Deives Ferreira Castilho
Licenciatura em Física
Universidade Federal de Uberlândia - UFU


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O EXPERIMENTO DE ASPECT

Tem-se levado a cabo vários experimentos para verificar a desigualdade de Bell. O de maior êxito entre eles foi comunicado por A. Aspect, J. Dalibard e G. Roger em Physical Review Letters (vol. 39, pg. 1804) em dezembro de 1982.

O experimento consistia em medidas de polarização realizadas sobre pares de fótons que se movem em direções opostas e que tem sido emitidos em transições simples por átomos de cálcio. O dispositivo experimental é mostrado na Fig. 07.

No diagrama, a fonte S usava um feixe de átomos de cálcio excitados por um par de laser (isto é, excitação de dois fótons) a um estado (estado S) que podia somente desexcitar-se mediante uma "cascata" de dois fótons. Ao redor de 6 metros de cada lado da fonte colocou-se um comutador óptico-acústico. O princípio empregado foi explorar o fato de que o índice de refração da água varia ligeiramente com a compressão.

No comutador se estabeleceu um onda ultra-sônica estacionária ao redor de 25 MHz usando transdutores dirigidos em sentidos opostos. Fazendo com que os fótons incidissem sobre o comutador com um ângulo próximo do ângulo crítico de reflexão total, era possível trocar as condições de transmissão ou de reflexão em cada semiciclo da onda sonora, quer dizer, a 50 MHz.

Os fótons, ao imergirem segundo a linha da trajetória incidente (através da transmissão) ou desviados (por reflexão) se encontravam com polarizadores, os quais os transmitiriam ou bloqueariam com certas probabilidades definidas. Estes polarizadores estavam orientados segundo ângulos diferentes relativos à polarização dos fótons. O destino dos fótons se monitorava colocando detectores fotomultiplicadores por detrás dos ditos polarizadores. A montagem era idêntica em ambos lados da fonte.

O experimento se realizou monitorando eletronicamente o destino de cada par de fótons e determinando o nível de correlação. A única e essencial característica deste experimento é a capacidade de trocar aleatóriamente, embora os fótons estejam na metade de seus vôos, o caminho subsequente dos fótons, isto é, a qual polarizador serão dirigidos. Isto é equivalente a reordenar os polarizadores de cada lado da fonte tão rapidamente que nenhum sinal pudesse ter tempo suficiente para passar de um ao outro, inclusive à velocidade da luz.

Cada comutação dura ao redor de 10 ns (nanosegundos), o que se compara com a vida média da emissão dos fótons (5 ns) e o tempo de viagem destes (40 ns).

Na prática, a comutação não era estritamente aleatória. As ondas estacionárias geravam-se independentemente a freqüências diferentes. A diferença entre este tipo de comutação e outro verdadeiramente aleatório é irrelevante, exceto no caso das teorias de variáveis ocultas com "conspiração" extremamente irmanada.

Os autores informam que esta sessão típica durava 12.000 s, divididos igualmente entre a disposição descrita mais acima, outra em que se retiraram os polarizadores e uma terceira em que se tirava um polarizador de cada lado. Isto permitiu corrigir os erros sistemáticos nos resultados.

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