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O EXPERIMENTO DE EINSTEIN-PODOLSKY-ROSEN (EPR)
O
propósito deste experimento ideal era expor as profundas
peculiaridades da descrição de um sistema quântico estendido sobre
uma região grande do espaço. O experimento nos convida a fazer
trapaças ao princípio da incerteza de Heisenberg, olhando de relance
a posição e o movimento de uma partícula simultaneamente. A
estratégia empregada é usar uma partícula cúmplice para realizar uma
medida "com poderes" sobre a partícula de interesse. Suponha-se que
uma partícula estacionária fragmenta-se em dois pedaços A e B (veja
a Fig. 05). O princípio da incerteza de Heisenberg aparentemente nos
proíbe conhecer de maneira simultânea a posição e o momento, seja de
A ou de B. Entretanto, devido a lei da ação e reação (conservação do
momento), pode-se usar uma medida do momento de B para deduzir o
momento de A. De maneira semelhante, por simetria, A terá percorrido
uma distância igual à de B desde o ponto de explosão, assim que uma
medida da posição de B revela a posição de A.
Um
observador em B é livre, a seu capricho, de observar ou bem o
momento ou bem a posição de B. Como resultado, conhecerá ou bem o
momento ou bem a posição de A, segundo a sua escolha. Em
conseqüência, uma observação subsequente de ora o momento , ora a
posição de A terá agora um resultado previsível.
Einstein argumentava: "Se, sem perturbar de modo algum um sistema,
podemos predizer com certeza..... o valor de uma quantidade física,
então existe um elemento de realidade física correspondente a esta
quantidade física". Ele, portanto, concluía que na situação descrita
a partícula A deve possuir um movimento real ou uma posição real,
segundo a escolha do observador em B.
Pois
bem, o ponto crucial é o seguinte: Se A e B tiverem separados por um
grande trecho, então se é levado a supor que uma medida realizada
sobre B pode afetar a A. Ao menos, um pouco, A não pode ser afetada
diretamente de modo instantâneo, porque segundo a teoria da
relatividade especial nenhum sinal ou influência física pode viajar
mais rapidamente que a luz; assim que A não pode "saber" que se tem
realizado uma medida sobre B ao menos até o instante em que a luz
pudesse chegar a A. Em princípio isto poderia demorar bilhões de
anos!!
Bohr
refutou o raciocínio de Einstein, reiterando sua filosofia de
Copenhagem, de que as propriedades microscópicas de uma partícula
quântica devem ser consideradas dentro do contexto macroscópico
total. Neste caso uma distante mas correlacionada partícula
cúmplice, sujeita a medidas forma uma parte inseparável do sistema
quântico. Ainda que nenhum sinal ou influência direta pode viajar
entre A e B, isso não significa, segundo Bohr, que podem se ignorar
as medidas realizadas sobre B ao discutir as circunstâncias de A.
Assim pois, ainda que nenhuma força física real se transmita entre A
e B, ambas parecem COOPERAR em seu comportamento numa espécie de
conspiração.
Einstein encontrou dificuldade em engolir esta idéia de duas
partículas amplamente separadas, que conspiram para dar resultados
coordenados de medidas independentes realizadas sobre cada uma
delas, ridicularizando-a como "ação à distância fantasma". Ele
desejava que sua realidade objetiva se localizará em cada partícula,
e foi esta localidade que levaria suas idéias a entrar em conflito
com a mecânica quântica. O que se necessitava era uma prova
experimental prática que pudesse descriminar entre as idéias de Bohr
e Einstein, mostrando a cooperação, ou ação à distância fantasma, em
ação. Mas um tal desenvolvimento teve que esperar meio-século.
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