Deives Ferreira Castilho
Licenciatura em Física
Universidade Federal de Uberlândia - UFU


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QUE SIGNIFICA TUDO ISTO ?

O fato de que os elétrons, fótons e outros objetos quânticos se comportem algumas vezes como partículas e outras vezes como ondas sugere a pergunta de que são "realmente". A postura convencional no que diz respeito a questões desta índole sai de repente dos trabalhos de Bohr, quem acreditou haver descoberto uma interpretação consistente da mecânica quântica. Esta se conhece como a interpretação de Copenhagem, assim chamada pelo instituto de Bohr na Dinamarca, que ele fundou na década de 1920.

Segundo Bohr, não tem sentido perguntar o que é "realmente" um elétron. Ou ao menos, se se coloca a questão, a física não pode dar uma resposta. A física, declarou, não nos diz nada acerca do que é, mas do que podemos comunicarmos sobre o mundo. De concreto, se um físico termina um experimento sobre um sistema quântico, supondo-se que dá uma especificação completa do dispositivo experimental, a física pode então fazer uma predição judiciosa sobre o que o físico poderia observar e conseqüentemente comunicar a seus colegas em uma linguagem compreensível.

No experimento de Young, por exemplo, temos uma escolha clara. Ou deixamos tranqüilos os elétrons e fótons, e observamos sua figura de interferência, ou podemos dar uma olhadela rápida nas trajetórias das partículas e apagar a dita figura. As duas situações não são contraditórias, mas complementares.

De modo similar, existe uma complementaridade posição-momento. Podemos escolher medir a posição de uma partícula em cujo caso seu momento é incerto, ou podemos medir o momento e abandonar o conhecimento de sua posição. Cada uma das qualidades - posição e momento - constitui um aspecto complementar do objeto quântico.

Bohr elevou essas idéias a princípio: o de complementaridade. Na dualidade onda-partícula, por exemplo, as propriedades ondulatórias e corpuscular de um objeto quântico constituem aspectos complementares de seu comportamento. Ele argumentou que não deveríamos encontrar nunca experimentos em que estes dois comportamentos diferentes entram em conflito entre si.

Uma profunda conseqüência das idéias de Bohr é que se altera o tradicional conceito ocidental da relação entre macro e micro, o todo e suas partes. Bohr assegurou que para que tenha sentido falar do que um elétron está fazendo, antes deve se especificar o contexto experimental total; dizer o que se vai medir, como está disposto o aparelho, etc. Assim, pois, a realidade quântica do micromundo está inextrincavelmente ligada com a organização do macromundo. Em outras palavras, a parte não tem sentido exceto em relação com o todo. Este carácter holístico da física quântica tem encontrado uma favorável acolhida entre os seguidores do misticismo oriental, a filosofia encarnada em religiões orientais tais como o Hinduismo, Budismo e Taoísmo. Realmente, nos primeiros momentos da teoria quântica muitos físicos, incluindo Schrödinger, apressaram-se a traçar paralelismos entre o conceito quântico do todo e da parte e o conceito oriental tradicional da unidade harmônica da natureza.

Um conceito central na filosofia de Bohr é a afirmação de que incerteza e confusão são intrínsecas ao mundo quântico e não meramente o resultado de nossa percepção incompleta do mesmo. Isto é um assunto muito sutil. Conhecemos muitos sistemas que são imprevisíveis: as vicissitudes do tempo, a bolsa e a roleta, por exemplo, nos são familiares. Entretanto, tais sistemas não nos forçam a realizar uma reconsideração radical nas leis da física. A razão é que a imprevisibilidade da maioria das coisas cotidiana pode ser esclarecida por não termos informação suficiente para calcular seu comportamento a um nível de detalhe necessário para uma predição exata. No caso da roleta, por exemplo, recorremos a uma descrição estatística. Assim mesmo na termodinâmica clássica se pode descrever adequadamente o comportamento coletivo de miríades de moléculas em média usando mecânica estatística. Entretanto, as flutuações em torno aos valores médios calculados não são nesse caso intrinsecamente indeterminadas porque, em princípio, poderia dar-se uma descrição mecânica completa de cada uma das moléculas em jogo (ignorando neste exemplo os efeitos quânticos!).

Quando se descarta a informação concernente a algumas variáveis dinâmicas, introduz-se um elemento de vacuidade e incerteza em nossa descrição do sistema. Entretanto, sabemos que esta confusão é realmente o resultado da atividade de todas essas variáveis que temos escolhido ignorar. Poderíamos chamá-las "variáveis ocultas". Estão sempre alí, mas nossas observações podem ser demasiadas cruas para fazê-las aparecer. Assim, por exemplo, a medida da pressão de um gás não é suficientemente fina para revelar os movimentos individuais das moléculas.

Por que não podemos atribuir a indeterminação quântica a um nível mais profundo de variáveis ocultas? Uma teoria assim nos capacitaria para descrever a extravagância caótica e aparentemente indeterminada das partículas quânticas como conduzida por um substrato de forças completamente deterministicas. O fato de que parece sermos incapazes de determinar a posição e o momento de um elétron simultaneamente poderia então se atribuir a crua natureza de nosso aparelho, que é também incapaz de sondar o nível mais fino deste substrato.

Einstein estava convencido de que devia ocorrer algo assim; que no final um mundo clássico de causa e efeito familiares reside debaixo da casa de loucos do quantum. Esforçou-se em construir experimentos mentais para verificar a idéia. O mais refinado destes o apresentou em um artigo famoso hoje em dia, escrito em 1935 em colaboração com Boris Padolsky e Nathan Rosen.

O Experimento de Einstein-Podolsky-Rosen (EPR)

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