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Organistas

Associação Paulista de

1977 - 1998


O órgão no Brasil

História nodo örgão no Brasil

  órgão no Brasil tem estado presente desde os primeiros tempos coloniais. Conta um cronista que na esquadro de Cabral havia um organista, o franciscano Frei Mateo, que tocou órgão na Segunda missa rezada na Ilha de Santa Cruz, "uma solene missa, com muita festa". E o primeiro cargo de organista foi criado na Sé da Bahia, em 1559, em atendimento a um pedido do Bispo D. Pedro Fernandes Sardinha ao Rei de Portugal. Há referências à existência de órgãos entre os jesuítas, que os tinham entre os instrumentos preferidos como meio de ensino de música, importante veículo para a catequese dos índios.

em dúvida, eram órgãos pequenos, portáteis que podiam ser transportados nas duras viagens adentro da nova terra no estabelecimento das Missões, ou eram instalados nas capelas e colégios que se construíram nas pequenas povoações em formação. Os únicos vestígios da existência desses instrumentos permaneceram nas cartas, memórias, relatórios dos missionários e viajantes da época, ou no espaço vazio deixado em uma igreja, ou ainda num pequeno pedaço de madeira trabalhado que relembra a existência de uma fachada de órgão. No decorrer dos séculos XVI e XVII, havia órgãos na Bahia, Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro, Amazônia e região sul.

mpulso maior à construção e instalação de órgãos aconteceu a partir do século XVIII, notadamente em Pernambuco, Bahia e Minas gerais. Em Pernambuco viveu Agostinho Rodrigues Leite (1722-1786), que construiu muitos instrumentos naquela região e até para o Rio de Janeiro, como por exemplo, o órgão da Coroa do Mosteiro de São Bento, em 1773. Desse instrumento resta hoje apenas parte da fachada e um registro de Principal de 8 pés. Depois de sucessivas reformas no século passado e início do presente, o órgão passou a ter 4 manuais que em nada mais lembra o instrumento original.

m Minas Gerais, com o florescimento de povoações, em decorrência da descoberta de ouro e pedras preciosas na região, vários órgãos foram construídos, outros foram enviados de Portugal, como o famoso órgão de Mariana (1752) e Tiradentes (1788). Essa atividade de construção, entretanto, não se espalhou para as demais regiões no país, e durante o século XIX houve uma nítida predominância de órgãos importados em detrimento da expansão da manufatura nacional. Órgãos foram importados da França (Cavaille-Coll), Inglaterra, Alemanha, Itália, entre outros países.

mportação de órgãos continuou a ser o principal meio de suprir as igrejas (com órgãos), até final de 1950 - o órgão do Teatro Municipal de São Paulo foi inaugurado em 1969 e parece ter sido o último de uma fase que acabou em decorrência da crise econômica que já se prenunciava sobre o país.

ntretanto, um importante fato precisa ser mencionado na história do órgão em nosso país. Trata-se da retomada da indústria de construção de órgãos no país, a partir do início do século XX, fomentada principalmente pelo desenvolvimento urbano e mudança nos hábitos culturais introduzidos pelos imigrantes italianos e alemães, entre outros. Não se pode deixar de lembrar os nomes de Guilherme Berner, Carlos Moehrle, Guiseppe Petillo, Siegried Schuler, Edmundo Bohn, Nicolau Lorusso, que com precários meios e inúmeros obstáculos econômicos, conseguiram construir muitos órgãos por todo o país, entre as décadas de 20 a 50.

ão pode ser também esquecido o trabalho de organistas como Fúrio Franceschini, que foi durante muitos anos organista da Catedral de São Paulo e promoveu tantos concertos e atividades no órgão, da Igreja de Santa Efigênia (então a catedral), órgão que infelizmente está hoje completamente desativado; do Prof. Angelo Camin, durante tantos anos professor de órgão da Escola de Música Santa Marcelina e organista do Teatro Municipal, ou da Profª. Alda Holnagell.

s mudanças litúrgicas ocorridas na Igreja Católica Romana a partir do Concilio Vaticano II, a crescente crise econômica em que o país foi sendo mergulhado, contribuíram para que grande parte dos órgãos fosse completamente abandonada e a atividade do organista quase relegada ao esquecimento a partir da década de 60.

 

Escrito por: Dorotéa Kerr

 

 

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