VERAS
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| A que deseja ler meus versos | |||
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Jamais pensei, Senhora, que eu tivesse este prazer que vós me dais agora
Jamais pensei meu cálamo acendesse tal desejo em vossa alma encantadora,
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Nunca o pensei. Esta alma que se deixa longe do amor, descrente, já não pode,
senão versificar tristonha endecha, mas nunca um hino alegre ou mesmo uma ode
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E assim, deslumbrante criatura, «Dama formosa, compassiva e boa»
como hei de fazer versos à leitura de quem tanto me agrada e me afeiçoa?
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Tomai os versos meus, formosa dama, e nessas mãos bonitas, carinhosas,
dai-lhes a luz de vosso olhar que inflama e que sai das pupilas luminosas,
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Só assim eles podem ter perfume, só assim podem ter luz, harmonia
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Fitai neles os olhos, dai-lhes nume — nume de vosso olhar — todo poesia — que eles serão uns madrigais fulgentes. |
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