Primeiro Estágio:
Fase de
Congestão Venocapilar Pulmonar
Esta fase ocorre quando por qualquer razão, aumenta o valor da pressão
atrial esquerda de seu valor normal (< 10 mmHg) para nível mais elevado (até
um limite em torno de 20 mmHg).
Esse nível de pressão está associado
com transdução, havendo transferência de líquido plasmático para o
interstício.
Como os linfáticos conseguem remover o
excesso de líquido, não há aumento do volume do líquido intersticial. Neste
caso, o paciente exibe apenas tosse e dispnéia.
Portanto, todos os pacientes com ICC
esquerda e congestão pulmonar estão na primeira fase do edema agudo de
pulmão.
Quando há hipertensão atrial esquerda
e, portanto, hipertensão venocapilar pulmonar, o trânsito de líquidos do
capilar para o interstício aumenta, mas a drenagem linfática é capaz de
retirar todo o excedente, de modo que, nesta fase evolutiva, não há acúnulo
de líquido no interstício (edema).
Entretanto, os pulmões congestos são
pesados, rígidos, mais difíceis de expandir, de modo que o paciente passa a
apresentar dispnéia. Receptores J detectam o hiperfluxo de líquido,
produzindo tosse típicamente seca.
Segundo estágio: Fase de
Edema
Pulmonar Intersticial
Com a redução do débito cardíaco e
fluxo de sangue reduzido na aorta, a atividade dos corpúsculos
aórtico-carotídeos se reduz, resultando em descarga simpática.
Dentre outras conseqüências, ocorre
venoconstricção sistêmica, com maior retorno venoso ao coração direito,
ativação do mecanismo de Frank-Starling no VD e piora da congestão pulmonar;
se estabelece, então, maior transudação de líquido.
Quando a capacidade de drenagem
linfática é superada, tem início o acúmulo de líquido no interstício (edema)
que cerca os brônquios e os capilares pulmonares.
Habitualmente, nesta fase a pressão atrial
esquerda varia entre 20 e 30 mmHg.
Tipicamente, o paciente exibe nesta
fase agravamento da dispnéia e piora nas trocas gasosas, surgindo o padrão
radiológico de "edema intersticial" e estertores crepitantes em bases
pulmonares, quando da ausculta.
O pulmão inchado por edema é pesado,
de complacência reduzida (difícil de expandir), o que aumenta
extraordinariamente o trabalho respiratório, daí a dispnéia tornar-se mais
intensa (mesmo com hipoxemia discreta ou mesmo ausente).
Em muitos pacientes (mas não em todos), o edema brônquico estreita a luz
e deteriora a ventilação, determinando aumento localizado da resistência das
vias aéreas ao fluxo de ar, podendo isso agravar a dispnéia e produzir
sibilância.
Terceiro Estágio:
Fase de
Edema Agudo de Pulmão (Edema Alveolar)
Com o acúmulo de líquido, a pressão hidrostática
intersticial aumenta, e de negativa torna-se positiva formando a membrana
alvéolo-capilar; em conseqüência, há rompimento das células alveolares, e o
líquido jorra para o interior dos alvéolos através das membranas
alvéolo-capilares rotas, determinando edema alveolar.