Deives Ferreira Castilho
Licenciatura em Física
Universidade Federal de Uberlândia - UFU


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TEOREMA DE BELL

Em 1965 John Bell estudou o problema dos sistemas quânticos e foi capaz de provar um poderoso teorema matemático que resultou em importância crucial para o desenvolvimento de um teste experimental prático. A teoria é essencialmente independente da natureza das partículas e dos detalhes das forças que atuam sobre elas e se concentra sobre as regras da lógica que governam todos os processos de medidas. Daremos um exemplo simples destas últimas: um censo da população britânica não pode de modo algum descobrir que o número de pessoas negras é maior que o número de homens negros mais o número de mulheres de todas as raças.

Bell investigou as correlações que pudessem existir entre os resultados de medidas realizadas simultaneamente sobre duas partículas separadas . Estas medidas podiam ser de posições, momentos, spin, polarizações e outras variáveis dinâmicas das partículas. Muitos pesquisadores tem adotado a polarização como um meio conveniente de estudar as correlações EPR. Suponha-se que uma partícula com momento angular nulo se desintegre em dois fótons A e B. Devido às leis de conservação, um fóton deve ter a mesma polarização que o outro. Isto pode-se confirmar colocando instrumentos de medida perpendiculares aos caminhos das partículas e medindo a polarização em alguma direção comum, digamos "para cima". Acha-se certamente que quando a partícula A passa através do polarizador, a B também passa. Encontra-se 100% de correlação. E vice-versa, se os polarizadores se colocam perpendiculares entre si, cada vez que passa em A fica bloqueado em B. Neste caso há 100% de anticorrelação. Não há nada misterioso nisto; seria certo também na mecânica clássica ordinária.

O teste crucial surge quando os aparelhos de medida da polarização se orientam obliquamente entre si (Veja Fig. 06). Nesse caso esperaríamos algum resultado intermediário entre correlação completa e anticorrelação completa, dependendo dos ângulos escolhidos. Estes podem ser diversos paralela e perpendicularmente à linha de vôo das partículas e poderiam ser variados aleatóriamente de uma medida à seguinte.

Bell planejou descobrir até que limites teóricos podem estar

correlacionados os resultados de tais medidas. Suponha-se, por exemplo, que Einstein estivesse basicamente certo e que o comportamento quântico é realmente o produto de um substrato de forças clássicas caóticas. Suponha-se também que a propagação dos sinais a velocidades superiores à da luz está proibida de acordo com as regras da teoria da relatividade.

Formulada com propriedade, a primeira suposição é o que usualmente se entende por realidade, porque afirma que os objetos quânticos possuem realmente todos os atributos dinâmicos num sentido bem definido em todo momento. A segunda suposição é denominada "localidade" ou às vezes "separabilidade" porque proíbe que os objetos exerçam entre si influências físicas de modo instantâneo quando se encontram separados no espaço.

Aceitando a dupla suposição de "realidade local" e supondo ademais que as regras convencionais da lógica não se vão a pique contra as rochas da incerteza quântica, Bell foi capaz de estabelecer um limite estrito acerca do nível de correlação possível para os resultados de medidas simultâneas sobre as partículas. O "x" da questão é o seguinte. A mecânica quântica de Bohr prediz que sob certas circunstâncias, o grau de cooperação deveria ultrapassar o limite de Bell. Isto é, a visão convencional da mecânica quântica requer um grau de cooperação (ou conspiração) entre sistemas separados que excede o permitido logicamente em qualquer teoria "localmente real". Em conseqüência, o teorema de Bell abre o caminho para um teste direto dos fundamentos da mecânica quântica, assim como para uma discriminação entre a idéia de Einstein de um mundo localmente real e a concepção de Bohr de um mundo algo fantasmagórico, repleto de conspiração subatômica.

O Experimento de Aspect

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