A Infância
Do
nascimento em Ulm (14/03/1879), pequena cidade ao sul da Alemanha, à
juventude em Zurique, Einstein, para usar um dito popular, comeu o
pão que o diabo amassou. Entre mudanças de cidades e falências das
empresas do seu pai, Einstein enfrentou o autoritarismo da escola
alemã e os preconceitos raciais tão intensos naquela época. Logo
cedo demonstrou aptidão para atividades individuais. Ao invés de
jogos infantis no jardim, com as outras crianças, preferia
construir, sozinho, complicadas estruturas com cubos de madeira e
grandes castelos de cartas de baralho, alguns com catorze andares.
Aos sete anos ele demonstrou o teorema de Pitágoras, para surpresa
do seu tio Jakob, que poucos dias antes lhe ensinara os fundamentos
da geometria (Fölsing, p.22). Mas, se para a matemática e para as
ciências naturais ele era mais do que bem dotado, porque possuidor
de grande intuição e habilidade lógica, para as disciplinas que
exigiam capacidade de memória era um fracasso! Geografia, história,
francês e, particularmente, o grego constituíam obstáculos quase
intransponíveis; decorar conjugações de verbos era para ele um
horror! Enfim, no conjunto das suas habilidades infantis, nada
deixava transparecer o gênio que viria a ser; seus familiares
acreditavam até que ele poderia ter algum tipo de dislexia (Clark,
p.27).
Em conseqüência das
suas dificuldades para memorizações ele se desinteressa pelas aulas
que exigem tais habilidades, provocando violentas reações dos seus
professores. Tanto, que certo dia o diretor da escola,
coincidentemente o professor de grego, convoca-o para uma reunião e
declara, entre outras coisas, que seu desinteresse pelo grego era
uma falta de respeito pelo professor da disciplina, e que sua
presença na classe era péssimo exemplo para os outros alunos.
Encerrando a reunião, o professor disse que Einstein jamais chegaria
a servir para alguma coisa (Fölsing, p. 28). A partir desses fatos,
parece natural, à luz da psicanálise, o "esquecimento" que Einstein
sempre demonstrou ter em relação à sua infância e à sua
adolescência. Apenas três fatos desse período lhe são relevantes: as
lições de violino que sua mãe lhe dava, as "aulas" de geometria do
seu tio Jakob e a história da bússola. Certo dia, quando aos cinco
anos se recuperava de uma enfermidade, Einstein ganhou do pai uma
bússola de bolso que lhe causou profunda impressão, pois o ponteiro
sempre apontava para o mesmo lugar, não importando a posição em que
a bússola fosse colocada. Nas suas notas autobiográficas (Schilpp,
p.9) ele descreve esta reação com a palavra alemã "wundern", que
pode ser traduzido por "milagre". O mesmo tipo de sensação ele teve
quando aos doze anos leu um livro de geometria, e imediatamente
lembrou-se da demonstração do teorema de Pitágoras que fizera aos
sete anos. Da sua época colegial ele costumava dizer que "os
professores da escola primária pareciam sargentos, e os do ginásio
pareciam tenentes" (Frank, p.11).
Aos quinze anos
Einstein abandona o Gymnasium e parte para Milão, onde vivem seus
pais. Um ano depois seu pai comunica que não pode mais lhe dar
dinheiro, pois a fábrica estava, mais uma vez, à beira da falência.
"É preciso que você arranje uma profissão qualquer, o mais rápido
possível" (Levy, p.24), sentencia o senhor Hermann Einstein. Foi
então que Albert decidiu fazer física, mas, não possuindo o diploma
do Gymnasium, ele não podia entrar na universidade. Como alternativa
ele poderia freqüentar um instituto técnico, e Einstein escolhe
simplesmente o mais renomado da Europa central, a Escola Politécnica
Federal (Eidgenössische Technische Hochschule), a ainda hoje famosa
ETH, em Zurique (Suiça). Na primeira tentativa de ingresso ele é
reprovado nas provas de botânica, zoologia e línguas modernas, mas
seu excelente resultado em física chamou a atenção do diretor da
escola, que lhe aconselha a freqüentar uma escola cantonal em Aarau,
próxima a Zurique, a fim de obter o diploma dos estudos secundários,
com o qual adquiriria o direito de freqüentar a ETH, ou a
universidade. Em 1895, aos dezesseis anos, Einstein estava mais do
que feliz no ambiente livre e motivador da escola cantonal, e se
preocupava com um problema que nem ele, nem seu professor sabiam
resolver: queria saber qual o aspecto que teria uma onda luminosa
para alguém que a observasse viajando com a mesma velocidade que
ela!! Este problema voltaria tempos depois, quando Einstein formulou
sua teoria da relatividade.
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