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Uma narrativa clara, simples e verídica da guerra foi escrita pelo engenheiro civil inglês George Thompson, que residiu no Paraguai durante 12 anos. Nesse período, foi alistado no exército por Solano López e alcançou o posto de engenheiro-chefe e ajudante-de-campo de López. No transcorrer da guerra foi promovido a Tenente-Coronel. Depois do conflito, o Sr. Thompson, publicou um pequeno livro sobre o episódio, repleto de valorosas informações e sensíveis análises, talvez o mais importante trabalho sobre o assunto.
O Sr. Thompson nos dá uma descrição muito crua do Paraguai, quando Francisco López, o López deste artigo, sucedeu seu pai:
"Provavelmente em nenhum país do mundo a vida, os bens e a propriedade foram tão protegidos como durante a ditatura de Antonio López. Os crimes eram raros e quando aconteciam era imediatamente detectado e punido; a população se considerava feliz e raramente tinha que trabalhar para a ganhar a vida. Cada família possuia casa ou cabana em sua própria terra e nela cultivavam por alguns dias do ano, para consumo próprio, tabaco, milho e mandioca, cujo plantação era raramente cuidada até a colheita. No quintal de cada cabana eles plantavam um pequeno pomar de laranja, cuja fruta lhe são indispensável. Muitas famílias mantinham, também, uma pequena criação de gado. Na realidade, eles tinham muito pouco o que fazer durante o ano inteiro. A classe alta, evidentemente, vivia mais ao estilo europeu e muitas famílias gozavam a vida muito confortavelmente, apesar de as propriedades poder ser requisitadas para o Estado. Este poder não era abusado no tempo do velho ditador. Como para muitos paraguaios a felicidade humana se resumia em deitar sobre um poncho numa sombra, fumar e tocar viola, eles poderiam se considerar muitos felizes e tinham pouco que o fazer. Nenhuma taxa era imposta e o Estado se responsabilizava por muitas despesas. A única fonte de recursos do governo paraguaio provinha da “yerba”, ou chá, que era monopólio do Governo: o estado comprava dos plantadores vinte e cinco libras de “yerba” por $ 1 e vendia, a mesma quantidade, pelo preço que variava entre $ 25 a $32. O Paraguai nunca teve dívidas nacionais” – P. 10-14.
Mas o pacífico e subdesenvolvido Estado nem um pouco satisfez o novo Ditador, Francisco Lopez desejava que seu país fosse proprietário desde as terras adjacentes do rio Paraná até o Rio da Prata, no lado oriental da América do sul. Antonio López,
"Tinha fortificado com algumas baterias de canhões a margem do rio Paraguai na localização chamada Humaitá, nas proximidades da foz com o rio Paraná. Este forte, que era motivo de polêmica e irritação dos vizinhos, constituia de uma trincheira cavada na margem do rio e outra logo atrás, com baterias de canhões que cobriam toda a curva do rio. O Governo Paraguaio obrigava todos os barcos que passavam no local lançar âncora e pedir autorização, antes que pudesse navegar rio acima. Como o rio era o único caminho que o Brasil dispunha para chegar à sua província de Mato Grosso, naturalmente o governo imperial brasileiro desaprovava este procedimento. Os brasileiros, prevendo a eventualidade de a qualquer dia ser necessário destruir Humaitá, vinha gradualmente estocando grande quantidade material bélico em Mato Grosso e tinha, inclusive, mandado construir um forte, chamado Coimbra, nas margens rio Paraguai na entrada da província de Mato Grosso. Este forte, no entanto, não interferia, de nenhuma forma, no comércio ribeirinho. O forte Humaitá e os problemas fronteiriços eram motivos de constante desentendimentos entre os dois governos, o que evidenciava a possibilidade de uma guerra, considerando que nenhum dos lados desistia do que consideravam seus direitos. A guerra, no entanto, foi inicida por López contra a Confederação Argentina e o Brasil, conjuntamente, sem nenhuma declaração formal. O Paraguai tencionava declarar a guerra de modo civilizado, mas não resistiu a tentação de tirar proveito da displicência de seus oponentes e atacou, em tempo de paz, um navio brasileiro e dois argentino" – P. 16, 17.
A guerra, então, tornou-se inevitável. A desculpa para o início do conflito foi a discordância do governo paraguaio com a inteferência do Brasil nos assuntos internos da República da Banda Oriental, país situado na foz do Rio da Prata. Após o ataque paraguaio a navios argentino e brasileiro, resultou a formação de uma liga entre o Brasil, a República Argentina e a Banda Oriental, para destruição do governo paraguaio.
Antes da formação da Aliança, entretanto, López tomou a iniciativa de atacar o Brasil, invadindo a isolada província de Mato Grosso, situada na parte superior do Rio Paraguai. Durante o ano de 1864, López aumentou seu exército de 28.000 para 64.000 homens e, em 14 de dezembro seguinte, mandou uma força de 3000 soldados paraguaios, que embarcou em Assunção, com duas baterias de canhões, para invadir a província de Mato Grosso. O forte brasileiro Coimbra, que guardava a entrada da província, foi atacado no dia 28 de dezembro e sua guarnição após resistir ao primeiro assalto, abandonou a fortaleza no dia 29. A partir desta data nenhuma resistência foi organizada pelos brasileiros para contrapor a invasão. Corumbá, a cidade comercial de Mato Grosso, foi ocupada; um vapor brasileiro foi capturado e os paraguaios se apoderaram de grande quantidade de armamentos e munições deixados pelos brasileiros no forte**. Logo depois, parte da força paraguaia retornou para Assunção.
**A guarnição de 200 homens, após sentir a impossibilidade de continuar resistindo o ataque, evacuou o forte em um pequeno vapor, o Anhambay, deixando grande quantidade de munição, inclusive depósito de pólvora suficiente para suprir, durante um ano inteiro, o exército paraguaio. Os trinta e seis canhões do forte foram tomados. Nota do tradutor.
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