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"Na precisão de alvo, o canhão Whitworth é explêndido, mas requer bom artilheiro. Quando uma bomba Whitworth explode, o vôo de seus estilhaços se projetam para frente, fazendo um pequeno ângulo com a trajetória original. Para atinfir os homens que estão protegidos atrás dos parapeitos, os velhos canhões de bombas esféricas são melhores, devido a seus estilhaços se espalhar mais quando explodem. Se as granadas com fusíveis de tempo baterem no chão antes de explodir, elas dificilmente explodirão, porque os fusíveis ficam cheio de terra e o fogo se extinguirá. Uma grande desvantagem da descarga a longa distância do canhão-rifle é que quando o projétil bate no chão, quica e ricocheteia tão alto no ar, sem nenhuma chance de fazer qualquer estrago depois do primerio impacto no solo. O disparo do Whitworth parece ter mais força de penetração em alvos de consistência mais dura e os velhos canhões de bomba esféricas, levam vantagem em substâncias fofas, tipo terra. Os brasileiros dificilmente usavam fúsil de percursão, se eles tivessem usado poderiam ter causado mais destruição com seu contínuo bombardeio, mas faziam apenas pequenos danos que eram reparados imediatamente” P – 196. “O bombardeio era fonte de prazer para todos. Os Aliados gostavam do barulho e pensavam que faziam imensa destruição. Os paraguaios gostavam porque coletavam os projéteis que não explodiam e trocavam por canecas cheias de cereal indígena. López gostava, porque conseguia grande estoque de ferro dos projéteis que não explodiam e que mandava para Assunção para ser reaproveitados na confecção de novos projeteis” – P.205
Em maio de 1867, uma coluna de 5000 soldados brasileiros chegou na província de Mato Grosso, não tentou recuperar qualquer cidade ou base, preferu invadir o norte do Paraguai, que imaginava estar sem defesas. Uma pequena força paraguaia, principalmente cavalaria, foi despachada por López para fazer frente a a invasão. Os brasileiros foram cercados enquanto marchavam na floresta e seus suprimentos foram todos capturados. Esta coluna pereceu miseravelmente, vítimas de cólera e fome, enquanto uma pequena parte foi morta por espadas.
Em julho, o Comando Aliado comecou a preparar seu exército para iniciar uma série de movimentos estratégicos para expulsar de López de suas trincheiras. O General Osório trouxe do Rio Grande 12 mil homens e mais outros largos reforços recebidos de diferentes pontos.
Para entender a estratégia do comando Aliado devemos, por um momento, considerar a posição paraguaia. O campo de trincheiras que estava situado em volta do forte Humaitá formava um quadrilátero irregular. Nos lados oeste e norte ficavam no lado do rio Paraguai e as trincheiras nesse ponto viravam fazendo um ângulo para direita. O lado sul (com uma extensão de 16 quilômetros e muito irregular) era formado por uma série de fortificações que seguiam no sentido de Curupaity, do lado rio paraguaio até as posições na Laguna López, Chichi, Estero Bellaco e o Paso Vai, no estuário. O lado leste (acerca de 8 quilômetros) tinha uma linha de defesa que virava para retaguarda no ângulo da direita do Estero Bellaco e Paso Vai, que cruzava Humaitá. A rota de comunicação terrestre de López com a capital, Assunção, ficava na margem direita do Paraguai, mas devido impenetrável pântano, que se extende por uma considerável distância das margens do rio para o interior, os obrigava a fazer uma grande volta para evitá-lo. A linha de comunicações por água (a principal) era feita pelo rio Paraguai. Os aliados ocupavam as fortificações do lado oposto da face sul do quadrilátero do rio Paraguai e suas rotas de comunicações e suprimento eram feitas através do rio Paraná e Paso la Patria.
Como a experiência havia mostrado que os aliados não podiam forçar passagem através das linhas de defesa paraguaia e cientes das dificuldades, o comando Aliado decidiu movimentar seguindo a seguinte estratégia:
O exército marcharia pelo lado direito, subindo o rio Paraná para um ponto além da face sul do quadilátero paraguaio, de onde cruzaria o Estero Bellaco para tomá-lo e fortificá-lo neste lado e assim ganharia uma posição em frente a face leste. Deste ponto, eles intencionavam, gradualmente, extender os postos avançados para sua direita até que pudessem tomar a estrada que os paraguaios utilizavam para comunicação entre Humaitá e Assunção e, finalmente, através de um longo volteio dos pântanos ao norte, chegar à parte superior do rio Paraguai, no lugar chamado Tayi localizado mais acima de Humaitá, estabelecendo o exército Aliado neste ponto. Mas a experiência também hvia mostrado que o esquadrão de encouraçado, apesar de incapaz de silenciar as baterias paraguaias, não impedia a força naval de passá-las. Ficou decidido que a marinha avançaria em sequência para passar Curupaity e Humaitá e, assim, dominar os rios a partir do forte Humaitá e assim fazer conexão com o flanco direito da infantaria aliado. Quando os encouraçados e a força terrestre se juntassem na parte superior das águas paraguaias, López perderia suas duas linhas de reabastecimento e sua retarguarda, ficando sitiado dentro de suas linhas de defesas, que o obrigaria forçar passagem. Este plano, em seu desenho original, era parecido com o plando que o General Grant desenhou para desalojar o General Lee de suas posições de defesa em Richmond, na Guerra Civil norte-americana. O grande perigo para execução dessa estratégia para os aliados estava na grande extensão que a força terrestre teria que cobrir em seus movimentos para sua direita. Como eles tinham apenas o rio Paraná como linha de comunicação, acima de Paso la Patria, localizado na retaguarda à esquerda, era necessário manter a presente posição para garantir os movimentos da tropa e, ainda, ter que prolongar seus postos no sentido do rio Paraguai, acima de Humaitá, para poder cobrir dois frontes terrestres no quadrilátero. Por outro lado, como grande parte do terreno era impenetrável, estariam naturalmente protegidos de contra-ataque, exceto em certas conhecidas passagens e estas já estavam em seu poder.
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