VERAS

=====================================================================

 

 

  A que deseja ler meus versos  

 

 

 

Jamais pensei, Senhora, que eu tivesse

este prazer que vós me dais agora

alegre e tão benigna.

Jamais pensei meu cálamo acendesse

tal desejo em vossa alma encantadora,

nessa alma de menina.

 

 

 

 

Nunca o pensei. Esta alma que se deixa

longe do amor, descrente, já não pode,

por mais que aspire e faça,

senão versificar tristonha endecha,

mas nunca um hino alegre ou mesmo uma ode

que tenha alguma graça.

 

 

 

 

E assim, deslumbrante criatura,

«Dama formosa, compassiva e boa»

e meiga e feiticeira,

como hei de fazer versos à leitura

de quem tanto me agrada e me afeiçoa?

Dizei — de que maneira?

 

 

 

 

Tomai os versos meus, formosa dama,

e nessas mãos bonitas, carinhosas,

tão lindas quão pequenas,

dai-lhes a luz de vosso olhar que inflama

e que sai das pupilas luminosas,

sempre de brilhos plenas.

 

 

 

 

Só assim eles podem ter perfume,

só assim podem ter luz, harmonia

e rimas atraentes.

 

 

 

 

Fitai neles os olhos, dai-lhes nume —

nume de vosso olhar — todo poesia —

que eles serão uns madrigais fulgentes.

 
 

 

Go to the Poem in English

Ir para o primeiro Poema

Ir para o anterior Poema

Ir para o próximo Poema

Ir para o último Poema

Ir para a Página de Abertura

Ir para o Menu em Português

Ir para o Sumário em Português