Deives Ferreira Castilho
Licenciatura em Física
Universidade Federal de Uberlândia - UFU


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Albert Einstein e Mileva Maric

A imprensa mundial tem explorado o suposto lado perverso da personalidade de Albert Einstein. Essa abordagem, beirando o sensacionalismo, é recorrente quando se trata de mitos e gênios da Humanidade. Esquecem que gênios nas suas especialidades, esses mitos geralmente são absolutamente normais em outras circunstâncias do seu cotidiano, e, como qualquer indivíduo, sujeitos a desvios comportamentais. A história está repleta de exemplos de falsas imagens (valorizadas ou denegridas) de mitos em conseqüência da divulgação de fatos isolados, sem a devida contextualização. É o caso, por exemplo, de uma matéria assinada por Juan Carlos Gumucio ("El País"), veiculada no jornal Folha de São Paulo (FSP) em 27/11/96 (1o caderno, p. 13).

Sob o título Cartas revelam um Einstein dominador, o texto registra as seguintes informações: (1) Mileva Maric, primeira mulher de Einstein, era uma brilhante cientista sérvia que abandonou sua carreira para cuidar dos dois filhos do casal. (2) Em carta de 1914, Einstein teria dirigido a Mileva tratamento mais do que grosseiro ("Você terá de se encarregar de que minha roupa esteja sempre em ordem (...). Você deve renunciar a todo tipo de relações pessoais comigo(...). (3) Einstein mantinha um relacionamento secreto com sua prima Elsa Lowenthal. Outros meios de comunicação exploraram a informação de que depois da separação, Einstein jamais visitou os filhos.

Tendo o parágrafo acima como única fonte, o perfil de Einstein não poderia ser melhor do que o de um monstro. Todavia, é necessário ter em mente o contexto e o provável cenário psicológico para entender comportamentos aparentemente doentios. Talvez o mais biografado dos cientistas, é natural que muita mistificação tenha se difundido a respeito de Einstein. Todavia, biógrafos como Abraham Pais (que privou da sua amizade), Gerald Holton, Jürgen Renn, Robert Schulmann e Phillip Frank constituem fontes fidedígnas, a partir das quais podemos repor a verdade histórica.

Em primeiro lugar, Mileva Maric não era uma "brilhante cientista". Era realmente uma mulher de destacada capacidade intelectual, mas daí a ser brilhante, vai uma grande diferença. A ilação de que ela havia colaborado na formulação da teoria da relatividade surgiu logo depois da descoberta, em 1986, de um conjunto de cartas de Einstein, no período em que este tentava conquistá-la. Em uma ou outra dessas cartas, quando Einstein falava nos estudos, referia-se ao "nosso trabalho". Uma breve polêmica alimentou os meios de comunicação de massa e algumas revistas especializadas, mas o equívoco foi logo evidenciado.

Einstein e Mileva conheceram-se em 1896, quando ambos ingressaram na ETH, juntamente com Marcel Grossman, Louis Kollross, Jakob Ehrat e outros seis calouros. Concluíram o curso no primeiro semestre de 1900, mas ela fracassou, por duas vezes, nos exames para a obtenção do Diplom de professor secundário. Durante a segunda tentativa, em julho de 1901, ela estava com uma gravidez de três meses (Lieserl, a filha de Einstein cujo destino é desconhecido). Deprimida, retorna à casa paterna e abandona o plano para a obtenção do diploma da ETH.Casaram-se em janeiro de 1903. Em maio de 1904 nasce o primogênito, Hans Albert. O segundo filho, Eduard, nasce em julho de 1910, quando são evidentes os sinais de desgaste do casamento. Já em 1909, Mileva escreve para uma amiga reclamando que a fama de Einstein não lhe deixa tempo para a família. Torna-se cada vez mais taciturna e descuidada com a aparência. O sonho estava chegando ao final, mas a gota d’água foi a transferência para Berlin, em 1914, quando supostamente Einstein escreve uma espécie de memorando dirigido a Mileva, no qual ele estabelece as incríveis condições para continuarem juntos. Mileva e os dois filhos retornam para Zurique. Einstein leva os três até a estação ferroviária, e chora na volta para casa (Pais, 1994, p.18).

A partida de Mileva alíviou a vida de Einstein, mas foi com grande dificuldade que ele enfrentou a separação dos filhos. Ao contrário do que tem sido veiculado em parte da imprensa, Einstein não foi um pai relapso. Através do seu grande amigo, Michele Besso, professor na ETH, Einstein mantém-se informado sobre sua família (Speziali). Em dezembro de 1915 ele informa a Besso sua intenção de ir até Zurique para encontrar-se com seus filhos, mas o constante fechamento da fronteira da Alemanha com a Suiça, em razão da primeira guerra mundial, impede sua viagem. Em maio de 1916 ele se mostra contente pelo fato de que o amigo proporciona momentos de diversão aos seus filhos. A correspondência prossegue, alternando discussões científicas com notícias familiares. Ainda em 1916, mostra-se bastante preocupado com o estado de saúde de Mileva, que sofre de uma tuberculose cerebral. Resolve, momentaneamente, não incomodá-la com a questão do divórcio, que afinal será concedido em 1919. Enfim, Einstein e Mileva viveram quase uma década de grande paixão, com um final tão trágico quanto comum. Nesse contexto é mais do que natural que atitudes extremadas tenham sido tomadas em momentos de insuportável tensão.

Em setembro de 1917 Einstein muda-se para a casa da sua prima, Elsa Löwenthal, com quem vive até sua morte, em 20 de dezembro de 1936. Viúvo aos 57 anos, Einstein permanece nesta condição o resto da sua vida, i.e., até 18 de abril de 1955. Sua vida conjugal foi conturbada não apenas pela fracasso do primeiro casamento, mas também pelo saúde debilitada de Mileva e do filho caçula, Eduard. Mileva, em constante crise de melancolia, morreu em Zurique, em 1948. Eduard, que herdou do pai os traços faciais e os talentos musicais, herdou da mãe a tendência para a melancolia. Escreveu poesias. Estudou medicina e queria ser psiquiatra. Muito cedo Einstein reconheceu indícios de demência no filho, que veio a falecer no Hospital Psiquiátrico Burgholz, Zurique, em 1965.

O Genial Cientista Albert Einstein

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