Deives Ferreira Castilho
Licenciatura em Física
Universidade Federal de Uberlândia - UFU


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O EXPERIMENTO DE EINSTEIN-PODOLSKY-ROSEN (EPR)

O propósito deste experimento ideal era expor as profundas peculiaridades da descrição de um sistema quântico estendido sobre uma região grande do espaço. O experimento nos convida a fazer trapaças ao princípio da incerteza de Heisenberg, olhando de relance a posição e o movimento de uma partícula simultaneamente. A estratégia empregada é usar uma partícula cúmplice para realizar uma medida "com poderes" sobre a partícula de interesse. Suponha-se que uma partícula estacionária fragmenta-se em dois pedaços A e B (veja a Fig. 05). O princípio da incerteza de Heisenberg aparentemente nos proíbe conhecer de maneira simultânea a posição e o momento, seja de A ou de B. Entretanto, devido a lei da ação e reação (conservação do momento), pode-se usar uma medida do momento de B para deduzir o momento de A. De maneira semelhante, por simetria, A terá percorrido uma distância igual à de B desde o ponto de explosão, assim que uma medida da posição de B revela a posição de A.

Um observador em B é livre, a seu capricho, de observar ou bem o momento ou bem a posição de B. Como resultado, conhecerá ou bem o momento ou bem a posição de A, segundo a sua escolha. Em conseqüência, uma observação subsequente de ora o momento , ora a posição de A terá agora um resultado previsível.

Einstein argumentava: "Se, sem perturbar de modo algum um sistema, podemos predizer com certeza..... o valor de uma quantidade física, então existe um elemento de realidade física correspondente a esta quantidade física". Ele, portanto, concluía que na situação descrita a partícula A deve possuir um movimento real ou uma posição real, segundo a escolha do observador em B.

Pois bem, o ponto crucial é o seguinte: Se A e B tiverem separados por um grande trecho, então se é levado a supor que uma medida realizada sobre B pode afetar a A. Ao menos, um pouco, A não pode ser afetada diretamente de modo instantâneo, porque segundo a teoria da relatividade especial nenhum sinal ou influência física pode viajar mais rapidamente que a luz; assim que A não pode "saber" que se tem realizado uma medida sobre B ao menos até o instante em que a luz pudesse chegar a A. Em princípio isto poderia demorar bilhões de anos!!

Bohr refutou o raciocínio de Einstein, reiterando sua filosofia de Copenhagem, de que as propriedades microscópicas de uma partícula quântica devem ser consideradas dentro do contexto macroscópico total. Neste caso uma distante mas correlacionada partícula cúmplice, sujeita a medidas forma uma parte inseparável do sistema quântico. Ainda que nenhum sinal ou influência direta pode viajar entre A e B, isso não significa, segundo Bohr, que podem se ignorar as medidas realizadas sobre B ao discutir as circunstâncias de A. Assim pois, ainda que nenhuma força física real se transmita entre A e B, ambas parecem COOPERAR em seu comportamento numa espécie de conspiração.

Einstein encontrou dificuldade em engolir esta idéia de duas partículas amplamente separadas, que conspiram para dar resultados coordenados de medidas independentes realizadas sobre cada uma delas, ridicularizando-a como "ação à distância fantasma". Ele desejava que sua realidade objetiva se localizará em cada partícula, e foi esta localidade que levaria suas idéias a entrar em conflito com a mecânica quântica. O que se necessitava era uma prova experimental prática que pudesse descriminar entre as idéias de Bohr e Einstein, mostrando a cooperação, ou ação à distância fantasma, em ação. Mas um tal desenvolvimento teve que esperar meio-século.

Teorema de Bell

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