. Ela aponta para o grande indeterminado remanescente da indiferença entre sujeito e objeto. O inconsciente nesse caso, é projetado no objeto, e o objeto é introjetado no sujeito. Animais e plantas comportam-se como seres humanos, os seres humanos também são animais; deuses e espectros animam todas as coisas. (20)58

PARUSIA: segunda vinda de Cristo. (6)

PENSADORES DE SISTEMA E PENSADORES DE PROBLEMA: os primeiros são aqueles que tentam, ou parecem tentar, construir um edifício completo do pensamento, no qual as várias partes se juntam em um todo logicamente coerente. O pensador de problema é aquele que, embora possivelmente procurando elaborar uma visão global, ainda assim põe em jogo grande variedade de idéias subordinadas, e às vezes mutuamente contraditórias, e que tentam encorajar a exploração aberta e não o fechamento de possibilidades. (3)39

PERSONA: ela representa um compromisso entre o indivíduo e a sociedade, acerca daquilo que alguém parece ser: nome, título, ocupação, isto ou aquilo. A persona nada tem de real. De certo modo, tais dados são reais: mas em relação à individualidade essencial da pessoa, representam algo de secundário, uma vez que resultam de um compromisso no qual, outros podem ter uma quota maior do que a do indivíduo em questão. (7)32
A persona é unilateralmente consciente ou, pelo menos, capaz de consciência. Corresponde, pois, na totalidade de sua essência, a uma função de adaptação do indivíduo ao mundo real. A persona coloca-se, por conseguinte, entre o mundo real e a individualidade. (7)151
Como já indiquei, o elemento individual aparece em primeiro lugar na escolha especial daqueles elementos da psique coletiva que servem para a composição da persona. Sublinhamos ainda que a sua combinação ou a escolha de um grupo já configurado (de um modelo) é individual. Este seria o cerne individual, encoberto pela máscara pessoal. (7)149

PERSONALIDADE MANA: (carismático) que tem poderes extraordinários. (18)20

PHYSIS: natureza. (5)236

PÍSTIS: confiança. (22)181. Fidelidade. (22)170

PRAXIS: (segundo Marx) um ser produtor, transformador, criador; mediante o ser trabalho, transforma a natureza externa, nela se plasma e, ao mesmo tempo, cria um mundo a sua medida, isto é, à medida da natureza humana. (2)258

PROSOPA: modos de se manifestar. (5)241

PROTOFANTASIA: (ou fantasia originária) corresponde ao arquétipo de Jung. Na concepção freudiana, são precipitados psíquicos de eventos reais ocorridos na aurora da humanidade. Estes precipitados, foram, transmitidos de geração em geração, passando a constituir o núcleo do inconsciente de cada indivíduo. A fantasia de castração é uma proto-fantasia. Para Freud, ela teria origem na separação real dos seres humanos em indivíduos sexualmente diferentes: masculino e feminino. (19)12

PSICOIDE: Jung define fator psicóide fazendo uma analogia com o espectro da luz que se torna visível quando o comprimento de ondas está entre 7.700 e 3.000 angströms. Diz que através dessa analogia, podemos imaginar facilmente que há um limiar inferior e outro superior para os processos psíquicos. O fator psicóide pertence, por assim dizer, à parte invisível e ultravioleta do espectro psíquico. (16)115

PSIQUE: sob o ponto de vista de Jung, não há equilíbrio, nenhum sistema de auto-regulação, sem oposição. A psique é simplesmente um sistema de auto-regulação desse tipo, a procura de equilíbrio entre várias tendências opostas: entre as tendências com vistas à unidade e pluralidade, entre o consciente e o inconsciente, os elementos masculino e feminino existentes na psique, entre a razão e o instinto, convenção e natureza, o bem e o mal. Dessa maneira, a psique exibe, nas palavras de Frey-Rohn, não só tendência para polarização, mas também inclinação para chegar a um equilíbrio, até mesmo para estabelecer estados contínuos de equilíbrio. (Nota minha: isso é denominado atualmente por equilíbrio dinâmico). A idéia de sistema auto-regulador teve plena florescência na idade moderna (“teoria de sistemas”), um enfoque desenvolvido nas últimas décadas, reunindo introvisões da biologia, ecologia, cibernética e engenharia. Argumentou Frijof Capra que o método de sistemas é, no fundo, uma transformação revolucionária em perspectivas, uma mudança de paradígma que ocorre nos tempos atuais e que, acredita, foi de muitas maneiras prefigurada pelo pensamento de Jung. Sistemas dos tipos aqui mencionados são chamados de cibernéticos. O termo cunhado por Norbert Wiener (1948) e derivado da palavra grega kybernan, que significa governar, refere-se ao fato de que, através de vários dispositivos de retroalimentação, um organismo é capaz de controlar seus próprios estados interiores e de atingir um estado de equilíbrio, ou homeostase, a despeito da autonomia relativa de suas partes constituintes. (3)192,193

QUATERNIDADE: é um símbolo antiquíssimo, provavelmente pré-histórico, sempre relacionado com a idéia de uma divindade criadora do mundo. (10)63/100
A idéia dos antigos filósofos era de que Deus se revelou em primeiro lugar na criação dos quatro elementos. Estes eram simbolizados pelas quatro partes do círculo. (10)61/97
A quaternidade é uma representação mais ou menos direta de Deus que se manifesta na sua criação. Por isso, poderíamos concluir que o símbolo produzido espontaneamente nos sonhos do homem moderno indica algo semelhante: o Deus interior. (10)63/101

RACIONALISMO (intelectualismo): quer dizer consciência do valor supremo do conhecimento racional para dominar a realidade, construir a filosofia, orientar a vida. (8)94

RELIGIÃO: é a atitude particular de uma consciência transformada pela experiência do numinoso. (10)10

Crença na existência de força ou forças sobrenaturais com manifestação de tal crença pela doutrina e ritual próprios. (6)

RENASCIMENTO: esse termo foi usado para indicar o revivescimento da Antigüidade Clássica. Sabe-se hoje, no entanto, que este espírito era, no fundo, uma máscara e não foi a concepção da Antigüidade Clássica que renasceu; foi o pensamento cristão de Idade Média que se transformou, adotando estranhas formas de comportamento pagão, trocando o destino celeste por um destino terreno e passando, deste modo, da linha vertical do estilo “gótico” para a linha horizontal da descoberta do mundo e da natureza. (5)40

ROTUNDUM: (redondo) o lápis resulta, por seu turno, da divisão e recomposição dos quatro elementos, do redondo. Esse redondo é uma idéia sumamente abstrata e transcendente, que se relaciona com o homem primordial graças a sua rotundidade e a sua totalidade.(5)235
Imagem da divindade que dorme escondida na matéria e que os alquimistas chamavam de primeiro caos original ou terra do paraíso, ou peixe do mar, ou simplesmente rotundum. (10)59/92
Microcosmo ou Mona (mônada). (12)60/919

SEITA: doutrina ou sistema que diverge da opinião geral e é seguida por muitos. (6)

SENTIMENTO: a definição de Jung é de função de avaliação. O que o pensamento ve como sendo uma satisfação, o sentimento sente como um valor. (9)52

SIMBOLO: considero o símbolo como a melhor designação e formulação possíveis de um objeto não perfeitamente identificado em todos os seus aspectos. (5)68/127

SI-MESMO: ver individuação.

SIZIGIA: pares de opostos. (5)51/99
Exemplo: anima/animus. (5)29/59
A sizigia representa na realidade, aqueles conteúdos psíquicos que irrompem nos seio da consciência, no curso de uma psicose (e de modo caríssimo nas formas paranóides de esquizofrenia). (5)31/62

SOLIPSISMO: (monismo espiritualista) (segundo Berkeley e Fichte) negação do mundo exterior. O mundo exterior não existiria em si e por si, mas em função do nosso eu, podendo assim representar, nada mais que uma criação artificial do nosso espírito, ou uma mera ilusão, talvez, dos nossos sentidos. (14)15
Doutrina filosófica de que qualquer organismo somente pode conhecer-se a si mesmo e à sua concepção própria de seu ambiente e, por conseguinte, de que existe a realidade subjetiva. (4)

SUBLIMAÇÃO: atividades cultivadas mediante as quais o indivíduo se desfaz do excesso insuportável de libido. (13)56

AUTOLOGIA: vício de linguagem que consiste em dizer, por formas diversas, sempre a mesma coisa. (6)

TEISMO: doutrina que admite a existência de um deus pessoal, causa do mundo. (6)

TELEOLÓGICO: fins e finalidades. (3)215

TEORÉTICO: valor de verdade. (8)57

TETRAMORFO: símbolos dos quatro Evangelistas que significam as quatro colunas de ser templo. (5)34

UROBOROS: símbolo do “opus circulare” (obra circular) da Natureza e da “Arte”. (5)245/247
Símbolo usado pelos alquimistas para expressar a reconstrução de um estado de totalidade primitivo. (5)247


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