Deives Ferreira Castilho
Licenciatura em Física
Universidade Federal de Uberlândia - UFU


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O paradoxo dos irmãos gêmeos

A elevada precisão dos relógios atômicos permitiu testar uma das conclusões mais espetaculares da teoria da relatividade restrita DOP observadores em movimento, um em relação ao outro, não tem a mesma escala de tempo. Assim, para um observador parecerá que o ritmo normal de um relógio em movimento uniforme, com a velocidade v, será mais lento, pois desse modo irá cronometrar o seu deslocamento como se o relógio estivesse imóvel A diferença C totalmente imperceptível para as velocidades a que estamos habituados. No entanto, ela se tornará cada vez mais sensível à medida que a velocidade se aproxima da velocidade da luz. Por exemplo, para uma velocidade de 240.000 km/h, ou seja, 80% da velocidade da luz, o ritmo aparente d de 5/3, ou seja, 1,6666 vez mais lento. Para 99% da velocidade da luz, o fator de desaceleração será de cerca de 7. Para 100% da velocidade da luz - limite inacessível -, este fator será infinito: o relógio em movimento parecerá indicar sempre a mesma hora
Para ilustrar esse fenômeno da dilatação do tempo, o físico francês Paul Langevin (1872-1946) por ocasião de uma conferência, em 1911, associou o fenômeno à viagem de doa gêmeos. Desde então, esta conclusão da teoria da relatividade passou a ser denominada paradoxo dos gêmeos. Imaginemos dois gêmeos: um deles permanece na Terra enquanto o outro realiza um vôo de ida e volta a grande velocidade (cerca de 240.000 km/s, para fixarmos as idéias) em direção a uma estrela situada a distância de 4 anos luz.
Visto da Terra, o percurso de ida e volta deverá durar dez anos. Com relação à Terra, os relógios a bordo no foguete (e em especial os relógios biológicos, como o ritmo cardíaco ou o metabolismo) sofrem em sua marcha um atraso de um fator de 5/3.
Ao retornar, o gêmeo viajante não envelheceu 10 anos como o seu irmão, mas somente três quintos de dez, ou seja, 6 anos. Este resultado surpreendente não constitui o paradoxo. Se raciocinássemos do ponto de vista do viajante, na realidade, quem realizou a viagem com a velocidade de 240.000 km/s foi seu irmão que ficou na Terra, e que deverá estar mais jovem no momento do encontro de ambos.
O paradoxo C aparente, pois a situação não t simétrica: o gêmeo viajante sofreu acelerações, pelo menos para contornar seu caminho enquanto seu irmão que permaneceu na Terra não sofreu nenhuma Como o raciocínio aplicado aos gêmeos se baseia nas leis da teoria da relatividade restrita, que se limitam aos observadores em movimento retilíneo e uniforme (velocidade constante em grandeza como em direção), uns em relação aos outros, a conclusão acima exposta não se aplica aos gêmeo. Um tratamento rigoroso do problema conduziria à conclusão de que o gêmeo viqm8 envelheceu com menos rapidez. Se partisse no ano de 1994, com a idade de 20 anos ele retornaria à Terra em 2004 com 26 anos: a viagem para o futuro em princípio C possível, pelo menos a ida sem volta.


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