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As
contrações cardíacas podem-se pôr
em evidência de diversos modos. Observando-se a região
do coração, em correspondência com o quinto
espaço intercostal, pode-se notar, em certos indivíduos,
que a parede torácica se levanta. Tal levantamento é
trabalho do coração mesmo, que bate contra a parede.
É sabido, além disso, que as batidas do coração
se podem perceber pondo a mão na região cardíaca.
Auscultando as batidas com aparelhos apropriados, como o estetoscópio
e o fonendoscópio, se percebem as bulhas que são
os rumores produzidos pelo abrir-se e o fechar-se das válvulas.
As bulhas são duas: primeira bulha e segunda bulha, separadas
uma da outra por um pequeno intervalo. Uma pausa mais longa separa,
contrariamente, a segunda bulha da primeira. A primeira bulha
corresponde ao fechamento das válvulas aurículo-ventriculares
(tricúspide e mitral e à abertura das válvulas
sigmóides: percebe-se durante a sístole ventricular.
A segunda bulha corresponde, agora, à abertura das válvulas
aurículo-ventriculares e à oclusão das válvulas
sigmóides: é ela percebida durante a diástole
ventricular. Quando as válvulas do coração
funcionam imperfeitamente, porque são apertadas (estenose)
ou porque perderam a sua capacidade (insuficiência), às
bulhas normais se ajuntam rumores patológicos ou sopros.
O coração, contraindo-se, determina fenômenos
elétricos, que podem ser registrados. Obtém-se
assim o eletrocardiograma, que é formado por uma série
de ondas, cada uma das quais é a tradução
gráfica inicial da atividade de uma parte do coração.
Neste gráfico se distingue uma onda P que corresponde
à contração das aurículas, e um consecutivo
complexo QRS determinado pela contração
dos ventrículos. Conclui o ciclo uma onda T. Muitas
alterações cardíacas determinam uma modificação
da onda eletrocardiográfica normal, de modo que o eletrocardiograma
representa um precioso meio de diagnóstico. |
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O
PULSO
A contração do ventrículo esquerdo determina,
com a passagem repentina do sangue na aorta, uma brusca dilatação
dessa artéria. A dilatação se transmite
ao longo das paredes da aorta (e de todas as artérias
que se originam dela) como uma onda. A transmissão é
muito rápida (9 metros por segundo) e a onda pode ser
percebida no pulso, do lado do polegar, onde a artéria
radial é mais facilmente perceptível. O pulso radial
se percebe quase no mesmo instante em que tem lugar a contração
cardíaca; esta pulsação, porém, não
corresponde à chegada do sangue, que caminha muito mais
lentamente do que a onda (50 centímetros por segundo).
Dos caracteres do pulso se pode deduzir o procedimento do coração.
Do pulso se aprecia a freqüência (número de
batidas por minuto), o ritmo (regularidade das batidas), a amplitude
(grau de distensão da artéria), a celeridade (tempo
empregado pela artéria para atingir a dilatação
máxima).
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