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Deus
- Eu vi!
Impotente eu vi!
As chamas lambendo a vegetação.
- Eu vi!
Na fúria descuidada, em gozo,
Arrastando a devastação
Matando e queimando.
- Eu vi!
Vi Deus na fúria do vento,
Na revolta das chamas
E insegura clamei:
- Por que?
Foi quando senti
O frio gelado da gota de orvalho
Correndo livre na minha face.
Pensei chorar.
- Não!
A água correndo cristalina
Não tinha o gosto do sal.
Era doce, suave e cálida.
Então percebi:
- Era o choro sentido
Da natureza magoada
Que foi correndo, correndo,
Descendo ladeira abaixo
Levando consigo a fumaça
E as labaredas apagando.
Então percebi:
- ELE não estava na destruição.
Chorava comigo
Vendo tanta maldade.
Devagarzinho foi:
Pouco a pouco,
Apagando as chamas
Colhendo com as mãos
Os passarinhos caídos,
Dando-lhes novos abrigos,
Junto a Jesus, seu filho.
Então, só então entendi
Deus não estava na fúria do vento,
Nem no fogo que destruía.
Estava, como eu,
Na tristeza do absurdo
Vendo até onde ia
A insensatez do homem.
Elaine Ventureli Caldas
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