Guerra do Paraguai

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              Com a retirada paraguaia do quadrilátero, o interesse pela guerra, sob o ponto de vista militar, cessou. López não tem mais nenhuma chance. Sua derrota total é uma questão de tempo, homens e dinheiro.
               Na retirada de Humaitá, o exército paraguaio machou através do Chaco para Monte Lindo, localizado nas margens do Paraguai, acima da foz do rio Tebicurary. Estavam indefesos, López prosseguiu e cruzou com seus homens o rio Paraguai e tomou posição nas margens esquerda, atrás do rio Tebicurary, que é caudaloso e deságua no rio Paraguai. O rio era uma dificil barreira natural para ser ultrapassada e os protegia dos invasores vindo do sul. Nesse interim, enquanto os paraguaios fortificavam posições nas proximidades do rio Tebicuary, os aliados cercavam Humaitá.
              A guarnição da fortaleza Humaitá tinha sido deixada, como já mencionado, para lutar sua própria batalha. Sua guarnição não ultrapassava 3 mil soldados, número inadequado de homens para defender corretamente uma extenção de 13 quilômetros de trincheiras. Os alimentos eram insuficientes e somente podiam receber uma pequena quantidade de suprimentos através dos pântanos e do Chaco, ambos localizados abaixo de Humaitá e esta rota foi fechada. López, ancioso para reabrir as comunicações com Humaitá, fez outro esforço, na noite de 9 de julho, para capturar, utilizando canoas, encouraçados aliados que estavam fundeados em Tayi, mas a empresa falhou como na circunstância anterior. Em meados de julho, as provisões tinham se tornado escassas em Humaitá e a fortaleza não podiam ser mantida por muito tempo. Sabendo disso, os Aliados a atacaram com 12 mil homens, no dia 15 de julho e foram repelidos, sofrendo severas perdas (2000, entre mortos e feridos). Na noite do dia 24, a guarnição de Humaitá, tendo exaurido todo estoque de alimentos, silenciosamente evacuou o forte, cruzando o rio em canoas e seguiram para o Chaco no lado oposto, penetrando com suas canoas para o local onde os pântanos cruzam com a laguna, para escapar através dela. Os aliados não estavam dormindo, tão logo descobriram da evasão, reforçaram suas tropas no Chaco com 10 mil homens e introduziram 60 barcos dentro da lagoa. Uma série de escaramuças foram travadas, 1200 paraguaios se renderam, todas as canoas foram destruídas, mas cerca de 1000 paraguaios conseguiram se evadir.
              Quando López soube da queda de Humaitá deixou sua posição de Tebicurary e seguiu em direção à Assunção, dirigindo-se para Pikysyry, ainda então uma fortaleza considerável.
              "Pikysyry está situada ao norte do lago drenado Ypoa, local onde ele se torna mais inundado tomando a forma um largo ‘estero’ que, gradualmente, se torna mais seco, ao se aproximar do rio Paraguai, como um pequeno rio com forte correnteza penetrando na floresta. Esse rio deságua no rio Paraguai em Agostura, onde mede cerca de 18 metros de largura e é muito profundo. A partir deste local termina as terras baixas, com terras secas, com exceção de algumas pequenas áreas. Para o sul, numa extensão de duas léguas, o terreno é quase impassável, exceto pela estrada. Pode-se dizer que daí começa a parte habitável do Paraguai no sentido norte, com a visão das primeiras colinas. A fortaleza de Pikysyry não podia ser tomado pelos flancos, somente por trás através do Chaco. Angostura está situada na curva do rio, tem uma topografia que lembra uma ferradura. É uma posição admirável para construir fortificações defensivas."
              Neste lugar foram construídas duas potentes baterias de canhões, afastadas uma da outra cerca de 640 metros, que dominava os canais e algumas trincheiras foram também construídas ao longo dos canais de Pikysyry. O exército de López que se encontravam atrás dessas linhas não excedia 10.000 homens.
              O exército Aliado, na perseguição a López, acampou em frente desta formidável posição, no dia 22 de setembro. Caxias, que agora era comandante das forças Aliadas, estava convencido de que a posição era muito difícil de ser tomada em ataque frontal, resolveu, então, contorná-la. Para dar cabo a essa estratégia, ele determinou que fosse feita uma estrada através do Chaco para cruzar a base da curva da ferradura, onde seu ápice é Agostura, e alí atravessar o rio atrás das posições de López para marchar pela estrada, margenado o rio acima de Agostura, e depois tornar novamente atravessar o rio e mover pela retarguada do inimigo. No final de novembro a estrada estava pronta, e o exército brasileiro, que contava com 32 mil homens, foi transportado até Chaco e os argentinos foram deixados em frente das linhas de Pikysyry. O exécito brasileiros marchou pela recém construída estrada até a curva do rio, acima das linhas paraguaias. Os encouraçados passaram as baterias instaladas em Agostura, reembarcaram a tropa e a transportaram através dos canais até o rio Paraguai. Tão logo alcançou este ponto, começou a machar em direção sul para atacar a retarguarda do exército de López. No dia 6 de novembro, ocorreu a primeira batalha na passagem do riacho Ytororó, onde se encontrava o grosso do exército de López, cerca de 5000 homens e 12 canhões. Após uma brava e determinada luta corpo-a-corpo, que durou 5 horas, durante as quais a ponte foi tomada e retomada três vezes, até que finalmente no quarto assalto foi definitivamente tomada pelos brasileiros. As perdas paraguaias foram de 6 canhões e cerca de 1200 homens. Houve uma parada nas lutas até 11 de dezembro, quando os brasileiros recomeçaram sua marcha em direção sul. Novamente atacaram os paraguaios em Avay, local onde a guarnição paraguaia contava com uma força de 6000 homens e 12 canhões, que estavam distribuídos pelas margens do Avay. Ali ocorreu uma terrível batalha, que durou quatro horas. Por fim a passagem do rio foi tomada e os paraguaios se renderam para a cavalaria brasileira. Os paraguaios estavam cercados e dificilmente poderiam escapar. Suas armas foram tomadas.


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