Quarteto 1111

Índice
Os cavaleiros da bruma
José Cid
O Quarteto 1111 no "Em Órbita"
Músicas
Entrevista com José Cid
"O José Cid é o maior!"

Leia também:
Festival do Estoril (Salesianos)



Os cavaleiros da bruma

Crédito: Mário Lopes (Blitz)

Década de inovações e experimentalismos, os anos sessenta foram em Portugal, no campo musical, um período com poucas condições para evoluções estéticas profundas e com limitações que começavam no material rudimentar e terminavam no lápis azul da Censura. A maioria das bandas tentava copiar o que era difundido pela rádio e ouvido em ocasionais discos trazidos do estrangeiro. Os Beatles ou os Shadows eram a inspiração - a sonoridade dos quatro de Liverpool ou as guitarras dos autores de "Apache" eram identificados em quase toda a produção musical de então.

De um dos muitos grupos inspirados nos Shadows, o Conjunto Mistério, nasce o Quarteto 1111, que se torna rapidamente um caso à parte no panorama musical português, não só por utilizar a língua portuguesa quando não era usual fazê-lo, mas também porque musicalmente se afastava muito da média da época. A formação inicial era composta pelo vocalista e tecladista José Cid, pelo guitarrista Antônio Moniz Pereira, pelo baterista Michel Pereira e pelo baixista Jorge Moniz Pereira, que "decidiram trabalhar para fazer qualquer coisa diferente", acrescentando ter sido "exactamente isso que fizemos: estivemos um ano e meio fechados numa garagem", afirmou o cantor em conversa com o BLITZ.

O resultado causou a surpresa geral, sendo o tema título do primeiro EP da banda "A Lenda de El-Rei D. Sebastião", editado em 1967, a primeira canção portuguesa a tocar no 'Em Órbita', programa histórico de divulgação musical do Rádio Clube Português. Na apresentação da música, destacaram o seu caráter "eterno, de criação nacional e de validade perene e universal".

O sucesso surpreendeu os próprios elementos da banda, que viam em "Os Faunos", do mesmo EP, o ponto alto do disco, um rock com toques de psicodelia, ao qual José Cid se refere como "uma música com sons impensáveis".

Coincidência ou não, os trabalhos seguintes do Quarteto 1111 seguem o caminho iniciado com a "A Lenda de El-Rei D. Sebastião", mergulhando mais fundo no imaginário popular da história portuguesa, em contos trazidos das "brumas do passado" para a modernidade da pop actual.

Em 1968 concorrem no Festival da Canção da RTP com "Balada Para D. Inês", tema baseado na ambiência épica de uma secção de cordas. "Partindo-se", composto a partir do poema de João Ruiz de Castelo Branco, inserido no Cancioneiro Geral, é o último registro desta primeira fase. Ainda em 68, lançam o EP "Dona Vitória", onde deixam claro o seu posicionamento em relação ao regime. O que se encontrava escondido em metáforas, surge então marcadamente visível. Doses certas de idealismo e um realismo cruel na forma como eram abordadas as problemáticas de um país aprisionado pelo regime fascista passam a ser presença constante.

O ano de 1969 é paradigmático, com a edição de três singles ("Nas Terras do Fim do Mundo", "Meu Irmão" e "Génese/Monstros Sagrados"), em que o sonho de um mundo e de um país diferente se fundem em derivações pop, marcadas pela psicodelia das colagens de orgão, pela acidez das guitarras ou pelos efeitos de voz. "Génese" e "Monstros Sagrados" são mesmo caso único, em termos líricos, na obra da banda, reflexos de músicas escritas "num estado químico completamente diferente do normal", refere.

"Todo o Mundo e Ninguém", lançado em 1970, marca o regresso aos textos de autores portugueses, desta vez Gil Vicente. Nesse mesmo ano sai o baixista Jorge Moniz Pereira, substituído por Mário Rui Terra, e é com essa formação que preparam o registro seguinte, onde toda a criatividade disseminada nos singles editados reúne-se no primeiro álbum da banda. Escondida na simplicidade do título estava uma obra biconceitual, dedicada à emigração e à Guerra Colonial, um disco que surgiu de uma ideia pré-determinada: "eu e o António Moniz Pereira tinhamos a ideia que teríamos que fazer um álbum conceitual. Se os temas não fossem suficientes faríamos um biconceitual. E foi o que aconteceu, obstinadamente, obcecadamente, mesmo", relembra o cantor.

Incomodada pelo intervencionismo dos temas, a Censura retira o álbum do mercado poucos dias após a edição, impedindo o contato com o que será um dos melhores álbuns da música portuguesa, capaz de competir, em arrojo, qualidade e inovação, com o que se criava no estrangeiro, na época. Desde a folk de "João Nada" ou da versão das "Trovas do Vento que Passa", de Adriano Correia de Oliveira, passando pela soul de "Pigmentação", pelo desvario funk de "Fuga dos Grilos", pela pop de "Estrada Para a Minha Aldeia" ou pelo psicadelismo de "Maria Negra", o álbum representava uma fuga à tacanhez de um país que não estava interessado em mudanças, mantendo-se, ao mesmo tempo, umbilicalmente ligado a ele ou ao que dele se poderia fazer.

Poucos se terão se apercebido da sua existência, o que é confirmado por José Cid: "particularmente a partir de 73, 74, imperou um silêncio sobre a obra do Quarteto. Quando veio a possibilidade de revelar aquilo que tinha sido proibido antes do 25 de Abril, eu já não fazia parte das pessoas interessantes para divulgação, não fazia parte dos lobbies culturais".

Após a edição do álbum, e com uma nova formação, entrando Tozé Brito para o lugar de Mário Rui Terra, a banda aventura-se no inglês, editando os singles "Back to the Country" e "Ode to the Beatles", o que, de acordo com o principal compositor do grupo, surgiu sem qualquer pretensão, "tinhamos apenas escrito aquelas músicas e gostávamos delas; como o Tozé falava muito bem inglês, achamos que devíamos gravá-las".


"Green Windows" - 20 Anos
  (clique para ampliar)

Antes de uma frustrada tentativa de internacionalização, quando a banda se passa a denominar "Green Windows", participam, em 1971, do Festival de Vilar de Mouros, onde, apesar da liberdade que se respirava, são obrigados a cantar principalmente em inglês, por terem muitos dos seus temas proibidos pelo regime. No ano seguinte é editado "Sabor a Povo/Uma Nova Maneira de Encarar o Mundo", um prenúncio da transformação que se operaria em seguida: a banda passa a apresentar-se com quatro vozes femininas e dedica-se à composição de música pop ao gosto do gosto médio do público. Segundo José Cid, "a partir do momento em que deixamos praticamente de ter mercado e tivemos que começar a contar os tostões para fumar um maço de cigarro, começamos seriamente a pensar que tinhamos que tomar outra posição. Todas as portas estavam fechadas por causa do regime, a própria editora não nos apoiava".

No final de um show no Teatro São Luís, em Lisboa, inserida no Festival Dois Mundos, são convidados por um responsável da Decca inglesa a deslocarem-se às ilhas britânicas para a gravação de alguns temas, a primeira vez que tal fato aconteceu com uma banda portuguesa. Apesar das promessas de promoção e de algumas músicas gravadas em inglês, espanhol e francês, acabam por ser bem sucedidos apenas em Portugal (o primeiro single, "20 Anos", ultrapassa as 100 mil unidades vendidas).


"Green Windows" - 20 Anos
(clique para ampliar)

"Green Windows" e Quarteto 1111 chegam mesmo a co-existir paralelamente, pois, enquanto o primeiro fazia a sua primeira participação no Festival da Canção, em 75, o segundo, grava "Onde, Quando e Porque Cantamos Pessoas Vivas", influenciado pelo rock progressivo que grupos como Genesis, por exemplo, começavam a popularizar na Inglaterra - era álbum conceptual, que acabou por passar despercebido ao público, sendo hoje objeto de culto por parte dos colecionadores.

Uma reunião para o espectáculo de entrega do Prémio Gazeta, em 1987, acaba por dar origem ao lançamento de mais um single, "Os Rios Nasceram Nossos/Memo", que não tem continuidade, pondo o ponto final em uma história rica e esquecida. José Cid diz ter sentido durante muito tempo o "Quarteto muito silenciado e muito injustiçado. Ainda hoje ouço o nosso primeiro álbum e penso como é que fizemos isto?".

"Mas uma coisa é certa, era um grupo muito criativo e, apesar de ter existido por si, ter fechado o seu ciclo e não ter deixado frutos, houve quem o percebesse. A sua importância nunca foi negada", finaliza.


A história do Quarteto 1111 começa no Estoril, em 1967, quando Michel Pereira (cujo número de telefone termina em 1111) se junta a José Cid , António Moniz Pereira e Jorge Moniz Pereira. Estreiam-se com um single "A Lenda de El-Rei D. Sebastião", que consegue ser o primeiro disco português a tocar no programa de rádio "Em Órbita", até aí só acessível à música anglo-saxónica.

Em 1968 concorrem ao festival RTP da Canção interpretando "Balada para D. Inês", que se classifica em 3.º lugar. Algumas das canções do grupo tinham uma forte carga política, o que lhe valeu bastantes problemas com a censura.

Em 1970, Mário Rui Terra substitui Jorge Moniz e gravam o primeiro LP , simplesmente intitulado "Quarteto 1111". Este álbum foi mandado retirar do mercado, pela censura, por conter temas como "Domingo em Bidonville" e " Pigmentação". Tozé Brito (vindo dos Pop Five Music Incorporated; outro dos nomes grandes do pop/Rock nacional) entra para a banda substituindo Mário Rui.

Começam a cantar em inglês e tentam a internacionalização com temas como "Back to The Country" e "Ode to The Beatles". Em Agosto de 1971, o grupo actua no Festival de Vilar de Mouros, com um José Cid de barba e chapéu. José Cid (que era o teclista do grupo) fica encantado com os sons que ouve no "Moog" de Manfred Mann (também presente em Vilar de Mouros) e não descansa enquanto não arranja um. Em 1973 , José Cid toca "Moog" no disco " A Bruma Azul do Desejado", gravado com Frei Hermano da Câmara e o Quarteto 1111. Este foi o último disco que Cid gravou com o Quarteto, antes de abandonar. Mas, em 1974, o grupo já estava de novo reunido para gravar "Onde, Quando e Porquê, Cantamos Pessoas Vivas". Agora, para além de Cid, eram membros da banda o baterista Guilherme Inês, Mike Seargent, Tozé Brito e António Moniz Pereira.

A banda dura pouco tempo com esta formação e aparecerá uma formação totalmente nova (sem nenhum dos elementos originais) que usará o nome de Quarteto 1111. O grupo original ainda se reagrupará em 1987, para gravar o single "Os Rios Nasceram Nossos", mas não tem continuidade. Há reedições em CD do Quarteto 1111, para quem quiser ouvir o som produzido por esta banda pioneira do Rock português.

(Aristides Duarte)


José Cid

A primeira fase da carreira de José Cid é pioneira na busca de soluções musicais, em ruptura com as correntes estéticas dominantes. Enquanto líder e inspirador musical do Quarteto 1111, José Cid prima pela originalidade dos seus arranjos, próximos do psicadelismo do movimento hippye, e pela ousadia social das letras das canções. "A Lenda de El-Rei D. Sebastião" e "Os Faunos" são alguns dos temas que geram polémica a par de um êxito indiscutível.

Quando o grupo lançou "A Lenda de Nambuangongo", a censura não lhe perdoou e Cid chegou a ser proibido de entrar em território angolano:

Ao Norte de Angola
rajadas de vento
tingiram o céu
de sangue cinzento
eram algumas das palavras proibidas. O Quarteto 1111, permanecerá em actividade até 1973, com o número recorde de 28 canções censuradas pelo regime.

José Cid iniciara uma carreira a solo em 1969, com "Lisboa Camarada", igualmente censurado, e, em 1971, com "José Cid", onde, qual homem dos sete instrumentos, toca órgão, baixo, guitarras, piano e faz diferentes vozes. Utiliza pela primeira vez sons electroacústicos.

Em 1974 sai o último album do Quarteto 1111, "Cantamos Pessoas Vivas", onde José Cid dá sinais de iniciar a sua aventura no rock progressivo. Em 1977 lança, a solo, o EP "Vida (Sons do Quotidiano)", cheio de sons de instrumentos como o mellotron, o Mini Moog e sintetizadores de cordas. Em 1978 lança o LP "10.000 Anos Depois Entre Vénus e Marte", que é hoje considerado uma obra-prima do rock-progressivo. Neste disco participaram:

  • JoséCid: melotron, moog, piano, vozes, sintetizadores;
  • Zé Nabo - guitarras, baixo, viola acustica de 12 cordas ;
  • Ramon Galarza- percussão;
  • Mike Sargeant - guitarra, viola acustica de 12 cordas.
  •    
    Ramon Galarza
      José Cid
      Mike Sargeant

    A carreira de José Cid, ainda hoje muito presente, revela uma fantástica capacidade de adaptação às novas tendências musicais, algo que José Cid abertamente reconhece - ainda recentemente o ouvi anunciar que estava a desenvolver uma nova variante musical, o "etno-rock". Talvez este ecletismo tenha prejudicado a sua imagem de marca, pois à medida que ia evoluindo para novas paisagens musicais, ia alienando os admiradores da fase anterior.

    As áreas do rock e da música de intervenção, onde realizou trabalhos de grande qualidade, não terão reagido bem à sua posterior fase pop. Também a Revolução de Abril de 1974, com o radicalismo esquerdista que se seguiu, o prejudicou neste aspecto: a sua intervenção anterior em Festivais da Canção (um deles em vésperas da própria Revolução) determinou uma reacção negativa da intelligentzia cultural portuguesa, que preferiu idolatrar os supostos "cantores revolucionários" onde, a par de alguns inegáveis talentos (José Afonso, Adriano, Sérgio Godinho e Fausto) se encontrava muita mediania e até mediocridade.


    O Quarteto 1111 no "Em Órbita"

    Texto lido por Cândido Mota como introdução à emissão, no programa radiofónico Em Órbita da "Lenda d'El Rei D. Sebastião". A solenidade do texto justificava-se pelo facto de ter sido esta a primeira (e única ?) vez que o Em Órbita emitiu música cantada emportuguês.

    "Em Órbita vai proceder hoje à transmissão de um trecho de música popular portuguesa. Porque se trata de uma medida sem precedentes neste programa, e por termos o maior respeito pela nossa própria coerência e por todos quantos nos acompanham com a sua adesão consciente e construtiva, tem pleno cabimento algumas palavras introdutórias ao trecho que vamos apresentar. Desde sempre que alguns dos mais conhecidos intérpretes e conjuntos portugueses de música ligeira que nos têm procurado, seguindo modalidades várias de aproximação no sentido de Em Órbita divulgar as suas respectivas realizações, em amostra, em disco ou em registo magnético. Em face dessas sucessivas tentativas, sempre nos recusámos em aludir, por considerarmos que a totalidade dessas realizações não justificava o nosso interesse em abrir excepções, quer por entendermos que a sua transmissão iria ocupar tempo que poderia ser preenchido com larga vantagem pela nossa música habitual, quer por considerarmos que nenhuma delas reunia as condições mínimas para poder representar qualquer coisa de semelhante a uma tentativa honesta e inédita do lançamento das bases da música popular portuguesa que todos nós em boa consciência queremos renovada por inteiro de alto a baixo.

    Por varias vezes e sob diversos pretextos temos aqui exprimido alto e bom som que somente transmitiríamos qualquer modalidade de música popular portuguesa que tivesse um mínimo daqueles requisitos que poderemos condensar assim:

    1 ° - Autenticidade aferida em função do ambiente e da sociedade portuguesa e da tradição folclórica do nosso país. 2° - Afastamento radical da utilização puramente oportunista de padrões internacionais e pseudo internacionais, impossíveis de transpor com verdadeira honestidade para o nosso meio.

    3° - Rompimento frontal com as formas de música popular comercial mais divulgadas em Portugal e que se caracterizam pela teimosa insistência em seguir os figurinos caducos e provincianos de Aranda do Douro, San Remo ou Bênidorm.

    4° -Demonstração de um poder criador e interpretativo que ultrapassasse de forma a não deixar dúvidas, apelando a uma imitação grotesca que se faz no estrangeiro, quer na forma de copia pura e simples, quer na de adaptações apressadas, quer na utilização de uma língua, de um estilo ou de um som de importação, tudo defeituosamente assimilado.

    Estes portanto os requisitos mínimos que sempre exigimos a nós próprios e aos que nos procuraram com pedidos de transmissão. Nunca nos limitámos porém a uma recusa seca é peremptória. Os nossos pontos de vista sempre os exprimimos desenvolvidamente em particular e em público.

    Os que nos ouvem com regularidade, devem recordar-se do que aqui foi dito sobre este mesmo tema no ano passado. As nossas sugestões sobre os caminhos a seguir na nossa opinião ficaram então bem claras. Recordemos algumas delas:

    Recurso ao folclore português nas suas múltiplas variedades e manifestações.

    A ligação intima à realidade portuguesa nos seus mil e um aspectos e facetas.

    Recurso à poesia portuguesa popular ou erudita, medieval, clássica ou contemporânea.

    O aproveitamento das formas melódicas e rítmicas da musica popular portuguesa, ainda não adulterada.

    A revisão total dos temas e respectiva forma de expressão com base na construção lírica dos poetas da literatura portuguesa, do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende aos poetas da actual geração de Coimbra. Sem preocupações de síntese, estas são algumas das formas possíveis no nosso entender de encarreirar a música popular portuguesa para alguma coisa de novo, de verdadeiro e de autentico. Há anos que vimos proclamando. Nunca ninguém demonstrou ou procurou demonstrar que no plano dos princípios e em concreto, estávamos errados.

    Posto isto temos, para nós, que o trecho que vamos hoje apresentar, preenche os requisitos mínimos para a sua divulgação por este programa com todas as implicações que a sua transmissão através de Em Órbita acarretam.

    Tendo por título A Lenda del Rey D. Sebastião, é escrito por um português é tocado e cantado por portugueses. Não vamos fazer uma apreciação exaustiva desta gravação, das suas qualidades que são muitas, e dos seus defeitos que terá alguns.

    Vamos apenas apontar o que nela se nos afigura existir de importante e de novo. Assim é desde logo um apontamento especial sobre os aspectos puramente interpretativos, instrumentais e vocais, e num período em que neste programa se dá cada vez mais importância aos criadores e cada vez menos aos intérpretes, a gravação que vamos apresentar tem qualidade interpretativa mais do que suficiente, e uma nota que sobressai com rara evidencia

    O que neste trecho impressiona mais, o que nele se inclui de mais nitidamente inédito, é que em cima de uma melodia de encantadora simplicidade, há uma história singela, popular, portuguesa, dita em versos directos, certeiros, desenfeitados. Conta-se uma história, uma lenda. Como lenda que é trazida até hoje pela herança popular, pertence ao folclore, ao património mais íntimo da comunidade e dos costumes do nosso país.

    Depois, é um tema eterno, de criação nacional e de validade perene e universal. É um Sebastianismo colectivo que na lenda se retrata É a ideologia negativista dos que têm uma crença irracional em coisas, em valores e em poderes que não existem, dos que se deixam enganar pelos falsos Messias do oportunismo e da mistificação. A lenda del Rey D. Sebastião, escreveu José Cid, é o Quarteto 1111."


    Reproduzido do Forum da página dos Diamantes Negros


    Veja também:
    Nota acerca do festival pop/rock que José Cid tentou organizar no Estoril (Salesianos) em 1969]


    Marcos principais da carreira de José Cid:

    • 1956 - Funda "Os Babies", um grupo especializado em cantar versões de rock'n'roll.
    • 1960 - Com José Niza, Proença de Carvalho e Rui Ressureição funda o "Conjunto do Orfeão".
    • 1967 - Nasce o "Quarteto 1111" e, com ele, um tema para a história: "A Lenda de El-Rei D. Sebastião".
    • 1968 - "Balada para D. Inês" classifica-se em terceiro lugar no Festival RTP da Canção.
    • 1969 - O primeiro disco a solo, "Lisboa Camarada", é proibído pela Censura.
    • 1973 - Grava "20 Anos", com os "Green Windows", a sua nova formação.
    • 1974 - Leva ao Festival RTP "A Rosa que Eu te Dei" e "No Dia em Que o Rei Fez Anos", duas canções que se vão tornar, de imediato, enormes êxitos.
    • 1978 - Edição de "A Minha Música".
    • 1980 - Triunfa no Festival RTP com o tema "Um Grande, Grande, Amor". Classifica-se em 7° lugar no Eurofestival, a melhor classificação portuguesa até à data.
    • 1981 - A canção "Morrer de Amor por Ti" classifica-se em 2° lugar no Festival RTP.
    • 1983 - Conhece, de novo, o êxito, com as canções "Como o Macaco Gosta de Banana" e "O Rock dos Bons Velhos Tempos".
    • 1994 - Edita "Vendedor de Sonhos".

    Oiça nesta página do Quarteto 1111 as músicas do Albúm homónimo:

    João Nada
    Domingo em Bidonville
    Uma estrada para a minha aldeia
    A fuga dos grilos
    Trova do vento que passa
    Pigmentação
    Maria Negra
    Lenda de Nanbuangongo      [letra]
    Escravatura

    A canção «A Lenda de El-Rei D.Sebastião» foi incluída na colectânea «Os Reis do Ritmo», publicada em 2003 pela editora Valentim de Carvalho

    Entrevista com José Cid

    Por Sérgio Lemos, "Correio da Manhã", 18.Jan.2004

    Em 1976 cantou o tema ‘Ontem, Hoje e Amanhã’, em versão inglesa, no Festival da Canção de Tóquio. Estava a competir com Gilbert O’Sullivan, a brasileira Simone e Elton John. Eram 48 os participantes e José Cid passou à fase final com outros 12. Teve uma audiência estimada em 900 milhões, naquele que era considerado o Festival da Eurovisão do Oriente. No fim ouviu o apresentador dizer: "and for a outstanding composition: Portugal" (e por uma espantosa composição: Portugal) – tinha derrotado Elton.
    Elton John é hoje mundialmente conhecido. Nunca lhe passou pela cabeça que, se tivesse nascido no Reino Unido e cantado em inglês, a sua carreira musical teria sido diferente?

    Ponho as coisas ao contrário. Se o Elton John tivesse nascido na Chamusca, ia-lhe ser muito complicado fazer a carreira que eu fiz em Portugal. Eu sento-me ao piano e faço canções sem ter qualquer necessidade de poeta ou produtor. Sou protagonista da minha obra.

    Portanto, se o Elton John tivesse nascido na Chamusca

    Teria sido muito complicado. Ou se os Rolling Stones tivessem nascido em Almada não teriam feito a carreira em Portugal dos Xutos e Pontapés ou dos UHF. Depois, era incapaz de calçar sapatinhos a condizer com a carteira. Ainda que em Tóquio tivesse barba, óculos redondos azuis, um grande chapéu de cabedal preto, um lenço indiano cheio de colares, um cinto largo de cabedal e umas calças e botas pretas de cabedal até acima. E, por cima de tudo, um capote alentejano. O Elton olhava para mim como se eu fosse um extraterrestre. E eu não estava vestido como a rainha de Inglaterra.

    Vamos regressar à Chamusca. O José Cid nasceu lá

    Os meus pais eram proprietários agrícolas do Ribatejo e fizeram uma fábrica de concentrados de tomate e outros derivados. Lembro-me muito dos meus amigos e dos oleiros. Quando vinha da escola primária, passava por um oleiro e ficava hipnotizado. Um dia levei um grande castigo porque cheguei a casa com duas horas de atraso.

    Tem duas irmãs mais velhas. Foi mimado?

    Os meus pais sempre quiseram ter um filho. Posso dizer que fui mimado pela minha irmã mais velha, até mais do que pela minha mãe. O meu pai era uma pessoa muito distante. A Maria São João, que compreendeu sempre a minha carreira, hoje é enóloga na região da Bairrada; a minha outra irmã, Margarida, vive entre Lisboa e a Chamusca e era casada com um neto do poeta Eugénio de Castro.

    Chama-se José Cid Tavares. O Cid é da Chamusca?

    Sim. E a Ferreira Tavares é de Mongofores, na Anadia. Há um ramo familiar proveniente de Ciudad Rodrigo e alguns dos nossos parentes, dizem que somos descendentes do El Cid. Mas isso é mentira; ele teve duas filhas e foram freiras. A não ser que tenha havido uma invasão do convento. Para bem delas.

    Cresceu na Chamusca até que idade?

    Até aos 10 anos. Depois fomos para Mongofores, uma aldeia perto da Curia. Andei em colégios onde encontrei sempre gente que cantava e tocava – como por exemplo no colégio dos Jesuítas, em Santo Tirso, onde ganhei um primeiro prémio de canto coral. Em Coimbra, noutro colégio onde estive, tive a felicidade de me cruzar com jovens como o António Portela e o Rui Ressurreição, que são a base da minha aprendizagem musical.

    Suponho que os seus pais não achariam graça à sua queda para a música.

    Nenhuma. Em 1954 era vocalista de uma banda de rock em Coimbra, os Babies, a primeira do pop rock português. Só pude cantar porque menti aos meus pais, dizendo-lhes que todo o dinheiro que ganhávamos era para dar apoio aos desvalidos.

    E afinal não era nada disso

    Era para jantaradas na baixa de Coimbra e para ir visitar as raparigas no Terreiro da Erva.

    É nessa altura que toca com o Daniel Proença de Carvalho?

    Foi mais tarde, quando sai dos Babies e integrei o grupo de jazz do Orfeão, também em Coimbra; o Proença de Carvalho era o contrabaixista.

    Como é que era esse grupo?

    Era mais novo que eles e vocalista; cantávamos cenas ‘jazzisticas’ americanas e, também, bossa nova.

    Em Coimbra a tocar jazz, eram popularíssimos

    Éramos. Os melhores lá da terra. E vinham grupos à queima das fitas e ficavam boquiabertos. Tocávamos um tema do Modern Jazz Quartet que surpreendia os estrangeiros.

    E davam autógrafos?

    Não, isso não. Nessa altura, as meninas ainda não pediam isso. Apenas batiam muitas palmas e gostavam muito de nós. Essa moda só aparece na altura do Quarteto 1111, influenciados pelos americanos e ingleses.

    Quando é que se apercebeu que advocacia não era a sua vocação?

    Na área jurídica o silêncio é uma vitória. Ora, eu não sou muito silencioso.

    Como a família encarou a falta de vocação?

    Depois de chumbar quatro vezes no primeiro ano, vim para Lisboa fazer aquilo de que gostava; ser professor de ginástica. Só não terminei o curso porque o Quarteto 1111 já tinha arrancado e depois meteu-se o serviço militar.

    Onde é que fez o serviço militar?

    Na OTA, fui professor de ginástica entre 1968 e 1972. Dava aulas de manhã e à tarde ia ensaiar para a garagem. Aos fins-de-semana, actuava com os 1111.

    Quando é que surge o salto para a notoriedade?

    Foi no ‘Em Órbita’, onde o Cândido Mota, que fazia a locução, passou ‘A Lenda de El Rei D. Sebastião’. E foi um ‘boom’. A Emi-Valentim de Carvalho quis gravá-lo. Começámos depois a trabalhar na ‘Balada para Dona Inês’ e em ‘O Meu Irmão’. No final dos anos 60 gravámos o primeiro álbum, que era conceptual, abordando os problemas da emigração e do colonialismo.

    E foi aí que teve problemas com a censura.

    O álbum saiu em Janeiro de 1970. Uma semana depois foi engavetado. Nesse álbum está a primeira versão das ‘Trovas do Vento que Passa’. Tinha estado com o Adriano Correia de Oliveira na recruta em Mafra e em Santarém e, nessa altura, já o Adriano as cantava. Pedi-lhe para fazer uma versão com o Quarteto 1111 e o Adriano acedeu, embora depois tenha havido problemas porque o poema é do Dr. Manuel Alegre e a música, o Adriano dizia que era dele e não era, era do António Portugal. Houve polémica. Depois disso, comecei a gravar a solo.

    Além do disco, tiveram outros problemas com a censura?

    Quem teve grandes problemas, por exemplo o Zeca Afonso ou o Adriano, foram os homens de esquerda, de oposição ao regime. Nós não éramos sequer republicanos. Tínhamos um sentir diferente da oposição. Estávamos como um peixe fora de água porque tínhamos ideais monárquicos. Salazar sabia que o grande perigo para o regime era o comunismo. Não só não estávamos de acordo com o colonialismo, nem com a forma como este país era gerido; mas isso ainda não estou.

    E ainda não está de acordo com a existência da própria República

    Não estou de acordo com a forma como o país está a ser orientado. Quando falo em Monarquia, não falo de duques e baronatos mas duma Monarquia do povo. Todas essas centenas de anos de história que deitámos para trás num regicídio incrível de um rei fantástico, que se chamava D. Carlos. Depois, todo o sistema não presta. O Salazar arrancou bem durante dez anos e depois foi ainda pior que os outros. Foi um homem sem coragem. Nenhum dos partidos do pós-25 de Abril é nacionalista, defendem só interesses partidários. Da forma como estão a governar, não podem fazer o país feliz. E depois temos aqui ao lado a vizinha Espanha, nacionalistas que gostam mesmo daquilo que têm de mau, enquanto nós não gostamos nem do que temos de melhor. Os sonhos da minha geração não foram cumpridos.

    Continua a ser monárquico?

    Não sou anti-republicano. Não só anti-nada; a não ser anti-fascista e anti-comunista estalinista, um regime sectário e assassino. Tanto censuro o Estaline que matou milhões na Sibéria como o Hitler. Nunca vi foi nenhum filme feito na Sibéria Não sou anti-nada, a não ser ao atrás referido. Também não sou anti-republicano. Agora, neste momento, não há ditaduras monárquicas e há republicanas.

    O que é que pensa do dr. Jorge Sampaio?

    É um homem de cultura, interessante. Mas tem pouco poder e, por isso, não faz nada. Nem sequer pode dizer: o rei vai nu. Ou neste caso, a República vai nua. Conheço, pessoalmente, D. Duarte. É um homem muito interessante, culto e instruído, só que tem muito pouca coragem política. Já lhe disse que era tão fácil, ele ser neste momento a alternativa política.

    Há uma história sobre a sua canção ‘O Dia em que o Rei Fez Anos’ e a do Paulo de Carvalho ‘E Depois do Adeus’, que foi a senha da revolução de Abril.

    ‘O Dia em que o Rei Faz Anos’ é a história do Dia 25 de Abril. Era uma profecia relativa porque era inevitável que o regime de Marcelo Caetano caísse. É muito mais a descrição do que se passou do que ‘E Depois do Adeus’.

    Numa entrevista disse que não percebia porque não tinham escolhido a sua música em vez da do Paulo de Carvalho.

    Na altura não percebia, hoje percebo. Eu não estava propriamente envolvido no 25 de Abril, embora desejasse uma mudança. O autor do ‘E Depois do Adeus’ estava.

    Estava então com os "Green Windows".

    Eram o Quarteto 1111 mas mais comercial e com algumas das namoradas e das mulheres, numa altura em que já não éramos jovens. Tínhamos casado, tínhamos crianças, precisávamos de pagar a renda da casa.

    Nessa altura já era pai.

    Era.

    Como foi ser pai?

    Tinha 22 anos.

    Muito cedo.

    Pois foi. Por isso, a minha filha já tem hoje quase 40. Mas foi muito interessante. Era uma criança muito engraçada. Precoce e inteligente.

    Qual era a sua relação com ela?

    Ela escrevia poemas. Tinha muita facilidade em escrever e ainda tem, provavelmente. E, de repente, revelou a sua veia artística cantando também em vozes com a banda Tribo e escrevendo algumas coisas. Mas depois houve uma paragem. Ela foi para Estados Unidos. Houve um afastamento bastante grande entre nós, que ainda permanece.

    Permanece porquê?

    Há um grande choque de gerações.

    Mas ela é parecida consigo?

    Digamos que eu sou mais saudável, mais desportivo. E mais não digo.

    É a única filha que tem?

    É.

    E nunca mais quis ter filhos?

    Não aconteceu. Acho que se pode transferir a afectividade e depois tem de haver um paraíso e as pessoas podem encontrar-se lá.

    Viveu sempre rodeado de mulheres?

    Sim e não. Eu gosto muito de estar sozinho e muito de estar acompanhado mas quando quero. Tenho um excelente relacionamento com a minha mulher actual que vive no Porto. Eu vivo na Anadia, a 80 quilómetros; vemo-nos aos fins-de-semana ou durante a semana. Não nos enganamos, não é nada disso, eu quero é estar sozinho. Não estar dependente de horários de uma casa. E a solidão não existe.

    Gosta de solidão, porém tem fama de namoradeiro.

    Quando calhava. Agora não. Eu casei três vezes mas nos intervalos, é verdade, era muito namoradeiro.

    Portanto, gostava de casar

    Não sei se era propriamente de casar

    A sua casa na Anadia é antiga e enorme.

    E é uma casa que me caiu em cima. Estou a fazer uma casa pequenina, funcional e barata. De 16x10m com vista sobre o Ribatejo. Uma casa onde não me perca.

    E perde-se na sua casa da Anadia?

    É enorme, tem uma capela interior, vários salões, muitos quartos e é grande demais para mim.

    Afinal, sempre tem problemas de solidão.

    Nenhum. A casa está cheia de fantasmas com quem eu posso falar.

    A casa é assombrada?!...

    Um bocadinho, por pessoas que pertenceram ao passado, que recordo e com quem gosto de falar. A minha avó, por exemplo.

    Quem era a sua avó?

    A minha avó Piedade, mãe do meu pai, uma pessoa muito culta. O pai dela foi o primeiro Governador Civil de Aveiro que esteve nas lutas Republicanas ao lado do avô do dr. Manuel Alegre. Chamava-se Albano Coutinho e marcou muito a filha que me marcou também muito. A minha avó chegou a conhecer a Natália Correia e tinha com ela grandes conversas, sobre tudo.

    O que é que ela lhe legou.

    Bater-me por causas, ser solidário, saudável e curtir a minha loucura. Ainda faço competição desportiva, neste fim-de-semana consegui um terceiro lugar em 50 cavaleiros; para a minha idade A minha avó ensinou-se a nunca cortar as asas. Ela estava muito à frente da minha mãe.

    Falou de loucura. Manteve a loucura dos 20 anos?

    O grande problema é que as pessoas hoje levam muito mais a mal a loucura. Mas não faço de propósito, sou assim.

    Já escreveu quantas músicas?

    Eu sei lá. Uma média de 12 músicas por álbum, sendo que a minha carreira discográfica começou em 1967. Gravo todos os anos, um álbum.

    Donde é que vem essa criatividade toda?

    Em termos de criatividade, agora estou muito parado.

    Porquê?

    Não tenho escrito nada. Escrevi bastante bem até há um ano e meio e agora parei. Mas não há problema nenhum. Tenho arquivos poéticos; de repente, se sentir que preciso de fazer um álbum, posso utilizá-los. Tenho a Natália Correia, o Manuel Alegre, a Rosa Lobato Faria e muita outra poesia que me deram. Outros poetas geniais que descobri são o Teixeira de Pascoaes e o Miguel Torga.

    Isso é mesmo uma espécie de precaução, não vá a poesia falhar

    Não vá não, já está a falhar! Se a minha falha, tenho a poesia dos outros.

    Tem medo disso?

    Não. Estou seco de criatividade mas não me vou preocupar. É como um homem que chega aos 60 anos e diz: não tenho mais erecções normais. Não vale a pena tomar Viagra.

    Mas espera que daqui a um mês, um ano, a criatividade retorne?

    Espero que volte já amanhã.

    A sua carreira é um bocado camaleónica. Dá a impressão que sempre fez aquilo que lhe deu na cabeça.

    Exactamente.

    Mas isso paga-se...

    com o silêncio. Estou a gravar fados mas não sairão com grande mediatismo. E já tenho metade de um álbum antigo de originais. Só para ter. Como tenho o meu estúdio, vou gravando porque de repente perco a voz Assim, posso editar durante a primeira década de 2000. Mesmo que não tenha voz, os álbuns poderão continuar a sair.

    A possibilidade de perder a voz atormenta-o?

    É normal, tenho 62 anos. Posso perder a voz. Mas se tiver as canções gravadas, duro mais.


    "O José Cid é o Maior! (Já Tinha Dito?)"

    Comentário do Blog A Forma do Jazz

    "Consegui finalmente arranjar o mítico "10.000 Anos Depois Entre Vénus e Marte". É o grande álbum progressivo de José Cid, datado de 1978. Trata-se de um objecto de coleccionador e o vinyl da edição original atinge valores exorbitantes (já ouvi falar em 500€...). Não é caso para menos. Este é realmente um grande disco, da melhor colheita da década de 1970 e não foi à toa que foi eleito um dos 100 melhores de sempre do "prog-rock". Musicalmente, este objecto obedece a todas as regras do estilo - músicas longas, estranhas, épicas. É um objecto conceptual e nele conta-se a história de um homem perdido no tempo e no espaço, através de devaneios moog e guitarra. Para os fans do progressivo, o único senão é mesmo ser cantado em português... Não será um marco de inovação, mas é uma criação artística ao nível do melhor dos Yes (e, vão-se lixar, mas eles são muito bons!). Para arrumar na prateleira acima de "Ascensão e Queda" dos Petrus Castrus, ao lado de "Fragile" dos Yes."

    "Depois do marco que foi o Quarteto 1111, este disco é só a confirmação do Cid como o mais importante músico rock português dos 1970's. A carreira pop que se seguiu, entre a canção pop perfeita (e são tantas!) e a música de gosto duvidoso (também há algumas, é verdade, ninguém é perfeito...), mostrou apenas a sua versatilidade."


    Página de Tó Zé Brito

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