
Em busca do Primeiro Emprego
Em cartas de 1900,
percebe-se a natural preocupação de Einstein com a obtenção de um
emprego. Ao concluir o curso, em agosto de 1900, ele manifesta
esperança de ocupar o cargo de assistente do professor Hurwitz (Renn
e Schulmann, p.65), para logo depois descobrir que perdeu o emprego
por influência do seu ex-orientador, H.F. Weber (Renn e Schulmann,
p. 68). Começam aqui as manifestações de má vontade de seus
ex-professores. Tenta, em vão, empregos de assistente nas
Universidades de Göttingen e de Leipzig. Aliás, o cargo de
assistente na Universidade de Göttingen dificilmente seria ocupado
por Einstein, pois exigia o doutorado. No entanto, havia outro cargo
na mesma universidade que não exigia o doutorado, mas foi ocupado
por Johannes Stark, que veio a se transformar em ardoroso nazista e
ferrenho anti-semita. É interessante chamar a atenção para a
existência do preconceito anti-semita, já que isso incomodava
Einstein sobremaneira. O insucesso na obtenção de um emprego
universitário, logo após a formatura, obriga Einstein a aceitar um
cargo temporário numa escola secundária; alguns meses depois está
desempregado e passa a ministrar eventuais aulas particulares.
Ainda com o forte
impacto do livro de Mach, "História da Mecânica" (Schilpp, p.21) e
sob a influência inicial de Adler, Einstein prossegue seus estudos
científicos com uma visão política marxista. Em 1902, quando se
transfere para Berna, um pouco antes de assumir seu primeiro emprego
fixo, no Departamento Suiço de Patentes (23 de junho de 1902),
Einstein "cria", ao lado de dois amigos, Conrad Habicht e Maurice
Solovine, a Academia Olímpia, que, como toda academia, tem seus
"membros correspondentes" (Paul Habicht, Michele Besso e Marcel
Grossman).
Esse grupo de
boêmios, recém-formados à procura de emprego, constitui uma
contra-cultura das mais profícuas da história da ciência; pode-se
comparar a Academia Olímpia ao grupo de discussão liderado por
Freud, e que na mesma época se reunia em Viena.
As discussões na
Academia Olímpia giravam em torno de ciência, filosofia e política,
a partir das idéias de Marx e Mach. Com esses colegas Einstein
discute seus primeiros trabalhos sobre a teoria da relatividade, mas
muito mais do que interesse científico embutido na formação da
Academia Olímpia, havia, sobretudo, um conflito de gerações e uma
motivação sócio-política muito próxima dos ideais marxistas; Adler
estava por ali para fornecer o suporte teórico!! Simpatias pessoais
são elementos poderosos na fermentação de idiossincrasias e perfis
psicológicos.
Em 1908,
sensibilizado com a situação do amigo, Adler escreve ao pai: "(...)
há um homem chamado Einstein que estudou ao mesmo tempo que eu, e
seguiu os mesmos cursos que eu segui. Nossa evolução foi bastante
semelhante (...); ninguém se sensibiliza com suas necessidades, ele
passou fome durante um certo tempo e durante seus anos de estudos
foi tratado com certo desprezo por seus professores da Escola
Politécnica; a biblioteca lhe foi fechada, etc., ele não sabia como
devia se comportar com as outras pessoas. Finalmente, ele conseguiu
um emprego no Departamento de Patentes de Berna e continuou a
trabalhar em física teórica, a despeito de todas essas
infelicidades. (...) é um escândalo, não apenas aqui, mas também na
Alemanha, o fato de que um homem desta qualidade trabalhe no
departamento de patentes" (Feuer, p. 39). Um pouco depois dessa
carta Einstein é admitido como privadozent na Universidade de Berna.
Numa segunda oportunidade Adler demonstra sua fidelidade ao amigo.
Em 1909, quando surgiu uma vaga para Professor Assistente na
Universidade de Zurique, um conselheiro, correligionário político de
Adler (seu pai ocupava cargo importante no partido socialista)
sugeriu seu nome para a vaga aberta. Ao recusar o cargo, ele
declarou perante o conselheiro: "Sendo possível ter um homem como
Einstein em nossa Universidade, é um absurdo me nomear. Não se pode
comparar minha habilidade de físico com aquela de Einstein. É um
homem que pode elevar o nível geral da Universidade. Não percam esta
ocasião". (Levy, p. 57). Em 7 de maio de 1909, já famoso, Einstein
obtém seu primeiro emprego universitário permanente: Professor
Assistente de Física Teórica da Universidade de Zurique.
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