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Personalidades de Avanca


Prémio Nóbel da Medicina

(Mais informação sobre o Prof. Dr. Egas Moniz)

O prof. Dr. António Caetano de Abreu Freire (Egas Moniz), nasceu a 29 de Novembro de 1874, na velha Casa do Marinheiro - a mesma Casa-Museu - filho de Fernando de Pina Resende Abreu e de D. Maria do Rosário de Almeida e Sousa Abreu.

Foi cedo viver com o seu tio e padrinho, em Pardilhó; fez a instrução primária na Escola do P.e José Ramos e o Curso Liceal no Colégio de S. Fiel, dos Jesuítas; matriculou-se em Medicina, na Universidade de Coimbra, em 1891, concluindo a Formatura em 31 de Julho de 1899.

Professor Egas Moniz

casou-se com D. Elvira de Macedo Dias Egas Moniz, em 7 de Fevereiro de 1901, em Canas de Sabugosa. Foi professor da faculdade de Medicina, em Coimbra, na qual se doutorou em 14 de Julho de 1901, sendo tranferido para Lisboa, para reger a faculdade de Neurologia, Jubilou-se, por ter atingido o limite de idade, em Fevereiro de 1944.

Em 1945 recebeu o prémio, da Faculdade de Medecina de Oslo, Suécia, pelos seus trabalhos sobre Angiografia cerebral; e em 27 de Dezembro de 1949, foi-lhe atribuído pela Academia Sueca, o Prémio Nóvel da Medicina e Fisiologia, pela descoberta da leucotomia pre-frontal, no tratamento de certas doenças mentais.

Foi-lhe entregue o Diploma e a Medalha pelo Ministro da Suécia em Lisboa, em 3 de Janeiro de 1950.

Foi até agora, o único protuguês que teve a honra deste prémio internacional.

No breve regime de Sidónio Pais, foi Ministro de Portugal, em Madrid (1917) e Ministro dos Negócios Estrangeiros (1918). Nesta actividade política, importa salientar o trabalho que despendeu para Portugal reatar as suas relações com a Santa Sé.

Em 24 de Setembro de 1950, foi homenageado em Avanca, com a eracção de um monumento, no Largo da Igreja, estando presente, à sua inauguração solene.

Em 14 de Fevereiro de 1957, foi inaugurado o seu busto, à entrada da nova Faculdade de Medicina, em Coimbra.

Em 12 de Abril de 1959, em S. Tiago do Chile, na abertura de um Congresso de Neuro-cirurgia, foi descerrado um monumento a Egas Moniz, na Praça que recebeu o seu nome. Teve muitas condecorações e tem espantosa bibliografia.

Faleceu em Lisboa, a 13 de Dezembro de 1955, sendo transladado para Avanca no dia 15, e sepultado catolicamente no cemitério paroquial.

 

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Adelino Dias Costa nasceu, em Avanca, em 2 de Dezembro, de 1892, sendo seus pais António Augusto Dias Costa e Joaquina Gomes.

O pai - segundo o viver comum da gente da terra, era agricultor, possuindo mais uma espécie de serralharia, como entretimento nas horas de lazer, e nos dias invernosos, sen qualquer mira de rendimento, uma vez que o celeiro se enchia com os produtos da terra.

Talvez que a ténue chama daquela forja tivesse acendido, na alma do filho, a labareda da vocação providencial de um grande artista!...

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A sua cultura oficial ficou pela 4.ª classe, mas lendo livros, e atento às lições das coisas e à psicologia dos homens, enriqueceu o o espírito com o saber de experiência feito.

Aos 12 anos - por 1904 - tendo-se correspondido com um tio de Belém do Pará; atravessa os mares, em aventuras ... regressando o tio à Pátria, o pequeno emigrante é levado para a ilha de Marajó, na foz do Amazonas, para servir o único comerciante português que ali vivia.

Ao fim de dois anos, enferma gravemente, vitima do trabalho e do clima, regressa a casa, onde demora mais de três anos a restabelecer-se.

Pede ao pai para este encontrar um Mestre em serralharia, que o ensine na arte... mas o pai não vendo grande futuro nessa profissão, dissuado-o.

Chega a hora do noivado, aos 20 anos - 1912 - casa com Maria de Assunção Leite, e com o matrimónio adquire alguma independência para se aventurar na sorte da vida.

É apurado para o serviço militar, e cabe-lhe a arma da Artilharia, N.º 2, na Figueira da Foz.

Feita a aprendizagem, leva a esposa para Lisboa, para procurar realizar o seu sonho.. anda um mês à deriva, mas por fim consegue entrar na Fábrica Portugal e ao fim de 60 dias transita para a firma Silva & Silva, onde encontra o ambiente que anseia. Mas surgem embaraços...

Eclode a guerra de 1914. É chamado às fileiras, faz curso de sargentos milicianos, em artilharia n.º 1, e após algumas alterações segue para o Norte de Moçambique, assentando arraiais na zona de Niassa.

Em 1918 regressa à Pátria, requer a desmobilização e volta, com recíproco contentamento à firma Silva & Silva... e ao fim de algum tempo é já um Mestre conceituado.

Em 1920 regressa à sua terra, levanta uma pequena barraca e monta uma pequena forja... e ao fim de uns anos consegue-se ver o que conseguiu....ADICO

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Em ano de homenagem, a história de duas paixões de Júlio Neves: a Cultura e o Bem fazer.

A um Homem que mareou fundo a sua passagem pelo mundo em que vivemos. Homem que se impôs pela sua bondade, pela sua honestidade. Dedicando-se de alma e coração para com todos aqueles que infelizmente precisavam de auxílio.

Os mais desfavorecidos desta terra e, em especial, as crianças pobres muito lhe ficaram a dever, Júlio. Neves tudo fez para minorar o seu sofrimento.

E é memorável o amor e o carinho que dedicou a esta causa, começando por vestir as crianças, pagar-lhes os livros e modo a poderem fazer o exame da 2ª classe, alimentando os mais desfavorecidos e, por fim, construindo um Bairro para pobres em terrenos seus e bem perto da sua residência, dando mais urna vez prova de que se sentia próximo deles.

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Por já seu pai assim se chamar, chamavam "Narciso" ao ferreiro António Maria Neves, que já no final do século passado fazia da arte de moldar o metal o seu ganha pão no lugar do Rego da Arada. Casado com D. Joana Maria Valente, António pertencia à classe daqueles que, pelo seu duro trabalho artesanal levavam os dias sem grandes sobressaltos. Os trabalhados portões das ricas propriedades, as varandas, as alfaias agrícolas e os acessórios para a construção eram labor, na época, de muitos artesãos ferreiros de Avanca. Algumas destas autênticas obras de arte ornamentam ainda casas e quintas mais antigas e ainda podemos admirar os ferros que ligam as paredes laterais junto ao tecto da Igreja Matriz de Avanca, ou os portões das casas de seus

filhos na Valada, como obras marcantes de António Maria Neves.

A 24 de Fevereiro de 1881, nascia o primeiro filho do casal, a quem deram o nome de Júlio. Era o primeiro de oito filhos que se distinguiriam pelo sucesso com que souberam decorar as suas vidas, pela entreajuda e optimismo com que se encorajaram

mutuamente. As quatro casas que os irmãos homens fizeram edificar junto ao actual sítio do Mercado de Avanca, à face com a estrada nacional, são disso um exemplo vivo e um testemunho inegável. As suas vidas ligadas aos negócios . Lã (como foi o caso particular de João António Neves - ver páginas seguintes) eram faladas com respeito e admiração pelas gentes de Avanca e terras vizinhas. Júlio Narciso Neves havia de contemporanizar e, com certeza, conviver com algumas das mais distintas figuras da história de Avanca e da região, entre os quais pontificam o Prof. Egas Moniz (prémio Nobel da Medicina), o Dr. António de Abreu Freire (médico e político, Governador Civil de Aveiro em 1918 e 1921) e o Padre António Maria de Pinho (ver páginas seguintes), entre outros. Num povoado pequeno, mas em crescimento graças à recente vinda do Caminho-de-ferro, Júlio Neves terá gozado uma infância igual à, de tantos outros meninos, sem luxos nem grandes folguesas, assistindo algum do trabalho do pai e dedicando-se, com os irmãos, à música. Anos mais tarde, Avanca admirá-lo-ía como músico quando, na Semana Santa, fazia questão de integrar a filarmónica que acompanhava as tradicionais cerimonias da Paixão de Cristo.

Chegado à idade adulta, por volta de 1900, achou não ter jeito para os trabalhos manuais e a arte do pai e, por isso, cedo tentou a sua sorte em terras do Brasil, não sem antes deixar uma promessa à sua devota mãe que a levaria a Lourdes, na França, caso a aventura lhe corresse de feição. Escolhera uma vida de negociante, como o haveria de fazer seu irmão Manuel Augusto, viajante incansável e apaixonado pela vida e pelo Mundo.

0 certo é que D. Joana não teve que muito aguardar para se deslocar, na atenciosa companhia do seu filho, até à terra francesa onde a Virgem tinha aparecido a Bernardette. Não era esta uma viagem «vulgar», estando reservada a quem assistia a sua prática de fé com algumas posses. Era, pois, normal ter por companhia um reduzido número de peregrinos com quem, se compartilhavam momentos de oração, palavras de circunstância e, enfim, dificuldades de jornada. Entre os viajantes encontrava-se uma distinta Senhora, que dispensou particular atenção aos desvelos com que Júlio Neves distinguia a sua mãe. Eugénia Amália Fonseca Araújo, do Porto, era descendente de rica família do Norte (um dos seus irmãos era mesmo o proprietário do luxuoso e célebre Palácio da Brejoeira) e viúva de um distinto banqueiro que fizera fortuna no Brasil.

Júlio Neves e D. Eugénia Araújo acabariam por se desposar pelo fim da 1 Grande Guerra e vieram viver para a imponente casa que Ernesto Korrodi (o mesmo arquitecto que projectou a Casa do Marinheiro) havia projectado em Avanca, junto à estrada Aveiro-Porto. É aí que podemos admirar a excelência com que Júlio Neves tudo fez na sua vida.

Os mais velhos recordam-no como um homem de porte altivo, mas sereno, que se distinguia pela sua elegância e fazia de cada momento objecto de uma pose distinta. Deu à sua casa a profusa perfeição de um palacete romântico e nele espalhou arte, beleza e cultura, de um modo só comparável à aristocracia mais provida de boas finanças. Dono de uma invejável colecção de obras literárias, grande parte delas em francês, Júlio Neves soube tornar-se íntimo do saber, fazendo uso da sua imensa fortuna.

Mecenas de pintores, escultores músicos, foi ele próprio um homem de cultura que ganhou tempo desenvolvendo as suas capacidades musicais para além da tradição familiar, promovendo o seu contacto com personagens da cultura em frequentes viagens a França e estadias em grandes cidades, trazendo para sua casa obras

de arte que enchiam salas e corredores. Entre os homens das artes e letras que ajudou contam-se os artistas plásticos Maurício de Almeida (escultor, de Pardílhó) e mestre Medina (que se tornaria um dos vultos da moderna pintura portuguesa) quando os dois partilhavam o seu atelier parisiense com o grande mestre russo Landowski, enquanto que Monsenhor Miguel de Oliveira (escritor e historiador) era frequentemente ofertado com edições de livros trazidas de França por Júlio Neves e inacessíveis para o prelado valguense.

Esta faceta de mecenas introduz-nos a uma outra, que tendo a ver com a generosidade de Júlio Neves toca valores morais distintos. 0 nome deste ilustre homem de Avanca está profundamente ligado às obras caritativas, às intenções de cariz social. Falecido a 8 de Julho de 1958, depois de ter casado em segundas núpcias com D. Maria Angélica Magalhães, Júlio Neves deixou obras e vasto património m favor dos mais desprotegidos. Ainda em vida, ajudou dezenas e dezenas de crianças em Avanca, Ovar, Furadouro, fez erguer casas para os pobres da sua terra, vestiu centenas de crianças nas Comunhões, doou haveres e dinheiros para o Hospital de Estarreja, ajudou a criar a cantina escolar de Avanca, instituiu uma bolsa de estudo para a Escola do Mato. Deixou ainda em testamento bens em favor da sua terra e do seu concelho, casas e fontes de rendimento para os pobres e as instituições de solidariedade.

Há quem o recorde como um amigo dos pobres e, em particular, das crianças. Outros há que não podem deixar de evocar a distinta presença deste homem da cultura e do bem, que soube viver e fazer viver com excelência e, ao mesmo tempo, humanismo.


Foi um grande Missionário e um grande homem da nossa terra.

Nasceu em Portugal no dia 13 de Setembro de 1917.

Estudou em vários Seminários e recebeu sua ordenação Sacerdotal em 15 de Agosto de 1944, dia da Assunção de Nossa Senhora ao Céu. A sua devoção a nossa Senhora á por nós bem conhecida.

Foi colocado na Missão de Santa Filomena, Moçambique, em 1946. Trabalhou aí por um ano.

Em 1947 foi trabalhar para a Missão de Mutáli, hoje Paróquia, passando a trabalhar como coadjutor do Senhor Padre Manuel da Silva. Mais tarde passou para superior da Missão.

Devido a uma necessidade imperiosa, devia ser transferido para Nampula, mas a seu pedido ficou em Mutáli, como coadjutor do Sr. Padre José Alves de Sá Fernandes, para concluir a sua bra: «Elaboração de livros de contos, adivinhas, Dicionário em língua Mucua e Português».

Nesta Missão o Padre Alexandre trabalhou com muito sacrifício, viajando a pé léguas e léguas, ao lado dos seus 2 grandes amigos de viagem; Albino Paúa e Agostinho Língua.

No dia 15 de Agosto de 1994, celebrou as suas Bodas de Ouro em Avanca-Portugal.

Viveu até à sua morte, 80 anos de vida e 53 de vida Sacerdotal.

Faleceu na tarde de 25 de Outubro de 1997.

Por seu desejo ficou sepultado em Mutáli - Moçambique.

 

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Segundo o exarado no respectivo assento de baptismo, José Maria, filho legítimo de Domingos Marques e de Maria Valente da Fonseca, nasceu no lugar da Sardinha, freguesia de Santa Marinha de Avanca, a 2 de Abril de 1859. Por seu turno, consta do competente obituário que José Maria Marques, de 81 anos, solteiro, faleceu no Lugar da Bandeira, Avanca, a 1 de Abril de 1941.

Devido ao lugar onde nasceu, José Maria Marques, fica conhecido simplesmente por Marques Sardinha.

Para explicar o modo de vida de Marques Sardinha, nada melhor do que uma quadra que o próprio cantava :

Se um dia for's a Avanca
e prèguntar's pelo Marques,
qualquer pessoa te diz
que é home de quatro artes.
Primeira: sou lavrador;
segunda: sou musiqueiro;
a terceira, cantador;
e a quarta, sou ... putanheiro!
OU :
Como diziam as pessoas acerca dele
É um home solteirão
e home de quatro artes...

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Maria Marques de Sousa, veio ao mundo a 16 de Setembro de 1869, em Beduído, Estarreja, filha de Manuel de Sousa e de Constança Marques Couto, e que faleceu, com 77 anos, no lugar do Outeiro do Coval, em 31 de Dezembro de 1946. Foi casada em primeiras núpcias com Matias José Lopes, de Veiros, e ficou viúva de António Viola, do Bunheiro, Murtosa.

Morou no Agro. Duranto o inverno, vendia castanhas na Praça de Estarreja.

Devido ás Barbas que tinha, «tamanhas como as de um homem...», Maria Marques de Sousa, passou simplesmente a ser conhecida por, Maria Barbudo ou ainda só, Barbuda.

Maria barbuda foi sempre pobre, subsistindo mercê da côdea de broa agenciada na dura faina dos campos, para não falar nos magros ganhos como cantadeira.

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